Administração pública e a crise institucional brasileira

Administração pública e a crise institucional brasileira

A gestão pública no país apresenta desafios que devem ser superados no curto, médio e longo prazo. Superá-los significa colocar o país em um caminho que proporcione o desenvolvimento de um projeto de nação.

Uma das frases que mais temos ouvido ao longo dos últimos meses diz que “as instituições brasileiras estão funcionando”. Pode até ser que estejam funcionando, mas muito mal. Quando autoridades utilizam essa frase, simplesmente evidenciam o seu grau de distorção entre discurso e realidade. As ações das estatais, do judiciário, dos parlamentares e de tantos outros agentes demonstram um descompasso com as demandas da sociedade. Na verdade, as instituições brasileiras pouco dialogam e interagem com a população.

É claro que a sociedade se move e procura sugerir soluções para pautas que deveriam ser discutidas e, principalmente, resolvidas há muito tempo. Existem entidades organizadas, movimentos sociais e coletivos dos mais variados tipos, origens e interesses, discutindo o rumo do país.

A crise política que vivemos aprofunda as dificuldades econômicas e certamente não colabora com o aprimoramento das instituições brasileiras. A gestão pública no país apresenta desafios que devem ser superados no curto, médio e longo prazo. Superá-los significa colocar o país em um caminho que proporcione o desenvolvimento de um projeto de nação.

Os administradores podem auxiliar e muito no processo de desenvolvimento do país, especialmente no que tange à Administração Pública. Como mencionei anteriormente, o Brasil possui como desafios de gestão: a ética, a profissionalização, a transparência e a continuidade.

O primeiro desafio é o da profissionalização. É fundamental que as estatais e as instituições de uma forma geral tenham pessoas adequadamente preparadas para as suas funções. O que vemos é um exagero de terceirizações, cargos comissionados e muito cabide de emprego. A partir da inserção de profissionais formados para as variadas atividades será possível enfrentar os outros desafios.

Transparência é um ponto crítico. Avançamos com a criação dos portais de transparência e o aumento do acesso às informações das instituições públicas. Contudo, o funcionamento interno das estatais, Câmaras e Assembleias é, ainda, obscuro. Essa nebulosidade nas ações dos agentes públicos é causada em grande parte pelos problemas éticos. A corrupção só poderá ser enfrentada com mais transparência, melhor profissionalização dos agentes públicos e mais democracia.

Quanto mais afastada a sociedade estiver das ações que interessam a todos e se referem ao espaço público, mais difícil será para alcançarmos as bases de um crescimento sustentável do país em todos os aspectos. Portanto, quando digo mais democracia me refiro a maior participação de todas as pessoas nas mais variadas decisões e, especificamente, nas ações municipais, nos bairros e nas comunidades. Uma sociedade plenamente participativa é a sustentação de uma nação socialmente e economicamente desenvolvida.

Com profissionalização, transparência e ética, seremos capazes de resolver o problema da continuidade. As ações e políticas públicas morrem com as eleições seguintes. É necessário que criemos planos e metas que perpassem os anos e os diferentes governos. Nesse caso, não há como manter um planejamento de dois em dois anos. Como exemplo positivo nesse sentido, pode-se destacar o Plano Nacional da Educação que possui abrangência maior que um período de quatro anos, porém, infelizmente, esta não é a regra é a exceção.

A crise é um perfeito momento de oportunidade. É a hora da discussão, de colocar os assuntos em pauta e buscarmos as soluções necessárias. Superar os nossos desafios na Administração Pública não resolverá todos os nossos problemas sociais, mas com certeza será a primeira etapa para o fortalecimento das instituições, de modo a possibilitar o seu adequado funcionamento e, a partir disso, caminhar para o futuro promissor da nação.

Um país rico como o Brasil não pode seguir com problemas de gestão tão simples. Somos ricos em cultura, natureza, turismo, alimentos e recursos financeiros. Portanto, é imprescindível que façamos a nossa parte.


Fonte: Artigos Administradores / Administração pública e a crise institucional brasileira

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