Capitalismo crise – Maio de 2016

Capitalismo crise – Maio de 2016

Fatos relevantes da economia e política internacionais em maio de 2016

O presente texto tem como base a leitura de fatos relevantes da economia internacional na imprensa brasileira, referentes ao período de maio de 2016.

ÁFRICA

Aids

Na África Subsaariana, a prevalência do HIV compreende 9% da população. A área que abrange a África Central e Ocidental , abrangendo 25 países , tem 2,3% de população com o vírus , número que equivale  a três vezes a prevalência mundial que é 0,8%.

No Brasil,  a prevalência está entre 0,4% e 0,7% da população , segundo levantamento do Ministério da Saúde feito em 2014.

Mas, a região da África Central e Ocidental é responsável por uma em cada cinco novas infecções de HIV no mundo e três em cada quatro portadores do vírus dessa região ficam sem tratamento.. Isso equivale a cinco das 15 milhões de novas pessoas que deveriam iniciar o tratamento até 2020. ( F S P , 12.05.2016, p. B-7) .

ALEMANHA

Bayer

O grupo alemão Bayer revelou no dia 23 de maio uma oferta de US$ 62 bilhões em dinheiro para assumir o controle da produtora americana de transgênicos Monsanto , uma operação que criaria a líder mundial em sementes e produtos químicos de uso agrícola. ( F S P , 24.05.2016, p. A-18) .

ARGENTINA

Cristina Kirchner

A ex-presidente Cristina Kirchner foi denunciada pela segunda vez á Justiça , desde que deixou o poder, dia 9 de dezembro.

Agora, o Ministério Público pediu para que ela e seu filho, Máximo, sejam investigados por supostos enriquecimento ilícito e falsificação de documentos públicos.

Além disso, há indícios de que imóveis da família Kirchner foram alugados por empresas de Lázaro Baez  e Cristóbel Lopez, para agradecer favores prestados pela mandatária , em esquema semelhante ao pagamento de diárias inexistentes, pagas por Baez ,  em Hotel de Cristina, já sob investigação.

Baez e Lopez são apontados como os empresários que mais enriqueceram nos governos de Néstor e Cristina Kirchner ( 2003-2015), vencendo dezenas de licitações.  Baez está preso já quase um mês, sob suspeita de lavagem de dinheiro. ( F S P, 3.5.2016, p. A-13) .

A Procuradoria Federal da Argentina acusou de corrupção no dia 12 de maio , Cristina Kirchner, o filho e deputado Máximo Kirchner; e os empresários Lázaro Báez e  Cristóbal López, no caso do aluguel de imóveis da ex-líder.

Segundo a investigação, a locação de propriedades da empresa Los Sauces S A , da família Kirchner, era uma forma de encobrir a propina exigida pela mandatária nas licitações vencidas por empresários como López e Báez. ( F S P , 13.05.2016, p. A-22) .

Maurício Macri

A justiça argentina contatou Panamá e Bahamas  para saber qual a ligação do presidente Maurício Macri, com as empresas offshores Fleg Trading Ltd e Kagemusha AS.

Macri concordou, com o juiz Sebastián Casanello  : “ Ele tem que fazer todas as requisições que considerar necessárias para confirmar se o que eu digo é verdade ou não. Isso é atuar em um país onde a Justiça trabalha de forma independente”. ( F S P , 4.5.2016,  p. A-11).

Bebês da ditadura

O governo Macri desarticulou  um departamento público que colaborava com a identificação de filhos de desaparecidos durante a ditadura ( 1976-1983) , criado em 2009 por Cristina Kirchner.

Evidentemente, o movimento Avós da Praça de Maio , vai espernear. ( F S P , 9.5.2016,  p. A-11) .

Horacio Quiroga

Horácio Quiroga, 65, que foi presidente de duas empresas de petróleo de Lázaro Baez e, em 2013 afirmou que seu chefe “recebia indicações e ordens de Néstor Kirchner”, ou seja , denunciou o esquema entre os Kirchner e Baez que está preso há 35 dias por suspeita de lavagem de dinheiro, foi achado morto no dia 10 de maio em seu apartamento , em Buenos Aires.

O corpo do executivo foi encontrado no banheiro do apartamento, por seu filho de 10 anos , que chamou a polícia. Quiroga teve traumatismo craniano, mas as circunstâncias da morte ainda terão que ser apuradas para ver se é morte natural ou assassinato.

Em entrevista a uma revista em 2013, ele disse que Kirchner, que morrera três anos antes, enviara dólares às empresas de petróleo de Baez: “ Era dinheiro que Néstor Kirchner mandou a Lázaro Báez. Uns US$ 7 milhões. Contamos tudo em cima da mesa”.

Pouco antes da entrevista Quiroga havia rompido com Báez e sido desalojado do apartamento em que morava, cujo aluguel era pago pela empresa.  A Austral Construções negou irregularidades e disse que ele foi demitido por não cumprir metas.

Báez era um dos melhores amigos de Néstor e foi o responsável pela construção do mausoléu do ex-presidente.

Leonardo Farina,  que trabalhou para Báez, em delação premiada disse à Justiça que , no governo Kirchner, as obras realizadas pela Austral  Construções, eram superfaturadas. Após Néstor morrer, afirmou que o empresário teria começado a enviar dinheiro para o exterior e que Cristina Kirchner, por não ter conhecimento de todos os movimentos financeiros do marido, passou a desconfiar de que Báez lhe roubava. ( F S P , 11.05.2016, p. A-12) .

A autópsia de Horacio Quiroga indica que ele sofreu uma parada respiratória  após um edema pulmonar. ( F S P , 12.05.2016, p. A-16) .

Chanceler no comando da ONU

O presidente Maurício Macri pretende anunciar até o dia 23 de maio a candidatura de sua ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra, à chefia da ONU, no lugar do sul-coreano Ban Ki-Moon , que comanda a organização há cinco anos e sai em dezembro.

O objetivo é dar maior projeção internacional à Argentina , depois do obscurantismo de Cristina Kirchner. ( F S P , 20.05.2016, p. A-12) .

Lei antidemissão

Projeto de lei da oposição argentina, que proíbe demissões por 180 dias , foi aprovado no dia 19 de maio pela Câmara dos Deputados . Já aprovado no Senado, é a primeira derrota de Macri no Congresso.

Macri promete vetar a lei, que também determina indenização dupla em caso de demissões. ( F S P , 20.05.2016, p. A-12) . Ele anunciou no dia 20 de maio que vai vetar a lei. ( F S P , 21.05.2016, p. A-18) .

 

Economia continua em crise

O FMI estima que o PIB da Argentina vai recuar 1% em 2016 e a Moody’s prevê cenário pior, recuo de 1,5%.

A avaliação é que a crise decorre dos ajustes feitos por Macri, que incluem a redução dos subsídios e a desvalorização do peso. Essas mudanças só vão reverter o panorama econômico a partir de 2017.

A inflação acelerada vem acentuando a crise e aumentando o descontentamento da população.

De janeiro a abril, a inflação foi de 19%.  Com isso, o poder de compra dos argentinos diminuiu  e o consumo caiu 3,6% em abril e 2,3% de janeiro a abril, segundo a consultoria CCR.

De janeiro a abril de 2014, o consumo caiu 1,5% e de janeiro a abril de 2015, caiu 1,1%. Portanto, a situação piorou. A desvalorização do peso em dezembro, de mais de 40% foi muito acentuada e os acordos entre patrões e empregados estão demorando  mais para sair.

Para amenizar a situação, Macri acrescentou 176 itens no programa Preços Cuidados, criado por Cristina Kirchner para impedir as empresas de reajustarem constantemente os valores de seus produtos.

Carnes , frutas e verduras formam incluídos na lista de preços controlados. ( F S P , 21.05.2016, Mercado 2, p. 4) .

Importações

Empresários brasileiros relatam que , apesar de se declarar contra o protecionismo, ainda mais de 21% das licenças de exportação  do Brasil, para a Argentina são não automáticas.

Há setores todavia que esse percentual é muito maior: equipamentos de transporte ( 92%), máquinas agrícolas ( 89%).

As exportações brasileiras para a  Argentina de janeiro a abril aumentaram 0,8% e as importações recuaram 25%.  Com isso o saldo está negativo para a Argentina em US$ 1,3 bilhão, o tripoo do mesmo período de 2015. ( F S P , 22.05.2016, Mercado, p. 1).

Argentina e Brasil

O chanceler José Serra em sua primeira viagem ao exterior , chegou no dia 22 de maio à Argentina para afinar a relação com o país vizinho.

Mas, o surpreendente  é que um pequeno grupo de 50 pessoas , petistas, foram até a embaixada brasileira para protestar de forma agressiva contra Serra , com cartazes : “ Procura-se José Serra, chanceler impostor do Brasil “.

A professora de ciência política Juliana Peixoto, disse que Serra viajou a Buenos Aires para “ devolver favores”. “Agradecer o fato de Macri ter reconhecido o governo ilegítimo de Temer”. Realmente, os petistas e esquerdistas são minoria, mas uma minoria muito ativa e ruinosa como se vê . ( F S P , 23.05.2016, p. A-8) .

É um absurdo total o que as imagens na televisão mostraram. Um chanceler educado, quieto, cordato, sendo insultado por um bando de desclassificados , taxando-o de golpista como se ele tivesse tido participação ativa no processo de impeachment de Dilma Rousseff.

José Serra encontrou-se com Maurício Macri e justificou totalmente sua ida à Argentina.  Os dois criaram no dia 23 um “mecanismo de coordenação política “ entre os dois países.

O conselho será comandado pelos secretários-gerais dos Ministérios de Relações Exteriores e deverá coordenar a posição dos países em temas estratégicos  como defesa, comércio, energia, ciência e indústria aeronáutica.

O fórum deve se reunir pelo menos duas vezes por ano , uma delas antes da abertura da sessão anual  da Assembleia Geral da ONU, para que os vizinhos cheguem com posições alinhadas ao encontro.

Sobre a flexibilização do Mercosul, Serra disse que a estratégia que defende é criar mecanismos que permitam acordos  bilaterais entre  um membro do bloco e um terceiro. O modo como isso será feito ainda não foi definido, mas a ideia foi bem aceita por Macri.

Atualmente o bloco precisa fechar acordos de forma monolítica , o que emperra algumas negociações.

O resultado imediato obtido por José Serra já em sua primeira viagem ao exterior, mostra a guinada de 180 graus que teve a diplomacia brasileira.  Em todo o governo Dilma  Rousseff não houve nenhuma notícia auspiciosa como essa e o Mercosul estava mergulhado em completa paralisia

“A partidarização da política externa brasileira esvaziou e desprestigiou o Itamaraty  que perdeu a centralidade do processo decisório e, em alguns casos , da própria execução da política externa pela interferência direta de representante do Planalto”,  Rubens Barbosa, ( F S P , 24.05.2016, p. A-13) . no caso  o famigerado Marco Aurélio Garcia,

Operação Condor

Diante de familiares de vítimas e acusados e ativistas de direitos humanos, a Justiça argentina condenou 15 ex-militares, no dia 27 de maio,  por crimes cometidos na chamada Operação Condor.

O pacto envolveu a troca de informações de inteligência e de agentes de prisão , tortura e assassinatos entre  governos militares de países do Mercosul, nos anos 1970 e  o julgamento ocorreu porque não há prescrição na Justiça argentina.

Os principais condenados foram o general Reynaldo Bignone, 88 , ´ultimo presidente da Argentina no período ditatorial ( 1976-73) , com pena de 20 anos de cadeia , e Santiago Osmar Riveros, 92, comandante de centros clandestinos de tortura e também condenado por roubos de bebês, sentenciado a 25 anos.

O coronel  Uruguai Manuel Cordeiro, 78, que havia sido extraditado do Brasil, recebeu pena de 25 anos.

As condenações foram por “associação ilícita” que resultou, no caso do julgamento em questão, na desaparição de 108 pessoas ( argentinos, uruguaios, paraguaios, bolivianos e um peruano).

