Capitalismo crise – Setembro de 2015

Capitalismo crise – Setembro de 2015

Fatos relevantes da economia e política internacionais de 01 a 30 de setembro de 2015

O presente texto tem como base a leitura de fatos relevantes da economia internacional na imprensa brasileira, referentes ao período de 01 a 30 de setembro  de 2.015.

O Banco Mundial fez um estudo em 2005 para entender porque o Capitalismo é mais avançado em alguns países e gera mais prosperidade.

Um primeiro item de importância foi o rule of law, ou estado de direito. O conceito inclui a eficácia dos governos em implementar leis equilibradas e em garantir a segurança. Também englobaria uma justiça equânime  que não deixasse espaço para uma classe de privilegiados..

Tais regras, quando em vigor , impedem a expropriação  de fazendas e outras propriedades. A segurança estimula o investimento , eleva a produção e como consequência, a riqueza. Efeito semelhante seria o respeito às patentes e às marcas.

Outro item importante é o capital humano, definido como as habilidades acumuladas pelas pessoas ao longo do tempo.  Quanto mais anos de escola, maior é o capital humano e mais riqueza ele é capaz de gerar. ( Revista Veja, 23.09.2015, p. 90-93) .

O Banco Mundial deve fazer a mudança mais dramática na linha de pobreza global em 25 anos.  A quantia mínima necessária por dia, abaixo da qual se considera pobreza, deve subir 50%. A mudança vai engrossar as estatísticas dos pobres no mundo em dezenas de milhões.

O valor será aumentado de US$ 1,25 , para cerca de US$ 1,90 por dia – em paridade do poder de compra (PPP), ou seja, considerando o poder de compra equivalente a essa quantia em cada país.  Será a maior revisão desde que o Banco Mundial lançou seu critério de pobreza global de US$ 1 por dia, em 1990.

Pesquisadores do banco testaram uma linha de pobreza de US$ 1,92  no início de 2015, e o aumento foi de 148 milhões de pessoas.

A maior parte da diferença foi no Leste da Ásia, passando de 157 para 293 milhões. Na América Latina, o resultado foi um aumento de 8 milhões , ou mais 25%, chegando a 37 milhões.

No Sul da Ásia  o número cresceu 7 milhões, alcançando 407 milhões e a África subsaariana surpreendentemente permaneceu em 416 milhões. ( F S P, 24.09.2015, p. A-26) .

AFEGANISTÃO

Apoiado por ataques aéreos dos EUA, o Exército do Afeganistão iniciou no dia 29 de setembro uma ofensiva para retomar Kunduz, importante cidade no nordeste do país que foi conquistada no dia 28 de setembro por insurgentes da milícia islâmica Taleban.

Kunduz tem cerca de 300.000 habitantes e é a primeira capital de província tomada pelo Taleban desde que o grupo foi tirado do poder no Afeganistão, há 14 anos , após intervenção militar dos EUA.

Mas o avanço sobre a cidade, mostra que o Taleban continua muito ativo no país e isso foi um sério revés para o governo do presidente Ashraf Ghani, empossado há um ano. ( F S P , 30.09.2015, p. A-9) .

ALEMANHA

Por toda a Alemanha, a despeito de uma onda de imigração, a previsão é que a população decline , de um pico de 82 milhões de pessoas em 2002, para 74,5 milhões em 2050, de acordo com a ONU.

Os com menos de 15 anos passarão a 13%, uma das mais baixas taxas do planeta.

Desde a reunificação da Alemanha, as autoridades estão tentando recuperar o atraso. O índice de fertilidade é de 1,4 filho por mulher, ante 2, o necessário para manter estável a população.

Na França é de 2,  no Reino Unido , 1,8 e na Europa em média 1,6.

Para os empregadores, o desafio  mais imediato é a crescente escassez de mão de obra capacitada. Com um desemprego de apenas 6%, o instituto de pesquisa Prognos calcula que as empresas terão um déficit de 1,8 milhão de trabalhadores capacitados em 2020 e de 3,9 milhões em 2040. ( F S P, 8.9.2015, p. A-16) .

Estas projeções todavia não estimam a redução de empregos em decorrência do avanço da automatização. Outro aspecto é  que, com uma crescente população muçulmana, que tem uma alta taxa de natalidade, muito acima dos 1,4, vai ocorrer um aumento expressivo do percentual da população muçulmana na população total ao longo de 30 a 40 anos.

ARGENTINA

O Caso Baez

O empresário argentino Lázaro Báez, admitiu à Receita Federal o pagamento de diárias fictícias em um hotel da família da presidente Cristina Kirchner, segundo o jornal “La Nación”.

O empresário afirma ter pagado 2.300 diárias de quartos do hotel Alto Calafate, além  do aluguel de dois dos seus salões.

A família Kirchner teria ganhado ao menos US$ 6,2 milhões com esta operação, realizada entre o fim de 2008 e meados de 2013.

A Justiça argentina investiga se o empresário foi beneficiado em licitações de obras públicas. ( F S P, 8.9.2015, p. A-11) .

Bricsa

A presidente Cristina Kirchner , fez a absurda proposta em 09 de setembro que a Argentina passe a fazer parte do bloco dos Brics.

“Lula você tem de ser o embaixador para que a Argentina integre os Brics  E que não sejam mais Brics, e sim. Bricsa”. A Argentina representa apenas 20% do PIB do Brasil.

Lula em evento para prestigiar o candidato Daniel Scioli,  fez uma declaração de uma das grandes bobagens cometidas no seu governo: “ Foi junto com Kirchner, com Cristina, Evo Morales, Chávez, Daniel Correa [sic] que nós enterramos a Alca aqui em Mar Del Plata e fortalecemos o Mercosul”, disse, trocando o nome do equatoriano Rafael Correa. ( F S P , 10.09.2015, p. A-13) .

Clarin

O grupo Clarín adquiriu 49% da operadora de telefonia móvel Nextel na Argentina. A Nextel que pertence à NII Holdings , é a quarta operadora de telefonia móvel da Argentina, com 3% do mercado. O objetivo é comprar 51% das ações e assumir o controle da operadora.  O valor da operação foi de US# 165 milhões. ( F S P , 15.09.2015, p. A-16) .

Daniel Scioli

O candidato Daniel Scioli , apoiado por Cristina Kirchner, apesar  de não ser um homem de esquerda e de pertencer a uma vertente mais à direita do peronismo , está se aproximando de lideres esquerdistas.

Na campanha, visitou Raúl Castro em Cuba e recebeu a visita do ex-presidente Lula e do presidente da Bolívia Evo Morales. Cerca de 1,5 milhão de bolivianos votam na Argentina.   Mas , ao que tudo indica ele está dando uma no cravo e outra na ferradura.  Scioli também reuniu-se com o embaixador americano Noah Mamet.

Scioli lidera as pesquisas com cerca de 38% e se manter uma diferença de 10 pontos sobre o segundo colocado Maurício Macri , ou alcançar 45% dos votos , poderá vencer sem segundo turno em 25 de outubro.

O perigo é que se eleito presidente ele se integre a governos de esquerda da América Latina contra o “inimigo do Norte”, ou seja, contra os EUA, o que paralisa o crescimento da Argentina.

Juan Tokatlian, da universidade Torcuato Di Tella afirma que os peronistas são pragmáticos , o que explica a desenvoltura de Scioli. ( F S P , 21.09.2015, p. A12) .

Eleições

Existem na Argentina, duas centrais sindicais com o mesmo nome. Mas numa estão os apoiadores de Cristina Kirchner e na outra , que nos últimos anos ganhou o sobrenome de “opositora”, estão os críticos.

Há os jornais abertamente pró-governo e os artistas e intelectuais “kirchneristas” que trocam acusações contra os autodefinidos “anti-ki”.

Os argentinos chamam de “grieta” ( fenda) essa separação social construída ao longo de 12 anos do governo kirchnerista que termina em dezembro.

A sociedade argentina está bastante polarizada. Mas Cristina Kirchner ainda tem popularidade alta, em torno de 50%. ( F S P ,27.09.2015, p. A-16) .

 

BOLÍVIA

A ditadura democrática está em plena vigência na Bolívia.  O Senado da Bolívia indicou no dia 18 que será levada a referendo a proposta de dar ao presidente Evo Morales o direito de concorrer a um quarto mandato nas eleições de 2019.

Morales tomou posse em janeiro  para seu terceiro mandato , com término previsto para 2020.  Caso a mudança seja aprovada e Morales eleito, serão 19 anos no poder.

É da natureza da democracia a rotatividade  nos cargos. Quanto uma pessoa se eterniza no poder passa a ser um imperador, um rei ou um ditador.  A permanência disfarçada pelo voto popular não muda este quadro, pois o governante no poder, tem todas as condições de manipular as condições eleitorais. Pobre Bolívia. Pobre América Latina. ( F S P , 19.09.2015, p. A-17) .

O Congresso da Bolívia aprovou na madrugada do sábado dia 26  a reforma na Constituição que permitirá ao presidente Evo Morales disputar seu quarto mandato no cargo. O partido de Evo, o MAS ( Movimento ao Socialismo), tem ampla maioria no Senado e na Câmara e aprova qualquer coisa que ele queira.

A mudança ainda precisa ser aprovada em um referendo  que já está marcado para fevereiro de 2016. ( F S P ,27.09.2015, p. A-15) .

 

Drogas

Segundo o colombiano Carlos Toro, que nos últimos 29 anos trabalhou como informante e infiltrado  no Cartel de Medellín, um dos mais perigosos cartéis de drogas do mundo, as investigações do DEA, na qual ele atual envolvem o vice-presidente, sua família, militares de alta patente e autoridades policiais bolivianas.

Toro revelou em depoimento que a DEA reuniu provas suficientes do indiciamento do general Walter Álvares Agramonte, piloto do avião oficial do presidente Evo Morález, de Yidua Torres, agente de Inteligência a serviço da Presidência , de Faustino Giménez, amigo de Álvaro Garcia Linera e de Raúl Garcia, pai do vice de Evo, morto em 2011.

Relatório da inteligência boliviana de 2012, diz que Álvaro Garcia Linera , vice-presidente da Bolívia havia recebido um apartamento como pagamento pelo lobby que influenciou na escolha do chefe de alfândega do Aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz da La Sierra, de onde partiram os primeiros carregamentos de cocaína para o Brasil.

Os agentes bolivianos também flagraram Juan Ramón Quintana, atual ministro de governo de Evo, entrando na casa de um traficante brasileiro em Santa Cruz, em 2010, na companhia da ex-miss Bolívia Jéssica Jordan e saindo de lá com duas valises.

Em abril de 2015, o coronel boliviano Germán Cardona fugiu para a Espanha  por estar sendo perseguido por ter delatado o envolvimento de membros do governo com tráfico de drogas. 

Cardona denunciou a existência de voos militares carregados de cocaína  que partem da Bolívia em direção à Venezuela. Tudo com o conhecimento do presidente Evo Morales que ia pessoalmente ao aeroporto acompanhar alguns embarques.

Três meses depois de apresentar a denúncia, Cardona retornou á Bolívia e se desmentiu. ( Revista Veja, 23.09.2015, p. 59) .

CHILE

Michelle Bachelet atingiu 84% de popularidade  no fim de sua primeira gestão ( 2006-2010), como presidente do Chile.  Agora em agosto amarga meros 22%.

Um ano e meio após o início do seu segundo mandato, a presidente luta para aprovar no Congresso um pacote de reformas educacionais e trabalhistas com o qual pretende reestabilizar o seu governo e recuperar a aprovação popular.

Apesar de ter maioria na Casa, Bachelet não vem conseguindo que as leis propostas sejam aprovadas. Há um desânimo com a desaceleração econômica, que vem com a queda das exportações para a China, uma má conduta na formulação dessas reformas , que são necessárias para diminuir a desigualdade e para agravar os casos de corrupção em seu governo.

No “nueragate”, escândalo envolvendo seu filho e sua nora, a presidente foi muito lenta para reagir e a sociedade não perdoou isso. Denúncias de irregularidades no financiamento de campanha de vários partidos, inclusive o da presidente agravaram ainda mais o quadro.

O mandato de Bachelet termina em 2017, mas ela já vem sofrendo duras críticas da oposição, destacando-se o ex-presidente Sebastián Piñera ( 2010-2014), a senadora Isabel Allende , filha do ex-presidente Salvador Allende , e o ex-presidente Ricardo Lagos ( 2000-2006). Em 2016, serão realizadas eleições municipais que deverão servir de termômetro para o futuro político do país . ( F S P , 17.09.2015, p. A-14) .

Sistema de Alta Direção Pública

Em 2003 , foi criado no Chile o Sistema de Alta Direção Pública. Seu  principal componente é um conselho cujo papel é selecionar profissionais qualificados para ocupar cargos na administração do Estado, diminuindo o peso das nomeações políticas,

O Conselho de Alta Direção Pública tem cinco membros, dois indicados pela oposição.  Os conselheiros tem mandato de seis anos e estabilidade no cargo. Os atuais integrantes do conselho tem experiência em gestão pública ou em órgãos internacionais.

De suas decisões dependem , direta ou indiretamente, a seleção de profissionais para mais de 1.200 empregos públicos, o que corresponde a quase todos os postos de direção e coordenação abaixo dos níveis de ministro ou vice-ministro, incluindo a direção de estatais.

O sistema chileno impede , como acontece no Brasil, de que pessoas desqualificadas ocupem cargos importantes.

O Conselho de Alta Direção Pública contrata uma empresa de recrutamento privada, para conduzir um processo de seleção semelhante ao que uma empresa monta na busca de um executivo: abre inscrições para o cargo, faz a triagem do currículo dos candidatos e indica aos conselheiros aqueles que têm o perfil desejado para o cargo.

Em 2014, cada posto de gestão aberto no governo, foi disputado por uma média de 140 candidatos.

Quem passa pelo crivo dos recrutadores, é entrevistado pelos membros do conselho , que escolhem de três a cinco nomes para compor a lista final , apresentada em ordem de preferência, ao ministro e ao presidente.

Com o critério de mérito, hoje são comuns os casos de gestores políticos chilenos que permanecem no cargo mesmo após mudanças de quem está no poder.

