Business Transformation: construindo uma nova realidade

Business Transformation: construindo uma nova realidade

Quando liderado por pessoas assertivas, o Business Transformation pode levar o negócio a grandes saltos de evolução

Buscando identificar a influência do coletivo sobre o indivíduo, Solomon Asch conduziu uma pesquisa em psicologia social na década de 1950 (Asch Conformity Experiment) que apresentava cartas com desenho de traços para um grupo de pessoas, sendo um dos traços o padrão de comparação e os demais traços de tamanhos distintos que deveriam ser comparados ao padrão.

O grupo era formado por uma pessoa pesquisada (que nada sabia) e vários atores que tinham sido instruídos com antecedência sobre a dinâmica do experimento. A cada carta mostrada era feita a pergunta ao grupo sobre qual traço do conjunto mostrado era do mesmo tamanho do traço padrão. Para algumas cartas, os atores deveriam indicar com unanimidade um dos traços que não era a resposta correta e nesse contexto de manifestação 75% dos pesquisados concordavam pelo menos uma vez com o grupo para evitar desconforto.

Inicialmente o pesquisado tentava resistir, mas nas interações seguintes subordinava suas convicções à convicção do grupo (mesmo discordando intimamente). As pessoas se conformavam às respostas por duas razões principais: porque queriam se ajustar ao grupo (influência normativa) e porque acreditavam que o grupo estava melhor informado que elas (influência informacional).

O modelo da espiral do silêncio de Elisabeth Noelle-Neumann diz que um indivíduo tende a se calar diante de uma questão cuja opinião ele entende ser subjetivamente minoritária. Ao se calar torna a questão ainda mais minoritária. Quanto mais minoritária se torna, mais os adeptos remanescentes se calam dando movimento à espiral do silêncio. Pessoas que suportam melhor a pressão e a desaprovação do coletivo possuem personalidade assertiva e não se calam diante de uma questão na qual acreditam – mesmo diante de um grupo cuja opinião é unanimemente contrária.

O Business Transformation, quando liderado por pessoas assertivas e repetido em ciclos iterativos, pode levar o negócio a grandes saltos de evolução. Estabelecer um grupo de pessoas com capacidade de liderança é chave na transformação do negócio lembrando que o melhor caminho não é tentar mudar uma realidade instalada, mas construir uma nova realidade que torne a existente obsoleta.

Os desenhos mais eficazes do estado futuro consideram o ecossistema de negócio identificando aspectos que possibilitem maior impacto potencial, sintetizando ideias, idealizando soluções, criando protótipos e provendo feedback em um processo de cocriação. Um ponto de partida é estabelecer a premissa que algo para existir no cenário organizacional deve ter uma razão específica e contribuir para a entrega de valor e construção do retrato do futuro. Se isso não ocorre, sua existência deve ser questionada.

Confira algumas dicas para praticar o Business Transformation:

Eliminar ou reduzir aquilo que é desnecessário ou redundante tornando tudo mais enxuto, claro e conciso, incluindo ativos, departamentos, matérias-primas, embalagens, transporte, estoque, energia, água, assim como passos de processos, tarefas, aplicativos ou quaisquer elementos físicos ou lógicos irrelevantes na geração de valor. Também eliminar ou reduzir impactos econômicos e socioambientais adversos, resíduos, poluição, acidentes de trabalho e danos às comunidades;

Consolidar ativos e papeis para reduzir custos e ociosidade. Centro de Serviços Compartilhados é um exemplo de consolidação de uma mesma competência que está replicada em diversos grupos na organização em um único grupo que atenda a todos. A consolidação também pode ser interorganizacional entre empresas se unindo para produzir e distribuir em conjunto;

Padronizar, estabelecendo elementos comuns, reduzindo complexidade e promovendo ganhos de escala. A padronização do trabalho também é importante, pois quando a sequência de trabalho é diferente a cada vez e/ou se os movimentos são desorganizados, não existe base para avaliação. Mas é importante ter em mente que fornecer mais do mesmo por meio de respostas padronizadas não faz sentido quando os clientes pedem customização. Se os clientes buscam por diferenciação e valor agregado para cada caso específico, então a padronização não é a melhor estratégia;

Tornar digital para substituir elementos físicos por imateriais, reuniões presenciais por teleconferência, lojas físicas por eCommerce, guichês de atendimento por máquinas ou aplicativos de autoatendimento, escritórios por mobile office. Além de trazer economia de recursos, maior acuracidade e velocidade, negócios digitais globalizam instantaneamente a operação;

Fazer uso de crowdsourcing/outsourcing para modularizar, flexibilizar e trazer dinamismo ao negócio transferindo para fontes externas à organização parte do trabalho de uma função, toda ela ou mesmo várias funções de negócio que antes estavam dispostas internamente.Crowdsourcing/outsourcing pode ser feito por meio de terceirizados, subcontratados, freelancers e comunidades de interesse – a geração de valor passa a fluir horizontalmente na organização estendida atravessando funções de negócio internas e externas, mas as responsabilidades do trabalho não são eliminadas, apenas deslocadas;

Desmonetizar para operar em economia compartilhada e utilizar formas alternativas de recebimento e pagamento.

* José Davi Furlan é vice-presidente da ABPMP Brasil, consultor executivo, autor, palestrante e instrutor especializado em Gerenciamento de Processos de Negócio


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