A redução do Fies compromete a gestão das Instituições de Ensino Superiores privadas

A redução do Fies compromete a gestão das Instituições de Ensino Superiores privadas

O gorverno precisa rever as políticas de financiamento estudantil (Fies) para não comprometer, ainda mais, o cenário econômico educacional, em 2016

Em 2010, ocorreu uma revolução nas matrículas dos cursos de graduação de Instituições de Ensino Superior (IES) privadas . Quando a administração dos recursos destinados aos financiamentos estudantis (Fies) foi transferida para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ocorreu uma expansão da oferta de Fies. Nos anos anteriores as instituições de ensino podiam utilizar os recursos do Fies, apenas para pagar impostos. Os contratos eram emitidos apenas pela Caixa Econômica Federal que exigia fiador. O FNDE, liberou a contratação do Fies pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Além de autorizar o pagamento de recursos excedentes (recompra) e dispensar a apresentação de fiador. Logo, o FNDE pagava, para as IES privadas, os valores provenientes do Fies. As instituições utilizavam o saldo do Fies para abater dos impostos e o valor excedente era pago (recompra) pelo FNDE. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, também, autorizou a oferta de Fies 100%, sem fiador e financiamentos ilimitadas para todas as instituições.

Este cenário iniciou o processo de estatização das instituições privadas de ensino superior, pois as pessoas podiam fazer cursos de graduação, financiando 100% das mensalidades. O número de matrículas aumentou exponencialmente e as instituições iniciaram um processo de dependência financeira de recursos governamentais do FNDE. Atualmente, algumas instituições de ensino superior possuem todos os alunos matriculados com Fies 100%. Logo, são instituições privadas, mantidas com recursos governamentais e vulneráveis a mudanças na política econômica.
Até 2014, as instituições de ensino superior viviam momentos de expansão nas matrículas e nos investimentos em ampliação da oferta de novos cursos.

No início de 2015, o governo adotou medidas de restrição das ofertas de novos financiamentos estudantis (Fies). A consequência foi uma redução de mais de 30% nas matrículas em cursos de graduação de IES privadas. Em 2015 o número de novos contratos de Fies representou uma redução de mais de 50% em comparação com 2014. Saiba mais em:

http://www.noticiasaominuto.com.br/economia/159602/reducao-no-fies-aumenta-a-procura-por-credito-estudantil-privado

Essas medidas foram no mínimo inconsequentes, pois atualmente 70% do mercado educacional é composto por instituições de ensino superior privadas. Muitas IES tiveram problemas com a evasão de alunos que ingressaram no primeiro semestre de 2015, contando com o Fies. Os alunos que não contrataram o Fies, evadiram e aumentaram a inadimplência das Instituições de Ensino Superior. Essa situação comprometeu os resultados das IES que mantiveram o corpo docente com turmas em processo de evasão durante todo o primeiro semestre de 2015. Saiba mais em:

http://www.folhadirigida.com.br/fd/Satellite/educacao/noticiario/Em-artigo-educador-critica-reducao-do-Fies-2000149070525-1400002102372/

No segundo semestre de 2015, muitas instituições de ensino superior não alcançaram os resultados planejados, devido a redução da formação de novas turmas e evasão de ingressantes, do primeiro semestres de 2015, que não conseguiram contratar o Fies. É preocupante quando vemos os principais grupos educacionais, do pais, registrando quedas em suas ações. Nesta ano, as ações da Estácio caíram 34% e as da Kroton recuaram 35%. Os papéis da Anima têm baixa de 64% desde janeiro e os da Ser perdem quase 70%. Saiba mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/4331254/incerteza-sobre-fies-gera-perdas-em-acoes-de-empresas-de-educacao

Devo admitir que os critérios, adotados para o Fies entre 2010 e 2014, não estavam coerentes com a realidade econômica. A oferta de financiamento estudantil, com juros de 3,4% ao ano, incentivou muitos alunos a contratar o Fies, mesmo tendo condições de pagar as mensalidades integralmente. A falta de critérios socioeconômicos propiciou uma expansão desnecessária da utilização de recursos financeiros do FNDE.

Os financiamentos estudantis devem ser restabelecidos em 2016 com todas as critérios anteriores, mas com critérios socioeconômicos capazes de favorecer apenas aos brasileiros que realmente precisam de ajuda financeira para ingressar no ensino superior. Saiba mais em:

https://www.bemparana.com.br/noticia/417857/ensino-superior-cria-alternativas-ao-fies

Mesmo diante da incerteza, provocada pela redução da oferta de Fies, o FNDE vem sistematicamente atrasando o pagamento dos repasses para as instituições de ensino superior. Essas medidas comprometem o fluxo de caixa das instituições de ensino superior que devem honrar seus compromissos com fornecedores e folha de pagamento. É praticamente impossível gerir uma IES com a incerteza, quanto aos recebimentos de repasse do Fies. Muitas instituições de ensino superior estão atrasando os pagamentos de salários por desajustes no fluxo de caixa. Devemos lembrar que a redução da oferta de Fies compromete os Planos de Desenvolvimento da Educação para esta década. Saiba mais em:

http://www.noticiasaominuto.com.br/economia/159602/reducao-no-fies-aumenta-a-procura-por-credito-estudantil-privado

 

Algumas instituições financeira privadas estão ampliando suas linhas de financiamento estudantil, no entanto, são financiamentos de 50% e com taxas de juros superiores às oferecidas pelo Fies. Instituições privadas de Ensino Superior estão buscando alternativas ao ofertar financiamentos próprios (de 50%), sem taxa de juros, mas é impossível disponibilizá-los para todos os alunos. Os estudantes alegam que financiamentos de 50% não atendem a suas necessidade de auxilio para pagamento das mensalidades. Logo, essas alternativas são paliativas e são capazes apenas de minimizar todos os problemas causados pelas mudanças nas políticas econômicas.

http://www.noticiasaominuto.com.br/economia/159602/reducao-no-fies-aumenta-a-procura-por-credito-estudantil-privado

A dependência financeira, das instituições privadas de ensino superior, provocadas por políticas econômicas irresponsáveis, criou um processo de estatização da educação superior no Brasil. O governo precisa reavaliar o programa de financiamento estudantil (Fies), em 2016, para não agravar as consequências listadas, a cima. Mas as instituições de ensino superior privadas precisam rever suas estratégias de capitação de ingressantes e oferta de benefícios. Em um cenário econômico, sem Fies, são as instituições que ofertam graduação a distância que prosperam, pois as mensalidades são mais acessíveis. Outra alternativa é o investimento em cursos semi-presenciais que são capazes de ofertar formação superior com mensalidades intermediárias entre a modalidade a distância e presencial. Saiba mais em:

http://www.folhadirigida.com.br/fd/Satellite/educacao/noticiario/Em-artigo-educador-critica-reducao-do-Fies-2000149070525-1400002102372/


Fonte: Artigos Administradores / A redução do Fies compromete a gestão das Instituições de Ensino Superiores privadas

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