É a primeira vez  que  um tribunal argentino realiza condenações de crimes dos anos 70 que extrapolam suas fronteiras.

Apesar de nenhum norte-americano estar no rol dos acusados, as evidências reunidas apontam o conhecimento e a aprovação dos EUA na implantação da operação, na primeira fase da Condor, criada em Santiago em 1975.

Embora tenham apoiado os regimes militares do Cone Sul , no princípio, os EUA mudaram de posição a partir do governo d democrata Jimmy Carter, em 1977, quando passaram a condenar os abusos.

Iniciado em 2011, o processo tinha elencado 31 repressores como réus. Todos com idade avançada e o próprio general Jorge Videla , morreu em 2013, cumprindo pena por outros crimes contra a humanidade.

Bignone , nome mais destacado entre os condenados, já cumpre pena de 15 anos por roubo de bebês , assim como Riveros.

O julgamento foi celebrado por organizações de direitos humanos e familiares de vítimas por seu poder simbólico e é uma demonstração de que a impunidade e o abuso de poder não teriam prescrição atingindo mesmo aqueles que lutam contra o terrorismo internacional, mas com a utilização de métodos ilegais. ( F S P , 28.05.2016, p. A-9) .

Programa de Repatriação

Segundo o exemplo do Brasil, o governo Macri anunciou que  enviará ao Congresso  um projeto de lei prevendo desconto no imposto para os que legalizarem a situação até o fim de 2016.

A alíquota para a tributação vai variar de 0 a 10%, conforme o valor legalizado. A partir de 2017, será de 15% para forças a maioria a antecipar para 2016.

Também haverá  a possiblidade de regularizar o dinheiro comprando  títulos do governo ou investindo no país.

Se o projeto  for aprovado , espera-se que  até US$ 20 bilhões regressem à Argentina.

O governo de Cristina Kirchner também adotou medidas semelhantes , em 2013, mas não teve êxito. Levou 26 meses para atrais pouco mais de 50% dos US$ 4 bilhões que pretendia conseguir em seis meses.

O valor arrecadado com os impostos , será destinado a um programa também incluído no projeto de lei, de aposentadoria universal  e ao pagamento dívidas que o Estado tem com 2,5 milhões de aposentados. ( F S P , 30.05.2016,p. A-13) .

BRF

A Argentina deverá abocanhar 50% dos investimentos que  a brasileira BRF , dona das marcas Sadia e Perdigão  vai fazer em 2016 em todo o mundo.

A empresa vai injetar US$ 292 milhões na Argentina em 2016. Parte já começou a ser investido na compra da Campo Austral , produtora de carne suína, por US$ 85 milhões, e da Alimentos Calchaqui, de frios, por US$ 105 milhões. O restante será aplicado na ampliação das nove unidades já existentes. O número de funcionários deverá passar de 2.879 para 4.500. ( F S P , 31.05.2016, Mercado,  p. 3) .

CHADE

O ex-ditador do Chade, Hissène Habré, 73, foi sentenciado à prisão perpétua no dia 30 de maio pelas Câmaras Africanas Especiais , tribunal do Senegal montado pela União Africana  como uma versão local do Tribunal Penal Internacional.

Habré foi acusado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e tortura.

Entre 1982 e 1990 , enquanto esteve no poder, ele ordenou a morte de mais de 40 mil pessoas, deixando cerca de 30 mil órfãos e viúvas, segundo cálculo de uma comissão investigativa do governo do Chade. Desde sua deposição , Habre vive no Senegal.

Habré foi deposto em 1990, por Idris Déby, que chegou ao poder à frente de uma rebelião armada e ainda hoje se mantém presidente. Déby fora comandante de forças de Habré, no período conhecido como “Setembro Negro”, em1984, quando uma onda de assassinatos no sul do país sufocou uma rebelião contra o governo.

Habré se manteve no poder por anos, com a ajuda dos governos dos EUA e da França, que o viam como uma força regional para conter objetivos expansionistas do líbio Muammar Gaddafi.

Ele ficou conhecido como o ”Pinochet africano”, quando, em 2000 , inspirados pela prisão em solo britânico do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, um grupo de chadianos apresentou queixas contra Habré , no Senegal.

A Justiça senegalense chegou a indiciar Habré na ocasião. No entanto , devido à interferência política do então presidente Abdoulaye Wade, o caso não foi adiante.

Mas, Wade foi sucedido em 2012 por seu ex-premiê e desafeto politico , Macky Sall  que mudou a posição e o Senegal  voltou a colaborar para que Habré fosse processado.

Em 2013, Senegal e Chade assinaram  um acordo que facilitou a investigação dos crimes  do governo Habré. O julgamento terminou em fevereiro de 2016, após ouvir mais de 93 testemunhas.

Trata-se do primeiro julgamento no mundo em que o tribunal de um país processo o ex-líder de outro  por violações dos direitos humanos.

Oliver Bercault, professor da Universidade de San Francisco (EUA), destaca a importância do julgamento para o mundo: “ É um aviso aos tiranos e criminosos  de guerra da África e de todo o mundo. Mesmo se eles fugirem de seus países após cometer atrocidades , suas vítimas irão atrás deles e eles não escaparão”.

O caráter híbrido das Câmaras Especiais, de escopo tanto doméstico , quanto internacional, permite replicar o formato para outros casos, ou seja, o precedente está formado e outros tiranos poderão ser levados a tribunais semelhantes. ( F S P , 31.05.2016,  p. A-9) .

CHILE

Protestos violentos marcaram o dia do discurso anual de prestação de contas da presidente Michelle Bachelet ao Congresso.

Milhares de estudantes , trabalhadores e organizações sociais foram às ruas de Valparaíso, cidade sede do Legislativo , contra o governo.

Bachelet quer universalizar a gratuidade no ensino superior até 2020.  ( F S P , 22.05.2016, p. A-19).

Michele Bachelet  quando assumiu o cargo pela segunda vez, em 2014 , planejava transformar o país.

Prometia reformar educação , previdência, direitos civis e distribuição de renda , além de uma nova Constituição para  que o Chile deixasse de ser o único país da região com uma carta do tempo das ditaduras militares.

Quando deixou o poder em 2010, tinha 84% de aprovação e venceu  a eleição de 2013, com 62% dos votos.

Mas, agora , com pouco mais de metade do mandato, que termina em março de 2018, Bachelet se vê obrigada a se conformar com limitações de conjuntura e uma aprovação de apenas 21%.

Sua gestão vem sendo abalada por escândalos envolvendo membros de sua família e pela desaceleração da economia chinesa e consequente queda dos preços do cobre que responde por 50% das exportações do Chile. O cobre refinado , em centavos de dólar por libra, na Bolsa de Metais de Londres,  chegou a custar 399,6 em 2011 e caiu para 239,2 em 2015.

Bachelet não construiu uma relação com os partidos, o que dificultou a aprovação de leis e medidas quando o quadro econômico era mais favorável.  Por isso, a falta de credibilidade de seu governo vem da sensação de promessas não cumpridas.

Em 2015, o crescimento do país foi de 5,6% , e para 2016, o FMI projeta 1,5%  e para 2017, 2,1%. A inflação está sob controle em 4,1% para 2016, mas o desemprego , de 6,2% em 2015, deve subir para 6,8% em 2016 e 7,5% em 2017.  

Os jovens estão impacientes , querem respostas rápidas , menos ideologizadas . A reforma da educação, um dos principais compromissos de Bachelet , foi alcançada apenas parcialmente e parte da legislação está parada.

Outras reformas na Previdência e Saúde também não saíram. A expectativa de vida no Chile é de 80 anos e meio, a maior da América Latina.

Outro fator que derrubou a popularidade da presidente foi o escândalo envolvendo o seu filho, acusado de tráfico de influência.

Nos direitos civis, uma de suas primeiras promessas foi apresentar um projeto de lei para permitir o aborto pelo menos em casos de estupro e de risco de vida da mãe.  O projeto travou com  os parlamentares católicos e forte pressão da Igreja.

Em direitos humanos, apesar das iniciativas para reabrir processos, as associações chilenas consideram lenta a atuação da Justiça para punir membros da ditadura militar nos distantes 1973-1990.

CHINA

Diplomacia do Panda

Criticada pela forma como lida com direitos humanos e pelas aspirações territoriais na região, a China conta com um reforço especial em sua política externa: o panda.

O país distribuiu 32 pandas para um grupo de dez países desde os anos 1990 . Mas, a entrega costuma vir em meio a negociações bilaterais e envolve um tipo de “aluguel”, ou seja os pandas são apenas  cedidos temporariamente.

O panda tornou-se uma arma de “soft power” chinês.  A China consegue se posicionar como um amigo gentil, generosos o suficiente para dividir seu mais precioso tesouro nacional. No final de 2013, havia 1.864 pandas na natureza e 422 em cativeiro.

Desde 2012, pandas foram enviados pela China para temporadas na Malásia, França, Cingapura , Bélgica e Canadá e no final de abril, o casal Le Bao e Ai Bao foi apresentado ao público sul coreano, após um hiato de 18 anos sem pandas no país. ( F S P , 1.5.2016, p. A-15) .

Longe da inovação

Em livro lançado recentemente: “Chinas Economy – What Everyone Needs to Know , Arthur Kroeber, da renomada consultoria Gavekal Dragonomics , mostra que a economia chinesa não deve tão cedo , se tornar um líder global em tecnologia.

As empresas chinesas são muito boas em adaptar inovações feitas em outros países.

Mas, as companhias chinesas mostram pouca aptidão para desenvolver novos produtos , serviços ou processos que sejam adotados ou imitados em outros países.

O Japão foi pioneiro em algumas inovações importantes que foram replicadas em várias partes do mundo, particularmente a  gestão de “qualidade total”.

Em segundo lugar, os países que são amplamente reconhecidos como líderes em inovação não temem importar ideias, pessoas e produtos. Os processos de inovação, ao contrário, dependem cada vez mais desses movimentos transnacionais.

A China, todavia , trata-se de uma sociedade que agiu agressivamente nos últimos anos para restringir a livre troca de ideias. O Partido Comunista sempre foi relativamente repressivo em relação ao fluxo de informações, mas com o atual presidente Xi Jinping,  o controle aumentou.

A China fez progressos tecnológicos inegavelmente rápidos nas últimas três décadas, mas há poucas evidências concretas para sugerir de que está se tornando um líder em inovação.

Quase 30% das exportações chinesas , que são os maiores exportadores de manufaturados do mundo, são classificadas pelo governo chinês como produtos der “alta tecnologia”.

Mas, quase metade das exportações totais de manufaturados da China e cerca de 70% de suas exportações de “alta tecnologia” são produzidas por empresas estrangeiras. Isso não ocorre , nem de longe nos Estados Unidos, na Alemanha e no Japão.

O papel da China nas cadeias globais de produção, continua sendo , principalmente, o de ponto de montagem final de produtos. Os componentes são fabricados em outros países  ou por empresas estrangeiras instaladas na China.

Por exemplo, nenhuma tecnologia embutida num iPhone, vem da China. O sistema operacional e o design e dos EUA, o chip, parte crucial do hardware foi projetado e é  fabricado pela Samsung , na   Coréia do Sul. As telas sensíveis ao toque são resultado de pesquisas realizadas nos EUA, Europa e Japão e atualmente são produzidas pela japonesa  Toshiba. A câmera fotográfica do smartphone é produzida pela Infineon, uma companhia alemã.  Mesmo o processo de montagem é administrado pelo Foxconn, uma empresa taiwanesa.

Poucas companhias chinesas são reconhecidas como líderes globais em seus campos de atuação. As exceções  costuma ter grandes volumes de venda em virtude do imenso mercado chinês, mas pouca pretensão a líderes em qualidade , processos ou tecnologia.

EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Japão têm muitas empresas globalmente importantes. Até a Coréia do Sul tem os conglomerados Samsung, Hyndai e LG. Canadá e Brasil tem , cada um , uma fabricante de aviões bem-sucedida em âmbito global, no caso do Brasil, a Embraer.  A China  , a despeito do seu enorme mercado de aviação, não tem nenhuma.

