Brasil 2050 – Cadê a mão de obra que estava aqui?

Brasil 2050 – Cadê a mão de obra que estava aqui?

O artigo analisa como a queda na taxa de natalidade do Brasil irá impactar a oferta e a qualificação de mão de obra para fazer o País crescer nas próximas décadas

A cada dia as dificuldades de contratar gente vêm aumentando de forma significativa nas organizações. Muitos dos motivos podem ser encontrados em um material recentemente publicado pelo The Wall Street Journal, denominado “WSJ 2050 – Desafio Demográfico”. Nele há interessantes subsídios para tentarmos entender o que isso significa para nós, da terra brasilis.

Quais serão os desafios e onde temos oportunidades? Afinal 2050 esta aí, apenas 34 anos à frente. O que a geração que está nascendo em 2016 vai enfrentar? Falar de futuro para nossa cultura é complexo, somos o País do imediatismo, basta ver as gerações “Y” que aí estão.

A estatística demonstra tendências, e para os leigos, estatística é ciência, e não “achologia”. Portanto esta ciência demonstra que nas últimas décadas o índice ou a taxa de natalidade no Brasil vem caindo de forma significativa: em 1960 tínhamos uma taxa de 6,28 e em 2010 a mesma taxa era de 1,9.

Se antes havia o temor de uma explosão demográfica, o problema é hoje o inverso, a escassez de mão de obra, que mais cedo ou mais tarde irá obrigar as empresas a reformular suas operações e criar soluções que ajudem as pessoas a ampliar o seu potencial.

Entendo que, à medida que a taxa vai encolhendo e a idade média de pessoas acima 64 anos vai aumentando, pode ser que em 2050 os tais conflitos de geração sejam menores, mas isso é outro tema.

A ONU (Organização das Nações Unidas) aponta uma redução no quadro de pessoas ativas de 5% no Brasil. Assim, se a PEA (População Economicamente Ativa) é de 102 milhões, teremos um déficit de 5 milhões de profissionais nas próximas décadas.

Claro que tudo isso é uma tendência e não tenho números absolutos. Um estudo com maior profundidade precisaria ser feito. O objetivo aqui é apenas um alerta para o futuro. Os dados foram interpretados e não disponho da pretensão acadêmica de proporcionar conteúdo de decisão, apenas um aviso para os gestores que não têm o costume de estudar tendências: é bom ficarem atento, pois a movimentação demográfica pode impactar uma economia inteira e ser péssima para o seu negócio.

Diante disso e das oportunidades aqui demonstradas, o que sua empresa está fazendo hoje para suprir a falta de mão de obra em 2050? Será preciso antecipar o máximo possível como as pessoas vão trabalhar, viver e envelhecer. Empresas do setor de saúde devem se preparar para atender as demandas, pois a população será mais velha. As do setor automotivo já estão adequando suas linhas de produção para que profissionais mais velhos operem sem queda da produtividade. E saibam que profissionais mais velhos são tão ou mais produtivos que os mais novos.

A certeza é que nos próximos anos, tanto quanto a lei da oferta e da procura, será a demografia, uma ciência que estudamos nas aulas de geografia, que irá ditar as regras na economia global e, consequentemente, no potencial de crescimento deste ou daquele país.


Fonte: Artigos Administradores / Brasil 2050 – Cadê a mão de obra que estava aqui?

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