As artes plásticas, o empreendedor do setor e a economia

As artes plásticas, o empreendedor do setor e a economia

Em momentos de crise socioeconômica o mercado das artes fica mais instável. Como superar o momento da melhor maneira?

Os desafios da gestão no mercado de arte são muitos. Primeiro porque o processo produtivo dentro deste setor depende de diversos fatores para ser considerado um sucesso de faturamento. E sendo assim, “flutuante”, não são incomuns os casos de artistas e locais que mesmo tendo um público considerável, enfrentam suas contas um tanto quanto no vermelho. E em tempos de crise econômica o setor mexe seus pinceis para sair ileso o máximo possível. Mas como e por que este fenômeno é possível?

Como galerista, cargo também conhecido como merchand, posso afirmar que antes mesmo de tornar-se efetiva, a palavra “crise” gera um peso e a beleza e o prazer de adquirir um novo item é avaliado, reavaliado e exige tempo e paciência de todos os envolvidos nesta negociação. Isso porque as artes plásticas (leia-se aqui quadros, esculturas e produções do tipo) só são consideradas investimentos (no sentido “gasto hoje, para obter algum tipo de retorno depois”) por aqueles que entendem que diante de uma eventual necessidade de troca ou venda, tais itens possuem um valor subjetivo variante, e basicamente o comprar ou não é feito similarmente como quem investe na Bolsa de Valores. Logo, há nomes tidos como certos, rentáveis, em efetivo crescimento, que despendem mais dinheiro para ter acesso às suas peças, e existem as apostas – que são as grandes sacadas para quem deseja começar a aventurar-se nesse sentido. Nomes como o de Giovani Caramello, que por ora é tido como o único escultor hiper-realista do Brasil e representado pela OMA Galeria, é um bom exemplo deste funcionamento. Quando Caramello teve seu talento descoberto, as suas produções foram chamando a atenção aos poucos, e não enfrentava-se grandes empecilhos – nem de preço- para adquirir uma de suas impactantes esculturas. Hoje, após ter seu nome vinculado entre os melhores do tipo, os amantes de suas obras precisam aguardar novidades por parte do escultor (que demora mais de um mês para a finalização de uma única peça) e já sentem que o seu valor está em franco crescimento. É meu caro, quanto mais em evidência, maior será o preço de sua produção.

Sendo assim, mesmo diante de uma crise político-econômica é possível, sim, empreender no mercado de arte. Basicamente, com planejamento, conhecimento de mercado e um olhar treinado a desvendar novas oportunidades são as regras para enfrentar o momento de frente. Costumo dizer que mostram-se cada vez mais necessárias “as rotas alternativas”. Que nada mais são do que regrinhas de sobrevivência:

Seja antenado – é necessário que o artista tenha uma cabeça empreendedora, que esteja a par do que acontece no mercado para não perder oportunidades de atrelar sua produção à eventos importantes dentro ou fora do cenário brasileiro.

Seja visto – investir em comunicação, ter seu nome nos veículos certos, é uma alternativa rentável. “Quem não é visto, não é lembrado”. E por mais que há uma produção de ouro diante de você, as pessoas precisam conhece-la para que esta torne-se realmente lucrativa tanto para um espaço (como é o caso de uma galeria), o artista (que a produz com o intuito de vende-la) e para quem o adquire.

Ande pelo setor público e pelo privado – mesmo exigindo tempo e dedicação, buscar alternativas amparadas pela lei – como é o caso das leis de incentivo a cultura – é uma saída, sim. Além do que o espaço institucional é um importante aliado na promoção dos artistas. 

Finalizo este artigo afirmando que os desafios são muitos nos próximos meses, mas que diariamente artistas das mais variadas frentes no ensinam que com criatividade, foco e trabalho contínuo  é possível desbravar o mercado de arte.


Fonte: Artigos Administradores / As artes plásticas, o empreendedor do setor e a economia

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