A Huawei, segunda maior fabricante mundial de equipamentos para redes telefônicas é uma exceção.  As companhias chinesas de construção civil estão se expandindo no exterior , mas em sua maioria, o modelo de negócios é “80% da qualidade , por 60% do preço “ das concorrentes.

Entre 1990 e 2015, dois terços dos prêmios Nobel em Física, Química e Medicina , foram para pesquisadores em instituições americanas, uma parte para a Europa e outra para o Japão.  A China obteve o primeiro prêmio apenas em 2015, por trabalhos feitos nas décadas de 60 e 70, sobre tratamentos para a malária.

A China tem ”três grandes” companhias de internet: Alibabá ( e-commerce), Tencent ( jogos on-line e redes sociais) e Baidu( maior site de busca).

As três são consideradas tecnologicamente proficientes e muito inovadoras, mas são dominantes apenas na China e não tem presença significativa no exterior , o que torna difícil julgar quanto o seu sucesso decorre de uma tecnologia superior e quanto decorre da falta de competição no mercado chinês.

A capacidade criadora da China está comprometida pela obsessão do Estado com  a autonomia  tecnológica e com o controle da informação.

O controle da informação sufoca a troca e a colaboração  – fatores fundamentais para a inovação. Por isso, na China vai continuar havendo progresso tecnológico, mas não liderança tecnológica. (  Revista Exame, 11.05.2016, p. 160-164) .

COLÔMBIA

O presidente da Colômbia , Juan Manuel Santos  disse no dia  13 de maio que o fim do conflitos com as Farc está próximo após  ser assegurado o cumprimento do acordo de paz, documento assinado pelas Farc que significa que reconheceram a Constituição , que sempre ignoravam.

O acordo de paz será incluído na Constituição, desde que aprovado pelo Congresso o que  dificultara mudanças no futuro. Também deve virar uma resolução da ONU .  ( F S P, 14.05.2016,  p. A-18) .

O líder das Farc , Rodrigo Londono,  o Timochenko, convidou o ex-presidente  e senador Álvaro Uribe para encontro sobre o processo de paz do grupo armado com o governo colombiano.

Uribe, ex-aliado e agora adversário do presidente Santos, Uribe é um dos principais opositores às negociações.

No dia 18 de maio, o governo e as Farc concordaram em dar anistia a todos os adolescentes de 14 a 18 anos que entraram nas filas da guerrilha e não tenham cometido crimes graves. A guerrilha se compromete ainda  em retirar gradualmente os menores de suas tropas  que passarão por um programa educativo e de inclusão social.

Segundo o Registro Nacional de Vítimas, 8.492 menores foram recrutados pelas Farc e outros grupos armados. ( F S P , 16.05.2016,p. A-13) .

CORÉIA DO NORTE

O ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-un, disse no dia 6 de maio que seu país obteve “resultados sem precedentes” com um teste de bomba de hidrogênio ( em janeiro) e o lançamento de um satélite ( em fevereiro).  A declaração foi feita no congresso do Partido dos Trabalhadores da Coréia que volta a se reunir após 36 anos, mas que Kim vai usar para ampliar seu poder. ( F S P , 7.5.2016, p. A-14) .

Kim declarou  no dia 8 de maio que a Coréia do Norte vai aumentar a capacidade das armas nucleares do país em “quantidade e qualidade”. ( F S P , 9.5.2016, p. A-10) .

Jan Jin-sung , nome de fantasia,   foi parte de um grupo muito restrito do governo coreano, “Os admitidos”. Na época fartava-se com comida importada, doada por organizações estrangeiras para a população que passava fome e desviada para os quadros do partido.

Ganhou um posto em um órgão de contraespionagem  de nome tenebroso: Seção 5 ( literatura) , Divisão 19 ( poesia), do Escritório 101  do Departamento de Defesa Unida.

Recebia livros , revistas e jornais sul-coreanos, proibidos à população , para produzir pelas de louvor ao ditador Kim Jong-il , como se fosse escritas por gente da Coreia do Sul.

Mas, ao ler o material percebeu que a Coreia do Sul vinha se tornando muito mais livre e infinitamente mais próspera  que a Coreia do Norte.

Entendeu que os ditadores coreanos não eram deuses infalíveis como dizia a propaganda que ele próprio criava.

Um dia, em 2004, tirou do escritório uma dessas publicações banidas e a emprestou a um amigo que a esqueceu em um trem. Só por isso , ambos seriam acusados de traição e decidiram fugir do país.

Agora, vive na Coréia do Sul, sob proteção policial  e escreveu “Querido Líder”, mostrando as entranhas do regime que conhecia muito bem , por dentro.

A Coreia do Norte é o regime mais fechado do mundo. Foi fundada em 1948 por  Kim Il-sung , com uma ditadura de esquerda alinhada à URSS, em contraponto à Coréia do Sul, então uma ditadura de direita, sustentada pelos EUA.

Ele governou até sua morte em 1991. Foi substituído por um dos filhos, Kim Jong-il, o “Querido Líder”, um maluco que viu o poder absoluto cair-lhe no colo  e dizia “ Eu governo por meio da música e da literatura”.

Apesar de manter um instituto de pesquisa dedicado a cuidar de sua longevidade, ele morreu relativamente jovem, aos 70 anos e foi sucedido por outro maluco ,  o filho Kim Jong-ul, o atual ditador.

O autor foi um dos poetas oficiais do ditador  . Após décadas de tirania ruinosa, o regime norte-coreano se sustenta em uma máquina de promover mentiras: poemas de bajulação , hinos de louvor , histórias fabricadas, slogans para mobilizar as massas miseráveis. Não há nada de concreto a mostrar, só a insanidade de um ditador que ameaça o mundo com armas nucleares.  ( F S P , 21.05.2016, p. A-19) .

CORRUPÇÃO

Estudo do FMI conclui que a corrupção custa quase US$ 2 trilhões por ano à economia mundial ou 2% do PIB global .

O FMI cita o caso brasileiro e seus efeitos na economia do país , como a perda do grau de investimento pelas agências internacionais de classificação de risco.

O Fundo diz, porém, que o custo econômico e social da corrupção é provavelmente maior, já que “propinas são apenas um aspecto das possíveis formas de corrupção”.

Para o FMI,” enquanto os custos econômicos diretos da corrupção são bem conhecidos , os custos indiretos podem ser até mais substanciais e debilitadores, levando a baixo crescimento e a maior desigualdade de renda. A corrupção também abala a confiança no governo e corrói o padrão ético dos cidadãos.

Para combater a corrupção , é imprescindível o aumento da transparência nas ações governamentais, o fortalecimento do Estado de Direito e o monitoramento das transações bancárias para detectar movimentos suspeitos. ( F S P , 12.05.2016, Mercado, p. 6) . 

CUBA

Cuba é um museu do comunismo , mas com a retomada das relações com os EUA, já tem muitos dizendo que é preciso visitar o país , “ antes que o capitalismo se instale”. ( Revista Veja, 11.05.2016, p. 31) .

No dia 2 de maio chegou a Cuba o primeiro cruzeiro americano a chegar desde 1959.

O Carníval chegou a Havana em meio à curiosidade de turistas e à emoção dos cubanos que há muito não pisavam na ilha.

Os passageiros foram recebidos com música ao vivo e danças no único terminal de passageiros , que é estatal.

Mais de 700 estavam a bordo do navio , viagem que só se tornou possível após Raul Castro permitir que cidadãos cubanos saiam e entrem no país, por meio de embarcações comerciais. Ou seja, pela primeira vez, cubanos-americanos podem votar a Cuba pelo mar e regressar aos EUA. ( F S P, 3.5.2016, p. A-12) .

Fim da velha Guarda

Leonardo Padura destaca que Raúl Castro disse que vai continuar como dirigente máximo até 2018 e sua saída será o fim da geração histórica da Revolução no poder. ( F S P , 7.5.2016, p. C-8) .

Renúncia do Cardeal Ortega

Leonardo Padura destaca a renúncia do Cardeal Jaime Ortega Alamino de suas funções como arcebispo da diocese da Havana.

Para uns ele se dobrou diante do poder político do país, para outros resgatou espaços importantes para a Igreja  e mediou junto ao governo em vários processos importantes. Mas  para muitos ele explorou suas possibilidades reais e conseguiu benefícios concretos para a Igreja e a sociedade cubanas.

Com ele aconteceram três visitas papais á ilha. Com ele, em 2010 foram libertados mais de 50 presos políticos que cumpriam penas longas.

Com ele aumentou a visibilidade e participação social da Igreja, com recuperação de marcos com  procissões, passagem da virgem padroeira de Cuba por todo o país e a proliferação de diversas publicações periódicas não oficiais.

Ortega também foi um fator essencial na aproximação entre os governos de Washington e Havana. ( F S P , 7.5.2016, p. C-8) .

Legalização de empresas

O regime cubano anunciou no dia 24 de maio que vai legalizar as micro,  pequenas e médias empresas . Até agora , as únicas formas de empreendedorismo em Cuba  fora do Estado eram as cooperativas e os trabalhadores autônomos, os “cuentapropistas”, medidas aprovadas após o Congresso do Partido Comunista em 2011.

As duas modalidades permitiam a criação de negócios como restaurantes, salões de beleza e albergues, mas sem contratação de funcionários, realização de importações e exportações, atribuições exclusivas do Estado.

Agora serão reconhecidas como entidades legais separadas de seus donos , ou seja propriedade privada  , algo abominado pelo regime comunista. Como as empresas serão registradas , qual será o limite de empregados , se estrangeiros poderão participar e se estarão sujeitas a impostos e controle de lucros, ainda serão definidos. . ( F S P 25.05.2016, p. A-12) .  

EGITO

A Justiça do Egito condenou no dia 7 de maio, seis pessoas à morte, incluindo  três jornalistas por colocar em risco a segurança nacional ao vazar documentos secretos para o Catar. A sentença precisa ser confirmada pelo grão-mufti e dois dos jornalistas, que não estavam presentes trabalham na TV Al-Jazeera, sediada no Catar. Eles podem recorrer da decisão. ( F S P , 8.5.2016, p. A-15) .

Estado Islâmico

Homens armados mataram oito policiais na periferia do Cairo na noite do dia 8 de maio , em atentado reivindicado pelo braço egípcio do Estado Islâmico.

Quatro atiradores cercaram uma van da polícia e metralharam o veículo antes de fugir, em Helwam , ao sul do Cairo. Os guardas estavam à paisana.

“Uma unidade de soldados do califado atacou um micro-ônibus que transportava oito apóstatas da polícia criminal em Helwam(…) e matou todos eles”, afirmou o Estado Islâmico em uma de suas contas no Twitter.  Diz ainda ter “vingado as mulheres puras detidas nas prisões dos apóstatas”. ( F S P , 9.5.2016, p. A-10) .

Airbus derrubado

Um Airbus A320 da companhia EgyptAir caiu durante a madrugada de  quinta-feira dia 19 de maio enquanto sobrevoava o mar Mediterrâneo, num voo entre Paris e o Cairo , com 66 pessoas a bordo.

É bastante provável que o motivo da queda seja uma ação terrorista do  Estado Islâmico. O grupo terrorista quer acabar com o turismo no Egito , que é responsável por 13% do PIB do país .

Em março de 2015 calculou-se perda de US$ 1,3 bilhão, devido ao atentado de outubro , na Península do Sinai, onde um avião explodiu , matando 224 pessoas em ação reivindicada pelo Estado Islâmico, por uma filial local. ( F S P , 20.05.2016, p. A-10) .

É improvável que uma bomba tenha sido levada a bordo no Aeroporto Charles de Gaulle , em Paris, que possui um dos esquemas de segurança  mais rigorosos do mundo. Os funcionários do aeroporto passam até por  um escrutínio ideológico e em 2015 , setenta perderam o acesso a zonas de segurança  por suspeita de radicalização  apurada por anotações feitas em livros religiosos  ou o fato de recusarem ordens de mulheres.

