Como a corrida (e um exemplo) podem te tornar um profissional melhor

Como a corrida (e um exemplo) podem te tornar um profissional melhor

Como a eterna busca pela excelência profissional pode ser auxiliada pelo esporte ou demais atividades não relacionadas. O quanto uma atividade paralela, exemplos de terceiros e automotivação podem alavancar a sua carreira profissional e tirar da inércia talentos não aproveitados

Se você nunca sofreu com a falta de motivação, se está sempre rendendo o máximo possível no seu trabalho ou se sua cabeça dificilmente é habitada pelo desânimo, talvez este texto não seja para você.

No meu caso, fui apresentado ao atletismo da forma mais casual possível, em uma época em que trabalhava 16 horas por dia na controladoria de uma grande S/A beirando os meus 95kgs. Neste momento a corrida surgiu como a possibilidade de emagrecer e retornar aos meus 75Kg habituais, porém eu não imaginava que poderia alcançar muito mais do que alguns quilos a menos…. Medíocre por hábito, eu nunca achava válido atingir resultados melhores mediante um esforço além do normal, na verdade termos como “normal”, “habitual” e “cômodo” eram rotineiros na minha vida (entenda Acadêmica, Profissional e Social). Em geral, a vida já era cansativa demais para que eu julgasse válido um esforço a mais.

De repente, pouco a pouco, os quilos foram embora conforme chegavam as primeiras corridas e um misto de satisfação e orgulho me invadiam. Na vida profissional repercutia uma nova animação, uma disposição extra, porém até aí tudo dentro da normalidade, pois todos diziam que a equação casava em todos os casos sem mistério algum, fazendo até certo sentido:

“Kms percorridos” + “Kgs perdidos” = “Qualidade de vida” 

Entretanto, a equação sofreria com a chegada de um novo termo. A relação da minha vida com a corrida deixaria de ser uma ciência exata e toda a minha existência passaria a adquirir uma emoção a mais depois que conheci um certo louco… um louco que viu na corrida a oportunidade de revolucionar seu ambiente e seu tempo, um louco chamado Steven Roland Prefontaine.

Para quem não conhece (vale, não só a pesquisa no “wikipedia”, mas também os dois filmes gravados sobre a sua vida), Prefontaine foi um atleta norte americano que, apesar de não ganhar a única olímpiada em que participou, marcou o esporte com a sua inovadora forma de pensar. Seu foco sempre esteve no esforço e nunca no resultado em si. Para ele a vitória deveria ser uma consequência do esforço máximo, nenhuma vitória fácil merecia glória. A questão é, o que um atleta que morreu em meados dos anos 70 (1975 para ser mais exato) aos 24 anos e que nunca foi campeão olímpico fez para impactar tanto a minha vida? A verdade é que Prefontaine, diretamente dos anos 70, me mostrou o quão medíocre eu estava sendo escondido atrás do rótulo de “Geração Y”, eclipsando o verdadeiro brilho que a minha carreira poderia reluzir. Seu conceito de valorização do esforço perturbou meus planos (em pleno ano de 2015) tanto quanto o esporte na década de 70, na verdade o exemplo de perfeccionismo e dedicação imposto por ele, para mim, foi quase tão esmagador quanto todos os seus recordes no esporte naquela época e olha que vale lembrar que alguns de seus feitos só foram superados há pouco tempo atrás. 

De repente o meu nível de entusiasmo atingiu um pico nunca experimentado, as corridas foram aumentando, vieram as competições de 5Km, as meias de 21Km, a primeira maratona, o título de campeão nos 5.000m em uma competição universitária, tudo isso em paralelo com uma melhora perceptível na vida profissional e acadêmica, com direito a promoções e um artigo publicado. Hoje, concilio ultramaratonas com um emprego igualmente desafiador e um MBA exaustivo com a certeza de que posso ainda mais. Se falta tempo, sem dúvida não falta vontade e criatividade para conciliar tudo. 

O legado deixado por Prefontaine é que assim como ele se mostrou um legítimo, porém breve, esboço de espécime da Geração Y, nós (jovens de hoje) podemos ilustrar verdadeiros exemplos de mediocridade e conformismo em plena era dos inconformados. Independente de época, cenários econômicos/políticos e até de qualquer rótulo que a sociedade te atribua, cabe a você (e somente a você) decidir que postura e posicionamento em relação ao restante de sua vida você terá, mas tenha sempre em mente um dos mais icônicos conselhos do velho “Pre”: “Dar menos que o seu melhor é sacrificar o seu dom”.

 


Fonte: Artigos Administradores / Como a corrida (e um exemplo) podem te tornar um profissional melhor

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