Brasileiro descobriu cura para o câncer e foi preso?

Brasileiro descobriu cura para o câncer e foi preso?

Entenda melhor essa história, que ganhou versões controversas ao se espalhar pela web

Desde o mês passado, têm circulado na web postagens sobre a suposta prisão de um brasileiro que teria descoberto a cura para o câncer e havia sido preso por isso. É verdade? Esse é o tipo de história da qual você deve, no mínimo, desconfiar. Mas vamos aos fatos. Nesse caso, nem tudo é verdade. Mas, também, nem tudo é mentira.

O pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice, da Universidade de São Paulo (USP), coordenou ao longo dos últimos 20 anos uma pesquisa que se dedicou a descobrir a eficácia de uma substância no tratamento do câncer, a fosfoetanolamina sintética. Em 2013, ele apresentou os resultados à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Há alguns dias, ele deu entrevistas a diferentes veículos de imprensa dando garantias de que o medicamento é eficaz, mas que tem enfrentado dificuldades para regulamentá-lo.

O pesquisador Salvador Neto, que também participou do projeto, afirma que a Fiocruz, para fazer os testes necessários, exigiu que o grupo cedesse a patente do medicamento. O grupo preferiu, então, não aceitar, porque, segundo Neto, isso poderia inviabilizar tentativas de regulamentação em outros órgãos, caso a Fiocruz não reconhecesse a eficácia da substância.

Em nota, a Fiocruz afirmou que, de fato, se reuniu com os pesquisadores em 2013, mas que não exigiu a patente. A fundação diz ainda que não pode atestar a eficácia do medicamento porque faltam estudos clínicos para isso. Veja aqui a íntegra da nota.

Mas quem foi preso?

Nenhum pesquisador envolvido no projeto foi preso. A pessoa detida foi o filho de uma paciente que se tratou de maneira experimental com o medicamento e, aparentemente, se curou. Depois dos resultados positivos no tratamento da mãe, Carlos Kennedy Witthoeft resolveu procurar os pesquisadores, aprendeu a fabricar o medicamento, comprou o material e passou a produzir as pílulas e distribuí-las gratuitamente, segundo ele. Uma denúncia anônima, no entanto, levou a vigilância sanitária e a polícia até o local onde ele produzia. Todo o material foi apreendido e ele detido. Carlos passou 17 dias preso e hoje, graças a um habeas corpus, responde em liberdade por “falsificação de produtos medicinais”.

Em entrevista ao EPTV, telejornal da rede Globo que cobre o interior de São Paulo, Carlos afirma que tem a consciência tranquila, por ter conseguido ajudar muita gente com o que fez.

Veja abaixo a íntegra da matéria do EPTV (desconsidere o título atribuído ao arquivo no Youtube):

Casos similares retratados pelo cinema

Alguns casos parecidos com esse do medicamento desenvolvido na USP ganharam notoriedade no mundo e se tornaram até filmes, como Clube de Compras Dallas e O óleo de Lorenzo. No primeiro, um norte-americano portador do vírus da aids descobre que no México há um médico que trata pacientes com um medicamento ainda não autorizado nos Estados Unidos. Vendo sua saúde se deteriorar a cada dia, cruza a fronteira em busca do tratamento. Lá, consegue melhorar substancialmente e então resolver contrabandear o remédio para ajudar outros americanos a se tratarem (e, claro, ganhar dinheiro com isso também!). Seu negócio cresce demais, chama atenção das autoridades e ele acaba indo parar nos tribunais, onde trava uma guerra severa contra a indústria farmacêutica e o governo.

Cena de “Clube de compras Dallas”.

Já em O óleo de Lorenzo, um menino é diagnosticado com adrenoleucodistrofia, uma doença congênita e degenerativa rara. Sem tratamento conhecido na época e já desacreditado pelos médicos, sua situação piorava a cada dia. Foi então que seus pais resolveram pesquisar por conta própria uma maneira de desenvolver uma cura para o filho. E conseguiram. Tratado com o óleo criado por Augusto e Michaela Odone, Lorenzo Odone estancou o avanço da doença e conseguiu recuperar algumas das funções que haviam sido comprometidas pelo problema. O casal foi reconhecido e agraciado com prêmios de diversas universidades e acabaram criando um projeto sem fins lucrativos através do qual se dedicaram, até o fim de suas vidas, a pesquisas científicas para o desenvolvimento de medicamentos.

 


Fonte: Notícias Administradores / Brasileiro descobriu cura para o câncer e foi preso?

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