A linha tênue entre a pressão e a depressão

A linha tênue entre a pressão e a depressão

Sobre felicidade, pressão, depressão e trabalho

Felicidade, felicidade, felicidade, sempre colocamos ela como um objetivo para os nossos dias. Ser feliz em casa, ser feliz no relacionamento, ser feliz no trabalho, ser feliz na profissão, ser feliz em tudo. Tentamos seguir receitas prontas, não dá certo, inventamos a nossa própria, não dá certo de novo. Lamentamos, reclamamos, passamos dias e dias sedentos de felicidade, esperando um sinal, uma luz. Pequenos eventos acontecem, nos sentimos bem, resgatamos a esperança de que ela finalmente chegou para ficar, outros pequenos eventos acontecem e mais uma vez cria-se o desconforto.

Pressão da família, pressão dos amigos, pressão financeira, pressão do trabalho, pressão do trabalho, pressão do trabalho, chateação, ausência de felicidade, depressão, afastamento do trabalho para resgatar a felicidade perdida, mais depressão, remédios, terapias, pequenas melhoras, retorno ao trabalho, pressão, pressão, pressão, depressão, afastamento. Que ciclo vicioso é esse? Onde estamos errando? Onde as empresas estão errando?

Escuta-se muito: fazer mais com menos. Somos um, recebemos por um, mas temos que render por três e continuar sorrindo nos corredores. Ouve-se o discurso de saúde no trabalho, qualidade de vida no trabalho, meros discursos que não saem do papel em grande parte dos casos. Nos adaptamos a isso ou somos descartados, mas espera aí, pessoas são descartáveis ou objetos são descartáveis? Somos pessoas no trabalho ou somos objetos? Depende do ponto de vista, da gestão ou da sua postura enquanto profissional?

Difícil encontrar respostas, mas sem perceber vamos perdendo o brilho nos olhos e a felicidade tão esperada vai escorrendo pelos dedos, afinal, criamos a ilusão de que existem áreas dentro de todas as organizações que são capacitadas e treinadas para lembrar uma organização inteira de que pessoas merecem ser tratadas como pessoas, não como objetos, mas vivemos uma incoerência constante e isso frustra, natural.

A depressão está muitas vezes relacionada ao trabalho, enquanto as organizações criam uma vitrine de discursos bonitos, vivem uma prática tão depressiva quanto as pessoas que se afastam do ambiente de trabalho para recuperar a felicidade perdida e uma coisa é certa, a pessoa pode se salvar, mas a organização muitas vezes não consegue reencontrar o caminho e ao invés de atuar como agente transformador, atua como agente deformador. Uma das soluções talvez seja trabalhar para viver e não viver para trabalhar, clichê, porém, saudável, fique atento aos sinais e se sua empresa se enquadra nesse perfil, não seja impulsivo, mas repense a sua permanência dentro dela.

Publicado originalmente em http://construindosignificados.com/2015/08/06/felicidade-e-so-questao-de-ser/


Fonte: Artigos Administradores / A linha tênue entre a pressão e a depressão

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