Mas um artefato explosivo poderia ter sido plantado por um funcionário em algum outro aeroporto. O avião, antes de sair de Paris, já havia passado pela Eritréia e pela Tunísia, país de onde mais saíram jovens para se juntar aos terroristas do Estado Islâmico.

Se ficar comprovado que o voo 804 foi derrubado por uma bomba,  terá sido o primeiro atentado aéreo na Europa Ocidental desde a explosão de um avião da Pan Am sobre a Escócia em 1988, que matou 270 pessoas , em um ataque patrocinado pelo então ditador Muammar Kadafi , da Líbia. ( Revista Veja, 25.05.2016, p. 68-70) .

EUA

Estado Islâmico

Walid Phares,  assessor do Congresso dos EUA e do Parlamento Europeu em contraterrorismo afirma que se Donald Trump vencer, pode usar armas nucleares contra o Estado Islâmico.

“É preciso entender o contexto em que ele mencionou essa possibilidade, sem que tenha que se tornar realidade. No caso do EI, ele disse que não descartaria nada. A possibilidade de o outro lado obter armas nucleares e usar contra nós é um dos cenários que tem sido apresentados , inclusive para o governo atual.

Se sabemos quem eles são e sua localização, e a única forma de eliminá-los é usar força maciça, incluindo armas nucleares táticas, acho que mesmo os governos mais moderados não descartariam nenhuma opção…O EI precisa ser destruído. Mas ele não quer ver o EI destruído, para depois ser substituído por outros combatentes islâmicos . Quer preparam o terreno para o que virá depois”. ( F S P , 2.5.2016, p. A-12) . 

Hiroshima

Barak Obama  visitou no dia 27 de maio a cidade de Hiroshima , no Japão, o primeiro presidente americano a visitar a cidade desde que ela foi arrasada por uma bomba atômica lançada pelos EUA  em 6 de agosto de 1945.

“Minha intenção não é revisitar o passado, mas afirmar que pessoas inocentes morrem numa guerra, de todos os lados e devemos continuar empenhados  por um mundo sem armas nucleares”.

Obama não irá se desculpar  pela opção de os americanos terem usado armas nucleares.  Segundo pesquisa feita pelo Centro Pew, em 2015, 56% dos americanos consideram hoje , justificável o ataque, como forma de encerrar a guerra e salvar seus soldados. ( F S P, 26.05.2016, p. A-10) .

Economia

O PIB dos EUA deve crescer apenas 1,8% em 2016, o primeiro desempenho abaixo dos 2% desde 201, segundo projeção da agência de classificação de risco Fitch. ( Revista Veja, 01.06.2016, p. 36) .

 

FINLÂNDIA

Microsoft

A Microsoft anunciou no dia 25 de maio que vai reduzir drasticamente o seu negócio de smartphones , o que vai provocar o corte de 1.850 funcionários e mais uma baixa contábil, de US$ 950 milhões. O corte soma-se a outro já feito de 7.800 pessoas e baixa contábil de US$ 7,6 bilhões em 2014, já superando o valor original da compra.

A empresa comprou a finlandesa Nokia em 2014, por US$ 7,2 bilhões , mas na época a Nokia já era uma companhia decadente e a empresa não conseguiu emplacar o Windows 10 , que hoje tem apenas 1% dos aparelhos vendidos no mundo com o sistema. ( F S P, 26.05.2016, p. A-8) .

GRÉCIA

Acordo com credores

Os credores internacionais da Grécia , depois de quase 11 horas de negociação em Bruxelas , e o FMI  chegaram a um acordo sobre diversas medidas para  reestruturar a dívida a Grécia, quando o pagamento do resgate de 86 bilhões de euros se esgotar , em 2018.

Mas, as decisões mais significativas serão tomadas depois das eleições federais alemãs em 2017.

Uma das opções de perdão parcial da dívida envolve reduzir dramaticamente a exposição do FMI  ao programa grego por meio da aquisição de até 14,6 bilhões de seus empréstimos ao pais.;

O acordo preliminar permite que a zona do euro libere 10,3 bilhões em empréstimos que manterão a Grécia à tona , nos próximos meses , o que inclui desembolso de 7,5 bilhões de euros em junho de 2016, a primeira injeção de verbas de resgate no país desde o final de 2015 e que deve sustentar a Grécia, pelo menos até outubro de 2016. ( F S P, 26.05.2016, p. A-14) .

IMIGRANTES

Grécia Campo de Idomeni

O campo de Idomeni , no norte da Grécia, tornou-se o maior acampamento de refugiados da Europa , onde vivem de 10 a 12 mil pessoas, em condições precárias, cerca 70 vezes maior do que a população do vilarejo de Idomeni, apenas 150 pessoas e diminuindo.

Quando a fronteira era aberta, Idomeni era apenas um ponto de parada por onde passavam os trens rumo aos países balcânicos , rota de 1 milhão de refugiados em 2015, que , na maioria, saíram da Síria, com destino à Alemanha e a outros países europeus ricos..

Mas, em 9 de março de 2016, o governo macedônio bloqueou a passagem , após Sérvia , Croácia e Eslovênia anunciarem que não deixariam mais refugiados cruzarem suas terras.

Por isso, o campo virou uma cidade, gerida por ONGs , já que as autoridades gregas não  reconhecem o local como campo oficial. ( F S P , 1.5.2016, p. A-14) .

A apenas 2,5 km de Idomeni, do outro lado da fronteira, fica o Cassino Flamingo , que se destaca à noite pela suas luzes de neon . O cassino fica em Gevgelija , chamada de Las Vegas macedônia, por causa de seis cassinos e outras casas de jogos.

A cidade tem desemprego em torno de 10%, para uma taxa de 26% no país em 2015. Estima-se que 10 mil pessoas trabalhem direta e indiretamente nos cassinos.

Gevlelija, com apenas 22,8 mil habitantes, com a fronteira aberta, foi rota de passagem de mais de 1 milhão de imigrantes em 2015. Agora, com a fronteira fechada , não há refugiados andando pelas ruas. ( F S P, 3.5.2016, p. A-12) .

Alemanha

“Ângela Merkel está do lado certo da história”. Barak Obama referindo-se à posição da chanceler alemã diante da crise imigratória na Europa. ( Revista Veja, 4.5.2016, p. 41) .

Menores Refugiados

Quase um em cada quatro menores que pediram asilo na Europa em 2015  estava desacompanhado. Foram mais de 88 mil no bloco europeu, quase sete vezes o registrado em 2013.

É um fluxo tido pela Unicef como sem precedentes na história recente.  E preocupante , pelo risco de tráfico, abusos e exploração.

Cerca de 91% eram meninos , com idades entre 14 e 17 anos ( 86%) e vindos do Afeganistão ( 51%) e da Síria ( 16%). A maior parte pediu asilo na Suécia ( 40%), Alemanha ( 16%) e na Hungria ( 10%).  Há crianças que viajam sozinhas desde o início e outras com vizinhos ou primos. ( F S P, 14.05.2016,  p. A-18) .

Campos para refugiados

Elisabeth Cullen Dunn, do Departamento de Geografia da Universidade de Indiana ( EUA), passou 16 meses estudando campos de refugiados  entre 2009 e 2013 na Geórgia e publicou artigo sobre o assunto na revista científica “Nature”, mostrando falhas no sistema de ajuda humanitária.

“Cada vez mais a ajuda humanitária é uma solução temporária para um problema permanente, um tampão que não somente não ajuda as pessoas deslocadas a se reassentar , como torna mais difícil que continuem com suas vidas”.

Campos sempre foram planejados para serem temporários . Terminada a crise, essa população deveria voltar para suas casas. Mas , mais de 80% das crises de refugiados duram mais de dez anos , e 40% mais de 20 anos;

Países que recebem refugiados , costumam considerar os campos como transitórios  e evitam construí-los com uma estrutura adequada e com materiais duradouros.

Com isso, os refugiados tendem a achar que vivem , na prática, em uma espécie de prisão. Em um campo no Quênia, Kakuma, os refugiados são proibidos não só de procurar emprego fora do campo, mas também de sair dele.

As agências de ajuda competem por financiamento de doadores  e em geral não estão dispostas a compartilhar planejamento e informações uma com as outras , resultado em uma maneira improvisada e sem coordenação das ONGs , que também não contribui para amenizar as crises.

Para a pesquisadora , mais do que programas de treinamento ou pacotes genéricos de assistência, ajuda em dinheiro é  a forma mais eficaz para que os refugiados possam obter o que mais necessitam. A transferência direta de dinheiro  , tende a melhorar a segurança econômica das famílias e já foi bem sucedida em países como Turquia e Somália, mas só corresponde a 6% do total de ajuda humanitária a pessoas deslocadas.

“Existem duas soluções duradouras para a crise de refugiados: acabar com a guerra e reconstruir o país, ou encontrar outro país que realoque as pessoas permanentemente. Como muitos não podem regressar por décadas, encontrar um lugar permanente é realmente a única solução viável”.

    Mas, os governos precisam ser convencidos de que devem integrar os refugiados em seus países, em vez de segrega-los e expulsá-los.

“Estudos mostram que a maioria dos refugiados se tornam colaboradores , e não um fardo para a economia em cerca de cinco anos”. Ou seja, eles podem ser um recurso econômico valioso e contribuírem para a economia local  ao comprar comida , mobília e roupas.  Os países desenvolvidos, mas estagnados, podem se beneficiar do fluxo de uma força de trabalho jovem e do estímulo econômico.

Evidentemente, estas conclusões aplicam-se com facilidade a contingentes de alguns milhares de refugiados. O quadro é outro quando em apenas um ano, deslocam-se mais de um milhão, como aconteceu na Europa em 2015.

Os dez maiores campos de refugiados do mundo:

Dadaab, Quênia :  Complexo de cinco campos, abriga 350 mil pessoas, a maioria da Somália.

Dollo Ado, Etiópia: Mais de 200 mil somalis vivem neste complexo.

Kakuma, Quênia: Tem 120 mil refugiados, em geral somalis ou sudaneses.

Al Zaatri, Jordânia: Abriga em torno de 120 sírios.

Jabalia, faixa de Gaza: É o lar para 110 mil palestinos.

Mbera, Mauritânia: São 75 mil deslocados pelo conflito de Mali.

Yida , Sudão do Sul: São 70 mil pessoas fugidas do Sudão.

Nakivale, Uganda: São 68 mil que fugiram de países como Ruanda.

Nyarugusu, Tanzânia: 68 mil deslocados do Burindi e Rep. Democrática do Congo.

Tamil Nadu, Índia: Mais de cem campos espalhados pela região, abrigam 65 mil refugiados do Sri Lanka.  ( F S P , 23.05.2016, p. A-9) .

Aumenta a travessia pela Itália

Na semana de 23 a 29 de maio , cerca de 14 mil pessoas foram interceptadas e resgatadas pelas autoridades  entre a Líbia e a Itália.

Pode ser maior do que 700 o número de mortos em três naufrágios . As chegadas incluem eritreus, sudaneses, nigerianos e outras nacionalidades do oeste africano . Antes desse fato, o maior naufrágio ocorreu em abril de 2015, quando um navio afundou com 800 pessoas a bordo.

O total de chegadas até o dia 27 de maio, era de 40,6 mil, 2% menor do que no mesmo período de 2015.

Houve grande redução no número de chegadas de migrantes na Grécia, demonstrando que o fechamento das fronteiras  de outros países europeus e o acordo com a Turquia  para devolver os migrantes, assinado em março, conseguiu conter a escalada de chegadas á Grécia. Agora, a alternativa mais buscada, passa a ser entre Líbia e Itália. ( F S P , 30.05.2016,p. A-8) .

IRAQUE

Ocupação da zona verde

Manifestantes invadiram o Parlamento e acamparam na fortificado Zona Verde de Bagdá, protestando pela aprovação da proposta do governo de substituir quadros com ligações partidárias, por uma equipe de técnicos , numa campanha anticorrupção.