O governo brasileiro tem 24.000 cargos comissionados , preenchidos por nomeação política. Ou seja, são dois erros no Brasil: Um número exagerado de cargos comissionados e a indicação por compadrio que é a origem do sistema de corrupção que permeou toda a experiência recente no país em cargos públicos e de empresas estatais , dos quais a Petrobrás é caso emblemático e exemplar. Isso tem que acabar e o Chile é um exemplo  de como fazer isso. ( Revista Exame, 16.09.2015, p. 44-46) .

CHINA

A China reduziu , a partir de 1º de setembro, o valor da entrada para a maioria dos compradores que buscam um segundo imóvel , de 30% para 20% na maioria das cidades para estimular o setor que  responde por 15% do PIB. ( F S P ,1.9.2015, p. A-4) .

Na avaliação da indústria brasileira, a necessidade de elevar as importações para atingir sua meta de crescimento , levará a China a adotar uma postura mais agressiva nas exportações e prejudicar ainda mais a indústria brasileira , que vem perdendo espaço para os asiáticos. ( F S P, 2.9.2015, p. A-16).

O presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, disse em comunicado no dia 5 de setembro que “ o processo de correção “ nas Bolsas chinesas  já quase terminou e previu “maior instabilidade” no mercado financeiro a partir de agora.

Na reunião do G-20 em Ancara, na Turquia, ele garantiu que as medidas implementadas pelo governo chinês para deter a queda das bolsas  ajudaram a prevenir “riscos sistemáticos”.

Para ele a moeda chinesa está perto de estabilizar e insistiu que não há razão para uma desvalorização persistente.

Segundo o governo chinês, a perda de valor recente do yuan, faz parte do esforço de tornar a economia do país mais orientada pelo mercado e não foi feita para incentivar as exportações. A China tenta inverter os motores de seu crescimento , substituindo investimento em infraestrutura e exportações, por consumo.( F S P, 7.9.2015, p. A-15) .

As reservas de moeda estrangeira da China registraram a pior queda mensal em agosto, refletindo as tentativas de Pequim para frear a deterioração do yuan e estabilizar os mercados financeiros, após a decisão surpreendente de desvalorizar a moeda em agosto.

As reservas chinesas, as maiores do mundo, caíram US$ 93,9 bilhões em agosto, para US$ 3,557 trilhões, segundo dados do BC local. Ou seja, ainda é uma diminuição pouco expressiva diante do altíssimo nível de reservas. ( F S P, 8.9.2015, p. A-15) .

O comércio exterior da China , um dos motores da economia chinesa , caiu em agosto 9,7% , em estimativa anual, índice maior do que o ocorrido em julho que foi de 8,8%.

As exportações registraram queda de 6,1% e as importações despencaram 14,3%. De janeiro a agosto , o comércio exterior sofreu queda de 7,7% em estimativa anual , números que voltam a reforçar a desaceleração da economia chinesa que pode ser maior do que o anunciado pelo governo. ( F S P , 9.9.2015, p. A-16) .

Na China  a produção industrial em agosto subiu 6,1% em relação a agosto de 2014. O aumento do investimento em capital fixo , um dos motores fundamentais da economia , caiu para 10,9%  nos primeiros oito meses de 2015, o ritmo mais fraco em quase 15 anos , segundo a Agência Nacional de Estatísticas.

Já as vendas no varejo em agosto, subiram 10,8% , sobre um ano antes.

A China vai incentivar as empresas estatais a mesclarem e venderem ações. Empresas estatais serão autorizadas a trazer “vários investidores” para ajudar a diversificar a participação acionária.  A introdução de “propriedade mista”,  visa melhorar a governança corporativa  e tentar reverter  a queda do desempenho industrial. ( F S P , 14.09.2015, p. A-14) .

COLÔMBIA

Pela primeira vez, desde o início do atual processo de paz, em 2012, o governo colombiano e a guerrilha das Farc anunciaram no dia 23 de setembro acordo para punir envolvidos em violações de direitos humanos na guerra civil no país.

A Colômbia e os guerrilheiros definiram um prazo de seis meses para chegar a um acordo definitivo. Se o pacto for firmado em março de 2016, as Farc terão 60 dias para depor armas.

O pacto deve criar uma “jurisdição especial para a paz” – um tribunal a que serão levados todos os casos ligados aos confrontos  entre a guerrilha e o Estado colombiano, iniciados em 1964.

Acusados que colaborarem com a nova corte, receberão penas restritivas de liberdade, mas não serão encarcerados. Vítimas e criminosos poderão acordar como será cumprida a sentença. Ou seja, os terroristas em vez de irem para a cadeia , terão liberdade vigiada ou farão serviços comunitários, ou terão que substituir as lavouras de cocaína por outras culturas.

Os dois lados também anunciaram a formação de uma comissão da verdade , um acordo para reparação a vítimas da guerra e anistia para os combatentes que não tenham cometido crimes no conflito. Mais de 220 mil morreram em 50 anos de guerra.

Mas, os crimes de guerra e de lesa-humanidade , como o genocídio e o estupro, deverão ser julgados normalmente, sem concessões.

Álvaro Uribe, ex-presidente , antecessor do atual presidente Juan Manuel Santos, atacou as negociações no Twitter: “ Não é a paz que está perto, é a entrega às Farc e à tirania da Venezuela… Continuaremos representando milhões de colombianos  que querem justiça de verdade, rejeitam esse plebiscito ditatorial e nunca aceitarão este golpe de Estado contra a democracia”. ( F S P, 24.09.2015, p. A-18) .

Seu antecessor , Andrés Pastrana, também pelo Twitter , igualmente fez críticas: “ Não é fácil aceitar que nossos soldados e policiais sejam tratados da mesma forma que quem assassinou , sequestrou e causou tanta dor aos colombianos de bem”.

As Farc já estavam em decadência. Desde 2002 o número de terroristas caiu  para um terço, portanto o acordo é interessante para a guerrilha.

O acordo entre o governo e as Farc foi recebido com otimismo no país . O entendimento é que as partes chegaram ao ponto mais próximo da paz em 50 anos e dificilmente o processo será revertido. ( F S P , 25.09.2015, p. A-16) .

Mas, fica sempre a questão. As Farc plantavam coca, processavam cocaína e exportavam para a Venezuela e praticaram atentados, sequestros e recrutamento forçado de crianças para implantar no país uma ditadura comunista. Por isso, cadeia seria pouco para esses criminosos e agora poderão viver apenas em liberdade vigiada. ( Revista Veja, 30.09.2015, p. 82-83) .

CUBA

O regime cubano anunciou no dia 11 de setembro que concederá indulto a 3.522 presos , uma semana antes da chegada do papa Francisco à ilha.

É o maior número de detentos libertados antes de uma visita papal, uma tradição do regime cubano. Mas não serão libertados condenados por crimes contra a segurança do Estado, o que inclui presos políticos.

“Entre os indultados  estão pessoas com mais de 60 anos de idade, jovens com menos de 20 anos sem antecedentes penais, doentes crônicos, mulheres (…) assim como estrangeiros  cujo país de origem garantiu a repatriação”, segundo o jornal oficial “Granma”.

O diretor da Campanha por Outra Cuba, Antonio Rodihes disse “ Isto é uma fantasia. Eles estão tentando mostrar uma face diferente, mas na realidade a posição não mudou. Eles não estão sendo mais flexíveis em todo o cenário político”.

 O total libertado representa 5% dos 60 mil presos que existem nas cadeias de Cuba. Com 11 milhões de habitantes, o país tem a sexta maior taca de detentos para cada 100 mil habitantes no mundo. ( F S P , 12.09.2015, p. A-17) .

Um dia antes da chegada do papa a Cuba, a Casa Branca anunciou no dia 18 de setembro o afrouxamento de restrições ao comércio , a viagens e a remessas de dinheiro dos EUA á ilha.

Com a mudança, acaba o limite para remessas bancárias , que era de US$ 2.000 por trimestre. Também não haverá limite para envio de dinheiro em espécie.

Remessas a funcionários do regime do ditador Raúl Castro e do Partido Comunista continuam vetadas.

Da mesma forma, o novo pacote autoriza o transporte por barco de viajantes autorizados pelos EUA. Estes também poderão abrir contas bancárias e estabelecer empresas de capital misto. ( F S P , 19.09.2015, p. A-16) .

Pedido de fim do embargo

O ditador de Cuba, Raúl Castro discursou na Assembleia Geral da ONU em 28 de setembro , a primeira participação desde que assumiu o poder , em 2008 e disse sobre o embargo  ao país.

“ Um longo e complexo processo de normalização das relações foi iniciado, mas só será alcançado  com o fim do embargo financeiro , comercial e econômico a Cuba”. ( F S P , 29.09.2015, p. A-13) .

Raúl Castro e Barak Obama se encontraram pela primeira vez em mais de 60 anos em solo americano em mais um gesto de reconciliação entre os dois países.

Raúl reiterou o pedido para que Obama use seus poderes executivos para suavizar o embargo  econômico a Cuba e repetiu a demanda pela devolução a Cuba da base militar de Guantánamo. ( F S P , 30.09.2015, p. A-11) .

EGITO

No dia 13 de setembro pelo menos 12 pessoas , incluindo turistas morreram em um ataque desastroso de militares egípcios  que os confundiram com terroristas.

Entre os mortos estão pelo menos dois mexicanos. O ataque partiu de helicópteros e de um avião militar enquanto eles estavam parados próximos ao oásis Bahariya,  no centro do país.

Em 2010 entraram no Egito 14,7 milhões de turistas, número que caiu 35% em 2011 para 9,5 milhões , quando o ditador Hosni Mubarak caiu.

Os turistas começaram a retornar em 2014, quando foram 10 milhões.

Mas, devido á insegurança esta diminuindo. No ano fiscal de 2014-2015, que se encerrou em julho, o turismo já gerou 22% menos do que o esperado.

Importantes pontos turísticos , como o templo de Karnak em Luxor ( sudeste) ,  foram alvo recente de extremistas – que intensificaram suas ações  à medida que o presidente Abdel Fattah al-Sisi endurece a repressão a membros da Irmandade Muçulmana.

Em junho ocorreram incidentes em Karnak e no complexo de Gizé.  Em alguns locais , como no Museu Egípcio , é possível ver um reforço na segurança, com revista indiscriminada de todos. ( F S P , 15.09.2015, p. A-12) .

 

EMERGENTES

Ainda motores da economia mundial, os países emergentes enfrentam uma coleção de crises e obstáculos que lança dúvidas crescentes sobre seu desempenho futuro.

De acordo com as mais recentes projeções do FMI, a diferença entre o crescimento econômico dos países remediados e pobres e o do mundo rico, cairá em 2015, ao menor patamar desde o início da década passada.

Comparado com 2010, as projeções para 2015 são menores para todos os países.

China , 10,4 e 6,8 % ; Índia 10,3 e 7,5%, Indonésia 6,4 e 5,2%, México, 5,1 e 3,0%, Arábia Saudita 4,8 e 3,0%; Turquia , 9,2 e 3,1% e África do Sul , 3,0 e 2,0%.

Ficam ainda os desempenhos negativos de Rússia, 4,5 e -3,8%; Brasil , 7,6% e -2,3% e Argentina , 9,5% e -0,3%.

Rússia ainda tem a justificativa do envolvimento na crise da Ucrânia que impôs ao país , pesadas sanções internacionais, mas no caso do Brasil é incompetência mesmo. ( F S P , 6.9.2015, p. A-20) .

 

EUA

Petróleo

Barak Obama voltou atrás no veto à exploração de petróleo no Ártico. A decisão é criticada por ambientalistas por aumentar os riscos para a sobrevivência de espécies animais como ursos polares. Mas o petróleo é a principal fonte de empregos e receitas no Alasca. ( F S P , 1.9.2015, p. A-10) .

Produtores de gás de xisto nos EUA, registraram uma saída de mais de US$ 30 bilhões em investimentos no primeiro semestre de 2015 – um sinal dos desafios enfrentados por essa indústria, uma vez que a queda nos preços do petróleo começa a surtir efeito.

A retirada dos investimentos reflete um aumento das falências e da reestruturação na indústria do óleo e xisto dos EUA, que se expandiu rapidamente nos últimos sete anos, mas nunca cobriu suas despesas a partir de seu fluxo de caixa.

Segundo dados da Facset , um serviço de informação, em 2014 houve déficit de US$ 37,7 bilhões em todo o país e de janeiro a junho de 2015, outro déficit de US$ 32 bilhões.

A produção de petróleo dos EUA, caiu em maio e junho de acordo com a AIE ( Administração de Informações de Energia) e analistas esperam que continue cedendo , porque a menor disponibilidade de recursos das empresas, limita sua capacidade de perfurar e utilizar novos poços.

A dívida total de produtores de petróleo e gás dos EUA, mais do que duplicou, passando de US$ 81 bilhões ao final de 2010, para US$ 169 bilhões em junho de 2015. ( F S P, 8.9.2015, p. A-15) .

Risco de Pânico

O Banco Mundial entende que o Federal  Reserve corre o risco de causar “pânico e tumulto nos mercados emergentes caso opte por elevar os juros na reunião de 16 e 17 de setembro  e deveria segurar o fogo até que a economia mundial esteja em posição mais firme.

A crescente incerteza quanto ao crescimento da China e seu impacto na economia mundial significam que uma decisão do Fed de elevar sua taxa de juros pela primeira vez desde 2006, teria consequências negativas, segundo Kaushik Basu, economista-chefe do Banco Mundial.

Seu alerta destaca a crescente preocupação,  fora dos EUA, com a possível “decolagem” dos juros por ordem do Fed.

Conselhos semelhantes foram oferecidos pelo FMI. Ou seja, as duas instituições criadas em Bretton Woods como guardiãs da estabilidade financeira mundial estão recomendando cautela nesta questão de aumento dos juros por parte do Fed.

Basu disse que uma decisão como essa resultaria em “choque” e uma nova crise nos mercados emergentes , por estar surgindo em um momento de preocupação quanto à saúde da economia chinesa.

Para ele, qualquer alta levaria o “capital do medo” , a deixar as economias emergentes , e causaria oscilações acentuadas em suas moedas.( F S P , 9.9.2015, p. A-16) .

