4 grandes educadores: coaching e educação infantil

4 grandes educadores: coaching e educação infantil

Um pouco de Piaget, Vygotsky, Wallon e Albert Bandura e também de nós mesmos.

 “(…) Todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje (…). Temos de saber o que fomos, para saber o que seremos”. (Paulo Freire)

O pensamento educacional é tão antigo quanto a filosofia, embora ao longo dos anos foi se sofisticando, se relacionando, tomando formas multi, pluri e interdisciplinar, afinal, os saberes se somam e estamos em constante (re) construção. Para alguns estudiosos, o pensamento educacional possui duas grandes vertentes: a idealista e o construtivismo. De modo a atender ao objetivo deste escrito, destacarei o construtivismo com Jean Piaget, Lev Vygotsky, Henri Wallon e Albert Bandura.

Cabe ressaltar que o presente artigo está longe de esgotar as reflexões e os conceitos aqui apresentados desses renomados pensadores.

Tratando-se de uma breve retomada bibliográfica e conceitual, o que envolve habilidades de leitura e linguagem, cabe salientar os estudos das doutoras em Letras pela PUC, Valéria Pereira e Eliane Yunes, estas também pesquisadoras e especialistas na área de formação citadas pela Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio. Não é possível conceber a educação, em qualquer esfera que seja, sem o domínio da leitura em seu sentido amplo como se propõe as pesquisadoras:

 “Quem não lê não é capaz de escrever, em que língua seja. E não somente nas línguas chamadas naturais, mas também subsistemas e códigos como os do corpo, na dança; do traço e do volume no espaço, pintura, escultura, arquitetura; do enquadramento do olho na fotografia, no cinema e ainda sob linguagens mais insuspeitas como as do vestiário, da publicidade, do traço das cidades, do comportamento social” (Eliane Yunes, 2003).

“Não é possível desvincular nenhuma atividade da linguagem, nas suas diversas modalidades, pois ela se inscreve nas sequências de ações com que se concretizam todas as tarefas” (Valéria Pereira, 2015).

Face a esse olhar amplo e complexo da leitura e da linguagem (verbais e não-verbal) como papéis primordiais da compreensão e do senso crítico, bem como por meio desse olhar, retomemos aos seguintes conceitos de forma resumida:

 1. Jean Piaget

Jean Piaget revolucionou a Educação ao mostrar que as crianças não pensam como adultos e constroem o próprio aprendizado. Como princípios básicos proposto por Piaget é que mudanças qualitativas no pensamento da criança ocorrem entre o nascimento e a adolescência. A criança, por sua vez, contribui ativamente para tal desenvolvimento. Piaget propôs também, que o desenvolvimento cognitivo da criança começa com uma capacidade inata de se adaptar ao ambiente ocorrendo em 4 estágios universais e qualitativamente diferentes em termos de operações mentais (teoria dos estágios cognitivos). São eles:

Sensório-motor (nascimento aos 2 anos): por meio de atividades sensoriais e motoras a criança vai organizando atividades em relação ao ambiente;

-Pré-operacional (2 a 7 anos): linguagem e jogos imaginativos são presentes e importantes nesse estágio;

-Operações concretas (7 a 11): nessa fase a criança pode resolver problemas lógicos, diferente do estágio anterior, isto se estiverem focadas no aqui e agora. Quanto a desafios abstratos só no próximo estágio.

-Operações formais (11 anos até a idade adulta): maturidade cognitiva para pensar abstratamente, lidar com situações hipotéticas e pensar sobre possibilidades.

Cabe ressaltar, ainda por Piaget, que em cada etapa do crescimento cognitivo há 3 processos inter-relacionados: organização, adaptação e equilibração:

 -Organização:envolve criar estruturas mentais e padrões organizados de comportamento cada vez mais complexas, ou seja, são padrões de como se comportar em determinadas situações. São nossos esquemas.