Essa proposta encontra resistência de partidos políticos poderosos.

Os manifestantes são apoiadores do influente clérigo Muqtada al-Sadr.

No dia 1º de maio eles deixaram a Zona Verde , prometendo voltar se as reformas não saírem. ( F S P , 2.5.2016, p. A-11) .

Estado Islâmico em Bagdá

No sábado , dia 30 de abril, ocorreu uma explosão em um mercado de Bagdá, que matou pelo menos 21 pessoas e feriu outras 42.

No domingo , dia 1º de maio, pelo menos 31 pessoas morreram e 52 ficaram feridas , após dois carros-bomba explodirem na cidade de Samawah. Um dos veículos foi detonado próximo a prédios públicos e , minutos depois, o outro explodiu em uma estação aberta de ônibus. As duas ações foram reivindicadas pelo Estado Islâmico. ( F S P , 2.5.2016, p. A-11) .

No dia 11 de maio, mais três ataques a bomba do EI deixaram ao menos 93 mortos e 165 feridos.

No mais mortífero dos ataques, uma caminhonete carregadas de explosivos deixou ao menos 63 mortos e 85 feridos ao ser detonada perto de um salão de beleza no bairro xiita de Cidade Sadr ,Muitas vítimas eram noivas que se preparavam para casar.

Pouco depois, outro carro-bomba , explodiu perto de uma delegacia em Kadhimiyah, noroeste de Bagdá , matando 18 e ferindo 34.

No norte da capital, o terceiro carro-bomba deixou 12 mortos e 46 feridos em Jamiya. ( F S P , 12.05.2016, p. A-15) .

No dia 13 de maio, pouco depois da meia-noite , três homens armados abriram fogo contra pessoas que estavam em um café frequentado por fãs do time espanhol Real Madrid, deixando ao menos 12 mortos e 25 feridos.

Os terroristas fugiram e , horas depois, um deles detonou um colete com explosivos em um mercado vizinho  ao café, após ser cercado pela polícia e por milicianos xiitas em um prédio vazio. Na explosão, quatro morreram e dois ficaram gravemente feridos. ( F S P, 14.05.2016,  p. A-18) .

No dia 17 de maio, mais 69 pessoas foram mortas em Bagdá, após três atentados terroristas.  Cerca de 34 foram mortos em um mercado de Bagdá e 75 ficaram feridos.

O EI, que controlava em 2014 um terço do território iraquiano quando proclamou o seu califado , está reduzido agora a apenas 14%  e isso explica a apelação para os atentados. ( F S P , 18.05.2016, p. A-10) .

Estado Islâmico perdendo domínios

O governo iraquiano anunciou no dia 23 de maio que suas forças controlam áreas rurais da periferia de Fallujah, a 65 km de Bagdá, área antes dominada pelo EI. Fallujah , principal reduto dos extremistas sunitas no Iraque, foi a primeira grande cidade iraquiana a ser dominada pelo EI em janeiro de 2014 e operação para recuperar a cidade foi lançada em 22 de maio. ( F S P , 24.05.2016, p. A-15) .

ISRAEL

Um palestino, no dia 3 de maio, atropelou e feriu três militares israelenses perto do assentamento judaico de Dolev, na Cisjordânia , que estavam em um  posto de controle que dá acesso ao local. O agressor foi morto pelos soldados. ( F S P , 4.5.2016,  p. A-11).

O ministro da Defesa israelense , Moshe Yaalon , anunciou sua renúncia no dia 20 de maio alegando que o governo de Israel está tomado por “elementos perigosos e extremistas” e que não é mais possível confiar no premiê Binyamin Netanyahu.

Yaalon era considerado uma voz moderada no governo e Netanyahu deve colocar em seu lugar o linha-dura Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores de 2009 a 2012 e de 2013 a 2015. ( F S P , 21.05.2016, p. A-14) .

 

LÍBIA

Estados Unidos, Alemanha, França, China e Rússia anunciaram no dia 16 de maio que estão dispostos a suspender o embargo da ONU à venda de armas à Líbia , caso isso favoreça a formação de um governo para combater o terrorismo.

A revolta que derrubou o ditador Muammar Gaddafi em 2011 , instalou o caos institucional e permitiu que milícias ganhassem o poder e que se estabelecessem grupos radicais, como o Estado Islâmico.

Hoje, o novo governo líbio , no poder há um mês  e meio, está apoiado pela ONU e demanda autorização para importar armas, tanques , jatos e helicópteros para lutar contra o EI.

A nova administração é liderada pelo primeiro-ministro Fayaz Seraj , tem sede em Trípoli.  Mas, sua autoridade é contestada por parte do Parlamento líbio, sediado em Trobuk, o leste do país.  Seraj também não tem o apoio de milícias.  O general Khalifa Haftar, líder militar se recusa a reconhecer Seraj e tem o apoio dos Emirados Árabes Unidos e do Egito. ( F S P , 17.05.2016, p. A-10).

MERCOSUL

Com a mudança de governo na Argentina, o Mercosul começa a andar.

A União Europeia e o Mercosul trocaram ofertas tarifárias para negociar um acordo de livre comércio , do qual foram excluídos alguns produtos sensíveis para o bloco europeu.

É a primeira de ofertas desde 2004 e passo importante para fazer avançar o processo de negociação.

Mas, carne bovina e etanol, dois produtos importantes para o bloco sul-americano  foram deixados de fora da oferta da UE, decepcionando o Brasil. A questão poderá ser revista em julho , porque as negociações de fato começarão no segundo semestre do ano. ( F S P , 12.05.2016, Mercado, p. 5) .

MÉXICO

O narcotraficante mexicano , Joaquim “El Chapo” Gusmán , que já fugiu da prisão duas vezes, e tenta evitar a extradição para os EUA, foi transferido no dia 7 de maio para uma cadeia perto da fronteira com o Texas, em Ciudad Juarez, mas as autoridades disseram que a movimentação não indica uma possível extradição. ( F S P , 8.5.2016, p. A-15) .

NIGÉRIA

Boko Haram

Soldados nigerianos resgataram a primeira das 276 estudantes sequestradas em 2014 pelo Boko Haram na cidade de Chibok. Dezenas escaparam nas primeiras horas, mas 219 continuavam desaparecidas desde então.

Amina Ali Nkeki foi encontrada junto com seu bebê, de quatro meses de idade. Um suspeito de ser integrante do Boko Haram, chamado Mohamed Havatu e que se diz marido da garota , foi preso.

Amina foi encontrada perambulando por uma área de floresta e foi levada para sua cidade de origem no dia 17 de maio para ser identificada pela mãe. ( F S P , 19.05.2016, p. A-15) .

No dia 19 de maio , o Exército da Nigéria anunciou que foi encontrada uma segunda menina sequestrada. ( F S P , 20.05.2016, p. A-11) .

 

NORUEGA

O norueguês Anders Breivik , executou 69 pessoas, a maioria adolescentes, durante um encontro da juventude trabalhista na ilha de Utoya, em 22 de julho de 2011.

No episódio, uma menina implorou por sua vida : “Por favor não atire”. Mas ele atirou, quase encostando a pistola no rosto da menina e atirando dentro da boca aberto pelos gritos.  O crânio foi despedaçado , mas os lábios de mantiveram intactos.

A primeira patrulha principal , ao chegar ao cais que dava acesso de barco a Utoya, ficou na margem sem fazer nada, porque tinha ordens para aguardar e observar , apesar de ser evidente pelos tiros espaçados  que se escutavam a apenas 600 metros de distância que se tratava de um atirador solitário. Enquanto isso, Breivik matava um criança por minuto, em média, muitas com tiros na nuca, enquanto a vítima tentava fugir.

Antes, Breivik fabricou uma bomba de fertilizantes, detonada no mesmo dia , diante do escritório do então primeiro-ministro Jens Stoltenberg, matando oito pessoas .

O mais surpreendente é que um assassino ,psicopata desta magnitude foi condenado a apenas 21 anos de prisão por terrorismo, quando deveria ser executado. E o pior é que esse monstro, esse louco, ainda mereceu que  fosse escrito um livro sobre sua educação, como se isso justificasse alguma coisa.

Bibliografia: Um de Nós.  Asne Seierstad. Record. ( Revista Veja, 11.05.2016, p. 106-107) .

PANAMÁ

Panamá Papers

O responsável pelo vazamento para a imprensa de mais de 11 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossak Fonseca, os “Panamá Papers”, disse ter compartilhado o material para combater a “injustiça”.

Os Panamá Papers mostram que “ a grande penetrante”, corrupção , está por trás da acelerada desigualdade econômica mundial. ( F S P , 7.5.2016, p. A-15) .

Mas, o autor do vazamento manteve-se anônimo.

PAQUISTÃO

Akhtar Mansour

Akhatar Mansour, líder do Taleban  e outro miliciano morreram alvos no bombardeio realizado por um drone em operação autorizada pelo presidente Barak Obama, realizada em Dalbandi ( província de Baluchistão), perto da fronteira com o Afeganistão.

Mansour era o líder do Taleban, desde a morte de Omar em 2013, mas assumiu formalmente a liderança em julho de 2015.. ( F S P , 22.05.2016, p. A-15).

Não está claro por quanto tempo Mansour permaneceu no Paquistão antes de ser morto.  Ele foi alvo do ataque aéreo quando viajava de carro com outro homem que também morreu e foi identificado por autoridades paquistanesas como um motorista de táxi.

Um passaporte do país foi encontrado junto à carcaça do veículo destruído, sob nome de Walid  Muhammad e mostra uma recente viagem de seu portador ao Irã. Não se sabe se Mansour vinha usando o passaporte.

O premiê do Paquistão, Nawaz Sharif , acusou no dia 22 de maio os EUA de violar a soberania do país  após a confirmação da morte de Mansour.

Islamabad só foi informada da operação após sua conclusão, disse o premiê.

Com a morte de Mansour , a liderança do Taleban fica em aberto e os chefes das milícias poderão levar dias ou semanas para definir a questão. A facção pode entrar em disputa pelo poder. ( F S P , 23.05.2016, p. A-8) .

O sucessor de Mansour foi escolhido e é Haibatulah Akhundzada . “Todos os membros da shura juraram lealdade “. Ele é um estudioso com visões radicais , o que pode dificultar o processo de paz em Cabul. ( F S P, 26.05.2016, p. A-11) .

PERU

O Peru irá realizar o segundo turno das eleições presidenciais em 5 de junho. Segundo pesquisa do instituto Ipsos, Keiko Kurimori tem 51,5% das intenções de voto e Pedro Pablo Kuczysnki , 48,5%.

Mas , os dois apoiam políticas fiscais responsáveis , controle da inflação e investimentos externos, por isso o país está livre do obscurantismo bolivarista.

De  1998 a 2007 , o Peru foi o país da América do Sul que mais cresceu , média anual de 4,1%. Embalado pela venda de minérios durante o boom de commodities chinesa, o ritmo de crescimento do PIB de 2008 a 2013  foi ainda maior, com média anual de 6%.

A população abaixo da linha de pobreza caiu de 55% para 22,5%, a maior queda da América Latina. E isso aconteceu com uma política fiscal responsável e controle da inflação.

Nos últimos 15 anos, o índice de preços subiu, em média , 2,8% ao ano, dentro da banda que vai de 1% a 3%.  Hoje a dívida pública equivale a 24% do PIB , contra 66,5% da do Brasil.

Com a queda no preço das commodities, o ritmo de crescimento do PIB diminuiu : 2,4% em 2014 e 3,3% em 2015.(Revista Exame, 25.05.2016, p. 108-110).

PETRÓLEO

As queimadas na província de Alberta, a maior produtora de petróleo no Canadá, elevaram o preço do barril , que superou os 50 dólares pela primeira vez em 2016. ( Revista Veja, 01.06.2016, p. 36) .

