Cálculo do lucro financeiro

Cálculo do lucro financeiro

Será que posso afirmar que ainda não publicaram uma maneira padrão para efetuar o cálculo do lucro real/geral no total?Geralmente o que encontramos apresenta um resultado isolado (parâmetro) de difícil comprovação. Estou propondo o cálculo de um lucro lógico, completamente fundamentado na matemática, que apresente sempre o mesmo resultado, do qual, de alguma forma, possa ser tirada a prova, demonstrando este mesmo número em um outro modelo de relatório

 Será que posso afirmar que ainda não publicaram uma maneira padrão para efetuar o cálculo do lucro real/geral no total?  Geralmente o que encontramos apresenta um resultado isolado (parâmetro) de difícil comprovação.

Penso que todas as organizações apuram ou deveriam calcular o resultado financeiro final de suas operações. Imagino que, em cada uma delas, deve existir uma metodologia ou uma prática diferenciada na questão do cálculo do lucro gerencial.  Quando pesquiso sobre a contabilidade gerencial, encontro textos e relatórios elaborados de acordo com os princípios contábeis, sem apresentar uma verdadeira definição ou explicação de como seria esse cálculo do lucro. Essas demonstrações podem ser bem elaboradas, ter conceitos avançados e, mesmo com práticas similares, tendem a apresentar um resultado isolado e a sofrer variações em função de critérios aleatórios adotados.

Estou propondo o cálculo de um lucro lógico, completamente fundamentado na matemática, que apresente sempre o mesmo resultado, do qual, de alguma forma, possa ser tirada a prova,  demonstrando este mesmo número em um outro modelo de relatório.

Na verdade, devo admitir que, apesar da minha afirmação do lucro financeiro, até hoje não consegui chegar a 100% de equivalência; fiquei por uma variação de 0,01% sobre as vendas. Lógico que ainda deve haver questões para serem resolvidas, mas estou desconfiado de que, no meio de tantos números e somatórios, na maioria das operações (algoritmos), os números, de certa forma, são arredondados, o que, consequentemente, pode gerar uma diferença no final.

Sendo assim, posso afirmar que o lucro financeiro é o resultado da variação positiva do saldo das disponibilidades somado com as contas a receber em um determinado período. Simplificando, seria a diferença positiva entre as receitas menos as despesas, incorporando as vendas com o saldo das contas a receber, calculado sobre um evento ou ciclo empresarial.

Melhor ainda: este número pode ser aferido em uma demonstração de resultados  em que todas as operações da empresa devem estar alinhadas e equilibradas, de modo a suportarem uma auditoria digital de confronto e cruzamento de dados.

Cálculo do Lucro Financeiro:

(+) Disponibilidade inicial

(+) Contas a receber inicial

(+) Vendas

(-) Recebimentos                                                       Lucro Financeiro

(-) Vencimentos (saídas)

(=) Disponibilidade final

(=) Contas a receber final

Esses dados podem ser extraídos do próprio sistema interno de controle e gestão, sendo também sempre testada a consistência das seguintes formulações:

Vendas = contas a receber por emissão: o somatório das vendas deve corresponder à soma de todos os valores e títulos que foram registrados no financeiro, de acordo com a data da venda, preferencialmente demonstrada em um caixa com fechamento diário.

Posição das contas a receber = contas a receber inicial somadas com as vendas no período menos o recebimento.

Disponibilidade final = disponibilidade inicial somada com os recebimentos, deduzindo-se os pagamentos no período, tem que ter seu resultado equivalente à disponibilidade final apresentada.

