Como lidar com momentos difíceis na carreira

Como lidar com momentos difíceis na carreira

Saiba como enfrentar ocasiões complexas e não deixar as mesmas interromperem suas finalidades e desejos

Nascida em 8 de dezembro de 1894 na pequena Vila Viçosa, região do Alentejo, a portuguesa Florbela Espanca é dona de uma coleção incrível de poesias que faz jus ao seu notável reconhecimento no universo literário mundial. A poetisa e contista de letras insuperáveis alcançou o topo áureo de sua profissão, influenciando milhares de pessoas pelo seu talento, carisma, engenho, dom e absoluto brilhantismo.

A charmosa donzela de gênio fortíssimo e indomável coração sofreu demasiadamente ao longo de sua existência e herdou muitas cicatrizes e marcas que a acompanharam até a sua prematura e melancólica morte em 8 de dezembro de 1930 – no dia do seu aniversário de 36 anos -.

Flor Bela Lobo teve pouquíssimo tempo para tocar a alma dos seus semelhantes, todavia em nada ficou devendo em matéria de competência e criatividade, porquanto foi uma artista completa: dessas que o planeta jamais poderá substituir.

Criada por seu pai, João Maria Espanca e sua madrasta Mariana do Carmo Toscano (que era estéril), Flor foi concebida fora dessa união conjugal, pois seu progenitor queria ter filhos legítimos a todo custo. Deste modo, João coabitou com Antónia da Conceição Lobo para tê-la, contudo, não a assumiu junto ao cartório da época, executando tardiamente seu registro.

Após conviver com esse insensato e néscio gerador, Bela passou a dedicar-se aos estudos e descobriu rapidamente suas notáveis habilidades e aptidões para a escrita. Quando seu cosmo ascendia como a cegante luz do sol, ela recebeu uma triste e funesta noticia: a precipitada morte de sua amada mãe. Então, com meros 14 anos de idade ela teve que ter maturidade suficiente para se desvencilhar desse tormentoso pesadelo e seguir em frente, como uma brava guerreira. E foi exatamente isso que ela fez: arregaçou as mangas, continuou no jogo e no ano de 1913 se casou com um jovem que conhecera no colégio, seu nome era Alberto Moutinho.

Ao lado do seu novo companheiro, Espanca buscou manter a chama de suas aspirações acesa com muita determinação, arrojo e afoiteza. No entanto, a atmosfera do ninho estava longe de ser próspera, dado que numerosas adversidades econômicas afligiam o casal. E como se não bastassem às dificuldades econômicas, as retaliações e perseguições de uma sociedade preconceituosa contra a mulher e os múltiplos obstáculos para finalizar seus estudos, a “azarada” Bela ainda teve que encarar uma dura e perversa realidade: o aborto involuntário do seu primeiro filho.

Depois de aglutinar tantas intensidades caóticas, Florbela foi tomada por uma profunda depressão que a fez esmorecer e desfazer seu recentíssimo matrimônio, ficando solitária junto a sua perniciosa e nefasta doença. Todavia, como boa portuguesa, Espanca não desistiu dos seus sonhos e resolveu encarar seus embaraços de frente: respondendo a supracitada insipiência social com muito trabalho e dedicação e solapando sua enfermidade psíquica por intermédio de uma inexorável vontade de viver.

Reerguida e com novas energias, tocou seu ofício com maestria e casou-se outra vez no ano de 1921, com António Guimarães, que pertencia a Guarda Republicana. O costumeiro vendaval parecia ter deixado de rondar o habitat de Flor por um justo período, mas infelizmente, essa paz não perdurou por muito tempo e para desespero de todos, o ominoso quinhão malignamente retornou e dois anos depois de ter subido ao altar, Bela sofreu inacreditavelmente seu segundo aborto.