A queda nos preços do petróleo impactou fortemente no endividamento das gigantes da commodity . As dívidas agregadas das 15 maiores companhias petroleiras da América do Norte  e Europa subiram a US$ 383 bilhões  pelo final de março , ou US$ 97 bilhões pelo total registrado 12 meses antes de acordo com relatórios compilados pela Bloomberg.

As receitas das empresas petroleiras despencaram como resultado do colapso nos preços do petróleo cru, iniciado na metade de 2014.

As empresas reduziram investimentos e custos operacionais, mas mesmo assim, a maioria teve que tomar empréstimos  para bancar seu programa de dividendos e para pagar dividendos. A maioria das empresas  de petróleo dos EUA e Europa se comprometeu a manter os valores pagos aos acionistas, o que limita sua capacidade de investir em produção futura.

A alta da dívida foi especialmente aguda no primeiro trimestre de 2016, quando o preço do petróleo caiu para US$ 27 o barril.

A alta nas dívidas levou agências de classificação de  crédito a rebaixar as petroleiras. Em abril, a Exxon perdeu sua classificação AAA pela Standard & Poor’s.

Grandes companhias estão sendo forçadas a reduzir seus investimentos e algumas como a Chevron, abandonam grandes projetos  em favor de projetos menores e mais flexíveis.  Isso inclui a exploração em águas profundas no Brasil.

A BP anunciou que abandonaria a exploração em novas fronteiras de petróleo , que pode  demorar dez anos , ou dar mais lucro. ( F S P , 31.05.2016, Mercado, p. 4) .

REINO UNIDO

O advogado londrino Sadiq Khan, 45, do Partido Trabalhista, será o primeiro prefeito muçulmano de Londres. ( F S P , 7.5.2016, p. A-14) .

 

REPÚBLICA CENTRO AFRICANA

O Tribunal Penal Internacional condenou o congolês Jean-Pierre Bemba, por uma ofensiva militar na República Centro Africana entre outubro de 2002 e março de 2003.

Cerca de 1.500 homens do Movimento de Libertação do Congo, à época presidido por Bemba, foram enviados à República Centro-Africana para defender o então presidente Angel Félix Patassé, de rebeldes.

Mais de 5.000 pessoas buscaram o TPI para relatar a prática corrente de assassinatos , estupros coletivos – de mulheres, crianças pequenas e homens – e roubos cometidos pelas tropas sob o comando de Bemba.

O julgamento durou quase seis anos e Bemba, preso desde 2008 foi condenado por crimes contra a humanidade ( assassinato  e estupro) e por crimes de guerra ( assassinato, estupro e roubo).

Sua condenação é um alerta para comandantes de tropas, no sentido de que eles também tem responsabilidade se não pararem com os abusos, tendo obrigações legais com suas tropas, mesmo quando são enviados para o exterior. ( F S P , 1.5.2016, p. A-16) .

SÍRIA

No mesmo dia, 3 de maio, que um novo ataque deixou ao menos 19 mortos em um hospital de Aleppo , no norte da Síria, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução para reafirmar que as instalações médicas em zonas de guerra , devem ser protegidas dos conflitos. ( F S P , 4.5.2016,  p. A-10).

Trégua

Os EUA e Rússia , concordaram no dia 4 de maio em estender a trégua na Síria para incluir a cidade de Aleppo , palco de violentos combates. O regime de Bashar al-Assad, aceitou a trégua. ( F S P, 5.5.2016, p. A-14) .

O cessar-fogo em Aleppo que iria expirar no dia 7 de maio, foi ampliado por mais 48 horas até o dia 9 , pelo regime sírio. ( F S P , 9.5.2016,  p. A-12) .

Bombardeio em campo de deslocados internos

Ataques aéreos deixaram pelo menos 28 mortos , incluindo mulheres e crianças , em um campo de deslocados  internos, na província síria de Idilib, perto da fronteira com a Turquia.

Há muitos feridos em estado grave , e o número de mortos deve aumentar no campo que abriga entre 1.500 e 2.000 pessoas e se localiza em território rebelde , perto da cidade de Sarmada. ( F S P, 6.5.2016, p. A-16) .

Estado Islâmico

Bombardeios das forças da Turquia mataram 55 membros do EI em uma região ao norte de Aleppo, na noite do sábado dia 7 de maio, em resposta ao disparo de foguetes da Síria em direção à fronteira com a Turquia. ( F S P , 9.5.2016, p. A-10) .

Hizbullah

O comandante militar do Hisbullah, Mustafa Badreddine, que liderava as ações da facção na Síria, morreu em uma explosão próxima ao aeroporto de Damasco , no golpe mais sério sofrido pela milícia, considerado terrorista pelos EUA desde 2008.

Não se sabe  a autoria , mas Israel é suspeito. ( F S P, 14.05.2016,  p. A-18) .

Mais atentados do EI

Vários ataques reivindicados pelo EI  no dia 23 de maio, deixaram ao menos 78 mortos em Tartus e Jableh na Síria, cidades redutos do ditador Bashar al-Assad, de população alauíta.  As duas províncias também abrigam bases militares da Rússia.

É a primeira vez que a região, próxima ao mar Mediterrâneo , passa por atentados desta magnitude, desde o início da guerra civil em 2011.

As primeiras ações foram em um terminal de ônibus e em um posto de gasolina de Tartus . Um maluco suicida se explodiu e na sequencia , um carro bomba foi detonado matando mais de 20 pessoas.

Em Jableh  ,os extremistas dispararam três foguetes e usaram um homem-bomba para atingir quatro prédios, incluindo um hospital, matando ao menos 48 pessoas.

Em comunicado pela agência Amaq, vinculada ao EI, os extremistas dizem ter agido em vingança ao regime de Assad.

O ministro da informação sírio , Omram al-Zoubi explicou claramente o que está acontecendo. Os terroristas recorrem a ataques contra civis , em vez de confrontar o exército  porque estão perdendo e recuando no campo de batalha.  Esse é o pior tipo de crueldade e covardia que se poderia imaginar em um conflito. Desviar o foco de atuação das operações militares para assassinar civis inocentes. ( F S P , 24.05.2016, p. A-15) .

TURQUIA

Cerca de 207 pessoas foram detidas em Istambul , durante manifestações em celebração do Dia do Trabalho ( 1º de Maio).

Segundo autoridades turcas, mais de 24.500 membros das forças de segurança foram mobilizados para acompanhar os atos na cidade.

Com os detidos, foram encontrados 40 coquetéis molotov, 17 granadas , 176 fogos de artifício e “cartazes ilegais”.

Parte das detenções e dos confrontos, ocorreu após alguns manifestantes tentarem furar o bloqueio à praça Taksim, local que foi alvo de diversos protestos em 2013, contra o então primeiro-ministro e hoje presidente , Recep Tayyip Erdogan. ( F S P , 2.5.2016, p. A-11).

União Europeia

O primeiro-ministro britânico, David Cameron , ao defender a permanência do Reino Unido na UE, disse que a Turquia , que há anos tenta aderir á União Europeia , levará décadas para fazer parte do bloco.

A aprovação da adesão da Turquia depende da aprovação de todos os membros da UE e a França já se posicionou que precisa consultar a população. ( F S P, 5.5.2016, p. A-15) .

Primeiro-Ministro deixa o cargo

Após atritos com o presidente Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro turco , Ahmet Davitoglu, anunciou no dia 5 de maio sua renúncia da liderança do partido e , assim, da função de premiê.

Com isso, ele abre caminho para Erdogan ampliar seus poderes. ( F S P, 6.5.2016, p. A-16) .

Após a saída do premiê. Erdogan quer uma mudança constitucional que modifique o sistema político turco  para o presidencialismo, reduzindo ainda mais o papel do primeiro-ministro. ( F S P , 7.5.2016, p. A-15) .

Fim da imunidade dos legisladores

O Parlamento turco aprovou no dia 20 de maio, um projeto de emenda constitucional proposto pelo partido governista ( AKP), que retirará a imunidade de legisladores do país sob investigação judicial.

A ação visa enfraquecer o principal partido pró-curdo da Casa , o Partido Democrático dos Povos (HDP), que nas eleições de 2015, ultrapassou os 10% dos votos necessários para ter representação parlamentar, disposição saudável que não existe no Brasil.

Os curdos são considerados pelo presidente Recep Tayyip Erdogan como a principal ameaça à integridade territorial do país. ( F S P , 21.05.2016, p. A-14) .

 

VENEZUELA

Referendo Revogatório

A oposição venezuelana entregou no dia 2 de maio, ao Conselho Nacional Eleitoral, 1,85 milhão de assinaturas para a primeira etapa do referendo para tentar revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro, que termina apenas em 2019.

O número exigido é mais de nove vezes o exigido pelo órgão eleitoral, 1% do eleitorado, ou 195.721 votos e dois apresentado apenas seis dias após o início do prazo de coleta, de 30 dias.

Oficialmente, o órgão eleitoral teria cinco dias após a entrega das assinaturas para analisa-las e mais cinco dias para convocar os signatários para confirmarem as assinaturas.

Mas, o CNE é um órgão chavista e por isso, a diretora do órgão, Tania D’Amelio, disse que a análise das firmas só começará após encerrado o prazo previsto para o fim da coleta que é 26 de maio.

Lucena no dia 4 de maio, mudou de opinião e disse que o resultado da contagem deverá ser entregue até o dia 10 de maio.

Outro problema é que as firmas passarão também pela revisão de uma comissão de políticos chavistas, que foi indicada no dia 29 por Maduro.

A oposição , corretamente teme que , com a revisão chavista, seja criada uma lista negra de eleitores, assim como foi feito em 2004, no referendo que tentou revogar o mandato do então presidente Hugo Chávez. ( F S P, 3.5.2016, p. A-13) .

Se aprovada a primeira etapa , a Mesa de Unidade Democrática terá que recolher as firmas de 20% do eleitorado, ou 3.914.428 pessoas , para desatar o referendo, conforme diz a Constituição . Mas, pelo que coletou no primeiro, não terá dificuldades de alcançar este número. ( F S P, 5.5.2016, p. A-14) .

O CNE informou que vai esperar semanas antes de começar a contar as assinaturas favoráveis ao referendo. A oposição exige que sejam examinadas imediatamente.

Caso o referendo só seja realizado após 10 de janeiro de 2017, quando faltarão menos de dois anos para o término do mandato de Maduro, quem assume caso ele tenha de sair é o seu vice, cargo ocupado atualmente pelo chavista Aristóbulo Istúriz.

Portanto, a oposição pressiona para fazer o referendo antes desta data, porque neste caso a Constituição da Venezuela prevê novas eleições.

Mas Maduro afirmou no dia 10 que “ não vão me tirar nem por uma via, nem por outra”. ( F S P , 12.05.2016, p. A-17) .

O  CNE anunciou no dia 12 de maio que o processo de validação das assinaturas terminará em 2 de junho. Porem, é bastante provável que essa promessa não seja cumprida.  ( F S P , 13.05.2016, p. A-22) .

Legislativo engessado

Segundo Juan Manuel Raffalli, professor de direito constitucional na Universidade Católica Andrés Bello em Caracas, “Os deputados estão impossibilitados de executar seu trabalho. Com isso, o poder de maior representatividade popular do país está engessado”.

O Supremo decidiu que os deputados só podem questionar a atuação de ministros e outros funcionários públicos por intermédio do vice-presidente.

Maduro anunciou no dia 28 de abril que publicará um decreto  para deixar sem efeito qualquer “sabotagem” da Assembleia contra um ministro .

O Supremo determinou que as leis aprovadas pelos deputados devem ser sancionadas por um comitê – montado pelo Executivo – que se encarregará de avaliar a sua viabilidade econômica, ou seja, se não contrariam o chavismo.

O Banco da Venezuela recusou-se a transferir o dinheiro para honrar os salários dos funcionários da Assembleia e Maduro ameaçou cortar a luz.