Ações

Segundo pesquisa de Robert Shiller, da Universidade de Yale, Prêmio Nobel de Economia, um crescente número de investidores acredita que as ações americanas estão sobrevalorizadas , o que cria o risco de uma significativa baixa no mercado.

“Parece uma bolha novamente. Os preços das ações triplicando em apenas seis anos e, ao mesmo tempo, as pessoas perdendo confiança na avaliação do mercado”.

Shiller não associa a possibilidade de queda no mercado com o aumento dos juros pelo Fed.  “Você pensaria que, com juros mais altos , as pesos de soas venderiam seus papéis, mas o mundo financeiro não é tão simples assim”. ( F S P , 14.09.2015, p. A-14) .

HP

A HP ( Hewlett-Packard) planeja cortes adicionais de 25 a 30 mil postos de trabalho , nos EUA, para transferir os postos para outros países , uma forma de reduzir custos.  A empresa já eliminou 54 mil postos de trabalho nos últimos três anos ( F S P , 16.09.2015, p. A-17).

Fed

Preocupado com a instabilidade da economia mundial , em particular em mercados emergentes, o Fed anunciou no dia 17 de setembro novo adiamento da elevação dos juros no país, mantidos entre 0 e 0,25% desde a crise de 2008.

A maioria dos membros do comitê que delibera sobre a política monetária espera que a elevação ocorra ainda neste ano. A presidente Jane Yellen não descartou que o aumento ocorra na próxima reunião em 27 e 28 de outubro.

A economia americana dá sinais de recuperação , mas as dúvidas em relação à China contém ímpetos. “ A pergunta é se pode haver riscos com uma desaceleração mais abrupta “ , afirmou Yellen.

Seguindo ela é preciso observar ainda o comportamento dos outros países emergentes como o Brasil, que sofrem com a desaceleração chinesa e a queda das commodities.

“Observamos a saída significativa de capitais desses países , a pressão sobre a taxa de câmbio , preocupações com a performance daqui para a frente”, Yellen afirmou para pontuar a necessidade de acompanhar como esses fenômenos podem afetar os EUA.

Os principais indicadores examinados pelo Fed são a inflação e o desemprego . A inflação está em 0,2% , longe da meta de 2%. Suprema ironia. O Brasil luta para conter a escalada da inflação e os EUA querem que ela aumente um pouco.

O crescimento do PIB no segundo trimestre foi 60% superior ao esperado  e a abertura de vagas foi a maior desde o início da atual série histórica. A previsão de crescimento do PIB para 2015 foi aumentada para 2,5%, o que irá resultar em crescimento superior a 2% por dois anos consecutivos. ( Revista Exame, 30.09.2015, p. 78-79) .

O desemprego caiu a 5,1% em agosto , a menor em dez anos e  próximo do considerado pleno emprego ( 5%). Yellen ponderou que a taxa de pessoas empregadas em meio período ainda é alta.( F S P , 18.09.2015, p. A-17).

Para o Brasil a decisão é uma notícia positiva, porque quando vier  é o que falta para a tempestade perfeita.

Segundo o economista Andrew Levin, a falta de clareza do Fed prejudica a economia global e pode provocar turbulência até março de 2016.

“As pessoas passarão os próximos meses tentando adivinhar se os membros do Fed vão aumentar os juros em dezembro. E, lá por novembro, teremos o mesmo ciclo que tivemos nos últimos dois meses. E a incerteza pode não ser resolvida em dezembro. Muita gente no mercado acha que não haverá mudança antes do ano que vem. Então, podemos ter a mesma situação em março”. ( F S P , 19.09.2015, p. A-27) .

EQUADOR

Mais um ditador disfarçado de democrata, o presidente do Equador Rafael Correa , que está no poder desde 2007 obteve autorização do Judiciário para que a decisão que permita que ele dispute um quarto mandato, seja tomada pela Assembleia onde tem larga maioria. A lei equatoriana determina que essa mudança deve ser feita por referendo , mas isso para ele não tem importância. ( F S P ,27.09.2015, p. A-15) .

 

 

GRÉCIA

Um mês depois de renunciar ao cargo de premiê, Alexis Tsipras, 41 , está de volta ao poder na Grécia. Seu partido de esquerda, Syriza, venceu a eleição do dia 20 de setembro , obtendo 35,54% dos votos, contra 28,04% do conservador Nova Democracia.

Tsipras discursou após a vitória: “ O povo grego nos deu um mandato para dar fim a esse sistema corrupto e continuar o trabalho que começamos em janeiro”.

Mas a taxa de comparecimento às urnas foi de apenas 56,5%, abaixo dos 63,6% da eleição de janeiro, o que é uma mostra da desilusão de grande parte da população com o governo e a situação do país.

Tsipras  terá apenas que implementar cortes em  uma economia fragilizada , com taxa de desemprego de 25%, dívida pública de 177% do PIB , sem perspectivas de recuperação a curto prazo e terá que continuar negociando com os credores internacionais em troca do socorro de 86 bilhões de euros. Ou seja, o Syriza agora não fala mais em romper nada. Promete apenas fazer o possível para levar o plano de austeridade para a frente, para tentar salvar a economia do país . ( F S P , 21.09.2015, p. A-10) .

GUATEMALA

O presidente Otto Pérez Molina disse no dia 31de agosto que não renunciará ao cargo , apesar das acusações de corrupção e das pressões sobre o se governo.

No sábado dia 29, um comitê do Congresso recomendou que ele perca a imunidade devido a suposto envolvimento no desvio de verbas alfandegárias. O impeachment pode ser votado. ( F S P , 1.9.2015, p. A-10) .

O Congresso da Guatemala aprovou no dia 1º de setembro , por unanimidade, a retirada  da imunidade do presidente. Com isso está aberto o caminho para que o mandatário seja submetido a um processo de impeachment pelo caso de corrupção envolvendo o desvio de verbas alfandegárias.

Será a primeira vez na história do país  em que um presidente será julgado ainda no cargo.

Ao todo, foram denunciados 45 funcionários do governo , dos quais 28 estão presos. Dentre os acusados pela comissão , estão 14 ministros e a ex-vice-presidente Roxanna Baldetti, detida acusada de receber US$ 3,7 milhões.

É a pior crise política no país, desde o fim da guerra civil , em 1996. ( F S P, 2.9.2015, p. A-11).

O presidente Otto Perez Molina renunciou ao cargo no dia 3 de setembro. Horas depois, diante de um tribunal, ele ouviu um juiz ordenar sua prisão provisória , afirmando que agora o ex-mandatário poderia fugir em meio à investigação.

À noite ele foi levado para uma prisão militar na cidade da Guatemala.

Os parlamentares confirmaram no cargo de presidente o juiz aposentado Alejandro Maldonado, que vinha exercendo a função de vice desde a renúncia de Roxana Baldetti. ( F S P, 4.9.2015, p. A-12) .

Dois dias depois de renunciar, o ex-presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina , voltou a negar no dia 4 de setembro, perante a Justiça , que tenha participado do esquema de fraude alfandegária que o levou a deixar o cargo.

General reformado, Pérez Molina , em prisão preventiva desde o dia 3 , foi formalmente indiciado pelos delitos de associação ilícita, corrupção passiva e fraude alfandegária.

Como exemplo de que seria incorruptível,  citou o fato de que não aceitou propina do Cartel de Sinaloa, na primeira prisão do líder da quadrilha de traficantes, Joaquim “El Chapo” Guzmán, em 1993 quando era chefe militar guatemalteco.

“Senhor juiz, não vou colocar meu sacrifício e mina dignidade em jogo nem por US$ 800 mil , nem por dez vezes mais. O dinheiro que eu poderia ter recebido no momento da captura , era dez vezes maior ou mais do que isso e não o aceitei”.

Por orientação da defesa, ele não respondeu às questões dos promotores. ( F S P , 5.9.2015, p. A-13) . 

A renúncia de Otto acirrou a eleição na Guatemala. O candidato Jimmy Morales, comediante de 46 anos passou à frente nas pesquisas, com 25% das intenções de voto.

Morales afirma: “Durante 20 anos fiz vocês rirem. Prometo que, se for eleito, não farei vocês chorarem”.

Em segundo lugar está o também conservador Manuel Baldizón , apoiado pelo governo, com 22,9% . Em terceiro vem a social-democrata Sandra Torres, com 18,4%.

A diferença esta apertada e deverá haver segundo turno. ( F S P , 6.9.2015, p. A-14) .

GUIANA

Na Guiana, a população fala inglês e o volante fica do lado direito do carro. O maior grupo étnico é de descendentes indianos. Em Georgetown, há mais templos hinduístas e mesquitas do que igrejas cristãs.

Pois a Venezuela de Nicolás Maduro quer tomar dois terços do território do país e uma parte correspondente de seu mar.

Segundo o presidente, David Granger: “ As fronteiras ocidentais do nosso país com o Brasil e com a Venezuela foram demarcadas por um tribunal de arbitragem em 1899.”

Na região de Essequibo, reivindicada por Maduro, os cidadãos , “ votam nas eleições da Guiana. Têm certidão de nascimento e passaporte guianeneses”.

Segundo ele o problema tem a ver com a companhia americana Exxon. “Desde março deste ano, quando a empresa anunciou ter encontrado uma grande reserva nas nossas águas territoriais ( 700 milhões de barris de petróleo  , o dobro das reservas comprovadas na Bahia), começamos a ouvir com mais força as batidas dos tambores.  Vale lembrar que a Venezuela perdeu um litígio com a Exxon anos atrás e foi obrigada a pagar uma compensação por causa da nacionalização de propriedades da companhia. Isso explica a feroz reação do governo venezuelano à descoberta feita pela Exxon.  Além disso, parte do território reivindicado também é rica em ouro e diamantes”.

“A Venezuela está se comportando de maneira agressiva, o que é inaceitável neste  milênio . Seu governo quer um território que não é do país . Eu não chamaria isso de imperialismo, mas é certamente algo que vai contra as leis. A reivindicação territorial é essencialmente bilateral, mas a marítima afeta outros países, como Barbados e Suriname”.

“Não tenho interesse em um conflito militar com a Venezuela ou outro país. Esse não é o debate que gostaríamos de ter. Acreditamos que a comunidade internacional possa atuar para garantir que a América do Sul seja uma área de paz”.

Ele já fala na riqueza do petróleo. “ A receita do petróleo nos permitirá diversificar a economia mais rapidamente…Queremos estabelecer um fundo soberano para ter certeza de que o dinheiro não será desperdiçado”. ( Revista Veja, 16.09.2015, p. 17-21).

 

IMIGRANTES

O que está acontecendo na Europa com a inundação de imigrantes é um jogo de empurra-empurra.

A Grécia, quebrada, fecha os olhos para os traficantes e facilita o transporte de refugiados para a Macedônia, que os despacha para a Sérvia, que por sua vez os empurra para a Hungria , que faz o que pode para que eles saiam para a Áustria.

Atualmente cerca de 10 mil pessoas estão na fronteira entre a Hungria e a Áustria. ( F S P , 13.09, 2015,  p. A-20) .

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, convocou no dia 3 de setembro, os 28 Estados Membros da UE a aceitar dividir o acolhimento de ao menos 100 mil refugiados , para aliviar a pressão sobre os países da linha de frente da crise de refugiados e migrantes.

Vários países europeus já rejeitaram cotas de divisão de refugiados e com números muito inferiores aos 100 mil. ( F S P, 4.9.2015, p. A-10) .

A ONU disse que o bloco deveria receber 200 mil.

Em junho, as cotas defendidas por Berlim e Paris, foram rejeitadas por países como a Eslováquia e a Hungria.

Se o sistema de cotas for adotado, a Alemanha terá de acolher um número apenas 15% maior de pessoas. A  Grécia , 75% a mais , a Suécia , 275%.

No dia 4 de setembro, República Checa, Eslováquia, Hungria e Polônia reuniram-se e posicionaram-se  contra o sistema de cotas proposto pela Alemanha.

De 2011 até abril de 2015, cerca de 1,97 milhão de pedidos de asilo foram feitos nos 28 países da União Europeia. A Alemanha foi a que mais recebeu, com 571 mil no período.

Os 262,5 mil refúgios concedidos entre 2011 e 2014, representaram apenas 15% de todos os  pedidos feitos.

Na Turquia vivem 1,94 milhão de refugiados. No Líbano, o total de refugiados representa 25% da população. Esses números mostram primeiro que os refugiados preferem ficar próximos a seu país natal, na  esperança de um retorno em breve tempo. De outro lado são aterradores, pois mostram o que ainda pode ocorrer na Europa se estes que estão na Turquia e Líbano, desesperançados, decidirem seguir adiante.

Os refugiados que estão fugindo são mais ricos do que a média devido ao alto custo de viajar para a Europa. Ou seja, os pobres estão ficando.

A especialista em políticas de imigração , Christina Boswell  , da Universidade de Edimburgo, lembra que , como signatários da Convenção de Genebra sobre refúgio, os países europeus não podem estabelecer limites para receber refugiados.

“Alguns argumentam que o limite pode ser justificado por questões de segurança nacional, por exemplo, se o fluxo de refugiados ameaçassem a estabilidade do país que os recebe. Mas esse extremo não chegou a acontecer até hoje num país europeu”.

Para Mollie Gerver, especialista do Departamento de Governo na London School of Economics, é claro que a Europa deve receber , “ o máximo de refugiados que puder, sem sacrificar suas instituições e sua infraestrutura de bem estar social.  E esse número  é certamente muito maior do que a Europa está aceitando atualmente”. ( F S P , 6.9.2015, p. A-13) .

Muitos analistas afirmam que a culpa  pela atual situação no Oriente Médio é dos EUA e dos países europeus pelas intervenções que fizeram em países como Iraque, Afeganistão, Líbia, Mali.

Nessa linha de raciocínio são também culpados pelo fortalecimento do Estado Islâmico.

A remoção da Saddam Hussein , decisão tomada pelo presidente americano George Bush foi um tremendo erro.  Não havia as “armas de destruição em massa” que justificaram a invasão e ao tirar Saddam , os  EUA destruíram a estrutura sunita do país , transformando o Iraque em um território de vinganças sectárias  e neste contexto realmente, o Estado Islâmico, que é sunita , se fortaleceu na luta contra os xiitas no Iraque.