A demonstração de resultados para apuração do lucro financeiro enquadra-se dentro do modelo clássico, e não teria como ser diferente. Apresenta-se apenas um pouco mais enxuta, diferenciando-se e incorporando alguns novos conceitos:

Demonstração de Resultados Gerencial:

(+) Vendas ou faturamento: depende de onde vai gerar (entrar) o recurso financeiro

(-) Tributos: todos os impostos gerados por vencimento, somente os variáveis

(-) Comissões: todas as comissões de vendas por vencimento

(-) Fretes: somatório dos fretes de compras e vendas

(=) Receita líquida: receita bruta menos as deduções dos itens anteriores

(-) Custo das mercadorias vendidas: fornecedores,  todos os vencimentos de matéria-prima, produtos de revenda e material de embalagem

 (=) Margem de contribuição: diferença entre as vendas e os custos variáveis

(-) Despesas operacionais ou custo fixo: somatório das contas por vencimento das despesas administrativas, comerciais, de recursos humanos e de produção

(+-) Despesas/receitas financeiras: somatório das receitas financeiras menos as despesas financeiras. Penso que fazem parte das operações das empresas (necessidade de custo do crédito)

(=) Resultado operacional: resultado das operações relacionadas à atividade principal da empresa

(-+) Investimentos: somatório de todos os investimentos realizados pela empresa no período

(+-) Amortizações: tanto pode ser a entrada de empréstimos (negativa) quanto as amortizações

(+) Contas vencidas: somatório das contas vencidas dentro do exercício

(-) Antecipações de pagamento a fornecedores: contas pagas com vencimento posterior ao exercício analisado

(-) Exercício anterior: somatório das contas pagas, mas pertencentes (vencimentos) a exercícios anteriores

(=) Lucro líquido financeiro: lucro final que estará refletido nos ativos de tesouraria, poderá ser positivo ou negativo (aumento ou diminuição dos ativos de tesouraria)

Percentual vertical sobre vendas: calcular todos os totais dos itens anteriores e dividir pelo total das vendas/faturamento, encontrando um percentual que deverá ser avaliado com os parâmetros ideais de mercado.

Alguns Conceitos Básicos:

Custo: tudo aquilo que é incorporado ou pode ser percebido no produto.

Despesa: tudo aquilo “que vai embora que nem água”.

Investimento: tudo que fica na empresa de forma permanente.

Custos variáveis: são os gastos que só acontecem no faturamento e expressam-se em percentuais que irão compor o markup.

Custos fixos: são assim chamados erroneamente, pois não são custos nem tampouco fixos. Na verdade, são todas as despesas que tendem a se repetir todos os meses, com valores aproximados.

Amortizações: são as entradas e as saídas de recursos oriundos de fontes externas (financiamentos).

Contas negativas: deverão ser consideradas receitas apenas aquelas oriundas das vendas da atividade principal da empresa; outras receitas diversas deverão ser lançadas de forma negativa nas contas a pagar. Ex.: vendas de imobilizado, receita financeira, reembolso de despesas, entradas de empréstimos, entre outros.  Por onde o dinheiro entra, ele sai; por onde ele sai, ele entra.

Carimbo de Recepção de Mercadorias:

Tenho que admitir que esta ideia nasceu de um estágio em uma fábrica de alumínio, onde minha primeira função foi elaborar a chamada “Nota de Recepção de Materiais“, que era um formulário preenchido de forma datilografada (sem erro) e que deveria ser a cópia original da nota fiscal de entrada do serviço ou da mercadoria. Fiz este comentário só para efeito de comparação; hoje as pessoas ainda têm resistência em carimbar e efetuar um visto, ainda que este seja um procedimento simples.

O final deste formulário era basicamente conforme o carimbo acima exposto. Tal procedimento inibe uma fraude, no sentido de que, se houver falcatruas, todos que assinaram poderão ser envolvidos, caracterizando “formação de quadrilha”.

É recomendável que, para toda nota de entrada na empresa, seja gerada uma cópia da nota ou de outro documento que serviu de suporte para o pagamento, o qual deverá estar carimbado e assinado pelos respectivos responsáveis por setor, conforme a seguir:

– Estoque: confere a quantidade física do material ou do serviço prestado

– Compras: verifica a especificação do material, valores e prazos negociados

– Orçamento: aprova a nota de acordo com o planejamento

– Fiscal: analisa, registra e aprova a parte tributária do documento

 – Financeiro: realiza a provisão e efetua o pagamento

Conforme a proposta do lucro financeiro em apresentar o lucro verdadeiro, este procedimento vai minimizar as fraudes, a omissão de erros, os problemas com devoluções, entre outros

Como e por que elaborei esta proposta de apuração de cálculo do lucro financeiro? Como posso afirmar e demonstrar que o resultado apresentado terá seu respectivo correspondente nos ativos de tesouraria?

