A revolução da indústria e suas veias abertas

A revolução da indústria e suas veias abertas

Este artigo mostra uma relação entre as teorias da escola clássica da administração e os impactos sociais que seus conceitos trouxeram para a sociedade. A continua busca das organizações pela diminuição de custos e maximização de lucros através de suas inovações tecnológicas e as mudanças causadas pela revolução da industria por todo planeta

     É certo que a revolução industrial com seus avanços tecnológicos modificou o mundo e a forma como negociamos. Sua origem foi na Inglaterra (Fim do séc. XVII – Início do séc. XVIII) se espalhando pelos países da Europa ocidental aquecendo toda a economia existente naquela região, gerando as grandes cidades e os centros comerciais, entretanto, esses centros abrigavam uma extensa massa de operários que dependia diretamente de suas moradias – Na maioria das vezes sem condições essenciais de existência – mais pelo fato da proximidade de onde trabalhavam dando origem a cidades como Londres, Manchester, Lancashire, Yorkshire entre outras… Essas mudanças deram o ponta pé inicial para uma cadeia de evoluções globais que ainda estaria por vir.

     Os reflexos de suas mudanças foram sentidos em toda parte do mundo, mas em nenhum outro lugar sua influência renderia tantos resultados como aconteceu nos Estados Unidos. Em pouco tempo seu desenvolvimento provocou resultados jamais vistos antes quando comparados ao crescimento econômico que a Europa apresentou. Podemos ter uma ideia do tamanho deste crescimento com uma reprodução feita pelo canal “History Chanel” onde uma dimensão é dada com muita clareza no episódio 4 da série “Gigantes da Indústria” que também se relaciona o que estaria por vir com o título “Derramamento de sangue”.

     Este avanço alterou rapidamente nossos meios de produção industrial, locomoção, comunicação e muitos outros. Se antes tínhamos toda renda concentrada na manufatura artesã com seus trabalhadores rurais, agora temos uma grande rede de industriais que esfacelaram esse sistema feudalista. Essa centralização de capital inicialmente dividiu a sociedade em dois grandes grupos, a classe proprietária (Burguesia) detentora de quase todo capital existente e seus meios de capitalização e a classe operária (Proletariado) subordinada aos interesses da burguesia crescente e sem grandes expectativas de vida.

    Esse esfacelamento foi decisivo para a entrada do novo sistema ao qual chamamos de capitalismo e que também teve início na Europa (do século XI ao século XV) com a transferência da vida econômica social e política dos feudos para as cidades. Podemos considerar essa nova era “Moderna” exatamente, como uma época de “Revolução Social” onde a base se estabelece na Substituição do modo de produção feudal pelo modo de produção capitalista. Com as grandes revoluções Liberais da idade moderna como a Revolução Inglesa, Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos, tivemos como princípio a predominância do sistema capitalista como sistema econômico vigente da época o que construiu toda estrutura institucional de suporte ao desenvolvimento capitalista dando início ao que chamamos hoje de “Capitalismo Moderno”.

     Analisando a velocidade com que os Estados Unidos se desenvolveu utilizando as maravilhas modernas que surgiram inicialmente na Europa (Máquina de fiação o Tear mecânico e o motor a vapor) o sistema capitalista também foi algo que lhes serviu utilizar muito bem inclusive e é o que justifica o título “Derramamento de Sangue” da série “Gigantes da Industria” citado a pouco como reação social dos indivíduos pertencentes ao sistema que agora à só uma parcela da sociedade pertencera, a classe proprietária.

     Essa guerra social sem chances para as classes menos favorecidas, fez com que se criassem sindicatos trabalhistas que nada mais eram que uniões revolucionárias a fim de exigir seus direitos ignorados pela classe proprietária e que provocava-lhes grande revolta, podemos citar como exemplo as leis que os obrigavam a trabalhar mais de 10 horas por dia, o descaso com as condições de trabalho desumanas e entre outras. Como vimos, essa guerra entre classes opressoras e oprimidas era evidente, mas para se oprimir uma classe é necessário ao mínimo assegurar-lhes condições de sua existência, garantindo então sua continua utilidade o que por lógica não acontecia passando por despercebida pelos grandes capitalistas daquela época.