Novamente, o espírito da angústia se fez presente e Espanca desfez sua aliança conjugal, ficando sozinha outra vez por conta de sua compreensível e irremediável doença – a iníqua depressão. Alguns meses no futuro, depois de duelar contra os macabros fantasmas que assolavam sua desfragmentada consciência, a dama foi finalmente agraciada pelos deuses: conheceu um caridoso homem chamado Mário Lage, que era médico e cuidou carinhosamente de suas fragilidades, dando conforto, segurança e estabilidade para o seu machucado e castigado coração.

Assim, a delicada moça, que viveu longe do seio de sua mãe (e depois a viu morrer), que ouviu muitos “NÃOS” da comunidade arrogante e inculta que a cercava, que teve seus relacionamentos destituídos e destroçados por forças externas que esmagaram simultaneamente seus descendentes, ainda teve a ironia endiabrada de suportar paralelamente a maior de todas as suas derrocadas existenciais: a morte calamitosa de Apeles, seu amado irmão, em um macabro e desastroso acidente de avião.

Por engolir essas enfadonhas toxinas desde a meninice e amargar sucessivas negativações, a inquieta, doce e inteligentíssima escritora de singulares traços se despedaçou intrinsecamente ao ponto de ver a morte como a única solução para os seus múltiplos e infinitos problemas. E no seu 36° aniversário, ela convocou os amigos mais próximos, os recebeu como nunca antes havia recebido e surpreendentemente tirou a própria vida, transformando uma regozijante confraternização em um lúgubre e lutuoso funeral.

Foi desta inaceitável forma que acabou a história da criadora dos maravilhosos Livros: Mágoas, Sóror Saudade, Charneca em Flor, Juvenília e Reliquiae. Como admirador de suas formidáveis produções, tenho particularmente – e paradoxalmente – uma alegria e uma frustração: alegro-me porque aprendi com Florbela que podemos tornar as palavras verdadeiras se acreditarmos que elas são tão reais quanto os acontecimentos que nos cercam, e frustação por notar a crueldade do destino para com uma princesa que só veio a Terra para nos ensinar afetuosidade, amorosidade, delicadeza, ternura e suavidade.

O que o verídico conto de Florbela tem haver com administração?

Resolvi descortinar o dramático diário de Florbela Espanca por uma razão muito óbvia. É que apesar de passar por muitas tribulações em vida, ela foi uma inigualável vencedora, uma vez que marcou seu nome na história da humanidade e mais ainda do que isso: compartilhou fatos reais com suprema sinceridade e brandura.

Como administrador, vejo que muitos profissionais se perdem quando confrontam adversidades e embromações. Na realidade, a principal qualidade de um integrante do mercado não é seu Q.I, sua formação, sua bagagem acumulada e tampouco suas habilidades relacionais, mas sim sua capacidade de resistir aos cenários caóticos e demoníacos que surgem em sua vasta rede sensorial.

Veja o exemplo de Flor: ela teve que matar monstros a todo o tempo e mesmo assim não perdeu sua simpatia, fraternidade e vontade de apossar, mostrando que podemos usar os problemas a nosso favor se agirmos com inteligência, valentia, sensatez e tenacidade. No livro “Vencedoras por Opção”, de Jim Collins, aprendi que a criatividade existe para ser usada nos momentos de insegurança, imprevisibilidade e mais: ela consiste não só em enxergar os espinhos como oportunidades, mas principalmente como formas de aplicação empírica, ou seja, como itens onde o líder insere suas vivências e experiências para lograr êxito. Em outras palavras, todas às vezes em que um gestor se deparar com uma complexidade administrativa, ele deve basear-se em fatos coerentes e coesos para interpretar o ambiente e posteriormente prover ações assertivas baseadas nesse científico senso.

Logicamente, muitas tragédias corporativas podem ser diminuídas/eliminadas antecipadamente antes que ganhem solidez e consistência. É como um câncer no organismo humano: se você faz exames regularmente e cuida de sua saúde física e mental com rigor e autodisciplina, as chances de evitá-lo e/ou descobri-lo aumentam consideravelmente. Em uma empresa, atitudes como essas são fundamentais e precisam ser aprimoradas constantemente para que essas imperfeições sejam drasticamente confrontadas por meio de análises estratégicas e tipicamente arguciosas.

