A publicidade como um viés libertário

A publicidade como um viés libertário

A publicidade pode ser um viés libertário, na seara profissional, como instrumento de fortalecimento concorrencial, agregando ao profissional o seu devido papel de protagonista e gerador de riqueza no mercado de consumo.

A publicidade pode ser compreendida como toda comunicação inserida nos veículos de comunicação social ou nos produtos, destinada a influenciar direta ou indiretamente o público na aquisição de produtos ou serviços colocados no mercado de consumo.

Os objetivos da publicidade podem ser classificados em função de seu propósito em informar, persuadir ou lembrar o consumidor ou público alvo a respeito de determinado produto ou serviço.

Contudo, destaca-se a sua importância no ato de ampliar e favorecer a concorrência entre os famigerados agentes de modo a reprimir a existência de oligopólios na economia. 

Sob este aspecto, a publicidade deve ser um instrumento de cooperação e não de dominação.

É instrumento de cooperação no sentido de estimular a livre concorrência, permitindo a qualquer agente, independente de seu tamanho no mercado, encontrar seu nicho, sua identidade e seu valor, de modo a atender aos anseios da classe consumidora de serviços e consumos, ávidos por serviços personalizados e de qualidade.

Os efeitos benéficos decorrentes de sua ação são evidentes: ao estimular a concorrência, obriga aos diversos agentes, a investirem no desenvolvimento de qualidade contínua, oferecendo melhor custo-benefício na aquisição de seus produtos e serviços.

Deste modo, salvo a repressão a publicidades ilícitas, assim consideradas no ordenamento jurídico, é de urgente clamor a necessidade de uma maior liberdade publicitária no seio de certos prestadores de serviço, ora restringida por órgãos de classe, sob a égide de evitar a propagada mercantilização da profissão.

Ora, a competição entre agentes é uma consequência do mercado, e este, no final, seleciona e avalia para o seu destinatário, qual é o profissional mais responsável e competente, daquele que só se preocupa com o marketing.

Ainda que, com espeque na tradição, os prestadores de serviço precisam evoluir com as mudanças tecnológicas e de costumes, para alcançarem a liberdade de competição, e, atuarem mais próximos de seus destinatários.

No tocante a gestão, não há diferença entre os diversos prestadores de serviços, sem embargos da atuação de um órgão de classe regulador: encargos trabalhistas, salários, capital de giro, investimentos e custos do negócio.

Para geri-los é necessário à elaboração de um plano de negócio bem sedimentado, contemplando aspectos como: tamanho, especialização, nicho de mercado, rentabilidade e necessidade de crescimento, entre outros, cujo estudo é imprescindível à sobrevivência no mercado.

Portanto, sob este aspecto, a publicidade preenche a lacuna de possibilitar o acesso, enquanto direito à informação, do destinatário aos diversos serviços especializados oferecidos, de forma a viabilizar cada vez mais negócios, com a inserção de novas ideias e profissionais no mercado.

É insuficiente o mero conhecimento técnico especializado de determinada profissão, para o profissional se estabelecer no mercado, como agente econômico, livre e independente.

Somente vão permanecer na atividade, e crescer, os que oferecerem aos seus destinatários mais do que conhecimentos específicos, devendo, os diversos agentes agregarem valor e um diferencial nos serviços prestados, canalizados por técnicas adequadas de gestão e publicidade.

Nesta sequência, é interessante compreender que o sucesso de uma empresa/negócio não está vinculado ao tamanho de seus ativos tangíveis. A riqueza econômica de um empreendimento está na concepção do negócio, na capacidade de se manter o volume de atividade com cada vez menos capital, e identificar estratégias financeiras ajustadas à nova ordem econômica.

Deste modo, restringe-se a falácia o argumento de que a liberação total da publicidade, aos tradicionais e clássicos prestadores de serviços seria prejudicial aos pequenos negócios – porquanto, seriam dizimados pelos grandes, nos dizeres de seus defensores – vez, que, conforme dito acima, a viabilidade financeira não depende do tamanho dos ativos tangíveis do negócio.

Soa tais argumentos, como retrógrados, e, protecionistas, como uma tentativa de estabelecer uma reserva de mercado, ou mesmo, manter o status quo vigente, impedindo a renovação, diversidade e o crescimento saudável e livre de um mercado de consumo em constante evolução.

E, mais, a publicidade quando bem elaborada evidencia a qualidade dos serviços ofertados. No conceito moderno de vantagem competitiva, qualidade é a empresa ou prestador ter o produto ou serviço desejado pelo destinatário ao preço que esteja disposto a pagar.

Entretanto, a tarefa não é fácil. É preciso de certo tempo para a inserção de novas culturas, bem como para o progresso econômico e social de países como o nosso.

O mundo sofreu mudanças profundas e rápidas nas últimas décadas, para não dizer nos últimos anos. Grande parte da crise atual, e das incertezas do futuro, está em nossa incapacidade de compreender estas mudanças, as novas tendências do mercado, e cada empresário e prestador de serviço entender efetivamente o seu próprio negócio.

Não estamos defendendo um mundo ideal. Longe disso.

Contudo, acreditamos que a publicidade pode ser um viés libertário, na seara profissional, como instrumento de fortalecimento concorrencial, agregando ao profissional o seu devido papel de protagonista e gerador de riqueza no mercado de consumo.

 

 


Fonte: Artigos Administradores / A publicidade como um viés libertário

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