Coisas que já aconteceram, mas não percebemos, como a quantidade de movimento na física

Coisas que já aconteceram, mas não percebemos, como a quantidade de movimento na física

Quem é especialista em tendências acaba percebendo antecipadamente as sutilezas dos acontecimentos que estão no seu ponto de início, ou, ao contrário, que já morreram, mas ainda tem aquela inércia causada pela sua relevância, análoga à massa na quantidade de movimento, que com sua aceleração e mesmo já não tendo forças motoras, ainda se desloca

Quem é especialista em tendências acaba percebendo antecipadamente as sutilezas dos acontecimentos que estão no seu ponto de início, ou, ao contrário, que já morreram, mas ainda tem aquela inércia causada pela sua relevância, análoga à massa na quantidade de movimento, que com sua aceleração e mesmo já não tendo forças motoras, ainda se desloca.

À nossa volta existem coisas que são tão óbvias quanto este tipo de desaceleração da quantidade de movimento, como o telefone fixo, em contrapartida aos telefones móveis, ou os táxis, em contrapartida aos sistemas como o Uber. E tem coisas menos óbvias, como o bipardidarismo político, que dominou a cena ocidental no último século, mas que está também em processo de extinção, por isso políticos espertos estão fazendo candidaturas independentes (onde isso já é possível), o que é bom para a democracia (apesar de que esta também tem os dias contados, pois têm muitos populistas e pouca gente com méritos a oferecer).

Podemos observar que tudo o que acontece nas artes costuma ser pioneiro e acaba sendo copiado por outras facetas do sistema, é natural, pois arte é vanguarda. Então a cauda longa (conceito criado por Chris Anderson na revista Wired e posteriormente transformado em livro), faz cada vez mais sentido. Ela (a cauda longa) começou a dissolver as hegemonias da arte massiva (música, literatura, artes visuais, etc.) em milhares de fragmentos, com muitas opções de consumo, numa curva exponencial invertida na horizontal (por isso o termo cauda longa).

Agora isso também começa a acontecer nas áreas mais tradicionais, menos dinâmicas, como produtos, serviços, política, esportes, etc. O nome sintético disso é complexidade, muito mais gente vivendo e escolhendo muito mais coisas, ao invés de uma “onda”, ou “moda”, muito mais gente sendo gente, e não “massa”, que era o termo da economia de consumo até pouco tempo.

Quando falamos de complexidade fica até difícil “cercar” o raciocínio através da linguagem tradicional, como neste caso agora, através da escrita deste texto. Isso porque temos que ir além da superfície, mergulhar para perceber e interpretar, se tivermos preguiça ou desinteresse, não chegamos lá.

Se observarmos o gráfico da cauda longa, fica fácil perceber o volume que ocupa a “massa”, mas quando distribuímos isso num universo maior (linha horizontal), mais extenso e complexo, os volumes parecem desprezíveis, mas atenção, isso é um erro, porque tudo o que acontecerá daqui para a frente será resultado da somatória destas pequenas áreas, elas é que indicarão as tendências, elas é que indicarão o futuro.

É por isso que muita gente diz hoje que não consegue fazer previsões nas áreas em que atuam, elas estão baseadas em modelos antigos, na quantidade de movimento das “massas”, que tendem à extinção, estagnação, fim da sua dinâmica.

Até os espertalhões que faturam como gurus estão em risco, se não aprofundarem seus conhecimentos irão falar para meia dúzia de espectadores, porque não agregam complexidade suficiente para atrair os vários segmentos da cauda longa, tornando-se simplistas, desinteressantes e pouco valorizados. Já faz algum tempo que um generalista só tem valor após passar por alguma fase como especialista, pois só como generalista tende ao vazio de conteúdo, não tem alicerces significativos, não tem onde se agarrar, é apenas mais um surfista das oportunidades, pode até se dar bem, mas por pouco tempo.

Partindo de outro ponto de vista, o do aumento do ócio, já que o emprego tende à extinção (ver textos meus sobre robôs, desemprego, etc.), percebemos também que isso colabora para a valorização da cauda longa, uma vez que sua linha de frente é a vanguarda das artes, que tem a ver com o ócio, onde as pessoas fazem escolhas mais personalizadas, menos massificadas. Assim, por exemplo, podemos assim notar como os meios de comunicação definham, até suplicam verbas para continuarem vivos. Infelizmente isso não tem retorno, por isso, com o passar do tempo, jornais e posteriormente canais abertos de televisão se tornarão inviáveis financeiramente, só sobreviverão com base em trabalho voluntariado (acredito que em 10, no máximo, isso aconteça).

Bem, se eu ficar aqui apontando outros pontos de vista isso vira logo uma tese, mas a intenção é apenas o despertar do leitor para a somatória das tendências não massificadas, que identifico com muito prazer e ao mesmo tempo com muita gestão das ansiedades, esperando que se verifiquem.


Fonte: Artigos Administradores / Coisas que já aconteceram, mas não percebemos, como a quantidade de movimento na física

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