O escritor francês Émile Zola astutamente propagou: “O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito.” Por conseguinte, que ativemos nossas especialidades devorando essas refratárias contrariedades e nutrindo o nosso âmago por meio dessas sublimes e venenosas objeções.

5 maneiras inteligentes de lidar com momentos conturbados na carreira 

1 – Demissão: apesar de muitas pessoas não aceitarem esse tipo de comunicação, ser demitido em qualquer ramo de atividade é absolutamente normal e representa em seu aspecto macro, uma grande e raríssima oportunidade. Sim, normalmente as pessoas que são desligadas de suas organizações vivem infelizes, incompletas e frustradas em suas atividades cotidianas. Aliás, esses são regularmente os motivos que as fazem pifiamente cair: a desmotivação em executar suas rotineiras e banais funções.

Então, quando isso acontecer, aproveite integralmente seu intelecto para:

  • Aprimorar seu currículo com novos cursos e certificações;
  • Identificar aquilo que lhe apraz e investir pesado nesse núcleo;
  • Ampliar sua gama de competências, habilidades e aptidões;
  • Rever suas qualidades de relacionamento, seu índice de derrapadas e equívocos, bem como sua capacidade de resolver problemas e amenizar crises;
  • Procurar uma independência mais sólida, de forma a não ficar eternamente dependente de patrões que só olham para o próprio umbigo (Empreendedorismo? Concursos públicos? Consultorias particulares? Palestras? Você decide!).

Concluindo, esse momento amotinado deve prestar para dar uma guinada no seu marasmo e servir de trampolim para a sua criatividade, transmudando um “Não” em novas variáveis que o permitirão ser mais sagaz, astuto e potencializado no mercado. Foi como externou formidavelmente o poeta e filósofo italiano Horácio: “A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.”

2 – Promoção e posterior queda: se você foi promovido e não deu certo tenha em mente só duas coisas: primeiro, você foi corajoso e enfrentou o desafio. Segundo, não foi colocado na posição certa e em razão disso, fracassou. Em outras palavras, merece aplausos por ter aceitado tamanha mudança e mais encômios ainda por ter tido a humildade de tentar se adequar a algo que nada tinha haver com a sua notável essência.

Ora, seus atributos precisam se encaixar perfeitamente aos seus ofícios para que você seja um profissional de alta performance, realizando todas as atividades com maestria e impecabilidade. Foi seguindo essa linha de raciocínio que Confúcio sabiamente afirmou: “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.”

Então, trace essa meta: encontrando o melhor caminho para sua alma habitar, evitando frequentar lugares incompatíveis com suas particularidades, características e inclinações.

3 – Projeto frustrado: em qualquer empreendimento existe tão somente duas realidades: sucesso ou fracasso. E como vivemos em uma aldeia tipicamente competitiva, as probabilidades de insucesso serão sempre maiores que as de êxito, pois inúmeros concorrentes se lançam instintivamente aos mesmos objetivos e fazem isso com muita determinação e arrojo. Daí a importância da perseverança para que um profissional possa suportar essas turbulências e enfrentar essas perturbações com garra e espírito de continuidade.

O que vejo são excelentes ideias, com escopos bem montados, tudo de forma planejada e controlada, com protótipos brilhantes, porém sem um pingo de resiliência por parte dos seus frágeis organizadores. Geralmente, esses inventores se assustam quando encontram alguma pedra no meio da estrada ou quando suas moradas são atingidas por um objeto inesperado, desistindo dos seus sonhos por conta dessas pequeninas e irrelevantes tapeações.

Desta forma, monte o orçamento, as metas, o desenvolvimento, a execução e a otimização, mas não se esqueça de levar consigo o ingrediente dos ingredientes: que é a capacidade de resistir titanicamente frente às atmosferas indigestas, avançando em meio aos espinhos negros do vale da escuridão.

