A administração e o trade-off desemprego x inflação

A administração e o trade-off desemprego x inflação

Em meio às dificuldades econômico financeiras que o país passa, o Administrador de Empresas reúne competências necessárias às organizações para ultrapassar essa turbulência.

Os números não são nada estimulantes. Os últimos dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram desemprego da ordem de 11,2% na sociedade brasileira. Esta foi a maior taxa registrada desde 2012, período em que tiveram início os apontamentos do índice. De janeiro deste ano até o último levantamento em maio observamos aumento aproximado de 18% no nível de  desemprego.

Como reflexo da forte retração que os mercados vêm apresentando, os quase 11,5 milhões de desempregados fazem parte de uma agenda há muito conhecida para retomar o controle da economia, a famosa “taxa de sacrifício”, onde, para controlar a inflação, se faz necessário desestimular a economia por meio de políticas contracionistas através de diversos mecanismos de controle e que, por consequência, acarreta na retração da demanda, diminuição da atividade econômica, acúmulo de estoques, falta de investimentos e, finalmente, desemprego. Este é um trade-off clássico que nos leva à ideia de que o aumento do número de empregos formais, no curto prazo, leva à uma inflação de demanda, ocasionada pelo aumento da renda ou poder de compra da sociedade. Isto quer dizer que em um período curto (normalmente um ou dois anos) as políticas econômicas empurram desemprego e inflação para sentidos opostos.

Apesar desta dura realidade – com respeito a outras áreas de conhecimento científico, para os profissionais de Administração de Empresas o cenário não é tão pessimista assim. Frente às incertezas, não só econômicas mas também políticas, se faz necessário que nas organizações haja pessoas capazes de planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar os recursos – escassos – para a superação do momento de crise que passamos da melhor e menos traumática maneira possível.

Por ter formação generalista, o Administrador possui condições de tomar decisões mais rápidas e assertivas em cenários imprecisos, pois pode fazer uso de conhecimentos de mercado ligados ao marketing, de produção e logística para tornar as organizações mais eficientes realizando controle dos processos produtivos, de finanças para fazer melhor uso das disponibilidades financeiras e, fundamentalmente, pela capacidade de liderar pessoas na consecução dos resultados, no empenho aos ajustes que se fazem necessários e na difícil tarefa do respeito individual e na manutenção da motivação frente a tantas ameaças e notícias desestimulantes publicadas diariamente.

Fato é que em meio às dificuldades que o país passa, com certeza é possível encontramos vários Administradores somando à estatística do IBGE. Cabe aqui reforçar sobre conhecimentos adquiridos, ainda na academia, ligados ao desenvolvimento de planejamento estratégico empresarial para aplicação em uma atividade que pode auxiliar não somente o profissional que hora encontra-se desempregado, como também a retomada do crescimento: o empreendedorismo sustentável. 

Verdade é que aqui também encontramos um trade-off pois as nações que despontam na lista dos países que mais empreendem no planeta são aqueles que possuem altos índices de desemprego e o Brasil não figurava como líder (até pouco tempo atrás perdia para Uganda e Tailândia), mas a grande relevância aqui analisada é a geração de oportunidades formais no Brasil, seja por Micro e Pequenas Empresas (MPE) ou através de formalização via Micro Empreendedores Individuais (MEI).

O empreendedorismo, seja ele por necessidade ou por oportunidade, não somente cria chances para quem se lança ao projeto de empreender como também gera condições de emprego na sociedade e, mais uma vez, a administração ditará o sucesso ou fracasso do negócio. 

Seja como for, a atualização constante e capacitação técnica do Administrador de Empresas pode criar condições para auxiliar no crescimento de vários setores da economia e fazer com que revertamos o quadro de desemprego atual aproveitando o momento da retomada (que virá) para impulsionar vários segmentos de mercado a obter resultados grandiosos.


Fonte: Artigos Administradores / A administração e o trade-off desemprego x inflação

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