A diferença entre líder e chefe sob a ótica dos estudos sobre liderança

A diferença entre líder e chefe sob a ótica dos estudos sobre liderança

Liderança pressupõe habilidades inter-relacionais, visando mover pessoas rumo a objetivos organizacionais.

O estudo sobre liderança ganha imenso respaldo nos dias atuais, principalmente quando se observa maior foco no empoderamento de pessoas dentro das organizações por parte dos gestores. Dito isso, e ao contrário do chefe, líderes têm a capacidade de influenciar pessoas para que se atinjam os objetivos organizacionais. Tal pensamento ganha respaldo na fala de Blanchard (2009) quando este afirma que liderança não é apenas ter um cargo de poder, e sim gerar no outro a capacidade de promover mudanças e ações positivas. O chefe é aquele que manda, pune, é egocêntrico, fiscaliza e desmoraliza; o líder é aquele que entende que o poder dele flui por meio dele, e não dele (BLANCHARD, 2009).

Partindo dessas ideias, liderança pressupõe habilidades inter-relacionais (empatia e senso de trabalho em equipe), visando mover pessoas (empoderamento) rumo a objetivos (resultados) organizacionais. Ao contrário do líder, o chefe se apoia no comando de pessoas, impondo ordens e colocando em prática seu autoritarismo. Percebe-se também na figura do chefe maior centralização de poder e foco apenas nos resultados e lucros, além de serem temidos e não respeitados, gerando, por sua vez, insatisfação por parte dos colaboradores no tocante à ação do comandante. O chefe vê seus funcionários como subordinados que devem seguir suas ordens da maneira que ele acha mais eficaz, sem pensar na coletividade e nunca incentiva ou motiva, já que acha que realizar um trabalho excelente é dever do funcionário e, quando isso não é visto, o chefe faz questão de apontar os erros.

Como contraponto, o líder conduz as pessoas e as inspira, sendo, portanto, um motivador de sua equipe, bem como um condutor rumo à direção estratégica delineada pela organização. Os líderes têm tendência a serem muito respeitados por seus funcionários, e o respeito têm muito mais eficiência do que o temor. A busca do líder não é só pelos resultados; mas pela melhor maneira de se alcançar tais resultados, uma vez que o poder não é visto como algo centralizado, e sim uma responsabilidade que deve ser dividida. O líder procura trazer o melhor de cada um à tona e valoriza as habilidades dos indivíduos, respeitando suas dificuldades e trabalhando junto com as pessoas para superar os gargalos.

Visando, pois, a uma melhoria da capacidade de liderar (sabendo que a liderança pode ser potencializada, tal qual elucidam as Teorias Contingenciais da Liderança, que levam em conta o papel do líder, do grupo de liderados e da situação organizacional), bem como fazer com que a equipe reconheça o papel do líder no processo de condução gerencial, o primeiro passo é reconhecer-se como falho, vulnerável. Essa atitude coloca o líder em pé de igualdade com seus colaboradores, humanizando-o. Em seguida, é preciso colher respostas da equipe no intuito de saber onde há gargalos, do ponto de vista do processo de liderança. A partir disso, perceber que é preciso mudar comportamentos e atitudes visando à aceitação do líder por parte dos colaboradores.

Em outro momento, uma vez estabelecida conexão entre líder e liderados, é preciso motivar estes últimos para os resultados organizacionais. Entra em cena a liderança transformacional, a qual prega a transcendência de interesses individuais em favor do bem corporativo. Para tanto, é preciso conhecer bem a equipe de trabalho, saber seus anseios, seus pontos vulneráveis e seus pontos fortes. Neste momento, o líder precisa ter capacidade analítica na adequação de sua equipe frente às demandas organizacionais, sem deixar de empoderá-la.

Para finalizar, ganha relevância a fala de Kouzes & Posner (2014) quando dizem que liderança tem a ver com relacionamentos, credibilidade e com aquilo que se pratica. Sobre isso, para motivar colaboradores rumo ao extraordinário dentro das organizações, os autores elencam práticas simples e que podem ser perfeitamente exequíveis. Como exemplo de liderança, os gestores precisam definir o caminho a ser percorrido (metas claras e objetivas); inspirar uma visão compartilhada (o sucesso de um é o sucesso de todos); definir o processo (traçar estratégias para se chegar aos resultados); capacitar as pessoas (foco em treinamento e no empoderamento da equipe de trabalho e encorajar o coração (fazer com que as pessoas se sintam importantes quando chegam aos resultados esperados, bem como confortá-las quando há erros no processo).

Referências:

BLANCHARD, Ken. Princípios da liderança. São Paulo: Garimpo, 2009.

KOUZES, J. M.; POSNER, B. Z. Inventário das Práticas de Liderança – LPI. San Francisco: Pfeiffer, 2003.


Fonte: Artigos Administradores / A diferença entre líder e chefe sob a ótica dos estudos sobre liderança

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