Este tipo de entendimento  parte de uma concepção imobilista de história.  É o mesmo entendimento que diz que os países europeus são culpados pelo subdesenvolvimento dos países da América Latina e África por causa da exploração colonial.

É verdade, EUA e países europeus tem culpa na situação atual, mas os principais  culpados pela situação atual no Oriente Médio com relação ao terrorismo são os próprios países árabes.  Nunca houve por parte dos líderes religiosos muçulmanos uma condenação firme , segura e definitiva sobre os crimes praticados pelos grupos terroristas.

Homens-bomba se auto-detonam em mesquitas, feiras, museus, etc, matando pessoas inocentes.  Outros terroristas degolam jornalistas e colocam o crime na Internet.  A Talibã e agora o Estado Islâmico destroem relíquias históricas de mais de mil anos em crimes contra a humanidade.

Tudo isso ocorre em nome de Alá e não há nenhuma condenação por parte dos líderes islâmicos. Todos sabem que quem cala consente e por isso  ao silenciar , a religião  islâmica está indiretamente dando causa para que estes grupos assassinos continuem atuando e se fortalecendo . E EUA e países europeus não são culpados por causa disso.

A situação na África e no Oriente Médio é catastrófica.  Na Líbia o ditador Muamar Kadafi foi deposto com a ajuda da França e da Inglaterra e o país virou um caos. A Síria está enterrada em uma guerra civil e com o Estado islâmico incrustrado em seu território e no Iraque. No Afeganistão o Talibã continua ativo. Em vários países da África há grupos terroristas simpáticos ou filiados á Al Qaeda e ao Estado Islâmico em franca atividade.  No Oriente Médio apenas a Tunísia tem alguma democracia.

No caso da Síria realmente , os EUA e os países europeus são culpados. Culpados porque forneceram armas para os que lutam contra o ditador Assad.  Com isso contribuíram para a desestabilização do país e acabaram fortalecendo grupos terroristas dos quais o principal é o Estado Islâmico.

Para o professor Patrick Weil , do Centro de História Social do Século 20 da Universidade Paris 1 e da Universidade Yale, a Europa e os EUA erram ao não controlar a guerra na Síria.

“As potências deveriam estar ajudando  o Líbano e a Jordânia que corre o risco de desestabilização.”

A preocupação é que nestes dois países , os refugiados compõem um terço de suas populações. “ Imagine o Brasil com 70 milhões de refugiados. Se o Líbano afundar , não quero nem imaginar o que pode acontecer”. ( F S P , 13.09, 2015, p. A-20) .

Mas, para muitos na Europa , muitos imigrantes representam uma ameaça. “Os que estão chegando cresceram em outra religião e representam uma cultura radicalmente diferente. A maioria deles não é cristã, mas muçulmana. A Europa tem uma identidade enraizada no cristianismo”, disse Viktor Orban, primeiro-ministro húngaro.

Palco de duas guerras mundiais, revoluções sangrentas e conflitos étnicos recentes, a Europa está cansada de tragédias.

Em 1992 , com o esfacelamento da Iugoslávia e a Guerra da Bósnia, 850.000 pedidos de asilo foram apresentados na Europa e nos Estados Unidos. Esses números podem se repetir agora, mas com muçulmanos.( Revista Veja, 9.9.2015, p. 68-75).

Dados divulgados pela Acnur  no dia 29 de setembro, indicam que o número de imigrantes e refugiados que atravessaram o Mediterrâneo em direção á Europa em 2015 já chegou a 514.193 , que chegaram ao continente pelo mar.

O ritmo dos desembarques vem crescendo. Foram 130.837 em agosto e 161.255 em setembro . Para se ter uma ideia, em setembro de 2014, entraram no continente 33.944 pessoas.

Cerca de 2.980 morreram ou desapareceram durante as travessias.  Do total, 382.756 entraram pela Grécia e 129 mil pela Itália. Cerca de 54% vieram da Síria, 13% do Afeganistão e 7% da Eritréia. Nigéria, Iraque e Paquistão , são responsáveis por 3% dos migrantes cada um. ( F S P , 30.09.2015, p. A-10) .

Espaço Schengen

A porta-voz da União Europeia para temas de imigração, Natasha Bertaud, disse que não é hora de um país “apontar o dedo”, para outro, mas de cumprir as regras de asilo.

Segundo ela, pelo menos 10 dos 28 países-membros estão falhando nos procedimentos , inclusive de proteção e ajuda humanitária. Ela deu “um último alerta”, sem citar nomes. ( F S P, 2.9.2015, p. A-12).

Mas, embora seja possível viajar sem passar por controles de fronteira entre os muitos países da região, as regras de concessão de asilo e refúgio não são unificadas, o que provoca uma grande confusão.

Na Alemanha, Suíça, Dinamarca e Suécia é relativamente fácil conseguir asilo. Mas, ao serem inundadas de refugiados e migrantes, Itália, Hungria e Grécia passaram a declinar da tarefa de cadastrar todos os que entram, porque temem que , após receberem documentos , muitos fiquem por ali mesmo.

Plano de Acolhimento

Diante do agravamento da crise, potências europeias intensificaram o plano para realocar mais 120 mil refugiados no continente em busca de asilo. Cerca de 31 mil seriam alocados na Alemanha, 24 mil na França e 14 mil na Espanha.

O presidente francês , antecipou no dia 7 de setembro que deve receber 24.000 pelos próximos dois anos. ( F S P, 8.9.2015, p. A-8) .

Os alemães defendem cotas obrigatórias para cada integrante do bloco, ideia que está encontrando resistências.

A União Europeia também planeja criar um fundo de 1,8 bilhão de euros para ajudar países africanos a gerenciar suas fronteiras e reduzir o número de migrantes para a Europa.

Obviamente , o fluxo só irá se reduzir significativamente se a situação na Síria e no Iraque se estabilizar. ( F S P , 9.9.2015, p. A-9) .

A Europa se divide sobre a cota de refugiados.  O plano exclui Itália, Grécia  e Hungria que hoje são porta de entrada dos refugiados, além de Reino Unido e Dinamarca que não integram o acordo comum do bloco sobre políticas de asilo.

Os países de Leste Europeu são contrários a receber os imigrantes

A primeira-ministra da Polônia , Ewa Kopacz disse que um pedido de solidariedade não pode ser feito com base na “chantagem”. Já o premiê da Eslováquia, Robert Fico, disse considerar “irracional”  a ideia das cotas. “ Não vamos nos curvar  a Alemanha e França”. Discurso parecido adotou o ministro  para assuntos europeus da República Tcheca, Tomas Prouza.

Por sua vez, Ângela Merkel afirmou: “ Precisamos de um acordo obrigatório sobre uma distribuição obrigatória de refugiados entre todos os Estados, sob critério justo”. ( F S P , 10.09.2015, p. A-10) .  

A União Europeia aprovou em 22 de setembro a divisão de 120 mil refugiados entre 27 países até o fim de 2016, entre 25 países do bloco e Suíça e Noruega.

A divisão , proposta pela Comissão Europeia, contempla apenas um quarto dos estrangeiros que chegaram ao continente por via marítima em 2015, solicitando refúgio.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados ( Acnur), foram 478 mil, 54% das quais vêm da Síria .

Pela proposta , serão deslocadas ainda em 2015, 66 mil pessoas, das quais 50,4 mil estão em abrigos na Grécia e outras 15,6 mil  na Itália. Os restantes 54 mil serão divididos no segundo ano, inicialmente vindos  da Hungria.

Segundo a União Europeia, 75% deste total vem de três países: Eritréia, Iraque e Síria.

Dos 28 países do bloco, 23 receberão cotas compulsórias  ( Itália e Grécia, por serem portas de entrada dos refugiados na EU, ficam isentos) . Outros dois ( Irlanda e Dinamarca) decidiram participar mesmo sem aderir aos acordos da UE sobre asilo.

Os britânicos não participam dos acordos e nem entrarão na divisão, preferindo determinar sua própria política de acolhimento.

Noruega e Suíça foram incluídos na partilha , por aderirem voluntariamente, apesar de não fazerem parte da União Europeia.

Para acolher estes refugiados, a UE terá um fundo de 780 milhões de euros. Os países receberão 6.000 euros por pessoa recebida para despesas iniciais e 500 euros para custear  seu transporte no país.

Quando terminarem os recursos, começa a valer a regra de assistência social de cada país membro.

Os refugiados não poderão trocar de país de moradia durante o asilo. Caso sejam pegos em outros países, serão devolvidos à autoridade do país concedente.

Hungria, República Tcheca, Romênia e Eslováquia votaram contra.  A Eslováquia disse que não vai receber ninguém. ( F S P , 23.09.2015, p. A-11) .O primeiro-ministro eslovaco , Robert Fico, ameaçou levar o caso ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

A União Europeia planeja criar um fundo de pelo menos 2 bilhões de euros para ajudar os países que fazem fronteira com a Síria e que sofrem com a maior quantidade de refugiados.

Metade da verba será enviada diretamente para a Turquia que abriga 1,9 dos 4,1 milhões de pessoas que fugiram da Síria por causa da guerra civil. O restante será entregue ao fundo do Acnur, para gerenciar a crise, Com isso, os recursos serão distribuídos também para  Líbano, Jordânia, Iraque e Egito. A verba para ações nas fronteiras  marítimas e terrestres, também deverá ser reforçada. ( F S P, 24.09.2015, p. A-17) .

Hungria

Autoridades húngaras permitiram quem trens levando centenas de refugiados partissem para a Áustria e a Alemanha no dia 31 de agosto.

Parte dos passageiros já havia solicitado asilo a Budapeste e não poderá seguir para outro país pelas regras da União Europeia, que determinam que os solicitantes de asilo devem fazê-lo no primeiro país do bloco que entrarem, mas a maioria ignora esta regra.

Ou seja, um país está empurrando para o outro o problema.

Na Alemanha, um dos trens chegou a Munique com 200 refugiados.

Muitos dos que estavam em trens para Viena, em sua maioria sírios, queriam conexões para a Alemanha. Na noite do dia 30 , um trem que saiu de Viena chegou a Hamburgo com 400 imigrantes, depois de ter parado na cidade de Rosenheim, na Bavária, onde um grupo de refugiados foi obrigado a descer para ser registrado. ( F S P , 1.9.2015, p. A-10) .

Já no dia 1º de setembro, milhares na Hungria foram impedidos de seguir viagem em trens para Alemanha e Áustria.

A pressão alemã, levou o governo húngaro a fechar a estação de trem Keleti em Budapeste, para brecar o fluxo. Houve protesto,  muitos com bilhetes pagos.

Cerca de 1.800 pessoas chegaram à Hungria em 48 horas. ( F S P, 2.9.2015, p. A-12).

A polícia húngara parou um trem repleto de refugiados e migrantes a caminho da fronteira com a Áustria no dia 3 de setembro e os forçou a se dirigir a um acampamento.

O trem foi parado na cidade de Bicske, a oeste de Budapeste e  a polícia ordenou que todos desembarcassem. ( F S P, 4.9.2015, p. A-10) .

Pelo menos 1.200 refugiados , majoritariamente de origem síria e afegã, deixaram Budapeste no dia 4 rumo à fronteira com a Áustria . Eles saíram em ônibus fretados pelo governo.

O governo austríaco disse que daria passagem aos refugiados e que o governo alemão faria o mesmo , permitindo sua entrada no país, mas sem garantia de asilo. ( F S P , 5.9.2015, p. A-11) .

No dia 14 de setembro, a Hungria registrou no posto de Roszke, a passagem de 9.380 pessoas em um dia. No dia 15, com a fronteira fechada, quase 300 pessoas permaneciam diante do posto. Um grupo tentou forçar a entrada , mas apenas 20 conseguiram

A Hungria deteve no dia 15 , 60 estrangeiros que romperam a cerca de arame farpado construída para conter o fluxo de refugiados e imigrantes. A nova legislação prevê penas de prisão de três anos para qualquer pessoa que ultrapasse a cerca de arame farpado instalada ao longo dos 175 km de fronteira. Até o dia 16, pelo menos 519 pessoas foram detida e nove condenadas.

A Hungria considera erguer uma nova cerca de arame farpado, na fronteira com  a Romênia.  ( F S P , 16.09.2015 , p. A-10).

No dia 16 de setembro, no principal posto de fronteira com a Sérvia, centenas de refugiados tentaram forçar a entrada no território húngaro e foram reprimidos pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água.

Pelo menos duas ficaram seriamente feridas entre 200 e 300 atendidas apresentando cortes, queimaduras , hematomas e mal estar por inalação de gás, entre elas , várias crianças.

A Hungria avisou a Sérvia que , após o tumulto, deixará a passagem de Roszke fechada por 30 dias.

Para as autoridades húngaras a ação policial foi em legítima defesa, diante de um “ataque agressivo”. Mas o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon , classificou o comportamento policial como inaceitável e disse ter ficado “chocado”, com as imagens.

O premiê sérvio também condenou o “tratamento brutal” dado aos migrantes e disse que enviará mais policiais à região para proteger os estrangeiros.

“Não vamos permitir que ninguém nos humilhe , nem que atire gás lacrimogêneo em território sérvio”. ( F S P , 17.09.2015, p. A-11) .

Croácia

Diante do reforço de segurança e do recrudescimento da polícia húngara na fronteira com a Sérvia, centenas de migrantes começaram a tentar uma rota mais longa e complicada , pela Croácia. Nesta semana, segundo o governo croata, 1.300 pessoas entraram no país em um único dia.

O trajeto contudo, apresenta riscos, porque ainda há 500 km2 de território que podem abrigar minas, uma herança do conflito nos Balcãs.

A Hungria também pretende erguer uma cerca em partes da fronteira com a Croácia. ( F S P , 17.09.2015, p. A-11)

Mais de 6.500   refugiados romperam um cerco policial no dia 17 de setembro e entraram na Croácia, vindos da Sérvia e andando em maio a plantações e linhas de trens.

O ministro croata do Interior, Ranko Ostojic, afirmou que o país não tem capacidade para receber novas levas de refugiados e que quem não solicitar asilo, será tratado como ilegal. ( F S P , 18.09.2015, p. A-16).

