Clube da Luluzinha – Empreendedorismo e negócios fora de série

Clube da Luluzinha – Empreendedorismo e negócios fora de série

O clube do “menina não entra” evoluiu, as meninas entraram, não gostaram e agora estão criando seus próprios clubes

Os personagens Bolinha e Luluzinha, da cartunista Marjorie Henderson Buell, já completaram 80 anos desde a sua primeira aparição como tirinha do jornal Saturday Evening Post, só que o clube do “menina não entra” evoluiu, as meninas entraram, não gostaram e agora estão criando seus próprios clubes.

Mulheres vendem, consomem e empreendem de forma diferente e por isso vem ganhando um mercado específico, o de clubes fechados, onde negociam, trocam experiências e avaliam novos produtos diretamente “de mulher para mulher”, além de incentivar o networking promover o empoderamento da mulher para empreender ou galgar altas posições de direção nas empresas. 

O americano Michael Silverstein, líder da área de consumo da Boston Consulting Group (BCG), estuda o perfil de consumo das mulheres em todo o mundo há mais de dez anos e num estudo feito com 21 mil mulheres nos Estados Unidos mostrou que elas controlam ou influenciam 70% dos gastos de consumo da família. Ele complementa que apesar dos homens adquirem os produtos mais caros segundo a pesquisa, eles são mais conservadores e acabam comprando o mesmo tipo de produto quando o antigo fica velho. Já as mulheres sempre querem novidades.

Outra diferença de gênero no consumo levantada por Silverstein é o alcance da divulgação de uma experiência de consumo, seja boa ou ruim. Segundo ele, uma cliente satisfeita conta a dez amigas a sua experiência e quando descontente chega a falar para mais de 100 pessoas. Já os homens como são menos comunicativos e têm menos amigos, a experiência é muito menos divulgada, seja boa ou ruim.

No Brasil, a realidade é muito próxima também, a pesquisa “Tempo de mulher” feita pelo instituto Data Popular indicou o alto controle e influência de compra das mulheres, apontou que 86% das esposas decidem as compras feitas no supermercado, 79% escolhem o destino de férias das famílias, 58% definem o modelo e a marca do carro e 53% estabelecem que computador será comprado para a casa.

Além da alta participação nas compras, o mercado das compradoras femininas tem ganhado cada vez mais participação do comércio eletrônico e ambiente digital. Relatório Connected Life da TNS que entrevistou 963 pessoas em todo o Brasil identificou que as mulheres brasileiras gastam mais tempo em aparelhos como celular, tablets e computadores do que os homens. Na análise da TNS, as mulheres gastam 3 horas e 48 minutos no celular enquanto os homens, 3 horas e seis minutos.

O estudo da Forrester Research sobre o comércio eletrônico, realizado a pedido do MercadoLivre com mil mulheres e mil homens nas regiões metropolitanas do Brasil, contatou também que as mulheres vêm comprando online em um ritmo mais acelerado do que os homens. De 2011 a 2014, o percentual de mulheres que compram online passou de 56% para 67%; enquanto o percentual de homens se manteve estável no período, com 65%.

Segundo o estudo, os produtos mais comprados pelas mulheres são os livros (33%), seguidos por Moda (32%), Sapatos (30%) e, empatados, cosméticos e computadores e periféricos (ambos com 26%). No caso dos homens, eles compram muito mais eletrônicos (39%), computadores (33%) e sapatos (24%).

As diferenças entre os hábitos de consumo de homens e mulheres pode ser explicada pelos processos cerebrais segundo o consultor em biologia do comportamento do consumidor Pedro Camargo, que afirma que “a mulher se comunica mais e tem mais empatia com o outro na hora da compra, então normalmente acaba criando uma relação com o vendedor antes de se decidir por uma compra – o que, muitas vezes, faz até com que ela compre algo de que não precisa”. O homem diferentemente, quer apenas cumprir aquela obrigação da compra rapidamente, com mais objetividade.

As empresas têm investido em neuromarketing para usar técnicas para “enganar o cérebro” e fazer o cliente gastar mais. Para o público feminino, por exemplo, numa loja de lingeries, segue algumas técnicas utilizadas:

  • Perfumar o ambiente e deixar músicas agradáveis porque ajuda a trazer lembranças e deixa o consumidor mais emotivo.
  • Utilizar formato curto do preço e com letras pequenas porque faz parecer que o valor é menor.
  • Usar iluminação indireta para que a cliente enxergue menos detalhes do corpo, ficando mais satisfeita com a lingerie e acaba comprando.
  • Ter provadores mais amplos, que deixem a mulher mais à vontade, isso faz com que ela passe mais tempo experimentando peças, o que aumenta as chances de compra.
  • Criar um sentimento de perda com anúncios do tipo “últimas peças” para promover itens, deixando a mulher pelo menos com vontade de dar “uma olhadinha” porque pode não ver mais novamente.
  • Gerar empatia entre as mulheres por meio de depoimentos reais de mulheres que já usaram o produto, descrevendo sensações e resultados.

