Comissão do impeachment, modus operandi de guerrilha e o conto do papagaio

Comissão do impeachment, modus operandi de guerrilha e o conto do papagaio

Agora há pouco, terminou mais uma sessão da comissão do Senado que trata do impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

 

Mais do que uma sessão, o que se observou foi uma aula de Direito Financeiro ministrada pelos convidados Fábio Medina, Júlio Marcelo de Oliveira e José Maurício Conti, daquelas que vale cada centavo pago ao longo de 5 anos de graduação em Direito. Em seus relatos, os 3 convidados da comissão expuseram e evidenciaram de maneira clara, objetiva e precisa o crime de responsabilidade do qual Dilma é acusada, bem como os efeitos perniciosos das “pedaladas fiscais” para a economia do Brasil.

 

O ponto negativo da sessão foram as estratégias rasteiras da tropa de choque lulopetista na comissão do impeachment: valendo-se da costumeira falta de educação e do desequilíbrio emocional típico de quem sabe que o jogo está praticamente perdido para o governo, os senadores governistas buscaram impedir que os 3 convidados supracitados desenvolvessem suas explanações e linhas de raciocínio para explicar o crime de responsabilidade do qual Dilma é acusada e o nexo de causalidade existente entre a prática de tal crime e o desequilíbrio fiscal que potencializou os efeitos da crise pela qual o país passa.

 

Contudo, a competência técnica de Fábio Medina, Júlio Marcelo e José Maurício prevaleceu sobre as trevas da ignorância e desconstruiu as estratégias desesperadas dos senadores governistas. Em vista disso, não só ficou mais claro aos senadores que integram a comissão o crime de responsabilidade do qual Dilma é acusada, mas também ficou claro aos espectadores que assistiram a sessão que a tal “contabilidade criativa” só tem de criativa a forma de colocar o Brasil na atual crise econômica.

 

Além das estratégias rasteiras, a tropa de choque do governo, na tentativa de eximir a responsabilidade de Dilma acerca das tais pedaladas fiscais e da edição de decretos de abertura de créditos suplementares sem a respectiva autorização legislativa, buscou emplacar o dircurso de que as decisões tomadas pela Presidente sempre foram embasadas em estudos e pareceres de servidores públicos de carreira.

 

Ora, essa alegação de que servidores públicos subsidiaram as decisões da Presidente não exime a responsabilidade dela acerca do que ela decidiu. Afinal de contas, e desde que motivadamente, o gestor público detém a prerrogativa de não concordar com as análises de seu corpo técnico. Entretanto, tal gestor deve possuir a competência técnico-gerencial necessária para exercer plenamente essa prerrogativa. Caso contrário, a falta de competência o levará a uma tomada de decisão temerária.

 

Portanto, imputar ao corpo técnico a responsabilidade pela decisão que o gestor público tomou é similar à situação em que se busca imputar ao fabricante da arma a responsabilidade pelas vítimas dos disparos do assassino.

 

Ademais, e considerando a estratégia de guerrilha de “dividir para conquistar” adotada pelo lulopetismo ao longo destes 14 anos de governo, nota-se na Administração Pública federal que atualmente existem três grupos de agentes públicos:

 

  1. Os apaniguados (também conhecidos como “jabutis”) → os que são indicados pelo grupo que está à frente do poder na Administração Pública, com a missão de assegurar as “entregas” de interesse de quem dirige a máquina pública;
  2. Os carreiristas → grupo de servidores sem orientação político-ideológica definida, de moral duvidosa, que “dançam conforme a música” e se submetem aos desígnios do “andar de cima” em troca de cargos e demais regalias que denotem status e poder aos olhos de quem vê; e
  3. Os idealistas → agentes públicos de carreira que buscam no Serviço Público a oportunidade de bem servir a sociedade, segundo os princípios que regem a boa administração pública. Geralmente, tal grupo de servidores estão na base da pirâmide, tendo o seu trabalho e seu valor, muitas vezes, diminuído e desmerecido pelos apaniguados e carreiristas. Além disso, os idealistas também costumam ser estigmatizados e relegados ao ostracismo, isso quando não se tornam “alvos” de processos administrativos disciplinares e de investigações de conduta ética com o propósito tão somente de intimidá-los e conformá-los ao status quo.

 

À luz do exposto, ficam os parabéns à aula ministrada por Fábio, Júlio e José Maurício na sessão de hoje na comissão do impeachment de Dilma, repudia-se as estratégias rasteiras que a tropa de choque do governo vem empregando para descontruir a integridade e a honra de seus adversários, ainda que estes apenas não apoiem o governo, e fica o desejo de que o Senado dê logo um fim à letargia desse desgoverno que afunda o país cada vez mais num abismo econômico, social e moral.

 

Um forte abraço a todos, sobretudo aos irmãos de missão e de fé, e fiquem com Deus!

 

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Fonte: Artigos Administradores / Comissão do impeachment, modus operandi de guerrilha e o conto do papagaio

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