Adeus à transparência

Adeus à transparência

A transparência é a principal virtude da democracia e, em meio à maior crise de nossa democracia, aceitamos a institucionalização da corrupção através da ocultação dos malfeitos de nossos políticos

Não existe um cidadão brasileiro que não esteja indignado com a Operação lava jato e seus Bilhões de Reais fluindo dos cofres públicos para campanhas de políticos e para os bolsos dos intermediários.

A operação Lava Jato mostrou a podridão e a prostituição por baixo do sistema político Brasileiro. Mostrou como funciona uma corrupção institucionalizada e revelou quem são os políticos que faturam alto com financiamento de empresas corruptas e que, após eleitos, se prestam a defender o interesse destas.

O esperado era que, após uma operação como essa, o Brasil fosse evoluir nos controles e na transparência do sistema político-eleitoral, facilitando a identificação dos doadores e a origem do dinheiro doado, criando a rastreabilidade dos recursos eleitorais e a vinculação direta entre patrocinador e patrocinado.

Doce ilusão, esquecemos que estamos no Brasil.

Com a votação na câmara dos deputados, eliminou-se o veto a doação de empresas que tinha sido levantado no senado e, pior ainda, institucionalizou-se a falta de transparência e o processo para encobrir a corrupção e o interesse dos políticos.

Com a proibição da doação empresarial diretamente para o candidato, os partidos políticos assumem a função de laranjas institucionalizados dos políticos corruptos, ocultando os interesses escusos e os verdadeiros patrocinadores da roubalheira generalizada.

Um dos benefícios da lava-jato foi conhecer quem eram os políticos que recebiam dinheiro de empresas corruptas. Com a nova regra aprovada pelos deputados, cria-se uma proteção institucional para a ladroagem e as negociatas, onde políticos com ligações escusas com empresas corruptoras estarão protegidos pela institucionalização da doação de campanha, não sendo possível descobrir para quem determinada empresa doou e dificultando ainda mais a identificação dos agentes envolvidos no desvio do erário público.

Após muito se falar em golpe, a democracia brasileira sofreu um duro golpe daquela elite interessada em manter tudo como está. Com muito esforço o TSE conseguiu aprovar resolução que obrigava os candidatos a declarar de forma direta as doações recebidas de empresas, o que tornava fácil saber quais políticos que estavam recebem de quais empresas e entender que interesses eram defendidos, sendo esta uma das razões do sucesso da operação Lava Jato. Tal resolução foi derrubada, não só nos levando de volta ao antigo status como enviando uma mensagem clara ao TSE: Não queremos controle nas verbas destinadas a eleição.

Depois de toda a crise gerada pela operação lava jato, a resposta do congresso foi a Institucionalização da Corrupção através da ocultação da relação promíscua entre políticos e empresas, transformando o Partido Político em um agente de proteção dos malfeitos de seus membros. Pela promessa de fortalecer a democracia, aceitamos sua fragilização.

Foi Justamente pela promessa de fortalecer a democracia que desalmados tem subido ao poder. Mas só mistificam, jamais cumprirão o que prometem, pois possuem como objetivo escravizar o povo. (adaptado de Charles Chaplin)

“A falta de transparência resulta em desconfiança e um profundo sentimento de insegurança”

Dalai Lama


Fonte: Artigos Administradores / Adeus à transparência

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