Aprendizagem contínua e visão sistêmica

Aprendizagem contínua e visão sistêmica

Os sinais de esgotamento de um modelo civilizatório, a construção de uma nova ordem mundial e o nosso papel nela. Todos os negócios serão afetados.

 

A jornada do ser em direção à ampliação do seu nível de consciência é impulsionada por uma força interior que o leva à busca do aprendizado contínuo. Nesse aprendizado contínuo o ser encontra uma das mais potentes fontes de alegria e felicidade. Se, por qualquer razão não responde a esse impulso interno, perde ele o sentido da sua existência sobrevindo o vazio, a tristeza e a depressão entre outras.

Por outro lado, usufruindo da alegria do permanente aprendizado, há como uma espécie de compulsão no compartilhamento desse aprendizado seja através da realização de obras (físicas ou intelectuais), seja através do ensino e educação, quando então ele, ser, se sente elemento participativo e co-criador na jornada da existência.

Da necessidade da sobrevivência à curiosidade que o Universo ao seu redor desperta, segue em moto contínuo o exercício do seu raciocínio na busca de soluções que o capacitem a atuar no cenário da vida. 

Visão sistêmica – a percepção da interconexão e interconectividade 

À medida que avança no seu entendimento, percebe de forma cada vez mais profunda, que faz parte de um grande organismo, que não está só. “A vida evolui no sentido de uma complexidade crescente”, já nos afirmava Teilhard de Chardin.

Ousando complementar o grande pensador francês, eu diria que a complexidade já está dada, é o ser em evolução que desperta e passa a perceber essa complexidade.

Descobre que suas ações geram conseqüências cada vez mais amplas à medida que sua atuação cresce em amplitude revelando-lhe a interconexão entre tudo que existe.

Torna-se-lhe óbvio a necessidade da manutenção das condições ínfimas em termos ambientais e sociais para levar à frente a sua jornada revelando-lhe um grau de interdependência que embora percebido ainda teima em aceitar e agir de acordo, vítima de remanescências egóicas que o mantém escravizado em faixas de dor e sofrimento.

É de se observar o acerto da afirmação acima pela tipificação das soluções encontradas nos níveis políticos, militares, econômicos e sociais a revelar exclusão, submissão e domínio tanto em termos individuais quanto coletivos e entre os estados além dos danos ambientais causados.

Governos que há muito se afastaram da tremenda responsabilidade de representantes do povo, transformando-se em retrógrados e anquilosados redutos de negociatas e preservação de privilégios à custa de propinas e corrupção, compondo um sistema de domínio e opressão cruel a drenar a energia, dignidade e sonhos de bilhões de seres humanos. Um sistema criado por um lado pela união do grande capital constituído pelos grandes conglomerados produtivos e financeiros, e, por outro, pela máquina militar das grandes potências e das empresas escolhidas para compor o complexo estatal militar que simplesmente esteriliza trilhões de dólares que precisam ser desovados continuamente em conflitos localizados, como forma de demonstração e manutenção do poder em detrimento da promoção do desenvolvimento em seus próprios países e em todo o mundo.

 O planeta simplesmente não comporta o nível de consumo praticado pelos dois bilhões de humanos que vivem nas condições “desenvolvidas”. Atualmente a riqueza de 1% da população mundial é a mesma que a de 99% restantes dos habitantes do planeta em um processo de concentração que só se acentua a cada crise, ou seja, o abismo entre os privilegiados e os excluídos só faz aumentar. Condições insalubres levam à doença e à morte milhões de trabalhadores todos os anos nas áreas de mineração e outras, e, a busca interminável pelo lucro massacra outro para o atingimento de metas resultando em crises de pânico e depressão além das seqüelas de ordem físicas é o que acontece, por exemplo, no sistema bancário.

A Terra, a nossa mãe Gaia, já reage a essa exploração desenfreada acusando os desequilíbrios na elevação da temperatura ambiental, provocando os degelos e elevação do nível do mar, secas prolongadas e chuvas torrenciais onde antes não havia registro dessas ocorrências. Vai levar ainda algumas décadas, mas esse sistema vai ter que ser alterado. É o tempo necessário para inverter a força da sua inércia na qual estão investidas somas incontáveis de recursos. Ao mesmo tempo, mesmo após as mudanças que forem realizadas, muito tempo levará para revertermos os danos ambientais causados. O reequilíbrio do planeta também tem a sua inércia (naquilo que será possível reverter), espécies e biotas extintas dificilmente se recuperarão.

Entretanto, quanto mais age, mais descobre para sua alegria ou tristeza, que a interdependência e a interconectividade lhe opõe freios à sua ação desenfreada e lhe indicam direções diferentes a seguir. Nossos filhos e netos encontrarão desafios inimagináveis para as gerações que os antecederam, uma vez que essa interdependência e essa interconectividade se manifestarão apenas no espaço mas também no tempo. O planeta não desaparecerá, mas nós é que sofreremos se não colocarmos um freio à nossa insensatez. James Lovelock, o químico inglês que inventou a teoria de Gaia, afirmou em abril de 2.015: “Dançamos. quatro bilhões de seres humanos morrerão em conseqüências dos desequilíbrios ambientais”. Pode ser alarmante, mas faz sentido.

Seremos afetados independentemente de localização geográfica ou de condição econômica. Cidades como Nova Iorque, Veneza, Rio de Janeiro serão invadidas quase que totalmente pelas águas. A produção de alimentos sofrerá severas restrições, enfim… são as dores do parto lembradas pelo escritor Denis Moreira em seu “A Grande Transição da Terra”.

Aprendido a duras penas o significado vital da interdependência e da interconectividade, o ser humano poderá aspirar finalmente eras de paz e harmonia.

O esforço científico estará liberado das amarras das conveniências políticas e militares, além do seu engajamento na busca do lucro a qualquer preço e recursos imensos estarão à disposição de mentes preocupadas com a busca de soluções que melhorem a qualidade de vida do ser humano e as condições do planeta.

Pensadores de elevado quilate moral estarão dando a sua contribuição na construção de idéias e soluções que fundamentarão a construção das novas instituições, organizações e sistemas produtivos. A filosofia voltará a ter o seu espaço no ser liberado das superficialidades e que se reencontrará com o “amor ao saber”, impulsionado por profundas e valorosas motivações.

A religiosidade inerente à esmagadora maioria dos seres humanos se centralizará nas suas verdades essenciais assumindo o papel de elevação e transcendência do ser.

As artes expressarão valores estéticos e morais que expressem os profundos significados do existir.

Os fundamentalismos científicos, filosóficos, religiosos e artísticos terão ficado definitivamente para trás. A intolerância de todos os tipos ficará arquivada em ancestrais memórias de um ser primitivo que assassinava pela absoluta incapacidade de amar a beleza da diversidade.


Fonte: Artigos Administradores / Aprendizagem contínua e visão sistêmica

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