Comércio Exterior: melhor planejar que remediar

Comércio Exterior: melhor planejar que remediar

Torna-se importante conhecer certos elementos que permitem construir um bom planejamento frente às situações envolvendo o comércio exterior. E é o conhecimento desses elementos o ponto de partida à empresa que deseja conquistar o mundo além das fronteiras

Imagine receber um convite para participar daquela e tão esperada entrevista de emprego. É certo de que preparação e cuidado a mais para chegar lá e mostrar todo o seu potencial não vão faltar. Também não vão faltar outros candidatos como o mesmo espírito e vontade de ocupar essa vaga. O que se pode perceber, porém, em comum entre você e os demais candidatos é o propósito, ou seja, cada um sabe para que e o porquê de estarem ali. Até aí muito simples e nenhuma novidade.

Isso não quer dizer que todos se prepararam com a mesma intensidade; uns mais, outros menos. Se traduzirmos essa preparação em planejamento, veremos que uns planejaram melhor o caminho não tão somente para a entrevista, mas para ocupar a vaga – o propósito maior. Não se iluda depositando todas as fichas no planejamento como sendo a garantia de sucesso. Ele é apenas o caminho. E um bom caminho; diga-se de passagem.

Se, por um lado, as pessoas tendem a se preparem melhor para algo que lhes tem significado. Por outro, no entanto, pode se perceber ainda um grande desafio para as empresas que desejam operar no comércio exterior criar o real significado dessa atividade para todos os envolvidos, desde o chão de fábrica até mesmo entre os fornecedores e parceiros de negócio.

Por isso, se torna importante conhecer certos elementos que permitem construir um bom planejamento frente às situações envolvendo o comércio exterior. E é o conhecimento desses elementos o ponto de partida à empresa que deseja conquistar o mundo além das fronteiras.

1º Elemento: Empresa mais globalizada = empresa mais preparada

Empresa globalizada não é somente aquela que tem filiais espalhadas pelo mundo afora, mas aquela que ensina as pessoas o espírito da globalização. Mostrar a um colaborador que o fruto do trabalho dele será apreciado por alguém que está do outro lado do mundo é dá-lo a oportunidade de vivenciar o mesmo prazer. Isso dá um novo significado para aquilo que a pessoa faz de tal modo que não é o fazer por fazer, mas o fazer com um cuidado a mais.

Logicamente, a empresa globalizada não pode olhar somente para dentro. Até mesmo perderia o sentido de ser globalizada. Parte-se de dentro, da restruturação dos processos e da infraestrutura, da inovação constante e, de forma consciente, da mudança cultural frente ao mundo.  Agora sim, pode se buscar valores globais, pois a empresa está conscientemente globalizada.

2º Elemento: Empresa por necessidade ≠ Empresa por oportunidade

O espirito empreendedor do brasileiro de transformar necessidades em oportunidades tem feito o Brasil figurar entre os países mais empreendedores do mundo, segundo pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor – GEM, em 2013. De fato, algo para se comemorar, ainda mais que 71,3% dos empreendedores decidiram empreender por oportunidade, contra 28,7% por necessidade.

Em outras palavras, a empresa por oportunidade não é tão somente aquela que começou com o pé direito, com altos investimentos, com os melhores profissionais ou com toda infraestrutura esperada. Na realidade, a empresa por oportunidade é aquela que aprende a reconhecer as possibilidades geradas pelo próprio negócio e, sem dúvida, por enxergar além dos próprios limites estruturais ou geográficos, sabe como abraçar as oportunidades que, não diferente, batem, diariamente, à porta de várias empresas.

3º Elemento: Demanda Interna  ≠ Demanda Externa

Quantos produtos nacionais são sinônimos de sucesso no mercado brasileiro, ao ponto de muitos deles gerarem nas pessoas a certeza de que a marca é o produto de fato (Bombril é marca, não o produto, por exemplo). Isso não significa, contudo, que esses produtos quando comercializados em outros países terão o mesmo sucesso de vendas.

Daí surge uma regra universal a de conhecer quem realmente é o cliente e quais são suas características e preferências. A percepção do árabe é diferente do japonês, que por sua vez é diferente do italiano e por aí vai. Não quer dizer que o árabe seja mais exigente quando comparado com o japonês ou vice-versa. Falamos, portanto, de “mundos” diferentes que requerem sempre um cuidado a mais. São mais que detalhes a serem observados, são particularidades que tornam único cada país.

4º Elemento: Procedimentos Internos  ≠ Procedimentos Externos

Quando uma empresa decide operar no comércio exterior, apenas a vontade e o entusiasmo não são suficientes por si só. É preciso entender “como fazer” o processo acontecer. É a partir desse entendimento que a empresa irá se preparar para atender não tão somente as exigências do governo brasileiro, mas também do governo do outro país. Não se trata agora, por exemplo, da venda de um produto qualquer de um estado brasileiro para outro. Estamos tratando da venda de um produto do Brasil para outro país.

A empresa deve desassociar procedimentos praticados em uma venda ou compra dentro do mercado brasileiro, com uma venda ou compra no mercado externo. São procedimentos totalmente distintos. A falta desse entendimento resulta em enquadramentos equivocados quanto ao produto e ao tratamento tributário, fiscal e administrativo aplicável.

A construção desses elementos no planejamento estratégico ou na aplicação contínua nas atividades de comércio exterior oferece subsídios indispensáveis à empresa ser mais competitiva no mercado internacional.

REFERENCIA:

  1. http://exame.abril.com.br/pme/album-de-fotos/os-15-paises-mais-empreendedores-do-mundo. Acesso em 20 Ago 2014.


Fonte: Artigos Administradores / Comércio Exterior: melhor planejar que remediar

Os comentários estão fechados.