As crianças e a educação empreendedora

As crianças e a educação empreendedora

A educação empreendedora para crianças que estão no ensino fundamental é um tema bastante polêmico, que precisa ser discutida e desmistificada pelos pais, pela escola e por todos os envolvidos no processo educacional da criança

Fiquei surpresa ao ver a coleção de livros didáticos e o horário de aulas da minha filha de 6 anos, que está cursando o 1º ano do ensino fundamental. Oficina de negócios é o título do livro e do horário de aulas dela.

Curiosa, procurei saber um pouco mais sobre o assunto.

Será que todas as crianças do ensino fundamental têm informação e um tempo de estudo dedicado a criação de novos negócios?

Usei a minha rede social e fiz uma enquete rápida. A maioria das pessoas respondeu que seus filhos, primos e/ou sobrinhos, que estão no ensino fundamental, não estudam ou têm informação sobre práticas empreendedoras na escola.

Fiquei pensando se seria importante, para uma criança, falar sobre empreendedorismo. Será que toda criança pode ser estimulada a desenvolver habilidades importantes para detectar novos negócios?

Lendo a respeito, identifiquei que o SEBRAE possui o programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos e, em parceria com as escolas interessadas em inserir a temática na sua grade curricular, capacita professores para fomentar a educação e a cultura empreendedora, no ambiente escolar.

O formato de educação apresentado é bem diferente daquele explorado por professores tradicionais, que se consideram detentores da verdade e de todo o conhecimento.

Como, atualmente, a informação não é um item estático e não está à disposição de poucas pessoas, muito pelo contrário, pode ser acessada de qualquer lugar, por qualquer pessoa, inclusive, pelas crianças. É fundamental implantar outras formas de capacitar alunos e “transferir” conhecimentos.

Nesse contexto, o professor é visto como um facilitador, capaz de lidar com ferramentas (atividades lúdicas, brincadeiras, jogos e desafios) que estimulem a reflexão e o senso crítico do aluno e aplicação de saberes sob a forma de ações transformadoras.

O triste dessa história, na minha opinião, é saber que são poucas as instituições de ensino que estão atentas a esse detalhe (que faz toda a diferença) e que provocam o professor a assumir essa nova postura. Capaz de criar condições para que a criança exercite a sua criatividade, autonomia e iniciativa, na solução de problemas reais.

A educação empreendedora para crianças, em todo o Brasil, é um assunto polêmico, que divide opiniões. E que precisa, ainda, ser bastante discutido.

Muitos têm a opinião de que o objetivo da mesma é explorar as habilidades das crianças para enricar os pais. A criança passa a ser vista, por alguns, como uma fonte de recursos para melhorar a vida financeira dos pais.

Mas, não é essa a intenção!

Para que o assunto seja desmistificado, é necessário que os pais, as escolas, os educadores e demais envolvidos no processo educacional da criança saibam que todos têm potencial para empreender. E que, para alguns, esse processo é natural, mas que pode sim, ser estimulado.

Ter capacidade maior de enxergar oportunidades e transformá-las em negócio não é só resultado de tino empresarial nato, mas do ambiente em que o indivíduo está inserido e aí estão presentes aspectos relacionados a família, a cultura, as experiências, as referências, dentre outros aspectos.

Proporcionar uma educação empreendedora ao filho não significa dizer que ele será empreendedor. Nem agora, nem depois.

Mas, prefiro que minha filha e os meus outros dois meninos aprendam a entender problemas, agir e transformá-los em oportunidades, além de questionar. Não pretendo ter prodígios empresários, que desejam ser milionários, mas seres humanos capazes de gerar opções de trabalho, no futuro.


Fonte: Artigos Administradores / As crianças e a educação empreendedora

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