Apesar das mulheres estarem cada vez mais se destacando em altos cargos executivos e empreendendo em diversos mercados, segundo pesquisa do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), elas fazem pouco networking as principais barreiras são o constrangimento de ser minoria, o tempo restrito para frequentar reuniões pós-expediente, happy hours e eventos por causa da família e tarefas domésticas, além do medo de ser mal interpretada, de deixar clara a intenção puramente profissional e estabelecer limites para as relações de trabalho.

Entendendo as necessidades específicas das mulheres e aliando a um conceito de networking feminino, “de mulher para mulher”, surgem os clubes de empreendedorismo que vem despontando como ótimas ferramentas para compra e venda de produtos/serviços, troca de experiências e vínculos, além de networking, capacitação e empoderamento da mulher no mercado de trabalho e nas altas posições de direção nas empresas.

O Clube da Alice (http://clubedaalice.com.br/) começou em outubro de 2014 em Curitiba-PR com a produtora de eventos Monica Balestieri Berlitz e mais outras amigas de profissões diversas para fortalecer relações comerciais e vínculos de apoio mútuo com convivência por meio de troca de experiências. São perguntas, dúvidas, sugestão de fornecedoras, notícias e troca de informações. Os posts podem ser feitos por qualquer Alice e são moderados utilizando princípios básicos de educação, respeito e bom senso. É um grupo fechado de mulheres, onde cada integrante pode adicionar novas amigas, que são submetidas à aprovação das mediadoras do grupo. Nos primeiros seis meses tinham pouco mais de duas mil mulheres no Clube da Alice e até 14 de janeiro de 2016 já tinha ultrapassado a marca de mais de 86 mil Alices.

O grupo Maternarum (http://maternarum.com.br/) é uma rede de mães empreendedoras cuja missão é “Empoderar mães a empreenderem de forma colaborativa, fazendo de seus negócios não só uma fonte de renda, mas uma forma de promoção da igualdade de gênero e da maternidade ativa.” São feitos eventos para divulgação dos produtos/serviços comercializados pelas mulheres do grupo e também são feitas divulgações de artigos e dicas para as mães empreendedoras. O grupo Maezissima (http://www.maezissima.com.br/) foca em jornalismo materno, entretenimento de mães e filhos, e promove eventos para divulgação e produtos/serviços de mães empreendedoras, além da venda de e-books.

O Banco Itaú tem um projeto específico para mulheres empreendedoras (https://www.imulherempreendedora.com.br/) que tem como objetivo promover o desenvolvimento do Brasil apoiando mulheres que transformam a sociedade. Promove rodadas de negócios específicas para mulheres empreendedoras, em diversas capitais do Brasil, além de ferramentas de capacitação e vídeos de empreendedoras e programas de mentoria online e cursos presenciais só para mulheres.

O Jogo de Damas (http://www.jogodedamas.me/) é uma iniciativa da gaúcha Deb Xavier e promove o empoderamento econômico e profissional feminino pela disseminação de conteúdo e informação por meio de plataforma online, eventos, workshops e programa de mentoria para mulheres empreendedoras. Ao longo de quase quatro anos de atuação o Jogo de Damas esteve presente em quatro regiões brasileiras e teve mais de 350 mil mulheres impactadas.

O BPW – Business Professional Women (http://bpwbrasil.org/ ) é uma ONG que possui unidades em diversos países e é composto por mulheres executivas e empreendedoras que buscam o desenvolvimento da mulher na sociedade por meio de networking, capacitação e mentoreamento. No Brasil possui regionais nas principais capitais e em 2015 lançou o selo “Woman Company Partner” que visa certificar as empresas que cumprem um dos desdobramentos do princípio número 1 do Pacto Global da ONU, que é a igualdade de direitos de gênero e a valorização dos negócios da mulher.

O Espaço Mulheres Executivas – MEX Brasil (http://www.espacomulheresexecutivas.com/) tem unidades em Curitiba-PR e Joinville-SC e tem como missão “Articular Mulheres Executivas e Empreendedoras, que exercem cargos diretivos e de gestão, visando o desenvolvimento profissional e o fortalecimento das relações empresariais”. São feitas reuniões mensais desde 2006 e é estimulado o networking e troca de experiências entre as mulheres, e incentivado práticas que facilitem a entrada, permanência e crescimento das mulheres no mercado de trabalho.


Fonte: Artigos Administradores / Clube da Luluzinha – Empreendedorismo e negócios fora de série

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