Enquanto isso, aumenta o caos social. A inflação está em 500% ao ano, o país está ficando 4 horas por dia sem eletricidade, 80% da população está na pobreza , 87% não tem comida suficiente , há escassez e filas de até dez horas em supermercados , nas farmácias e hospitais faltam mais de 800 medicamentos essenciais .  Tudo isso em um país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo. ( Revista Veja, 4.5.2016, p. 70-71 .

 Decreto limitando a Assembleia

No dia 4 de maio, Nicolás Maduro editou decreto , limitando os poderes da Assembleia Nacional para destituir ministros. ( F S P, 5.5.2016, p. A-14) .

Assembleia exige respeito à Constituição

A Assembleia Nacional da Venezuela , inutilmente, aprovou no dia 10 de maio uma moção exigindo o cumprimento da Constituição pelos Poderes Executivo e Judiciário e ao Conselho Nacional Eleitoral.

Para o Legislativo, os outros poderes e o órgão eleitoral  “ violam a Constituição de forma reiterada e sistemática, em prejuízo aos interesses do povo venezuelano.

O Tribunal Supremo de Justiça , instância máxima do Judiciário , custodia os privilégios e as imunidades do presidente.

O Conselho Nacional Eleitoral perdeu o direito de exercer o poder político na Venezuela pois é dominado por Maduro. ( F S P , 11.05.2016, p. A-12) .

Protesto da oposição reprimido

Policiais e militares venezuelanos impediram no dia 11 de maio que uma marcha com milhares de pessoas chegasse à entrada do CNE, para cobrar do órgão a contagem de assinaturas pedindo um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro.

No confronto, agentes da Guarda Nacional Bolivariana arremessaram bombas de gás lacrimogênio, usaram spray de pimenta e atiraram balas de borracha . Um dos atingidos pelo gás foi o ex-candidato-presidencial , Henrique  Capriles, um dos principais líderes da oposição.

Ele afirmou: “ O povo quer mudança. Os truques [ do governo] só fortalecem nossa determinação”.

O presidente da Assembleia Nacional, o opositor Henry Ramos condenou o ataque e disse que era inaceitável alguém ser ferido no que deveria ser um ato pacífico.

Também houve protestos em outros Estados, diante das sedes regionais do CNE. Em Bolívar, três pessoas ficaram feridas em choques , entre elas o deputado federal Rachid Yasbek. ( F S P , 12.05.2016, p. A-17) .

No dia 18 de maio novo protesto ocorreu em várias cidades da Venezuela  para exigir que o CNE deixe de criar obstáculos à organização do referendo revogatório.

Em Caracas, a polícia usou bombas de gás lacrimogênio para impedir que milhares de pessoas chegassem ao CNE , onde a oposição pretendia entregar um pedido para que os trâmites fossem acelerados. Sete pessoas foram presas.

A multidão cruzou facilmente a primeira barreira policial e invadiu uma das principais avenidas de Caracas , aos gritos de “este governo vai cair”.

O grupo foi contido por outro cordão .  A manifestação dispersou depois que um dirigente do CNE recebeu o pedido, das mãos do governador de Miranda e ex-presidenciável Henrique  Capriles.

As manifestações agora estão reunindo cada vez mais pobres  que também não estão mais aguentando o agravamento da situação  econômica.

Em San Cristóbal também houve tumulto. ( F S P , 19.05.2016, p. A-14) .

 

Não haverá referendo anti-Maduro

O vice-presidente da Venezuela abriu o jogo e deixou às claras a ditadura de Nicolás Maduro. 

Aristóbulo Istúriz, disse durante evento transmitido pela TV, em apoio à presidente afastada Dilma Rousseff: “ Aqui Maduro não vai sair por referendo , esqueçam essa ideia […] porque não vai ter referendo. [Os opositores sabem que não haverá referendo porque, primeiro fizeram tarde; segundo, porque fizeram mal; terceiro, porque cometeram fraudes”.

Ele critica o fato de a oposição só ter iniciado os trâmites em abril, quando poderia ter começado em janeiro e ter errado ao recolher e entregar ao CNV muito mais assinaturas do que o necessário nessa fase.

Chavistas também vêm acusando a oposição de ter inflado a lista de firmas com assinaturas falsas  ( com letra diferente) e  nomes de mortos.

O ex-presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, número dois do chavismo, no dia 15 de maio defendeu que sejam identificados todos os cidadãos que apoiaram a consulta popular.

O objetivo é intimidar  uma população traumatizada pela divulgação dos nomes e perseguir quem votou pela saída de Maduro. “ Temos o direito de saber quem são, seus nomes e sobrenomes, onde estão estas pessoas, para saber quem se opõe formalmente ao governo e não quer que Maduro continue no poder”, disse à rede de TV estatal. ( F S P , 16.05.2016,p. A-11) .

Poder de comercialização aos militares

Nicolás Maduro continua tentando resolver problemas econômicos da Venezuela da pior forma possível e ordenou ampliar o poder dos militares no sistema de distribuição de alimentos e produtos básicos.

Publicou um controverso decreto de estado de exceção e emergência econômica no dia 16 de maio.

A medida já está em vigor, por 60 dias, mas será submetida á Assembleia Nacional que tem oito dias para avalia-la. Não adianta nada, porque a Assembleia opositora vai rejeitar o decreto, mas o Tribunal Supremo de Justiça, dominado pelo chavismo , vai validá-lo.

O texto oficializa o que já é realidade: o crescente controle dos militares sobre o comércio de alimentos subsidiados, que movimenta grandes somas de dinheiro e é elemento central dos programas sociais chavistas.

O decreto determina que a Força Armada  Nacional Bolivariana e outros   órgãos de segurança sejam incumbidos de “garantir a correta distribuição e comercialização de alimentos e produtos de primeira necessidade”.

A “vigilância” do acesso a bens e serviços estará a cargo das Forças Armadas.

O decreto, em outra medida polêmica, concede poderes especiais a organizações de bairro , como os Conselhos Comunais e os recém criados  Comitês Locais de Abastecimento e Distribuição (CLAP) , grupos de cidadãos envolvidos na entrega dos alimentos subsidiados.

Essas organizações terão função de vigilância , junto com as Forças Armadas  e a polícia , ecoando o formato dos coletivos armados, grupos para-policiais criados por Hugo Chávez, uma estratégia de armar civis.

O decreto também amplia a margem de manobra de Maduro para movimentar recursos sem autorização da Assembleia e reforça medidas de controle do setor privado. ( F S P , 17.05.2016, p. A-10).

Parlamento vai sumir

O ditador Nicolás Maduro disse no dia 17 de maio que A Assembleia Nacional , controlada pela oposição, desaparecerá em breve. Maduro afirmou isso porque a Assembleia rejeitou na noite do dia 17 de maio o decreto de estado de exceção  com que Maduro ampliou os seus poderes.

“A Assembleia Nacional perdeu vigência política. É uma questão de tempo para que desapareça”;

A declaração reforça versão veiculada pela mídia de que o TSJ planeja dissolver a mesa diretoria da Assembleia , sob justificativa de desacato a ordem do Judiciário. ( F S P , 18.05.2016, p. A-9) .

Nova Diplomacia Brasileira e a Venezuela

Uma  das novas diretrizes do Itamaraty é “Preocupação com a defesa dos direitos humanos em qualquer país”.

 

Por isso, com relação à Venezuela , Clóvis Rossi destaca que é hora de seguir adiante.

 

Cita a Human Rights Watch, que alega que “ o colapso da independência judicial na Venezuela e a consequente propagação das violações aos direitos humanos  e da impunidade afetam princípios consagrados na Carta [ da OEA] e em outros acordos regionais”.

O governo venezuelano afirmou no dia 12 de maio que “ rechaça categoricamente o golpe de Estado parlamentar em curso no Brasil que, mediante farsas jurídicas das cúpulas oligárquicas e forças imperiais , pretende derrubar a presidente Dilma Rousseff”. 

Então Rossi pergunta: “ Se a Venezuela pode dar palpites sobre assuntos internos do Brasil , como o fez ao considerar golpe o impeachment de Dilma, porque o Brasil não pode fazer o mesmo?”.

 

Pode sim. Marcos Troyo diz que a diplomacia pode agir “ só na superfície , ou no senso comum, agir diplomaticamente é ‘colocar panos quentes’, ‘engolir sapos’ ou ‘ficar numa boa com a turma toda’. Ás vezes, a diplomacia é abandonar meias palavras ; deve-se falar e agir no tom mais severo possível”.

 

É o caso, pois na Venezuela a situação atual não é só de defender a democracia, claramente violada pelo governo Maduro, mas de tentar salvar a própria Venezuela que está sendo destruída pelo governo chavista.

 

Moisés Nain e Francisco Toro em artigo para o “The Atlantic”, descrevem o quadro catastrófico atual:

 

“ Nos últimos dois anos , a Venezuela experimentou o tipo de explosão que raramente ocorre em país de renda média como  ela, exceto em caso de guerra.  As taxas de mortalidade estão disparando; um serviço público depois do outro está entrando em colapso ; inflação de três dígitos ( 720% estre ano) deixou mais de 70% da população na pobreza ( 76%, para ser exato); uma onda incontrolável de crime mantém as pessoas trancadas em casa à noite; consumidores têm que permanecer na fila por horas para comprar comida; bebês morrem em grande número por falta de remédios simples e baratos e de equipamentos nos hospitais , assim como os mais velhos e os que sofrem de doenças crônicas”.

 

“Até a esquerda chavista ( a do Chávez original , não a de seu sucessor desastrado), critica o governo e duvida de sua alegação que trava uma ‘guerra econômica’ e acena com uma invasão que só ele vê”.

 

Ou seja, a solução para a Venezuela é tirar Nicolás Maduro do poder, como para o Brasil foi tirar Dilma Rousseff.  Ela existe e é o referendo revogatório que Maduro dá claros sinais de que vai fazer o possível para inviabilizá-lo.

 

Só a oposição interna pode não ter sucesso, mas a pressão externa pode permitir , que isso se torne realidade.

 

Por esta razão, é o caso, como propõe a HRW , de aplicação da cláusula democrática da OEA à Venezuela e para que o organismo possa considerar de fato a petição, é preciso que um país-membro a respalde.

 

Pois o Brasil, até abril, forte aliado da repressão chavista, agora sob nova administração, pode ser este país.  ( F S P , 19.05.2016, p. A-14) .

 

A OEA espera uma posição do Brasil. Diante da grave crise política e econômica na Venezuela, é considerada iminente a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA, inspirada na Carta Democrática Inter-Americana , que prevê ações quando a democracia está em risco.

 

A ONG Human Rights Watch enviou uma carta à Almagro, pedindo a aplicação da Carta no caso venezuelano, alertando para a “precária situação dos direitos humanos”, no país. ( F S P , 22.05.2016, p. A-16).

 

EUA

O dia 18 de maio , em Caracas, a embaixada dos EUA suspendeu a emissão de visto de turista e de negócios, A justificativa é que o governo impede a representação de trazer mais pessoal para atender à forte demanda. ( F S P , 19.05.2016, p. A-14) .

“Ditadorzinho”

Em carta aberta a Nicolás Maduro, que o acusou de ser agente da CIA,  o secretário-geral da OEA, Luís Almagro afirma: “ Você tem um imperativo de decência pública de fazer o referendo revogatório em 2016, porque quando a política está polarizada , a decisão deve se voltar para o povo, é o que diz a Constituição.  Negar a consulta ao povo, negar-lhe     -á a possibilidade de decidir o transformar em mais um ditadorzinho, como tantos que o continente já teve”. ( F S P , 19.05.2016, p. A-14) .

Argentina, Chile e Uruguai pressionam

A Argentina, o Chile e o Uruguai divulgaram um documento assinado pelos chanceleres, no dia 20 de maio , fazendo um apelo “urgente” à Venezuela para que um diálogo entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, coloque fim à crise política por que passa o país.  Pediram também que os direitos humanos e as liberdades individuais sejam respeitados.