-Adaptação:ocorre por intermédio de 2 processos complementares: assimilação (absorção e incorporação de novas informações na mente) e acomodação (implica ajustar as próprias estruturas cognitivas para encaixar as novas informações);

-Equilibração: é o esforço constante para estabelecer a passagem da assimilação para a acomodação. Em outras palavras, esforço do indivíduo para atingir um equilíbrio de compreensão de dado estímulo.

2. Lev Vygotsky

Lev, também psicólogo, concentrou seus estudos nos processos sociais e culturais que norteiam o desenvolvimento cognitivo da criança, cunhando assim, sua teoria sociocultural. Diferente de Piaget, Lev via o desenvolvimento cognitivo como um processo colaborativo, onde a criança aprende através da interações sociais. Para alguns estudiosos mencionando Lev, “os adultos, ou os pares mais desenvolvidos, devem ajudar a direcionar a organizar a aprendizagem da criança antes que possa dominá-la e internalizá-la” (Feldman et al., 2009). Logo, todo o aprendizado é necessariamente mediado. Como reflexo dessa intermediação de modo que o ensino se antecipe ao que o aprendiz ainda não sabe, surgi os conceitos de: zona de desenvolvimento proximal e zona de desenvolvimento real.

 -Zona de desenvolvimento proximal:  percurso entre o que a criança já consegue fazer sozinha e o que ela está perto de conseguir fazer de forma autônoma; seu potencial.  É aquilo que a criança tem potencial de aprender por meio do desenvolvimento de competências sendo ajudado por um adulto.

-Zona de desenvolvimento real:o que criança sabe fazer hoje (e de forma independente. Retrata o amadurecimento.

3. Henri Wallon:

Como médico, psicólogo e filósofo, Wallon demonstrou a importância da educação que integra aspectos intelectuais, efetivos e sociais da criança. Em outras palavras, o desenvolvimento intelectual vai além do que o cérebro em si. Suas ideias estão fundamentadas em 4 elementos básicos inter-relacionados: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa.

 -Afetividade: as emoções alteram a fisiologia e ajudam o indivíduo a se conhecer.

-Movimento: segundo seus estudos, “as emoções dependem fundamentalmente da organização dos espaços para se manifestarem” (Revista escola, 2009), logo, a motricidade tem seu caráter pedagógico em função da sua qualidade do gesto e do movimento, ainda, por sua representação.

-Inteligência: torna-se necessário estabelecer ciclos constantes de boas e novas descobertas para a criança.

Formação do eu como pessoa: por meio do outro que construímos o nosso “eu”, seja para servir como referência seja para ser negado de alguma forma.

 4. Albert Bandura

Para ele, em uma perspectiva sociocognitiva, conforme ressaltam estudiosos, “os processos cognitivos operam à medida que as pessoas observam modelos, aprendem ‘fragmentos’ de comportamento e, mentalmente, juntam esses fragmentos em novos e complexos padrões” (Feldman et al., 2009).

Aqui entra o conceito de modelagem, modelamento e espelhamento. O feedback que a criança vai recebendo ao longo desse processo de modelagem vai, aos poucos, moldando seus padrões comportamentais e de escolhas. Dependendo do tipo de feedback, este pode reforçar determinado comportamento, enfraquecer ou até mesmo cessar.

 De modo a sensibilizar o leitor para a “educação” e para os “cuidados infantis”, seja você pai, mãe, educador, terapeuta, coach, entre outros, chamo a atenção para os conceitos aqui presentes e suas aplicações práticas.

Uma das abordagens metodológicas que se vale da maioria desses princípios descritos acima e que por sua vez vem a se integrar a outras práticas educativas é: coaching voltado para crianças ou Kids Coaching. Tal metodologia foi desenvolvido pela psicóloga, especialista em neurociência com foco em educação e também master coach, Márcia Belmiro.

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Fonte: Artigos Administradores / 4 grandes educadores: coaching e educação infantil

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