Auditoria Interna: de “irrelevante” a estratégica

Auditoria Interna: de “irrelevante” a estratégica

A maior pressão dos órgãos de fiscalização e controle e um maior rigor da legislação, juntamente com o cenário macroeconômico, impulsionam as empresas a agirem de forma mais incisiva para evitar perdas financeiras e se prevenirem contra atos ilícitos

Em tempos de crise de credibilidade nacional e baixo crescimento econômico, as empresas necessitam atentar-se ainda mais para a prevenção de fraudes, que tendem a crescer em períodos como este.

Estudo da ICTS, intitulado O retrato da fraude corporativa no Brasil, de 2014 aponta, por exemplo, que 60% das fraudes são frutos de corrupção, 32% de apropriação indébita e 8% demonstração fraudulenta.

Neste contexto, podemos considerar que a prevenção a fraude é um ponto crucial na gestão das corporações, aspecto este que parece bem intuitivo e lógico, mas que se nota no mercado certa negligência ou descaso.

Há ainda um agravante: hoje, o risco assumido no ato da fraude é muito superior do que no passado. Isso porque as mudanças na legislação contra atos ilícitos são cada vez mais frequentes no mundo inteiro, e no Brasil não está sendo diferente. Nos últimos anos, foram aprovadas diversas medidas, entre elas a Lei Anticorrupção (Lei 12.846) e a instrução da CVM n°552, que elevam consideravelmente a punição, extrapolando a questão financeira e cabendo inclusive a prisão do corruptor.

Como consequência, a maior pressão dos órgãos de fiscalização e controle e um maior rigor da legislação, juntamente com o cenário macroeconômico, impulsionam as empresas a agirem de forma mais incisiva para evitar perdas financeiras e se prevenirem contra atos ilícitos.

Diante deste cenário, uma das áreas que mais se destaca atualmente é a auditoria interna. Antes vista como “irrelevante” ou com descaso, agora é considerada estratégica para a organização, visto que em muitos casos é a área responsável também pela prevenção a perdas e gestão de riscos.

Otávio J. Braga, gerente sênior da área de Consultoria em Gestão de Riscos da Deloitte, destacou os desafios desta área em depoimento ao estudo “Auditoria Interna no Brasil: Função estratégica para a geração de valor nas organizações”, de 2015: “a auditoria interna vem sendo constantemente desafiada a gerir, antecipar ou reagir tempestivamente a temas estratégicos. Isso requer que os executivos da área se mantenham atualizados e com um fluxo de comunicação intenso com as demais instâncias de governança, desenvolvendo e fortalecendo constantemente seus métodos de trabalho”.

Com esta nova realidade, a auditoria interna consolidou-se como a área responsável por analisar e interpretar uma enorme gama de dados, provenientes de diferentes fontes. Não é surpresa, então, o fato de o levantamento da Deloitte destacar que 60% dos entrevistados pretendem implantar nos próximos três anos ferramentas para gestão das atividades de auditoria interna.

Dentro deste contexto, ganharão destaque as soluções customizadas de auditoria. Além de atenderem as exigências da legislação brasileira, adaptam-se perfeitamente a realidade e necessidade das organizações, garantindo agilidade na coleta de informações, maior produtividade para o setor e uma tomada de decisões ainda mais assertiva.


Fonte: Notícias Administradores / Auditoria Interna: de “irrelevante” a estratégica

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