De acordo com o documento, o conflito deve ser resolvido pelos próprios venezuelanos. Os chanceleres classificam o momento como de “grave polarização “ e afirmam que Argentina, Chile e Uruguai acreditam que os venezuelanos saberão “honrar sua longa tradição democrática e seu histórico de compromisso com as soluções políticas pacíficas e de consenso , desencorajando alternativas radicais que distanciem o país das vias democráticas”.  Longa tradição democrática que foi demolida pelo chavismo.

No meio diplomático, o comunicado é visto como uma advertência ao governo de Maduro.

Se ele persistir em suas atitudes ditatoriais poderá ser aplicada a cláusula democrática do Mercosul à Venezuela, de modo muito mais justo do que a que foi aplicada ao Paraguai em 2012, quando o bloco a acionou e suspendeu o país , alegando que o presidente Fernando Lugo tinha sofrido um impeachment ilegal de menos de 24 horas. ( F S P , 21.05.2016, p. A-18) .

Maduro detém guarda de líder legislativo

Autoridades venezuelanas prenderam o chefe da segurança do presidente da Assembleia Nacional , Henry Ramos Allup , Coromoto Rodríguez ,  sob a absurda alegação de que ele organizou uma ação contra policiais durante uma marcha na semana.

Vídeos mostraram ao menos cinco jovens atacando três policiais numa rua em meio a um protesto no dia 18 de maio cobrando o referendo revogatório.

Em sua insanidade habitual Maduro afirmou no dia 19, afirmou: “ O autor intelectual que pagou aqueles terroristas para bater naquela jovem policial está preso. Ele será julgado e enviado a uma prisão”.

Ramos Allup disse que pegaram seu guarda porque “ Não se atrevem a mexer comigo , por mais vontade que tenham , atacam meus colaboradores mais próximos”. Ele acusou o governo de ter obrigado opositores presos no protesto, a incriminar seu chefe de segurança. ( F S P , 21.05.2016, p. A-18) .

População não aguenta mais

“Ninguém aguenta mais. Falta comida, falta luz, falta água, falta segurança.

A população reage de maneira cada vez mais violenta, Saques proliferam pelo país , inclusive em Caracas. ( F S P , 22.05.2016, p. A-17).

Complô antissocialista

Maduro decretou em 18 de maio Estado de Exceção. Atribui a crise econômica a um suposto complô antissocialista e à queda da arrecadação petroleira com o mergulho do preço do produto desde 2014. ( F S P , 22.05.2016, p. A-17) .

É a quarta vez, desde que foi eleito em 2013, que Maduro  passa a ter poderes especiais. A maior parte de seu governo tem sido sobre estados de exceção. 

José Mujica, ex-presidente do Uruguai e antigo aliado já não mais o apoia , dizendo que Maduro está “louco como uma cabra”. ( Revista Veja, 25.05.2016, p. 72) .

 

Henry Ramos Allup

Segundo o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela , Henry Ramos Allup, “ É muito difícil prestar atenção no que diz Maduro, porque ele não fala de maneira articulada e coerente.  E tem parecido atormentado ultimamente, mas nenhum de nós falou com ele.

O que nós [ opositores] fazemos são protestos como os da semana passada. Saímos para nos manifestarmos de forma pacífica e pedirmos que se ative o referendo.  E condenamos totalmente a violência cometida por grupos mais exaltados.

Estou esperando que venham me prender ou mande invadir a Assembleia com as Forças Armadas, vai saber. Tenho certeza que em outubro ainda haverá Assembleia Nacional . E caso se cumpram os prazos do referendo revogatório, em novembro Maduro já era. Também oferecemos  uma emenda constitucional para encurtar o mandato de todo mundo, Executivo, Legislativo e Judiciário, mas ele não quis saber de nada.

Podem fazer o que quiserem, mas nós não reconhecemos nenhuma decisão do TSJ contrária à Constituição.

A situação da Unasul muda com novos presidentes no Brasil e na Argentina. Hoje vemos declarações contundentes  de países que, em certa época, se  beneficiaram das políticas de Hugo Chávez e Maduro.  No caso do Equador e Bolívia , temos informação que fizeram exigências privadas de correção de rumo.

“Eles percebem que esse governo está à deriva. Sobrou bem pouca coisa para Maduro na América Latina” ( F S P , 23.05.2016, p. A-10) .

Referendo Revogatório

Luis  Emilio Rondón, um dos cinco reitores do CNE, disse  a um canal de TV local no dia 24 de maio  que “Parece perfeitamente possível realizar esse processo eleitoral no fim de outubro. Não há nenhum aspecto técnico , nem jurídico que me faça pensar que o referendo não possa ser feito neste ano”.

Mas Rondon  é o único membro do CNE próximo da oposição.  Os três restantes e a presidente do órgão , Tibisay Lucena são chavistas.

O CNE disse que encerrará a auditoria no dia 2 de junho, já acima do prazo de dez dias estipulado na lei. Depois a oposição poderá coletar os outros 20%. A oposição aprovou na Assembleia , no dia 24 de maio texto que exige do CNE um cronograma.  ( F S P 25.05.2016, p. A-11) . 

O CNE emitiu sentença para restringir manifestações perto das sedes do tribunal e centenas de opositores protestaram no dia 25 em Caracas contra essa sentença.

Henrique Capriles, governador do Estado de  Miranda , em discurso diante do tribunal disse: “Não há sentenças que nos impeçam de ir até  CNE para  exigir respeito à Constituição”. ( F S P, 26.05.2016, p. A-11) .

OEA Carta Democrática

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro evocará a Carta Democrática Interamericana  contra a Venezuela que pode levar à suspensão do país na entidade caso aprovado por dois terços dos 34 membros da entidade ou apenas  gestões diplomáticas com a aprovação por maioria simples. Acredita-se que a Venezuela tenha pelo menos 14 votos para barrar a iniciativa.

Relatório em conclusão , dada a grave crise econômica e politica no pais, irá incluir uma referencia ao artigo 20 da carta , mecanismo criado em 2001  para assegurar o funcionamento das democracias  dos membros da OEA. A evocação do artigo é inédita. ( F S P, 26.05.2016, p. A-11) .

A discussão do tema na entidade , todavia, deve demorar pelo menos um mês.  A expectativa é que o tema seja considerado pelos membros  da OEA depois da Assembleia Geral da entidade , que será realizada entre 13 e 15 de junho na República Dominicana. ( F S P , 28.05.2016, p. A-11) .

 

Mercosul reunião de emergência

O governo do Paraguai pediu que seja convocada uma reunião de emergência dos chanceleres do Mercosul para analisar a situação da Venezuela à luz do protocolo de compromisso democrático do bloco, afirmou no dia 26 de maio o ministro das Relações Exteriores do país, Eladio Loizaga .

O pedido foi levado ao governo do Uruguai que agora ocupa a presidência pro-tempore do bloco. ( F S P , 27.05.2016, p. A-7) .

Isso mostra como o mundo dá voltas porque agora o Paraguai está se vingando da suspensão do Mercosul por obra da Venezuela no caso do impeachment de Fernando Lugo.

Vista ao Brasil de Diplomata Americano

Mari Carmen Aponte, principal diplomata dos EUA para as Américas , visitará o Brasil para tratar , entre outros temas, da crise na Venezuela .

Será a primeira viagem de um representante americano ao Brasil após a posse do presidente interino Michel Temer. ( F S P , 28.05.2016, p. A-11) .

Atos pró-governo orquestrados

Na Venezuela , como no Brasil, atos pró governo são orquestrados.

Numa tarde recente , centenas de pessoas participavam de um protesto organizado pelo governo venezuelano no centro de Caracas em solidariedade à presidente Dilma Rousseff.

Enquanto um militante chavista discursava contra o que chamou de golpe no Brasil, um jornalista da Folha de São Paulo quis saber de uma senhora que carregava uma bandeirinha verde e amarela porque ela apoiava a petista.

“Não sei. Só estou aqui porque me mandaram em quando cheguei, me entregaram esta bandeira. Pergunte à supervisora”, apontando para uma mulher de boné vermelho com o logo do Distrito Capital , área de Caracas sob administração chavista.

Questionada, a supervisora afirmou que o protesto era “ contra o império [EUA]”, mas também não soube explicar a relação com o Brasil.

Qualquer evento oficial do governo venezuelano congrega uma imensa maioria de servidores e funcionários de empresas estatais usando uniforme ou boné das respectivas instituições.  Sob condição de anonimato , muitos relatam ser coagidos a comparecer.

O transporte costuma ser garantido. É comum ver ônibus enfileirados , perto das manifestações. Muitas pessoas são trazidas do interior. Há distribuição de camisetas, bandeiras e lanche.

Uma vez no local, gerentes com lista na mão, fazem chamada para verificar as presenças. Quem falta está sujeito a represálias, como suspensão de benefícios ou até demissão.

Para evitar o contraste com as manifestações atuais, a TV estatal evita enquadramentos amplos.

De acordo com o Datanálises, 71% dos venezuelanos rejeitam Maduro.  Cerca de 68% não concordam com a absurda tese oficial de “guerra econômica”, pela qual o desabastecimento de itens básicos e remédios seria fruto de um  complô da oposição.

Apesar da adversidade, o chavismo ainda tem uma base que representa ao menos 30% do eleitorado, segundo o Instituto Hinterlaces, que são aquelas pessoas que estão dependendo totalmente de favores do Estado por meio de programas sociais ou estão empregados no Estado. ( F S P , 29.05.2016, p. A-14) .

Latam suspende voos para a Venezuela

O grupo Latam Airlines, que inclui a Latam Brasil, fusão das companhias aéreas LAN ( Chile) e TAM ( Brasil)  anunciou no dia 30 de maio que suspenderá “ temporariamente e por tempo indeterminado” seus voos para Caracas.

Segundo a empresa, a decisão foi tomada frente ao “ complexo cenário macroeconômico atual que enfrente a região”, ou seja, é uma forma simpática de relatar o caos em que se encontra o governo de Nicolás Maduro.

A empresa operou seu último voo entre Caracas e São Paulo no dia 28 de maio e com a medida, alia-se a Gol, Air Canadá , Alitália e Lufthansa, que também suspenderam suas operações na Venezuela por não conseguirem repatriar bilhões de dólares bloqueados no país.

As empresas aéreas são obrigadas a vender as passagens em bolívar ( moeda venezuelana), e parte desse dinheiro é usado para gastos locais, como salário de funcionários e pagamento de taxas. O excedente, porém, precisa ser transformado em dólares para ser repatriado pelas companhias aéreas e aí é que ocorre o problema.

A Latam pretende voltar, mas todas que saíram sabem que terão dificuldade de retornar.  A Air Canadá que deixou o país em 2014, tentou voltar a operar em 2015, mas teve o pedido negado pelas autoridades militares que controlam o setor. As saídas da Gol e da Latam favorecem a empresa privada venezuelana Avior, que opera uma rota para Manaus.

O grupo Latam tem 85 funcionários na Venezuela , dos  quais 15 faziam parte da TAM e a expectativa é que quase todos sejam dispensados. ( F S P , 31.05.2016,  p. A-10) .

VIETNÃ

O presidente Barak Obama anunciou no dia 23 de maio o fim de 50 anos de embargo à venda de armamento americano ao Vietnã , um dos últimos vestígios da guerra entre os dois países ( 1995-1975) .

A retirada do veto, além do peso histórico, reforça a presença dos EUA na Ásia , para contrapor-se ao aumento de gastos militares e disputas territoriais da China.

Mas, Obama disse que a venda de armas só será autorizada se o Vietnã se comprometer a não cometer violações de direitos humanos. Cada compra será avaliada caso a caso pelos EUA. ( F S P , 24.05.2016, p. A-14) .

No Vietnã, Obama mandou um recado à China: “As grandes nações não deveriam intimidar as menores”. “Os Estados Unidos não reivindicam territórios, mas estamos com nossos parceiros para garantir o direito à navegação”, referindo-se ao avanço chinês no mar do Sul da China.  ( F S P 25.05.2016, p. A-10) .   

 


Fonte: Artigos Administradores / Capitalismo crise – Maio de 2016

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