Cigarras e formigas modernas

Cigarras e formigas modernas

Como podemos interpretar, neste mundo tão cheio de possibilidades, a famosa fábula da cigarra e da formiga?

Você provavelmente conhece a fábula de La Fontaine sobre a cigarra que vive de prazer enquanto a formiga trabalha duro para suportar o inverno rigoroso. Será possível interpretá-la nos dias de hoje de forma tão maniqueísta? Penso que não. No mundo atual, não é mais plausível vivermos a realidade do “ou” – somos um pouco formiga e cigarra ao mesmo tempo. Salvo exceções, claro. Conheço pessoas que só conseguem trabalhar e a filha de uma amiga angustiada, aos 30 anos, é plena cigarra. Mas estes não são a regra.

Estou atualmente no meu momento “cigarra responsável”, após décadas incorporando muito mais a formiga. Uma formiga viajadeira, é verdade. Alada, mas sempre com os pés no chão. Trabalho duro há mais de 30 anos. Perdi a conta das vezes em que viajei durante a noite para trabalhar no dia seguinte, entre outros malabarismos que fiz para proporcionar uma sobrevivência digna. Acumulei atividades e responsabilidades com o prazer inerente aos que constroem algo com significado maior: dar o máximo de oportunidades à família.

Hoje meus filhos estão criados. Ambos independentes, bem sucedidos nas suas escolhas pessoais e profissionais, felizes com a vida, viajando pelo mundo e me presenteando com algo que dinheiro nenhum pode comprar: a sensação do dever cumprido!

Aí pensei: tenho uma carreira estruturada, algum patrimônio para dar segurança, enxergo felicidade nas coisas simples da vida e já vivi 2/3 do tempo provável que me será concedido por Deus. Não está na hora de agradecer à formiga e incorporar a cigarra?

Como escrevi no início, não uma cigarra plena, mas responsável. Até porque amo meu trabalho. Mas me presenteando com mais tempo livre, escolhendo o que fazer e, principalmente, o que não quero fazer. Simplificando, desapegando, viajando mais, me aproximando só do que agrega.

Assim como as cigarras, cantando ao cair da tarde pela alegria de ter vivido mais um dia!

 


Fonte: Artigos Administradores / Cigarras e formigas modernas

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