A urgência da educação corporativa em um cenário de incertezas

A urgência da educação corporativa em um cenário de incertezas

É perceptível que as organizações modernas nesses últimos anos vêm transformando sua relação social, contraindo esforços para uma inserção mais responsável com seu entorno. A era do conhecimento exigiu que as empresas destituíssem a concepção de que elas exploravam a vida, o planeta e tratavam as pessoas como meros recursos necessários, que através da sua mão de obra, com reflexões ainda do modelo taylorista, enriqueciam de forma unilateralmente a classe dominante. Este velho modelo empresarial sofreu mutações significativas. Pessoas passaram a ser reconhecidas como fundamentais para a perpetuidade das empresas e essas passaram ou estão passando pela consciência de que o sentido da sua existência não é apenas para gerar lucro financeiro, que seu papel está muito além do que disso decorre, e podem, sobretudo, contribuir com a sociedade, com o meio ambiente e primordialmente com a educação dos seus profissionais, pois o conhecimento, além de ser uma necessidade social, é uma necessidade intrínseca das próprias organizações para que possam se manter competitivas nesse novo panorama.

Educação é um tema muito discutido, mas ainda carente de evolução, principalmente a andrologia, tema que interessa todos os setores da sociedade e mais do que nunca o corporativo. Transformar empresas em empresas escolas é um desafio urgente e fundamental para as organizações dos mais variados tamanhos e atuações. Formar profissionais pensadores e capazes de corresponder às mudanças oriundas desse novo século é um desafio enorme. Só o capital intelectual dará condições as empresas de atuarem nesse novo mundo. A educação está totalmente ligada à macroeconomia, no desenvolvimento econômico e na competitividade de um país. Por consequência, as empresas são afetadas por ela. Por isso, o tema, passa a ser de fundamental interesse das empresas. Aquele velho modelo T&D (Treinamento e desenvolvimento) onde gestores de RH treinavam colaboradores para realizarem funções especificas, somente ligadas ao seu setor, não supri mais a necessidade de conhecimento das corporações. Esta necessidade, se tornou muito mais ampla e profunda, hoje é imprescindível formar profissionais com uma postura voltada ao autodesenvolvimento e à aprendizagem continua. Marisa Eboli sugere que para criar esse novo perfil as empresas precisarão implantar sistemas educacionais que privilegiem o desenvolvimento de atitudes, posturas e habilidades, e não simplesmente a aquisição de conhecimento técnico instrumental.

O conhecimento acumulado até aqui, nos permitiu chegar onde estamos, mas, ir além de onde estamos e enxergar um futuro desconhecido e incerto, requer uma busca maior por conhecimento e inovação que só a educação pode gerar para uma organização.

Vivemos um processo de renovação alarmante e para acompanhar o ritmo dessas mudanças faz-se necessário romper modelos mentais, desaprender para aprender de novo e construir uma nova mentalidade, ter a capacidade de pensar, decidir e executar concomitantemente. Para isso, não faz mais sentido pensar que a educação apenas acadêmica, em um local previamente determinado, dará ‘conta’ dessas necessidades. Vivemos em um mundo onde as empresas pela urgência de novos conhecimentos passaram a ter um papel fundamental em criar em suas estruturas e modelos de gestão, condições para o aprendizado continuo.

É necessário investir em educação corporativa por diversas razões. Como por exemplo, alinhar competências pessoais com as necessidades estratégicas, uma vez que tal necessidade não faz parte – e nem poderia fazer – da grade curricular das escolas tradicionais, muito em função da pluralidade cultural inerente às organizações contemporâneas que as tornam únicas. Veja que, cada empresa possui um sentido único de existência, área de atuação, visão de mundo e uma cultura diferente. Só os programas de educação corporativa podem alinhar competências pessoais às necessidades estratégicas. As organizações pela possibilidade de junção da pratica e da teoria, se torna uma área onde o conhecimento e o desenvolvimento pode emergir com maior facilidade.