Milhares de refugiados e imigrantes entraram em confronto  com a polícia, no dia 22 de setembro ao tentar entrar em um abrigo. O país reabriu a fronteira para a passagem de mercadorias. ( F S P , 23.09.2015, p. A-11) .

 

Áustria

No dia 5 de setembro, em 24 horas , Nickesdorf , que faz fronteira com a Hungria, recebeu pelo menos 5.600 pessoas, a maioria sírios , mais de duas vezes os seus 1.700 habitantes,

Na noite de sexta, dia 4 , o governo austríaco abriu a fronteira para a multidão que fazia a travessia de 170 km a pé desde a capital húngara. ( F S P , 6.9.2015, p. A-12) . Segundo o governo 14 mil pessoas entraram no país de 4 a 6 de setembro. O objetivo da maioria é chegar à Alemanha.

O chanceler da Áustria , Werner Faymann, disse no dia 6 de setembro que seu país voltará gradualmente a controlar a entrada de refugiados na divisa com a Hungria.

“Passo a passo , devemos voltar de uma medida de emergência a uma normalidade que esteja de acordo com a lei e digna para as pessoas”.

Alemanha

Somente no dia 1º de setembro, cerca de 1.400 refugiados,  chegaram a Munique de trem.  Muitos são oriundos da Síria e do Afeganistão. ( F S P, 2.9.2015, p. A-12).

Metade dos refugiados que chegam á Alemanha possui alguma qualificação , que pode ser um diploma universitário ou um curso técnico. Em um período de três anos, eles precisam apresentar-se novamente às autoridades . Se seu país de origem ainda estiver mergulhado em caos, receberão um visto de residência permanente. .( Revista Veja, 9.9.2015, p. 74).

O governo da Alemanha mudou de posição. O vice-chanceler , Sigmar Gabriel declarou no dia 8 de setembro: “ Acredito que poderíamos lidar com algo em torno de meio milhão [ de refugiados] por muitos anos.  Não tenho dúvida quanto a isso, talvez mais”.

Ele salientou porém que outros países europeus também têm de aceitar receber parte dos refugiados que chegam diariamente de zonas de conflito . “Não podemos simplesmente acolher quase 1 milhão de pessoas todos os anos e integrá-los, sem problemas”. ( F S P , 9.9.2015, p. A-9) .

Um projeto de lei alemão propõe rever significativamente o sistema de benefícios sociais para migrantes e acelerar as deportações para os requerentes de  asilo que não forem aceitos.

Pela proposta, o migrante que chegasse á União Europeia por outro país, não mais receberia benefícios na Alemanha, a menos que as autoridades do país voluntariamente assumissem o caso, como está acontecendo com os sírios.

Os requerentes cujo asilo fosse rejeitado pelas autoridades, teriam seus benefícios cortados e não poderiam trabalhar no país. ( F S P , 19.09.2015, p. A-19) .

Islândia

Cerca de 13 mil pessoas , 4% dos 300.00 habitantes da Islândia, se inscreveram na página “A Síria está chamando”, no Facebook , onde se candidataram a acolher sírios e lhes ensinar o islandês. ( F S P, 2.9.2015, p. A-12).

Polônia

Na Polônia, a resistência ao plano de cotas da União Europeia vai além da questão política e expõe uma controvérsia religiosa que contribui para a crise migratória no continente.

No país a força da Igreja Católica é que influencia e sustenta a posição das autoridades do país.

A Polônia é uma das maiores comunidades católicas do mundo, com 90% de católicos e o povo polonês nunca teve muito contato com os muçulmanos, não os conhece e teme a reação deles, já que muitos muçulmanos não gostam de católicos.

Os muçulmanos não querem ir para a Polônia e força-los a ir também seria uma forma de violência. ( F S P, 20.09.2015, p. A-13) .

 

Eslováquia

O país conta com 70% de católicos.

O discurso oficial do primeiro ministro da Eslováquia, Robert Fico é de que prefere receber cristãos porque seu país não tem uma mesquita para ajudar na integração dessas pessoas. ( F S P, 20.09.2015, p. A-13) .

 

Turquia

Cerca de 12 pessoas encontradas mortas na Turquia avivaram a comoção por refugiados.

Correu o mundo a foto de uma criança , Aylan Kurdi , de três anos, encontrada morta numa praia na região de Bodrum.  A foto foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, com a hashtag “ a humanidade levada pelas ondas”.

Os 12 foram identificados como sírios  que estavam em dois barcos que naufragaram  com 23 pessoas em direção à ilha grega de Kos. Eles somam-se aos 2.600 que morreram em 2015, tentando chegar á Europa pelo mar.

Todos fugiram para a Turquia em 2014 , após deixarem a cidade síria de Kobani para escapar do conflito com o Estado Islâmico. ( F S P , 3.9.2015, p. A-12) .

Kobani foi atacada pelo Estado Islâmico , por omissão da Turquia. A maioria da população fugiu para Suruc , na Turquia , a 10 km. Igualmente de maioria curda, Suruc abriga o maior campo de refugiados sírios na Turquia, com 35 mil pessoas.

Mas, em julho de 2015, um homem-bomba matou 34 pessoas no centro cultural da cidade , onde 350 jovens se reuniam. Investigações atribuíram a autoria do atentado a um estudante turco supostamente ligado ao EI.  Depois desse atentado, a Turquia passou a atacar o EI( F S P , 7.9.2015, p. A-10) .

O bote de 5 metros de comprimento em que o menino sírio viajava com os pais, emborcou a caminho da ilha de Kos , na Grécia e morreram ele, sua mãe e sua irmã.

A família de Kurdi queria ir para o Canadá, onde pediriam asilo e se juntariam a irmã de Abdullah Kurdi, pai de Aylan. Agora ele , quer apenas voltar á Síria para enterrar sua família: sua esposa e os filhos Aylan, 3 e Galip , 5 ,que morreram afogados. ( F S P, 4.9.2015, p. A-9) .

Abdullah Kurdi , acompanhado de um comboio partiu da cidade de Bodrum no sudoeste da Turquia e foi até a cidade turca de Suruc e depois atravessou a fronteira até Kobani, onde a cidade organizou o sepultamento de sua mulher e dos filhos , enterrados como “mártires de Kobani”, porque pagaram com suas vidas para fugir da guerra civil. ( F S P , 5.9.2015, p. A-12) .

Kurdi disse que decidiu encarar a travessia ilegal pelo mar até à Grécia por causa de sua família. E já não se importa em receber asilo. “Se me dão agora o mundo inteiro, de que me serve? Já não tenho nem minha mulher, nem meus filhos”. ( F S P , 7.9.2015, p. A-8) .

Se a situação na Síria não melhorar , o número de refugiados sírios na Turquia pode dobrar, chegando a 4 milhões . Se isso acontecer será um caos.

O país já recebeu 2 milhões de sírios desde o início da guerra civil em 2011.Destes, 400 mil estão em campos de refugiados superlotados.

O Líbano recebeu 1,1 milhão e a Jordânia, 630 mil refugiados. A União Europeia 380 mil, sendo 100 mil na Alemanha.

O governo turco diz ter gasto US$ 6 bilhões com os refugiados desde o início da guerra civil e ter recebido apenas US$ 350 mil em ajuda externa. ( F S P , 15.09.2015, p. A-11) .

Pelo menos 13 pessoas morreram no dia 20 de setembro após um barco de refugiados e migrantes , bater em uma balsa no caminho entre Canakkale , no nordeste da Turquia , e a ilha grega de Lesbos.

Segundo a Guarda Costeira turca, havia 46 pessoas no barco e apenas oito  foram resgatadas com vida. Há seis crianças entre os mortos.

Horas depois, outro barco com 48 pessoas naufragou perto de Lesbos , e apenas 22 dos passageiros foram resgatados.

No dia anterior , uma embarcação tinha virado no mar Egeu, provocando a morte de uma criança de cinco anos e deixando mais de 13 desaparecidos.

O mar Egeu, o principal caminho usado por refugiados e imigrantes para ir do Oriente Médio à Europa é uma das rotas mais perigosas devido às marés. Em 2015, 274 pessoas já morreram afogadas e 52,2 mi foram retiradas de barcos pela Guarda Costeira. ( F S P , 21.09.2015, p. A-15) . 

Israel

Em Israel o premiê Binyamin Netanyahu  declarou que Israel não é “indiferente à tragédia” dos sírios  e disse que hospitais do país tratam feridos da guerra civil que devasta o país árabe desde 2011. “No entanto, Israel  é um Estado muito pequeno. Não tem alcance geográfico , nem demográfico”.

Ele sugeriu ainda que aceitar refugiados árabes afetaria o equilíbrio demográfico do Estado, predominantemente judeu , onde atualmente um quinto da população de 8,3 milhões de pessoas é formada por cidadãos árabes. ( F S P , 7.9.2015, p. A-8) .

América do Sul

Governos da América do Sul prometem unir-se aos esforços internacionais para receber refugiados da Síria.

O presidente  da Venezuela, Nicolás Maduro, que já havia concedido centenas de bolsas de estudo a mais de cem jovens palestinos , se disse disposto a receber até 20 mil sírios , mas pediu ajuda da comunidade árabe na Venezuela para arcar com as passagens.

No Brasil, a presidente Dilma Rousseff, disse que “momentos de dificuldade, de crise, como os que estamos passando” não impedirão o país de estar de “braços abertos para acolher os refugiados  sírios”. Mais de 2.000 sírios já vivem no país como refugiados, um quarto do total de imigrantes nessa condição.

O governo chileno disse que irá acelerar os procedimentos legais para receber sírios, mas a quantidade estimada é de apenas 50 famílias.

A Argentina anunciou a extensão por um ano adicional de um  programa especial de visto humanitário concedido a estrangeiros afetados pela guerra na Síria, mas não está claro quantas famílias serão beneficiadas.

O Uruguai já recebeu dezenas de sírios, mas refugiados se queixam de condições de vida no país. ( F S P , 9.9.2015, p. A-10) .

EUA

Os EUA se propõe a receber , pelo menos, mais 10 mil refugiados em seu próximo ano fiscal, que tem início em 1º de outubro , conforme anúncio do porta-voz da Casa Branca , Josh Earnest.

Horas antes, o secretário de Estado, John Kerry , disse em um encontro a portas fechadas no Congresso que a cota anual de refugiados do país poderia subir de 70 mil para 100.000 , mas nem todos seriam sírios. ( F S P , 11.09.2015, p. A-15) .

John Kerry anunciou no dia 20 de setembro em visita a Berlin que os EUA preveem receber 85 mil refugiados em 2016, incluindo 10 mil sírios e outros cem mil em 2017. No ano fiscal que termina em 30 de setembro de 2015, cerca de 70 mil terão entrado no país.

Segundo ele, os EUA tem o limite das leis aprovadas após o 11 de Setembro: “ Depois do 11/9 temos novas leis, a verificação de antecedentes leva muito tempo e não podemos cortar caminhos”.   Os EUA naturalmente vão tomar todas as precauções para evitar que terroristas do EI entrem infiltrados em meio aos imigrantes. ( F S P , 21.09.2015, p. A-15) .

 

Europa

No dia 12 de setembro  a onda de imigração que atinge o continente foi motivo de manifestações em vários países, com atos contrários e a favor.

Em Varsóvia, 5.000 pessoas marcharam contra a recepção de imigrantes, “porque são muçulmanos”. Poloneses a favor também fizeram passeatas na cidade.

Em Londres , milhares de pessoas exigiram que o governo crie uma política mais generosa de acolhimento dos refugiados.

Em Portugal 200 pessoas manifestaram-se a favor, mas integrantes do Partido Nacional Renovador protestaram contra.

Em Budapeste, centenas de pessoas participaram de ato pró-imigrantes em frente à estação de Keleti. ( F S P , 13.09, 2015, p. A-21) .

Fronteiras fechadas

No domingo dia 13 de setembro, a Europa amanheceu com fronteiras policiadas e vigiadas.

A Alemanha , restabeleceu o controle sobre suas fronteiras.  Segundo o ministro do Interior, Thomas de Maizière, a medida visa limitar o ingresso de refugiados para o país “voltar a proceder de forma ordenada quando as pessoas chegam”.

No sábado dia 13, cerca de 13 mil refugiados chegaram à estação de trem de Munique , vindos da Áustria . Mais 1.500 aportaram no domingo de manhã.  O prefeito da cidade disse que Munique estava lotada  e que a cidade não é mais capaz de abrigar todos os que chegam.

Todos os trens entre a Áustria e a região da Bavária , principal rota dos cerca de 450 mil refugiados que chegaram ao território alemão em 2015, foram interrompidos. Só cidadãos da União Europeia  ou pessoas com documentos autorizando sua entrada puderam ingressar.

A decisão da Alemanha significa, na prática , a suspensão  temporária do país do espaço Schengen, área de livre trânsito de pessoas, que inclui 26 países da Europa.

A Hungria, aprovou uma legislação de emergência que proíbe a entrada de novos imigrantes e o premiê, Viktor Orban ameaçou prender quem tentar entrar clandestinamente no país. ( F S P , 14.09.2015, p. A-9) .

Os países da União Europeia não conseguiram aprovar em reunião do dia 14 de setembro um plano de emergência para abrigar 120 mil refugiados e  seguindo a Alemanha , Eslováquia, Holanda, Hungria, República Tcheca  e Polônia , impuseram medidas de controle de fronteira que põem em cheque o espaço Schengen. A próxima reunião será apenas em 8 de outubro.

O governo austríaco disse que enviaria 2.200 soldados á divisa com a Hungria , a fim de controlar a chegada de mais refugiados.

Autoridades da Eslováquia disseram que passariam a checar passaportes , e o governo tcheco  que já policia sua fronteira, vai fazer o mesmo.

A premiê da Polônia , Ewa Kopacz , disse que também erguerá barreiras  caso seu país se sinta “ameaçado” pela onda imigratória.

A Holanda, depois que 3.000 pessoas entraram no país em uma semana, resolveu mudar o controle de entrada.

