A crise da divergência

A crise da divergência

Fomos criados para viver na “divergência”. Devemos aceitar as diferenças de opinião sem atribuir, àquele de opinião divergente, rótulos ou adjetivos irônicos e pejorativos

É indubitável a relevância dos poucos mais de três milhões de brasileiros que, dentro do exercício de seu direito da livre expressão e do ir e vir, garantido democraticamente pela Constituição Federal, externaram, nesse último dia 13-03-16, – por meio de uma passeata – suas insatisfações contra a corrupção e contra os políticos. Isso é louvável e devemos, sim, considerar.

Devemos considerar também que a mesma Constituição que “embasa o direito acima mencionado dos poucos mais de três milhões” embasa também os “direitos daqueles 54.500.000 pessoas que votaram na atual presidente” de discordarem. É assim a democracia. A maioria vence. Isso requer a tão aclamada “resiliência”!

O que me preocupa é que muitos dos que manifestam – ainda que revestidos de ilibada reputação e indícios de razão para isso – pedindo o fim da corrupção, a saída de uma chefe de estado e a prisão de um “ainda” suspeito pelo simples fato terem chegado a essa conclusão por matérias jornalísticas de um jornal A ou uma revista B.

Muitos desses geralmente omitem informação. Não divulgam, entre outros “delitos lícitos” e comuns do atual sistema político-partidário brasileiro que deputados e senadores de todos os partidos são fisiológicos e adeptos do “toma lá da cá” e que não permitiram, desde o dia 02-01-2015, que a Chefe de Estado governe. Que cerceiam bloqueando pautas e votações enquanto ela não ceder aos seus “pedidos ocultos”! Isso também ocorre no âmbito dos governos estaduais e prefeituras.

Não sejamos simplistas de acreditar que a mudança propagada pelos políticos travestidos de manifestantes resolverá as injustiças e peripécias dos “maus políticos dos outros partidos que ficarão e que certamente se aproveitarão disso” cujas, práticas fisiológicas e egoístas, nos levaram à desigualdade social gritante. Quanto muitos outros casos semelhantes ao esquema “mensalão e lava-jato” foram “engavetados” em governos anteriores? Quem garante que se entrarem não farão o mesmo? O juiz reage a pedidos do MP. Se o MP engaveta ou não investiga, o juiz, por sí só, nada pode fazer.

Não pautem suas análises e conclusões apenas com base naqueles que falam nas rádios, jornais e televisões aquilo que você quer ouvir quando está chateado/abatido/nervoso. Eles querem “vender a falsa ideia de solução simples para problemas graves e complexos”. Considere avaliar outros meios de comunicação. Avaliar outras ideias, pessoas e linhas de pensamentos diferentes das seus.

Freud disse “O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.”

E aí sim tire suas conclusões. Façam suas sugestões.

 Outro ponto é que não é sensato, como vemos em nossos círculos, a iminência de rupturas sejam familiares, de amizades, de trabalho, por conta de divergências. Sejam essas políticas, religiosas ou futebolísticas!

Também não é sensato, a meu ver, exaltar um MM. Juiz porque ele está cumprindo o papel dele. Fazendo o trabalho dele. É para isso que ele é pago. É o dever dele fazer o que tem feito com a imparcialidade que o cargo exige a qual está metaforicamente estampada no símbolo da justiça (que é cega).

Não me exalto no meu dever de cidadão ou empregado quando cumpro com minhas obrigações. Por que isso é meu dever. É o justo e o correto! É o mínimo que tenho de fazer!

Respeitar as opiniões divergentes é aceitar a diversidade e a essência dos direitos universais de cada povo. De cada pessoa. De cada região. De cada comunidade.

E respeitar a opinião alheia sem emitir juízo de valor é mais uma prova que – mesmo com suas diferenças/divergências – é possível viver em comunidade. É possivel exercer a maturidade. Porque não existe dúvida sobre o que é “certo” e sobre o que é “errado”. Todos devem fazer o que é certo (moral e eticamente).

Por outro lado respeitar a opinião do colega. Não indica que eu concordo. Mas tenho que ouvir. Avaliar. E externar a discordância no momento apropriado. De forma respeitosa e humilde. A “verdade” não pode “ter um dono”.

E o fato de eu não concordar não indica – muito menos ainda – que o colega é “burro” e eu sou “inteligente” ou vice-versa. Essa é a crise da “divergência”. E toda crise tem implícita suas “oportunidades”!

Fomos criados para viver na “divergência”. Devemos aceitar as diferenças de opinião sem atribuir, àquele de opinião divergente, rótulos ou adjetivos irônicos e pejorativos.

A mão tem cinco dedos e nenhum deles são iguais ou do mesmo tamanho. E se assim fossem, é fato, que não conseguiríamos pegar quase nada!

A constituição tem nossos direitos. É é fato que são nossos – “todos” – direitos!


Fonte: Artigos Administradores / A crise da divergência

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