A vida não funciona como o Iphone

A vida não funciona como o Iphone

Junte uma geração de mimados mais aparelhos intuitivos e teremos Narcisos que acham que possuem superpoderes.

O conceito de telefone inteligente foi apresentado primeiramente à Apple. Mas o primeiro dispositivo capaz de realizar funções secundárias não foi criado pela Maçã. Sob o nome de BellShouth, o aparelho considerado como o “primeiro smartphone da História” deu as caras publicamente somente em 1994 – o aparelho teve como fonte de inspiração o IBM Simon Personal Computer, conceito apresentado dois anos antes pela fabricante de mesmo nome.

A geração Y foi à loucura com o avanço tecnológico e prosperidade econômica da época. A Apple aguçou ainda mais as características dessa geração com a criação do IOS que prometia ser intuitivo por concepção. Trocando em miúdos era só tirar o aparelho da caixa e começar a usar. Diferente dos antigos aparelhos, que possuíam um manual nas caixas, os aparelhos da Maçã (Iphone, Ipod e Ipad) não possuem um manual na caixa. Aí alguém me pergunta, mas qual o problema? O problema está que com todas as facilidades geradas com essas inovações, estamos criando pessoas bitoladas e sem capacidade de reflexão.

Como falei em outro artigo, os jovens da geração Y foram acostumados a conseguir o que querem, não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira e lutam por salários ambiciosos desde cedo por acharem que merecem. É comum que os jovens dessa geração troquem de emprego com frequência em busca de oportunidades que ofereçam maiores desafios e crescimento profissional.

Atualmente os colégios usam Tablets, PCs e celulares para auxiliar na educação dos alunos. Isso é uma forma de integrar na educação aparelhos que já estão no dia a dia das crianças. Ok, ótima iniciativa, mas a minha análise quer introduzir as consequências de todas as facilidades apresentadas para criança até sua vida adulta. Junte uma geração de mimados mais aparelhos intuitivos e teremos Narcisos que acham que possuem superpoderes.

As crianças e jovens adultos não usam mais a reflexão para analisarem um problema, não fazem cálculos mentais ou até participam de jogos simples como “Cite 5 frutas com a letra A” que te faz ficar horas jogando e trabalhando a memória. O cérebro está sendo usado para ações rápidas (vou olhar no Google, pronto achei!) e estamos abolindo as associações mentais para chegarmos às soluções.

Podemos perceber que os adultos da Geração Y já foram influenciados pelas facilidades que apareceram na década de 90 e hoje se mostram pessoas egoístas, sem paciência, sem insistência, sem referência de autoridade e que não toleram negativas. Elas possuem uma autoestima elevada, onde tudo é possível e sem limitações. Esse cenário muda quando aparecem as primeiras negativas, pois não foram preparadas para crises ou para viver em sociedade. A última afirmação pode parecer um exagero, mas quem convive com uma pessoa assim sabe como é difícil explicar lições de vida mais básicas para alguém que acha que sabe de algo mesmo sem se preparar ou passar pela situação. A analogia com os aparelhos da Apple mostra que a vida precisa de preparo, ética e reflexão. A vida não tem manual, mas não é intuitiva como um Iphone.

Acreditar que é capaz de tudo sem mesmo se preparar para algo dá sinais dos desvios dessa geração. A frase “Plantar para Colher” não faz sentido para muitas crianças e adultos de hoje, pois foram acostumados a receber tudo de forma fácil ou como compensação pela ausência paterna ou materna. Um adulto que não sabe que desejos não são direitos é uma coisa nociva para sociedade.

Outro ponto que gostaria de tocar são as “Relações Líquidas” do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Ele defende a tese da sociedade líquida. Líquida no sentido de que as relações, com o passar do tempo, estão ficando cada vez mais superficiais e o contato entre os indivíduos é cada vez menor. Uma de suas mais famosas frases é que “as relações escorrem entre os dedos”. Essa perda de valores, porém, não se traduz em seus estudos em uma falta ou uma necessidade de recuperar aspectos do passado, mas sim em uma necessidade de reinventar e redefinir os valores da atualidade.

O principal problema é que isso enfraquece as relações humanas que, segundo Bauman, são uma benção e uma maldição. Por mais que esse tipo de relação possa ser extremamente prazerosa e satisfatória, a força desse laço cria compromissos que impedem a realização de oportunidades futuras não permitidas por causa desses compromissos. O paradoxo que se cria aqui é o de uma pessoa solitária em uma multidão de solitários na mesma situação.

Acredito que os pais e educadores deveriam refletir e reavaliar as consequências da sociedade para as crianças e adultos que estamos criando em casa e nas instituições de ensino. Sei que o papel da família é educar e do colégio ensinar, mas os dois podem trabalhar juntos na reflexão sobre o tema. Estamos vivendo a frase de Tio Escobar “A gente se preocupa em deixar um mundo melhor para os nossos filhos, mas nós deveríamos nos preocupar em deixar filhos melhores para o mundo.”

Para finalizar gostaria da reflexão de todos sobre uma das Fábulas de Esopo. Ela remonta uma chance popular pra educação moral de crianças. Leia a fábula e depois conte para alguém próximo ou aos seus filhos, mas sem revelar a moral da história. Aguarde a reflexão (ou não) e pergunte qual é a Moral da História, você pode se surpreender com as respostas.

 

A RAPOSA E O LEÃO 

A raposa sempre foi muito esperta. Um dia quis provar que era melhor que o leão e foi até ele discutir sobre o assunto. 

– Senhor Leão – estive pensando e cheguei à conclusão que sou melhor que o senhor; da última vez que procriei tive três lindos filhotes e, pelo que sei, o senhor é pai de apenas um leãozinho.

 – É verdade, respondeu o leão, mas o meu filho é um príncipe e um dia herdará meu lugar e será o rei da floresta; enquanto seus filhotes nunca terão o poder. 

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Moral da história: Muitos se consideram superiores apenas por ter algum cargo importante. 

 


Fonte: Artigos Administradores / A vida não funciona como o Iphone

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