4 – Companheiros indigestos: ignorar, aturar, admirar. Essas três atitudes o acompanharão até o fim de sua curta existência e é necessário saber quando e como aplica-las. Montei um guia com as referidas atitudes abaixo, leia e reflita sobre elas:

  • Ignorar: muitos colaboradores não merecem sua atenção, sua apreciação e seu afeto. São como cães raivosos que não permitem que ninguém chegue perto de seus endeusados portões. Fique tranquilo, a indiferença é a arma mais efetiva contra esses indivíduos que nasceram para permanecerem perpetuamente isolados. Contudo, não negue favores a essas pessoas, trate-as com respeito e se comporte de maneira diferente delas para que seu entendimento seja mais elevado, enobrecido e venerado, sobrepujando vastamente essas embasbacadas personalidades por intermédio de atitudes caridosas e servidoras.
  • Aturar: ninguém merece interatuar com gente tediosa, cansativa, enfastiante e chata. Mas, nas empresas temos que abraçar esses bichos-papões, tendo em vista que eles são peças que complementam o tabuleiro organizacional. Neste caso, aprenda a administrar essas enfadonhas interações: escape quando puder, dialogue objetivamente e nunca entre no jogo dessas raposas voadoras, fazendo esses relacionamentos serem meros papéis sociais, isto é, insignificantes encontros profissionais.
  • Admirar: apesar de muitos indivíduos serem um peso nas suas costas, alguns surgem para otimizar seu cenário, revolucionando sua atmosfera e trazendo para o seu jardim incontáveis tesouros e preciosidades. A esses, dê todo o seu carinho, amor, dedicação e culto, agindo com profunda admiração para que eles percebam o valor de serem virtuosos e conceituados.

5 – Chefes intransigentes: aceite: a probabilidade de você lidar com um “Gerente Ogro” ao longo do seu ofício é enorme, dado que o Brasil é um país onde o respeito a dignidade humana é tripudiado a todo tempo e quase sempre os valores são sobrepujados largamente pelas finanças.

É isso mesmo caro leitor: aqui, nessa pátria cobiçosa e iletrada, a ética é recorrentemente trocada pela ambição daqueles que desconhecem a essência da elegância, da retidão e do decoro com o próximo.

Sendo assim, é necessário administrar essa ignorância (com paciência e prudência) ou extirpá-la (mudando de emprego). Vale lembrar também que muitas situações desconfortáveis acontecem por nossa culpa, ou seja, nós é que provocamos a criação das chatices, monotonias e friezas do ambiente em que estamos inseridos. Permita-me explicar mais objetivamente essa questão: entre um subordinado e em superior existem alvos naturalmente contrários. Reflita: enquanto o primeiro quer aumento, o segundo quer manter o piso salarial inalterado, ao passo em que o segundo luta para exercer sua autoridade com força e rigidez, o primeiro luta por uma interação mais flexível e democrática, ao tempo em que o primeiro sonha em ser mais importante, o segundo faz de tudo para ele se conformar em ser exatamente o contrário, e assim sucessivamente, de sorte que temos um choque de antagonismos absolutamente inadministrável entre tais entidades.

Isto posto, cabe a você se adaptar a esse cenário com otimismo e esperança ou simplesmente rejeitar a barbatana do tubarão que insiste em assustá-lo. Em todos os casos, existirá o ônus e o bônus, cabendo a sua elevada personalidade decidir qual a melhor alternativa para sua delicada e estimada alma.

No final dessa grandiosa peça de teatro, o melhor ator será aquele que soube conduzir os espectadores ao universo da alegria, permitindo os mesmos desfrutarem não só de um simples espetáculo, mas de uma cena inesquecivelmente eterna.

Seja esse artista que o mundo tanto deseja contemplar para que a prosperidade divina nunca deixe de persegui-lo e abençoá-lo, dando-lhe gratuitamente, os sagrados resquícios da supremacia absoluta.


Fonte: Artigos Administradores / Como lidar com momentos difíceis na carreira

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