A todo vapor

A todo vapor

Não se pensava nos empregados quanto as suas condições de trabalho. O pensamento se mantinha fixo na alta produção, já que quanto mais produto, mais dinheiro

“Bom dia, meu amigo. Esta máquina foi construída especialmente para economizar tempo e dinheiro. O operário é alimentado automaticamente, não sai de seu lugar de trabalho, rende muito mais durante o dia. A máquina faz tudo, o operário não faz nada, só tem o trabalho de mastigar.” (TEMPOS modernos. Direção: Charlie Chaplin. Charlie Chaplin Film Corporation, 1936). Esse trecho do filme Tempos Modernos trata-se da propaganda de uma máquina de grande utilidade aos empresários, trecho esse que é suficiente para entendermos a situação dos operários durante a Revolução Industrial, onde os mesmos eram tratados praticamente como parte do maquinário, acostumados a realizar sempre a mesma atividade o dia inteiro.
 
O que acontece é que assim como é atualmente, naquela época o principal objetivo das empresas era a obtenção de lucro, o que é normal. A diferença é que não se pensava nos empregados quanto as suas condições de trabalho. Não se relacionava qualidade das condições de trabalho com qualidade do produto. O pensamento se mantinha fixo na alta produção, já que quanto mais produto, mais dinheiro.
 
A ilustração feita por Chaplin usando uma máquina que tem como objetivo evitar qualquer intervalo entre as operações é, particularmente, genial. Ela reflete a mentalidade dos empresários, que visavam o trabalho acelerado e em peso, economizando tempo e dinheiro, como prometia a propaganda. Uma máquina que, se fosse real, com certeza seria o sonho de consumo das grandes indústrias.
 
A administração científica, criada por Frederick Taylor, já pode começar a ser vista nessa situação, onde o foco era a superespecialização dos funcionários (o personagem de Chaplin, por exemplo, trabalhava apenas apertando porcas). Apesar de a intenção de Taylor ser o aumento dos salários conforme o aumento da produção, não era assim que acontecia na prática, tanto que o Taylorismo ficou conhecido como uma técnica para que o operário trabalhasse mais e ganhasse menos.
 
No episódio 4 da série “Gigantes da Indústria”, exibida pelo History Channel, também é possível ver outro exemplo onde a administração científica foi aplicada sem pudor. O episódio retrata a disputa trabalhista travada entre dois grandes industriais: Andrew Carnegie e Henry Frick. Era preciso crescer e crescer, a qualquer custo, até Carnegie perceber que precisava manter os curtos baixos, e sabia que a única forma era reduzindo os salários e aumentando as horas de trabalho (e quem sabe até adquirindo a máquina de almoço de Chaplin).
 
O fato é que as disputas acirradas, a necessidade de lucratividade e o anseio pelo sucesso acabaram fazendo com que os grandes empresários olhassem para o Taylorismo como única solução, a qual não funcionou muito para os empregados, devido a situação de risco de saúde física e mental em que eles se encontravam… mas e daí? O que importava era o lucro, nomes sendo reconhecidos, sucesso. Custasse o que custasse.


Fonte: Artigos Administradores / A todo vapor

Os comentários estão fechados.