Outro motivo, é pelo grande desafio da própria precariedade da educação básica no Brasil, onde um significativo percentual de jovens, concluem o ensino médio sem conseguir ao menos interpretar um texto, o que em última análise, dificulta sensivelmente sua capacidade em aprender e a desenvolver novas habilidades. Muitos profissionais chegam ao mercado sem as competências e qualificações básicas para atuarem, há um significativo numero de pessoas que ainda não estão preparadas adequadamente nos nossos dias para atuar de forma efetiva, onde a exigência da capacidade de múltiplas atuações é enorme, e, suprir essa necessidade de atualização constante, é um dos grandes objetivos da educação nas empresas.

Outro grande beneficio das práticas educativas é a criação de capital intelectual, e ele só se constrói através de uma cultura que valoriza e cria condições para gerar conhecimento, que é capaz de promover a criação, inovação, reflexão (…). E já sabemos que capital intelectual é hoje o maior fator de diferenciação de uma empresa. Empresas engajadas em construir capital intelectual, não possuem outro caminho que não seja viabilizar as pessoas oportunidades de aprendizado.

A EC é, sobretudo, uma forma de desenvolver os colaboradores, transformando-os em fator de diferenciação da organização junto aos seus concorrentes. São das pessoas que oriunda todo processo de criação, seja de novos produtos ou serviços, tecnologia, inovação e a ampliação da capacidade de subir maiores patamares econômicos. Desenvolver competências humanas se traduz em desenvolver competências empresarias.

A educação corporativa também é responsável por transmitir os valores, construir, fortalecer e modificar a cultura empresarial. O que minimiza os impactos da rotatividade de profissionais já imersos e alinhados à cultura e as demais diretrizes da organização, considerando que novos profissionais trazem consigo um know-how de hábitos, crenças e vícios de cultura diferentes por onde passaram. É preciso cuidar então da cultura da empresa, faz-se necessário constantemente compartilhar com os novos componentes das equipes os valores empresariais, sua missão e sua visão de mundo. A educação mantém viva a memória de um povo e dá condições para sua sobrevivência (Aranha, M.L.A., 1996).

A educação corporativa também fortalece a cidadania e responsabilidade social das empresas. Já que a educação acadêmica, por sua vez, ainda tem dificuldade em gerar consciência nos indivíduos, priorizando competências técnicas. Já a educação corporativa, pode e deve focar em competências comportamentais e elevação da consciência humana, formando pessoas também capazes de contribuir socialmente. É exigido das empresas hoje preocupações globais, especificamente preocupações ecológicas. Competências sociais é uma grande tendência para empresas e profissionais.

Só o conhecimento é capaz de gerar criatividade e inovação, percebe-se isso, quando estudamos as empresas americanas, que estão entre as mais inovadoras do mundo, comparando os modelos educacionais brasileiros aos norte americanas, podemos perceber o quanto a educação e os modelos descentralizados de gestão, podem contribuir com a criatividade e inovação.

São as pessoas que farão a diferença entre empresas competitivas ou empresas com forte inclinação a extinção. O proverbio chinês tão conhecido, mas revelador de uma grande sabedoria, enfatiza isso dizendo: “Se você quer um ano de prosperidade, cultive trigo. Se você quer dez anos de prosperidade, cultive arvores. Se você quer cem anos de prosperidade, cultive pessoas”.

Mas do que nunca, seja pela tremenda crise política, social, econômica e ética que estamos vivenciando, todos os setores da sociedade precisam contrair esforços para a educação. Cabe as empresas não apenas pela necessidade social, mas pela sua própria necessidade de sustentabilidade, inovar em modelos de aprendizagem que elevem a autoconsciência, o autodesenvolvimento e um estado de espirito pronto para as transformações econômicas, tecnológicas e sociais. Contribuindo na formação desse novo perfil profissional consciente e capaz de refletir de forma crítica sobre as questões modernas, vislumbrando dessa forma o futuro.

Sabemos que ninguém muda ninguém, as pessoas mudam quando conseguem descobrir novos significados, o processo de aprendizado tem este papel, o de dar novos significados a vida, assim os profissionais terão condições de criar e atuar em novos cenários.

Como percebemos, há muito que desaprender e aprender de novo.  A escola tradicional não é o único espaço capaz de gerar conhecimento, é possível pensar em outros espaços para aprendizagem e o chão de fábrica pode ser um deles. Como Lewis afirmou: “A educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”.


Fonte: Artigos Administradores / A urgência da educação corporativa em um cenário de incertezas

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