Na Hungria, entra em vigor no dia 15 de setembro uma lei que prevê a prisão e a deportação de imigrantes sem visto, que passam a ser considerados criminosos e não contraventores. O páis já abriga 50 mil refugiados. Segundo o premiê conservador , Viktor Orban : “ Nós não queremos um movimento mundial de pessoas para tentar mudar nosso país”, referindo-se a medidas para manter a “milenar cultura cristã” da Hungria. ( F S P , 15.09.2015, p. A-10) .

A Croácia em 18 de setembro fechou postos na fronteira com a Sérvia e usou 19 ônibus para transportar refugiados para a Hungria. O país que recebeu 14 mil estrangeiros pela Sérvia nos últimos dias, anunciou que não registrará , nem acomodará mais pessoas. ( F S P , 19.09.2015, p. A-19) .

Assad:  Europa é culpada pela crise migratória

O ditador sírio Bashar al-Assad  disse que a Europa é a culpada pela crise de refugiados.

Segundo ele, o problema decorre do apoio que estes países tem dado a grupos insurgentes no contexto da greve civil da Síria. Em entrevista dada no dia 16 de setembro ele  disse que se os países da Europa “ se importam com eles [ refugiados] deveriam parar de dar apoio a terroristas”.

“A Europa chama de ‘moderados’ ,os terroristas e os divide em grupos, quando , na realidade, são todos terroristas…Isso é o que pensamos sobre a crise. Essa é a essência de todo o problema dos refugiados”.

A guerra civil na Síria começou em 2011 e mais da metade dos 23 milhões de habitantes foi forçada a deixar suas casas. Mais de 220 mil já morreram.

Cerca de 7,6 milhões fugiram para outras partes da Síria , e 4,088  milhões para países vizinhos como Turquia ( 2 milhões) , Líbano ( 1 milhão)  e Jordânia ( 600.000)  e agora desbordam pela Europa ( 450.000) . ( F S P , 17.09.2015, p. A-11) .

 Pedidos de Asilo

O número de pedidos de asilo em países da União Europeia cresceu 85% no segundo trimestre de 2015, em relação ao mesmo período de 2014.  Foram 213,2 mil novos pedidos entre abril e junho, 15% a mais do que os 185,7 mil do período anterior.

Destes, 45 mil ( 21%) são sírios, 27 mil afegãos ( 13% e 17,7 mil albaneses ( 8%).

Entre os países que receberam mais pedidos, a Alemanha está em primeiro com 80,9 mil , seguindo-se Hungria, 32,7 mil, Áustria 17,4 mil, Itália, 14,9 mil, França 14,7 mil e Suécia 14,3 mil. ( F S P , 19.09.2015, p. A-19) .

IRÃ

O presidente Barak Obama conseguiu no dia 2 de setembro, apoio político no Congresso para blindar o acordo nuclear com o Irã, caso ele seja rejeitado pelo Senado. Com isso , se houver a rejeição , o veto presidencial não poderá ser derrubado. ( F S P , 3.9.2015, p. A-11) .

Segundo relatório do Banco Mundial, a futura suspensão das sanções contra o Irã, praticamente permitirá que o PIB iraniano dobre em dois anos com o fim do isolamento do país.

A volta do Irã ao mercado de petróleo, pode provocar uma queda de 14% no preço da commodity. O crescimento anual da economia iraniana deve passar de 3% para até 6% em 2017. ( F S P, 4.9.2015, p. A-11) .

O chefe nuclear  da ONU, Yukiya Amano , inicia no dia 20 de setembro uma visita a Teerã com o objetivo de implementar  um acordo entre o Irã e a AIEA. ( F S P, 20.09.2015, p. A-17) .

 

IRAQUE

Estado Islâmico

Patrick Cockburn em “A Origem do Estado islâmico- o fracasso da ‘guerra ao terror’ e a ascensão jihadistas”, mostra como a guerra do Iraque , iniciada em 2003 e a guerra civil síria, desde 2011, deram origem ao Estado Islâmico.

No Iraque, a maioria da população  é xiita e era reprimida quando o ditador sunita Saddam Hussein governava.

Os americanos invadiram o país em 2003 e depuseram Saddam. Após a retirada americana em 2011, o ex-premiê Nouri al Maliki, xiita , passou a perseguir sunitas. Descontentes, os iraquianos sunitas apoiaram o avanço do EI, embora depois, muitos tenham se voltado contra suas práticas.

Na Síria, Arábia Saudita, Turquia e Catar, rivais do Irã, começaram a armar a oposição para combater o ditador Bashar al-Assad que é alauíta ( ramo do xiismo), alinhado ao Irã.

Ao apoiar a oposição moderada na Síria, EUA, União Europeia, Turquia, Arábia Saudita e Catar , enviaram armas que caíram nas mãos de radicais  como a frente Al Nusra e o EI, ou seja, criaram condições para o EI sustentar e ampliar o levante sunita na síria e depois espalhá-lo para o Iraque. ( F S P, 4.9.2015, p. A-11) .

O Estado Islâmico vinha crescendo desde 2010, mas foi subestimado pela maior parte dos analistas que a consideravam uma milícia radical isolada e fadada a desaparecer.

Hoje o EI, controla uma área equivalente á Itália ( cerca de 300 mil km2) no noroeste do Iraque e nordeste da Síria. Tem 30 mil combatentes ( estimativa da CIA), a 100 mil ( estimativa deles0. Escraviza sexualmente 2.000 mulheres da etnia yazidi no Iraque.

Trata-se do movimento terrorista mais bem sucedido da história: mais violento, mais eficaz e maior do que a Al Qaeda. Está mudando radicalmente o equilíbrio de forças políticas  no Oriente Médio . E é um dos principais motivos para o êxodo dos sírios que vem comovendo todo o mundo.

Estudo do Centro de Pesquisas Pew, de Washington, concluiu que “ Ao contrário do que ocorreu na Guerra do Iraque, uma década atrás, a atual campanha aérea no Iraque e na Síria , tem o apoio da maioria dos aliados europeus  dos EUA e é endossada pelo público nos principais países do Oriente Médio”.

Na média dos 40 países que participaram da nova sondagem, os ataques contra o Estado Islâmico tem a simpatia de 62% do público, um forte contraste com a opinião sobre a Guerra do Iraque. No Brasil, a aprovação foi de apenas 46%.

Hoje, na maioria dos países, diante da brutalidade do grupo terrorista, grande parte enxerga o EI como uma ameaça a ser combatida.

Na Jordânia, que na Guerra do Iraque 95% reprovavam a ação americana, agora 77% aprovam os ataques contra o Estado Islâmico e apoiam a entrada do  país na coalizão militar liderada pelos EUA contra o grupo terrorista. O interesse é direto pois o país faz fronteira tanto com a Síria quanto com o Iraque, onde o EI atua. A Jordânia já abriga 650 mil refugiados sírios, o equivalente a  10% de sua população.

Nos EUA, a ofensiva contra o EI é apoiada por 88% dos republicanos, 80% dos democratas e 75% dos independentes. ( F S P , 11.09.2015, p. A-18) .

Documentos fornecidos por um grupo de analistas de inteligência mostram que, segundo suas fontes, que oficiais militares manipularam relatórios sobre o combate ao Estado Islâmico.

O Centcon, é o  órgão que vistoria as operações militares americanas contra o Estado Islâmico no Iraque e  na Síria.  Segundo analistas do centro, seus superiores na operação de inteligência mudaram conclusões sobre uma série de tópicos , incluindo a prontidão das forças de segurança iraquianas e o sucesso da campanha de bombardeio no Iraque e  na Síria.

As versões revisadas apresentaram uma imagem mais positiva para a Casa Branca , para o Congresso e para outras agências de inteligência e as denúncias envolvem os mais altos funcionários da idade de inteligência, comandados pelo general Steven R. Grove.

Desentendimentos sobre conclusões em análises são tão comuns quanto estimulados , assim como ocorre no processo de revisão por pares no meio acadêmico e os analistas divergentes são incentivados a publicar documentos rivais. ( F S P , 17.09.2015, p. A-12) .

 

ISRAEL

A policia de Israel entrou em confronto com manifestantes palestinos no dia 15 de setembro no complexo da mesquita de Al-Aqsa, no terceiro dia seguido de tumultos no local sagrado.

Manifestantes se abrigaram na mesquita, à noite, para impedir a visita dos judeus. Cerca de 26 palestinos ficaram feridos, sem gravidade. ( F S P , 16.09.2015, p. A-12) .

JAPÃO

A Standard & Poor’s, rebaixou no dia 16 de setembro a nota de crédito do Japão em um degrau de AA- para A+, dentro do grau de investimento.

O motivo é a preocupação de que a Abenomics não será capaz de reverter a deterioração da economia nos próximos dois ou três anos. Foi o primeiro rebaixamento do Japão pela S&P desde janeiro de 2011 e deixa o rating do Japão em linha com o da agência Moody’s que rebaixou o Japão para A1 em dezembro de 2014  e a Ficht para “A” , em abril de 2015. ( F S P , 17.09.2015, p. A-18) .

O Senado do Japão aprovou no dia 19 de setembro lei que autoriza enviar militares do país a ações ofensivas. Com isso, o país abandona o caráter pacifista que tinha desde o fim da Segunda Guerra.  A mudança foi proposta para fazer frente ao poder militar da China. ( F S P , 19.09.2015, p. A-21) .

Fukushima

Em agosto, a Agência Internacional de Energia Atômica  apontou que até agora, quatro anos depois do acidente nuclear em Fukushima, ninguém morreu ou mesmo ficou doente por causa da radiação emitida no episódio, mesmo entre os trabalhadores da usina.

Discute-se se a grande evacuação , inclusive de pacientes internados em hospitais foi correta, porque ela deixou 1.600 mortos.

O nível de radiação não era tão elevado a ponto de justificar as medidas adotadas. Houve várias vítimas fatais também entre pacientes de asilos , cuja fragilidade dificultou sua evacuação.

Os habitantes com maior exposição, teriam encarado 70 milisieverts de radiação, valor não muito maior do que o de uma tomografia de alta resolução de corpo inteiro, ao ano, desde o acidente. ( F S P , 23.09.2015, p. B-5) .

MERCOSUL

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, a esperada troca de ofertas entre o Mercosul e União Europeia para a criação de uma área de livre comércio está programada para outubro.

Uma reunião entre técnicos das duas delegações ocorrerá em Assunção, no Paraguai nos dias 1 e 2 de outubro e a troca será feita “imediatamente depois”.

A troca de propostas , quando cada lado faz uma oferta sobre produtos que terão a tarifa zerada, é o primeiro passo para a costura do acordo.

Monteiro e o Ministro Mauro Vieira, reuniram-se no dia 23 com ministros de Argentina, Uruguai e Paraguai para debater a proposta. A Venezuela ficará de fora.

Monteiro afirmou que os últimos pontos da oferta do Mercosul foram alinhados e o bloco está pronto.

As conversas sobre o assunto, arrastam-se desde os anos 90, graças às protelações da Argentina. ( F S P , 23.09.2015, p. A-21) .

NIGÉRIA

Segundo dados da Unicef, cerca de 500 mil crianças foram forçadas a deixar suas casas nos últimos cinco meses devido a ataques da milícia terrorista Boko Haram. Ao todo, 1,4 milhão de crianças já fugiram da região. ( F S P , 19.09.2015, p. A-21) .

OMC

Segundo o brasileiro Roberto Azevedo, diretor da OMC, Organização Mundial do Comércio, se a expansão do comércio mundial em 2015 ficar em 3% , já será de bom tamanho.

Será o quarto ano consecutivo em que as trocas entre os países ficarão abaixo de 3%. De 2012 a 2014, as exportações subiram em média 2,4%, bem abaixo do crescimento histórico mundial de 5,1%.( F S P ,27.09.2015, Mercado ,  p. 3) .

PERU

O presidente do Peru, Ollanta Humala, decretou no dia 29 de setembro, estado de emergência no sul do país depois que três pessoas morreram durante confronto entre policiais e manifestantes que protestavam contra a abertura de uma mina de cobre.

Estão suspensos os direitos civis e fica autorizado o uso da força militar por 30 dias nos departamentos de Cusco e Apurimac.

Na divisa entre os dois departamentos , a companhia chinesa MMG fez a mina de Las Bambas.

Moradores da cidade de Chalhuahuacho, onde ocorreram as mortes, exigiam que a mineradora contratasse mão de obra local e revisasse seu plano ambiental para que não prejudicasse o distrito.

Estimada em US$ 7,4 bilhões, La Bamba é o maior projeto de mineração em curso no país e deve entrar em operação em 2016.

Devido a protestos, a Newmont Mining suspendeu a exploração de Conga , avaliada em US$ 4,8 bilhões , e a Southern Coper, abandonou a mina Tia Maria, com reservas de US$ 1,4 bilhões.

O Peru é o terceiro maior produtor de cobre do mundo e espera dobrar sua produção nos próximos anos, apesar dos conflitos. ( F S P , 30.09.2015, p. A-11) .

 

PETRÓLEO

O barril de petróleo, depois de ser negociado nos menos patamares desde 2009, disparou e fechou o dia 31 de agosto , o WTI cotado a US$ 49,20 ( alta de 8,8% no dia) e o Brent, a US$ 54,15 ( alta de 8,19%) . ( F S P ,1.9.2015, p. A-15) .

 

REINO UNIDO

Um dos países mais castigados pela crise mundial de 2008, o Reino Unido virou exemplo de como a boa condução das finanças  públicas – sem elevar a carga de impostos – pode incentivar a economia.

O país teve em 2014, a maior expansão entre os membros do G7, o clube dos ricos. No segundo trimestre de 2015, o PIB britânico cresceu 2,9% sobre o mesmo período de 2014.

Indicadores como o desemprego e o consumo das famílias estão melhorando.

Quando o primeiro-ministro atual, David Cameron, assumiu o cargo em 2010 a economia acumulava dois anos de recessão. O rombo nas contas públicas era de 10% do PIB, motivado por estímulos dados pelo governo trabalhista Gordon Brown aos bancos afetados pela crise.

Para romper o ciclo, Cameron e o ministro do Tesouro, George Osborne, partiram para um corte de 80 bilhões de libras no orçamento.

Alguns serviços públicos prestados regionalmente, foram centralizados em Londres e permitiram tirar mais de 600.000 servidores da folha de pagamento.

A venda de imóveis públicos subutilizados , gerou economia de 800 milhões de libras por ano. As despesas dos ministérios caíram 20% em média, com as medidas.