     Pouco se importavam com as condições dos operários, esta era uma característica predominante entre os grandes detentores de capital como podemos ler no livro de um dos grandes teóricos revolucionário Alemão chamado Friedrich Engels (1820-1895) que em uma de suas obras relata as condições de vida de trabalhadores ingleses e sua luta por melhores condições de trabalho no início da revolução industrial – “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”.

     De um lado, vimos pessoas ao longo da história que se dedicaram a estudar cientificamente e relatar os comportamentos sociais com intuito de reformar as bases da sociedade e até mesmo contribuir para mudanças mais expressivas ao redor do mundo, de outro, vimos pessoas concentradas em estudar cientificamente mecanismos de produção para o aprimoramento e expansão da produtividade industrial (propriedade privada) contribuindo diretamente para as melhorias nos meios de produções das grandes industrias gerando mais produtividade e crescimento econômico , que é o caso do grande engenheiro Frederick W. Taylor (1856-1915) que em uma de suas obras “Princípios da Administração Científica” tratou de estudar de forma mecanicista cada processo da linha de produção utilizando o máximo da capacidade de cada operário para diminuir os custos e maximizar a lucratividade  (uma vez que se atribuía uma única função a cada operário de acordo com as suas características físicas).

     É de interesse àqueles que necessitem de uma visão ilustrada dessas situações, que busquem outras fontes para se estender a visão do que cada estudo contribuiu para a sociedade como consumidores e como produtores de seu próprio produto naquela época. Esta ideia de extrair de cada operário o máximo de sua eficiência através da atribuição de uma única função, rendeu uma crítica muito interessante feita pelo cineasta Charlie Chaplin na década de 1930 onde em um de seus filmes “Tempos Modernos” tentava nos mostrar a causa e efeito desse pensamento sistêmico através de seu personagem “O vagabundo” detalhando com ironia a ideia das maquinas tomarem o lugar dos homens nas indústrias e a divisão entre o rico e o pobre.

    Seguindo a linha do tempo logo após a morte do grande engenheiro Frederick W. Taylor (Considerado por muitos, pai da administração científica) surge uma linha de pensamento completamente oposta à de Taylor visando agora os processos administrativos pensados de cima para baixo fundadas pelo também engenheiro Jules Henry Fayol (1841-1925) estudada durante 58 anos e publicada no ano de 1916 e só traduzida para o inglês na década de 1930. A chamada “Administração Industrial Geral” trazia conceitos gerais com sua “Teoria geral da administração” onde acreditava ser possível ensinar estes conceitos no ramo do ensino, nasceu então a profissão do administrador. Estes processos contribuíram muito para o desenvolvimento da “Era moderna” onde houve a junção do pensamento mecanicista através dos meios de produção (Taylor) e o conceito verticalizado de gerenciamento através da atribuição de posições hierárquicas dentro das organizações.

     É importante entender que estas linhas de pensamento se inter-relacionam porque acabam compondo o que chamamos hoje de “Escola clássica da administração” pois utilizam conceitos destes grandes pensadores como sendo os primeiros a explorarem  essas ideias que utilizamos até os dias de hoje.

    Não menos importante para a criação do conceito de “Organização” nos dias de hoje, surge George Elton Mayo (1880-1849) psicólogo australiano e pesquisador das organizações como um todo, que resolve então fazer uma pesquisa que popularizou-se como o estudo de “Hawthorne” entre os anos de 1923 e 1926, revelando a importância de se considerar os fatores sociais/humanistas como influência direta nos resultados de produção.

   O desafio encontrado pelas grandes organizações nos dias de hoje é conseguir alinhar os interesses das classes opostas (Proprietários e Operários) ao garantir que suas necessidades sejam alcançadas sem nenhum tipo conflito, atingindo o máximo de seu desempenho produtivo repensando acerca dos conceitos sociais que influem diretamente na qualidade de produção das organizações, na vida da sociedade acerca dessas organizações e no grau de evolução que se pode agregar para a humanidade, afinal, até que ponto iremos sustentar a ideia de que cada indivíduo representa mera relação monetária? O poder está em nossas mãos caros administradores pois somos nós os membros conscientes desse sistema que liga pessoas às organizações, o saber é dever de todos nós.


Fonte: Artigos Administradores / A revolução da indústria e suas veias abertas

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