A controladoria e a cultura de gestão das organizações

A controladoria e a cultura de gestão das organizações

Os princípios da Governança Corporativa aterrissaram no Brasil no começo dos anos 90, onde, até então, a maioria das empresas tinha uma estrutura societária familiar passou a contar com a oferta de capital internacional

Certa vez um aluno me perguntou qual era o papel da controladoria em uma organização. Respondi que era ser a fonte do autoconhecimento empresarial, responsável por registrar e prover informações corretas para todo e qualquer tipo de planejamento, seus controles, sua execução e aferição de resultados. E o aluno me fez mais duas perguntas: sempre foi assim? Para planejar corretamente precisa de controladoria? Bem, respondi que para explicar a importância da controladoria no planejamento das empresas precisaria de 15 minutos para contar uma história que começou no final do século XX e tem tudo a ver com Governança Corporativa.

Os princípios da Governança Corporativa aterrissaram no Brasil no começo dos anos 90. O início da abertura da nossa economia no governo Collor, a estabilização da moeda com o Plano Real e as privatizações trouxeram para o Brasil o capital estrangeiro. Um País onde, até então, a maioria das empresas tinha uma estrutura societária familiar passou a contar com a oferta de capital internacional. Esse período foi o marco da entrada do nosso País no famoso “mundo globalizado”. Mas, para tanto, uma regra era clara: para o capital estrangeiro entrar tinha que haver Governança Corporativa. De uma forma muito resumida, a Governança pode ser explicada por meio de quatro grandes princípios: equidade, responsabilidade, transparência e perpetuidade. Para a minha resposta ao aluno, vamos nos concentrar nos dois últimos princípios, o da transparência e o da perpetuidade.

Perpetuidade. Ou seja, toda a administração tem que pensar na longevidade das suas organizações. As estratégias de curto prazo são apenas parte do caminho que levará ao longo prazo. Partindo da lógica que todo caminho pode ter obstáculos, entra em cena, então, um conceito extremamente interessante: a Gestão de Riscos. Risco, por definição, é tudo aquilo que, se acontecer, prejudicará os retornos esperados. Como a Gestão de Riscos de uma empresa fica sob a responsabilidade da controladoria e como todo e qualquer planejamento tem algum tipo de risco e visa um resultado futuro, planejamento e controladoria são indissociáveis.

A transparência, mais do que a obrigação de informar, é o desejo e a prática de informar às partes interessadas, independentemente das exigências legais. Mas de que adiantam os dados, se eles não forem apresentados de forma clara, tempestiva e acurada? Para tanto, as organizações precisam de um sistema de informação robusto, sempre atualizado, confiável e constantemente auditado. Mais uma vez a controladoria entra em ação, pois é ela a principal responsável pela manutenção e gestão do sistema de informação de uma companhia. E como todo planejamento necessita de informações confiáveis, seja para entender o passado ou para projetar o futuro, mais uma vez o planejamento e a controladoria precisam andar de mãos dadas.

O fato é que cada vez mais a controladoria passa a ter um papel de destaque nas organizações. A gestão das informações e o planejamento são apenas exemplos do vasto rol de atividades e responsabilidades da controladoria. É claro que ela não é a protagonista, pois esse papel pertence muito mais aos empreendedores, aqueles que conseguem enxergar o futuro e que estão dispostos a assumir riscos, acreditando em um mundo melhor. Sem eles, não há crescimento econômico e não há desenvolvimento. No entanto, empreendedores sozinhos normalmente naufragam, pois não sabem controlar, planejar e gerir riscos. Por isso é tão importante ter em mente o quanto a controladoria pode auxiliar na cultura de gestão de uma empresa, principalmente nos pequenos e médios empreendimentos. Com essa explicação acredito ter respondido as dúvidas do meu aluno, aquelas do início desse artigo, e ainda aproveito para deixar a seguinte mensagem para outros estudantes, empreendedores ou gestores de qualquer negócio: “empreender sem administrar, não dá!”

Marcos Perillo é CFO e diretor de RI da Bematech.


Fonte: Notícias Administradores / A controladoria e a cultura de gestão das organizações

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