Um dos poucos poupados de corte foi o sistema de saúde, boa parte dele gerenciado pela iniciativa privada e reconhecido mundialmente pela eficiência nos gastos.

O aperto nas contas foi aliado a uma lei mais dura contra a evasão fiscal e à elevação de impostos sobre carros e seguros. Em compensação, mais famílias ficaram isentas do imposto de renda e o valor do salário mínimo subiu , estimulando o consumo e gerando mais receita para os cofres públicos. A carga tributária ficou ao redor de 36,2% do PIB, aproximadamente a mesma do Brasil. Era 35,4% em 2011.  O déficit do governo caiu pela metade, em cinco anos.

A população aprovou o ajuste e Cameron foi reeleito em maio de 2015. Promete mais cortes para obter superávit em 2019. ( Revista Exame, 16.09.2015, p. 116-117) .

SÍRIA

Para Andrew Bacevich, respeitado analista militar americano uma intervenção militar humanitária na Síria não é viável.

Ele destaca que quando os EUA invadiram o Iraque em 2003 , o governo achava que poderia instalar rapidamente uma ordem estável. Mas na realidade criou um caos , de onde surgiu uma organização chamada Al Qaeda no Iraque.

Os esforços antiterroristas entre 2003 e 2011 praticamente destruíram a Al Qaeda no Iraque, mas quando os “EUA se retiraram em 2011, as condições no Iraque eram tão desordenadas que uma nova organização chamada Estado Islâmico (EI), emergiu. O EI é um sucessor da Al Qaeda no Iraque, que por sua vez não teria existido sem  a invasão americana em 2003”.

“Certamente pode-se argumentar  que os EUA possuem capacidade militar suficiente para destruir o EI. A questão é o que vem depois. Os EUA ocuparam o Iraque por oito anos e meio e não foram capazes de botar ordem. Se intervierem novamente, haverá uma nova ocupação por oito, dez, 50 anos ?  A intervenção militar humanitária tende a consequências indesejadas. Fora isso, os americanos não têm estômago para outra ação. Há uma tendência de se achar que os EUA deveria limpar o planeta, mas o país não tem sido um sucesso nisso”.

Por isso não há o que fazer a não ser continuar com os ataques aéreos, embora limitados: “ Relatórios de inteligência americana mostram que o Estado Islâmico é capaz de substituir combatentes na mesma velocidade com que os matamos. Diante da falta de apoio público em qualquer lugar do mundo a uma intervenção terrestre e de fracassos militares passados dos EUA na região, a opção militar que resta é a que o governo Obama está adotando: melhora da capacidade das forças da região, como o Exército iraquiano , aliada a um modesto uso de força aérea”. ( F S P , 13.09, 2015, p. A-21) .

Para Patrick Cockburn , jornalista do “The Independent” e o maior especialista em Estado Islâmico, a falta de estratégia do governo Obama para enfrentar o Estado Islâmico na Síria e no Iraque é cada vez mais óbvia e , sem envolver o  ditador Bashar al-Assad, não há solução para a guerra na Síria.

Os EUA apostaram em bombardeios aéreos e em treinamento de forças de oposição síria.

O treinamento foi um fiasco completo, com a preparação de menos de 60 soldados,  sendo que a metade foi morta por extremistas. A meta do Pentágono era ter treinado 5.000 rebeldes sírios para combater o EI.

Os 7.000 ataques aéreos da coalizão nos últimos 12 meses, ajudaram os curdos a retomarem as cidades de Kobani e Tal Abyan, ambas na Síria, mas não reverteram o controle do EI sobre Raqqa e Mossul ( Iraque), as capitais de fato da facção, nem o avanço sobre a síria Palmira e a iraquiana Ramadi.

Hoje o EI controla uma área equivalente à da Itália , de cerca de 300 mil km2 , no noroeste do Iraque e nordeste da Síria. A facção tem entre 30 mil e 100 mil combatentes , conforme a estimativa.

Trata-se do movimento extremista de inspiração islâmica, mais bem sucedido da história: mais violento, mais eficiente e maior do que a Al Qaeda.

Na Síria, as atrocidades de Assad deram origem a movimentos de oposição, alguns deles extremistas.

Arábia Saudita, Turquia e Qatar, países sunitas e rivais do Irã , começaram a armar a oposição a Assad, alinhado a Teerã.

Mas, ao apoiar a oposição supostamente moderada, potências estrangeiras alimentaram com  armas e recursos enviados, islamitas radicais como a frente Al Nusra e o EI. Esse envolvimento com “guerras por procuração”, complicou o cenário.

Curdos e sua milícia YPG lutam no norte com a ajuda de bombardeios do EUA. Mas há uma percepção disseminada nas áreas curdas da Síria de que a Turquia continua permitindo que estrangeiros passem por sua fronteira para se juntar ao EI e facilita o envio de armas financiadas pela Arábia Saudita, para os extremistas.

Cockburn, afirma: “ Se quisermos conter a guerra, é preciso levar todos os envolvidos à mesa de negociação, inclusive Assad; e a Rússia é essencial para influenciar Assad. É preciso de mais força para combater o EI”.

A Turquia se opõe. Cemalletin Hasimi, porta-voz do premiê da Turquia, Ahmed Davutoglu diz “ Deixar Assad no poder é como apaziguar Hitler, não há possibilidade de negociar com ele”. Ou seja, a Turquia quer um governo de transição sem Assad e a situação na Síria não se resolve sem a participação de Assad. ( F S P , 30.09.2015, p. A-10) .

Estado Islâmico

Na mesma reunião em que anunciou o acolhimento de 24 mil refugiados , o presidente da França, François Hollande disse no dia 7 de setembro que o país começará a fazer voos de reconhecimento na Síria.

A intenção é preparar o terreno para bombardear bases da milícia radical Estado Islâmico. Com isso, a França muda sua estratégia em relação á Síria.

O governo francês relutava em fazer ataques para não fortalecer o regime do ditador Bashar al-Assad.  Mas Hollande continua afirmando : “ No fim, Assad deve ir embora”.

A França já integrava a coalizão internacional contra o EI, comandada pelos EUA, mas sua atuação limitava-se às operações no Iraque. ( F S P, 8.9.2015, p. A-9) .

Um grupo de 75 rebeldes treinados pelos EUA e as forças de coalizão na Turquia, entrou na região norte da Síria , na província de Aleppo , na madrugada do sábado dia 19 de setembro.

O grupo entrou no país em um comboio de uma dezena de veículos com armas leves e munições , com a cobertura aérea da coalizão liderada pelos EUA, e o objetivo é combater o Estado Islâmico. ( F S P , 21.09.2015, p. A-15) .

Aviões das Forças Armadas francesas bombardearam pela primeira vez bases da facção terrorista Estado Islâmico  no dia 26 de setembro.

Seis aviões participaram da ofensiva que ocorreu nas proximidades de Deir Ezzor , leste do país. A operação teve como alvo “santuários do Estado Islâmico “, e baseou-se em informações colhidas nas operações aéreas há mais de duas semanas e em coordenação com os parceiros da coalizão internacional. ( F S P , 28.09.2015, p. A-13) .

 

Tropas Russas

Militares russos chegaram à Síria  nos últimos dias para ajudar o regime de Bashar al-Assad no combate ao Estado Islâmico.

Cerca de 4 milhões de pessoas deixaram a Síria desde 2011 e a maior presença russa reflete a preocupação de que o aliado esteja perto do colapso.

A informação foi dada pelo ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, que não revelou o número de militares, mas disse que os soldados russos foram enviados para atuar nos bastidores, como conselheiros, mas também para estabelecer uma base aérea perto da cidade de Latakia ( oeste), de onde poderiam partir caças e helicópteros  para ataques contra o EI.

Segundo Israel, a ação russa seria coordenada com o Irã, que também teria enviado á Síria “centenas de soldados”, para ajudar as forças de Assad.

A inteligência israelense calcula que Assad controle hoje no máximo 30% do território do país – Damasco e parte do litoral, reduto da minoria alauíta, que apoia Assad.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, reconheceu a presença russa no dia 10 de setembro: “Nossa presença militar nunca foi segredo. Nossos especialistas militares  trabalham ajudando o Exército sírio a se familiarizar com nosso equipamento, A Rússia não está dando, neste momento, nenhum passo adicional”.

Lavrov afirmou que o país envia à Síria tanto ajuda humanitária  como armamentos em aviões, e que sua ajuda está de acordo com leis internacionais.

A Bulgária disse que aviões militares russos só poderão passar pelo seu espaço aéreo se tiverem sua carga inspecionada.

O Departamento de Estado americano afirmou que o secretário John Kerry  , alertou Lavrov que atividades militares russas na Síria, “poderiam gerar mais violência”. ( F S P , 11.09.2015, p. A-15) .

Moscou tem interesse em destruir o EI por temer sua infiltração nas turbulentas áreas muçulmanas sob seu controle no Cáucaso.  Moscou terá ainda um ganho estratégico caso se estabeleça em Latakia, com uma base aeronaval, perto das rotas de exportação de hidrocarbonetos russos e asiáticos do estreito de Bósforo , na Turquia.  Em resumo, a ação russa na Síria pode reconfigurar a região e se ajudar a pacificar a Síria de alguma forma, Putin ganhará muitos pontos na diplomacia internacional. ( F S P , 14.09.2015, p. A-10) .

O Pentágono confirmou no dia 14 de setembro as informações do serviço de inteligência de Israel sobre recentes movimentações da Rússia na base militar ao sul de Latakia. (F S P, 15.09.2015, p. A-11).

Putin , em evento no Tadjiquistão  no dia 15 de setembro, defendeu a sua estratégia de apoio ao regime sírio: “ Apoiamos o governo sírio em sua luta contra a agressão terrorista. Havíamos proposto e continuaremos oferecendo uma ajuda militar técnica”.

Putin afirmou ainda que a maioria dos migrantes sírios que tentam chegar à Europa  foge de grupos radicais como o EI e não dos bombardeios do Exército sírio. Segundo ele, se a Rússia deixar de dar seu apoio a Assad, a situação na Síria, ficará “pior que a da Líbia”. ( F S P , 16.09.2015, p. A-11).

Os EUA estão avaliando uma oferta da Rússia para uma reunião entre líderes militares sobre o problema na Síria.

O secretário de Estado americano, John Kerry , conversou com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov que disse que a Rússia só quer combater a ameaça que o Estado Islâmico representa na Síria. Mas os EUA temem que a Rússia monte uma proteção ao ditador sírio que a Casa Branca quer ver fora do poder. ( F s P , 17.09.2015, p. A-11) .

Rússia e EUA deram início no dia 18 de setembro  a conversas sobre questões militares envolvendo o conflito na Síria. O secretária de Defesa americano, Ashton Carter e seu colega russo, Sergei Shoigu, tiveram uma “conversa construtiva”, por telefone , sobre “áreas onde as perspectivas dos EUA e da Rússia coincidem” e sobre as onde há divergências.

O objetivo é evitar problemas entra ações das duas partes na Síria e tratar do combate ao Estado Islâmico. ( F S P , 19.09.2015, p. A-19) .

Vladimir Putin em discurso na Assembleia Geral da ONU no dia 28 de setembro  pediu uma coalizão ampla, similar à que uniu Moscou e Washington contra o  nazismo na Segunda Guerra Mundial. “ Consideramos um enorme erro se recusar a cooperar com o governo sírio e suas Forças Armadas.

O presidente americano Barak Obama apesar de condenar Moscou pelo apoio ao ditador sírio, não descartou  unir forças com os sírios para derrotar o Estado Islâmico. “Os EUA estão preparados para trabalhar com qualquer nação, incluindo  Rússia e Irã  , a fim de resolver o conflito”.

Outros chefes de Estado como o rei da Jordânia , Abdullah 2º, e o presidente da França, François Hollande também ressaltaram a urgência de combater o EI.

Hasan Rowhani, presidente do Irã, defendeu uma frente contra o extremismo e pela democracia. Culpou as intervenções americanas no Iraque e Afeganistão e o apoio irredutível dos EUA a Israel pela ascensão do terror na região.  Mas exaltou o acordo nuclear assinado em julho e celebrou a suspensão das sanções contra o Irã  como o início de “ um novo capítulo” nas relações do país com o mundo.  Obama deixou claro que a pressão militar sobre o EI continuará. ( F S P , 29.09.2015, p. A-11) .

Putin não compareceu a uma reunião sobre terrorismo convocada  na ONU por Barak Obama. Mandou em seu lugar o terceiro diplomata da hierarquia da embaixada russa nas Nações Unidas.

Obama manteve-se irredutível  de que a guerra civil na Síria só acaba com a saída de Assad. Putin assinala que é um erro não apoiar Assad.

O governo dos EUA anunciou sanções a 25 líderes do EI e a cinco organizações ligadas à facção, de países como Indonésia, Paquistão, França e Inglaterra, mostrando a dispersão da organização e a ameaça global que ela representa.

Os EUA afirmam que o EI arrecada US$ 500 milhões por ano com contrabando de petróleo e impostos taxados em áreas sob seu controle. ( F S P , 30.09.2015, p. A-9) .

Frente Al-Nusra

Terroristas da Frente Al-Nusra, braço da Al Qaeda na Síria e seus aliados islâmicos mataram ao menos 56 soldados do Exército na base aérea de Abu Duhur , no nordeste do país.

A base foi dominada pelos radicais em 9 de setembro e os militares foram sumariamente fuzilados. É esse tipo de gente que americanos e europeus estão apoiando. ( F S P, 20.09.2015, p. A-17) .

UCRÃNIA

Voltaram a ocorrer confrontos entre forças de segurança e manifestantes nacionalistas na Ucrânia , em frente ao Parlamento, sendo que um guarda nacional morreu e cem pessoas ficaram feridas.

Os nacionalistas protestavam contra a votação de uma lei que dá autonomia a Donetsk e Lugansk regiões do leste do país dominadas há mais de um ano por separatistas pró-Rússia,

A medida é defendida pelo presidente Petro Poroshenko e visa amenizar o conflito na região. ( F S P , 1.9.2015, p. A-10) .