No segmento das pequenas e médias empresas, é comum a falta de processos de controles internos gerenciais, sendo assim costumava encontrar dificuldades em obter dados atualizados e informações confiáveis.

Procurando este resultado do lucro,  passei por várias etapas com vários exercícios e processos de ensaio e erro, até chegar à conclusão deste cálculo sob uma ótica financeira, completamente fundamentado na realidade das operações e apoiado nos processos de controles financeiros de gestão, alinhados de forma a apresentar um resultado de fácil comprovação.

A partir do momento em que se domina a matemática financeira na gestão empresarial, procurando, de preferência, efetuar um fechamento diário por meio do cruzamento de dados,  dificilmente ocorrerão omissões ou erros de informações, pois logo a diferença vai aparecer em algum  confronto de dados,  facilitando, assim, sua identificação e o respectivo ajuste.

Geralmente ocorrem muitas e complexas operações no dia a dia de uma empresa, que podem deixar margens de dúvidas sobre a forma de registrá-las e influenciar na formatação dos relatórios e na análise das informações conclusivas. Desta maneira, muito maior do que a atenção e a disciplina, a matemática é perfeita para apoiar e consolidar o controle financeiro das organizações, que será alimentado pelos dados dos próprios sistemas e controles internos de tesouraria.

Uma questão que também impactava e muito a análise do resultado gerencial refere-se a um procedimento contábil usual: deduzir o custo de acordo somente com as mercadorias vendidas. Desta forma, muitas vezes, quando aconteciam compras de matéria-prima ou de produtos com valores elevados, a empresa poderia vir a apresentar um resultado com lucro e, ao mesmo tempo, com sérios problemas de caixa. Já apresentei um relatório para um empresário com um quadro de lucro, mas, neste caso, a empresa estava quase quebrada e com uma explicação no final de que o lucro ficou no estoque.  Com base em situações como essa, comecei a entender o que parece ser óbvio para o financeiro: o estoque é um custo.

Evidentemente, é muito importante manter em paralelo um relatório em que o C.M.V. será apurado pelo custo padrão e que, portanto, funcionará como um “termômetro” do resultado. Pode-se também gerar um outro relatório, que irá incorporar a variação do estoque e da conta dos fornecedores. Ambos os indicadores são importantes parâmetros, que devem ser observados e auxiliar a gestão na tomada de decisões. Inclusive, devem-se sempre comparar as duas margens de contribuição (financeiro x contábil); desta forma, pode-se fazer também uma melhor avaliação individual daqueles produtos que estão acima ou abaixo do padrão.

Pela evolução do trabalho e melhor entendimento da equação, houve um momento em que ocorreu uma percepção de que o lucro apresentado deveria estar refletido no saldo do caixa mais o das contas a receber da empresa. Antes de calcular o lucro financeiro, torna-se evidente a necessidade de se apurar o resultado operacional, deduzindo-se a seguir as amortizações, os investimentos e, posteriormente, somando-se as contas vencidas e as antecipações, se houver. Não se pode esquecer de que o lucro financeiro deve ser calculado de acordo com as contas analisadas por vencimento. De qualquer forma, o controle principal é totalmente lastreado nos pagamentos.

Este resultado só é possível de ser demonstrado se todas as operações financeiras realizadas pela empresa estiverem 100% corretas, ou seja, tudo tem que “estar batendo”. Para atingir este resultado, devem existir boas práticas de gestão, sistemas e processos que consolidem,agilizem e consolidem a recuperação desta informação.


Fonte: Artigos Administradores / Cálculo do lucro financeiro

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