 

VENEZUELA

Escassez de Medicamentos

A falta de remédios já afeta a saúde dos venezuelanos. Segundo a Federação Farmacêutica Venezuelana, a escassez atinge sete a cada dez medicamentos vendidos no país.

A saúde pública também está sendo afetada pela escassez de peças de reposição  em equipamentos hospitalares.

Conflito com Colômbia

O embaixador da Colômbia protestou contra a Venezuela no dia 31 na Organização dos Estados Americanos (OEA) , em sessão extraordinária do Conselho Permanente do organismo convocada pela Colômbia para protestar pelo fechamento da fronteira por ordem do presidente venezuelano Nicolás Maduro , e contra o tratamento dado a 1.088 colombianos deportados da Venezuela, sendo 244 crianças.

“A Colômbia inteira está indignada e ultrajada”, disse o embaixador colombiano Andrés González Dias.

O representante da Venezuela no organismo, disse que tudo o que foi feito foi uma decisão “ soberana, democrática e com respaldo popular, feita pelo ditador Nicolás Maduro. O Brasil continua em cima do muro, dizendo que os dois países devem se entender. ( F S P , 1.9.2015, p. A-9) .

Num raro  sinal de apaziguamento, a Venezuela permitiu no dia 4 , que 2.000 crianças venezuelanas atravessassem a fronteira para ir à escola na Colômbia.

O Brasil resolveu se mexer.  A presidente Dilma Rousseff enviou às pressas no dia 4 de setembro á Colômbia,  e á Venezuela, o chanceler Mauro Vieira, para tentar mediar a crise diplomática deflagrada por tensões na fronteira entre os dois países.

A estratégia do Brasil e da Argentina consiste em trazer as discussões para o âmbito do Unasul. Tentativas de mediação por parte da OEA fracassaram.

A Colômbia disse que vai denunciar a Venezuela à ONU por maus tratos a colombianos. Mas a Colômbia vai insistir na mediação da OEAS, onde tem apoio dos EUA e de outros países. Na Unasul, o predomínio é da Venezuela que rejeita mediações da OEA.

Já Caracas anunciou que fará o ridículo pedido de ressarcimento por ter recebido grande quantidade de colombianos que escaparam do conflito interno na Colômbia desde  os anos 1990. ( F S P , 5.9.2015, p. A-13) .

Clóvis Rossi destaca três falhas importantes da diplomacia brasileira nesta questão entre Colômbia e Venezuela:

  1. Foi imperdoável a atitude do governo brasileiro de se abster   na votação da proposta colombiana de convocação de uma reunião de chanceleres da OEA, destinada a tratar da crise. A equivocada posição do Brasil , era de que a crise deveria ser tratada apenas entre as duas partes;

 

  1. O Itamaraty demorou demais para se mexer. Só começou a atuar duas semanas depois do fechamento da fronteira e da consequente deportação de colombianos na Venezuela. O estrago humanitário já estava feito: 1.355 colombianos foram deportados e 15.174 abandonaram voluntariamente a Venezuela temendo a perseguição.

 

 

  1. A falha mais flagrante é o tratamento igualitário que a missão dos chanceleres do Brasil e da Argentina está dando às duas partes. Não há equivalência no episódio: quem fechou a fronteira foi a Venezuela e quem deportou colombianos foi a Venezuela.

 

  1. E pior, a motivação de Maduro é claramente eleitoreira.. Ele inventou um inimigo externo para uso na política interna, pois fronteira é problemática desde sempre, mas só na antevéspera do início da campanha eleitoral o problema é descoberto?

 

 

Gimena Sanches, associada-sênior do Washington Office of Latin America, resume bem o que aconteceu: “ Embora lidar com grupos criminosos seja um problema importante a ser enfrentado pelo Estado, este deslocamento maciço é desumano e contrário à lei internacional”.

 

Ou seja, resumindo: não se trata de intervenção em assuntos internos de outros países, como afirmou a diplomacia brasileira, mas de uma posição de princípios aos quais o Brasil não pode renunciar, sob pena de ser cúmplice. ( F S P , 7.9.2015, p. A-11).

 

O presidente Nicolás Maduro anunciou no dia 8 de setembro a expansão das áreas sob estado de exceção  e o fechamento de mais um posto de fronteira com a Colômbia e mobilizou mais de 3.000 militares.

 

As medidas que abrangiam o Estado de Táchira, agora foram estendidas ao Estado de Zulia, o mais populoso do país.

 

‘Decidi, após um diagnóstico preciso, [fechar] o posto fronteiriço de Paraguachón , no Estado de Zulia, disse Maduro,

 

Guajira, Mara e Almirante Padilla , passaram  para o estado de exceção.

 

Maduro disse que a medida não se aplica ao povo guajiro , formado por 600 mil indígenas instalados há séculos entre o Estado de Zulia e o território colombiano e alheios ao traçado de fronteiras.

 

Os guajiros poderão continuar circulando livremente pela fronteira, desde que não levem mercadoria, só que o contrabando é seu principal sustento.

 

Autoridades venezuelanas anunciaram ter matado dois supostos paramilitares colombianos numa zona de fronteira em Táchira, o que vai piorar ainda mais a situação. ( F S P , 9.9.2015, p. A-10).

 

O presidente colombiano , Juan Manuel Santos foi enfático no dia 9 de setembro: “ Não estou destruindo a revolução bolivariana. A revolução bolivariana está se autodestruindo , por seus resultados, não por causa dos colombianos ou do presidente da Colômbia”.

 

O governo colombiano está inclinado a optar pela mediação uruguaia porque não considera satisfatória a postura dos chanceleres do Brasil e Argentina que foram a Bogotá no dia 4 de setembro.

 

A atitude de Santos mostra as consequências do alinhamento da chancelaria brasileira com a Venezuela, ou seja, mediação brasileira simplesmente é recusada.

 

A chancelaria colombiana também se recusou a comparecer à Unasul, porque sabe que esse organismo é dominado pela Venezuela. ( F S P , 10.09.2015, p. A-14) .

O chanceler do Equador, Ricardo Patino, anunciou no dia 10 de setembro que suas colegas da Colômbia, Maria Ângela Holguin , e da Venezuela , Delcy Rodriguez, marcaram reunião em Quito no dia 12 de setembro para discutir a crise diplomática entre os dois países( F S P , 11.09.2015, p. A-19) .

Depois de muito impasse, Maduro e Santos  aceitaram se encontrar em Quito , no dia 21 de setembro, com a participação dos mandatários do Equador e Uruguai para discutir a crise.

Apesar de o Uruguai estar na liderança da Unasul e de o Equador ter a presidência da Celac ( Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), neste momento, a Colômbia faz questão de ressaltar que a mediação está sendo feita pelos dois países e não pelos blocos.

Mais um redondo fracasso para a diplomacia brasileira. Sob orientação de Dilma Rousseff , o chanceler brasileiro Mauro Vieira, visitou Bogotá e Caracas, na companhia do colega argentino, Hector Timmerman, oferecendo apoio para uma possível mediação.

A presidente Dilma também conversou com telefone com Santos sobre uma possível solução para a crise.

Mas, o presidente colombiano sabe muito bem que Argentina e Brasil estão alinhados com a ditadura de Nicolás Maduro e por isso recusou  a participação brasileira e argentina, porque sabia muito bem que ela penderia em favor da Venezuela.

Diplomaticamente o governo colombiano disse que a proposta de mediação de Vázquez foi mais enfática.

Como a Unasul também é afinada com a Venezuela, a Colômbia não quer saber de Unasul. ( F S P , 18.09.2015, p. A-15).

Moradores do casario de Majayura, no município colombiano de Maicão, perto da fronteira com a Venezuela , denunciaram no dia 18 de setembro , a entrada de 15 integrantes da Guarda Nacional Bolivariana que teria atravessado a passagem de Paráguachón, fechada desde 7 de setembro , por ordem de Maduro, em perseguição a um indivíduo em uma moto.  ( F S P, 20.09.2015, p. A-17) .

A Venezuela se comprometeu no dia 28 de setembro a aceitar os 1.600 colombianos expulsos de volta, segundo anunciou a Unasul, após reunião entre Maduro e o secretário-geral da Unasul, Ernesto  Samper, as margens da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. ( F S P , 29.09.2015, p. A-13) .

Violação do espaço aéreo da Colômbia

 

O Ministério da Defesa da Colômbia afirmou no dia 13 de setembro que dois aviões militares venezuelanos violaram o espaço aéreo do país na tarde do sábado dia 12, no departamento de La Guajira.

 

“Inicialmente as duas aeronaves ingressaram 2,9 quilômetros dentro do espaço aéreo colombiano , sobrevoando a região de Majayura e seguindo em direção a Castilettes”

 

Depois as aeronaves sobrevoaram uma unidade militar do Exército colombiano em La Flor. A Colômbia pedirá explicações ao governo da Venezuela.

 

Os chanceleres dos dois países se reuniram em Quito no Equador no dia 12, mas não chegaram a um acordo sobre um eventual encontro entre Maduro e o presidente da Colômbia , Juan Manuel Santos. ( F S P , 14.09.2015, p. A-11) .

Segundo a Colômbia, no dia 13 de setembro ocorreu nova invasão do espaço aéreo do país por uma aeronave venezuelana que adentrou dez quilômetros no território, em zona de floresta a 723 km de Bogotá. A Força Aérea da Colômbia disse , porém, que o avião desviou de sua rota inicial por causa do mau tempo. ( F S P , 15.09.2015, p. A-12) .

Um caça venezuelano Sukhoi Su-30 com dois militares á bordo, caiu perto da fronteira com a Colômbia na noite do dia 17 após uma “aeronave ilícita” , supostamente ligada ao tráfico de drogas, entrar no espaço aéreo do país. ( F S P , 19.09.2015, p. A-17) .

 Maduro e Santos encontraram-se no dia 21 de setembro em Quito, no Equador , na residência do presidente equatoriano Rafael Correa, com a participação do presidente uruguaio, Tabaré Vasquez. ( F S P , 22.09.2015, p. A-11) .

 

Condenação de Leopoldo López – Conflito entre oposicionistas e chavistas

 

Simpatizantes do líder oposicionista Leopoldo López e chavistas entraram em conflito no dia 10 de setembro , diante de um tribunal em Caracas.

 

Os partidários de López protestavam na frente do edifício do Tribunal Supremo de Justiça , à espera do veredicto sobre López, ex-prefeito de Chacao , que  está injustamente preso desde  fevereiro de 2014.

 

Por volta do meio-dia, apoiadores do governo Maduro, alguns vestindo camisas vermelhas , aproximaram-se do local e começaram a gritar  que López é um “terrorista” e um “assassino”.

 

Alguns deles queimaram a bandeira cor de laranja do Partido do ex-prefeito , o Vontade Popular, a atiraram paus e garrafas contra a mulher de López, Lilian Tintori, que foi obrigada a entrar na sede do tribunal, escoltada por forcas policiais.

 

A polícia não evitou o confronto entre os manifestantes e pelo menos duas mulheres ficaram feridas. Pouco depois do início dos confrontos , um ativista do partido ,Horacio Blanco, de 66 anos  teve um infarto e morreu.

 

O Partido Vontade Popular culpou pela morte o presidente Nicolás Maduro  e a candidata ao Legislativo, Jacqueline  Faria, que convocou chavistas para que comparecessem ao tribunal e pedissem a condenação de López. ( F S P , 11.09.2015, p. A-19) .

 

O Tribunal condenou López a treze anos de prisão. A pena será cumprida na prisão de Ramo Verde, onde ele está detido desde fevereiro de 2014. ( Revista Veja, 16.09.2015, p. 34).

Medo de Maduro

Clóvis Rossi chuta o balde. Afirma que “ o Itamaraty tem medo da irracionalidade que caracteriza o governo de Nicolás  Maduro. Por isso mantém vergonhoso silêncio sobre a condenação do líder oposicionista Leopoldo López  e também evitar ser mais agudo na interferência na crise aberta pela Venezuela ao fechar a fronteira com a Colômbia”.

Rossi deixa claro que a condenação de López é uma violência. Ele convocou protestos pacíficos em fevereiro de 2014 , para tentar provocar “ La Salida”, ou seja a saída de Maduro, usando meios constitucionais como o referendo revogatório.

Foi preso e apenas depois de sua prisão é que os protestos tornara-se violentos  e levaram à morte de 43 pessoas e ele foi considerado terrorista por atos que ocorreram depois que ele estava preso e incomunicável.

Maduro é um ditador e tudo o que faz lembra uma ditadura . Controle total do Poder Judiciário , como mostra a condenação indecente de López, conflito de fronteira com Colômbia e reivindicações territoriais com a Guiana.  Tudo isso já é suficiente para a Venezuela ser expulsa do Mercosul por ferir a cláusula democrática do bloco, mas como Rossi afirma o Brasil tem  medo de Maduro. ( F S P , 17.09.2015, p. A-12) .

Eleições parlamentares de dezembro

 

O órgão eleitoral de Venezuela, o Conselho Nacional Eleitoral  anunciou no dia 17 de setembro que representantes da Unasul, poderão acompanhar o pleito  parlamentar no dia 6 de dezembro.

Mas a oposição considera que missões de acompanhamento são insuficientes e exige observadores com reais poderes de supervisão e capazes de emitir declarações críticas.

O representante brasileiro na comitiva será o magistrado Nelson Jobim, que foi ministro da Defesa, da Justiça e do Supremo Tribunal Federal dos governos Lula e Dilma e é pessoa com condições de fazer um efetivo acompanhamento das eleições. ( F S P , 18.09.2015, p. A-15).

Conflito com a Guiana.

 

O governo venezuelano enviou no dia 22 de setembro milhares de soldados à fronteira com a Guiana , aparentemente uma resposta de Caracas á recente ameaça do governo guianês de levar a disputa territorial sobre Essequibo à Corte Internacional de Justiça  por considerar esgotados os esforços de mediação da ONU.

O ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López , disse que  a mobilização é um “exercício d deslocamento operacional”.

Mas, o presidente da Guiana, David Granger, acusou Nicolás Maduro de “tomar um caminho perigoso em vez de buscar uma solução pacífica”. ( F s P , 23.09.2015, p. A-14) .


Fonte: Artigos Administradores / Capitalismo crise – Setembro de 2015

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