Como lidar com o “funcionário preguiçoso”?

Como lidar com o “funcionário preguiçoso”?

Você trabalha com algum “funcionário preguiçoso”? Você já teve que assumir as tarefas dele para poder dar continuidade nas suas? Você já disse ou ouviu frases do tipo “que vontade de matar aquela pessoa que não faz nada”? Pois então, está na hora de entender e saber lidar com essas pessoas, otimizando dessa forma o trabalho em equipe

Antes de atuar na área de Coaching estava em uma entrevista de emprego e me perguntaram: “Como você reagiria ao ter que fazer além do seu, o trabalho dos outros? ”. Confesso que fiquei intrigada, afinal, dependendo da demanda já fica difícil exercer as atividades do dia a dia, imagina ter que fazer o trabalho de outras pessoas também. Na época não sabia muito bem responder aquela pergunta, mas depois observando os ambientes de trabalho, percebi que é muito comum as pessoas para acelerarem as suas atividades, muitas vezes, acabam assumindo a responsabilidade de outras pessoas. Por esse motivo, em todas as empresas tem aquele que trabalha demais e o famoso “não está fazendo nada”. Mas ao invés de simplesmente pensar em demitir essas pessoas, refleti nos possíveis motivos pelo qual elas não exercem as suas funções dentro da empresa.

Partindo do princípio que o funcionário “preguiçoso” possui capacidade técnica para exercer as suas funções, já que isso é responsabilidade do RH analisar no momento da contratação, existem alguns possíveis fatores para essa pessoa não conseguir realizar com eficácia as suas demandas diárias. No Coaching, quando alguém não executa um plano de ação, sabemos que podem ser três motivos: falta de motivação, crença limitante ou necessidade humana não suprida. Quando tratamos de um ambiente organizacional, podemos aplicar os mesmos princípios.

O primeiro princípio é falta de motivação. Aliás, quero salientar que a falta de motivação é um dos principais motivos pelo qual as pessoas não exercem as suas funções e, a falta de motivação é um dos dilemas mais difíceis das empresas resolverem. Por que? Pelo motivo de que a motivação está relacionada a valores e, cada indivíduo carrega consigo valores individuais e específicos. Diferente do que muitas pessoas pensam, não é possível motivar alguém, o que é possível é criar mecanismos para que a pessoa encontre a sua própria motivação. Portanto, o RH no momento da contratação, leva em consideração o alinhamento de valores, entre o que o possível funcionário valoriza e o que a empresa valoriza. Se o ambiente organizacional estiver de acordo com os valores e cultura do funcionário, ele irá se sentir motivado a trabalhar naquela empresa. Mas se isso não ocorrer, é necessária uma gestão atenta, verificando com os funcionários motivos de descontentamento e aspectos que a empresa poderia fazer para aumentar a produtividade dele. Em casos extremos, ao identificar que os valores funcionário/empresa são incompatíveis, pode ter certeza que ou esse funcionário se demite, ou é demitido. Colocando dessa forma pode parecer negativo, mas não é. Nenhum ser humano consegue se sentir bem em um ambiente que não está compatível com seus valores. Falo isso por experiência própria e posso afirmar que a maioria de vocês já devem ter se sentido assim em relação a algum dos seus trabalhos.

Outro princípio que faz o funcionário “preguiçoso” é uma crença limitante, ou seja, é quando ao ser delegado de exercer determinada atividade, esse indivíduo inconscientemente cria uma barreira que o torna incapaz de fazer essa determinada atividade porque ele já passou por alguma experiência negativa em relação a tal. Por exemplo, um indivíduo em um emprego anterior sofria de assédio moral e, toda vez que fazia um relatório financeiro, o chefe o humilhava na frente da equipe alegando estar incorreto mesmo não estando. Esse funcionário muda de empresa e certo dia é solicitado para fazer um relatório financeiro, há uma possibilidade muito grande dele responder que “nunca vai conseguir fazer”, mesmo tendo o know how para tal. Nesse exemplo não me refiro a uma pessoa que não possui o conhecimento técnico para exercer tal atividade, mas sim, a aquelas que possuem know how, entretanto devido a uma experiência negativa traumática, o indivíduo não se sente mais apto a fazer. Para detectar esse tipo de acontecimento, o gestor precisa construir laços de confiança para com seus funcionários e questioná-los sobre o porquê da não execução e, somente então, poder resolver o problema.

O último princípio da existência de um “funcionário preguiçoso” está associado a necessidades humanas não supridas. Grandes pensadores, como Maslow ou Robbins, descreve que sem suprir as necessidades humanas básicas é improvável que a pessoa consiga evoluir em termos profissionais. Maslow caracteriza as necessidades humanas básicas como fisiológicas, mas particularmente gosto da definição de Robbins que caracteriza seis necessidades básicas: certeza e conforto; incerteza e variedade; amor e conexão; significância e importância; crescimento e contribuição. O autor afirma que as quatro primeiras são fundamentais e as duas últimas só podem existir se as primeiras já foram supridas. Você pode se perguntar como essas necessidades pode fazer cair o desempenho de um funcionário e a resposta é simples. Imagine que você tem como valor fundamental a família, possui um perfil comportamental voltado para estabilidade e segurança e todos os dias você chega em casa no mesmo horário para jantar com a sua família, suprindo dessa forma a necessidade de certeza e conforto. De um dia para o outro, o seu gestor te diz que pelo aumento de demanda você vai precisar trabalhar mais duas horas extras. No começo é possível que você queira ajudar e consiga realizar todas as tarefas da mesma forma que vem executando até então, mas um dia você percebe que já fazem duas semanas que você não janta com a sua família e, por coincidência o seu desempenho começa a cair. Parece algo simples, mas não é. Quando é tirado de você a possibilidade de suprir uma necessidade que é fundamental, ao passar do tempo, inconscientemente você começa a sabotar o seu trabalho, caindo dessa forma o seu desempenho. Mais uma vez, para solucionar esse problema é necessária uma gestão atenta.

Agora eu gostaria de dar um conselho a você, que possui um colega de trabalho “preguiçoso” e realiza as tarefas dele: ao invés de fazer as tarefas por ele, pergunte   se está acontecendo algo de errado, tente encontrar a raiz e eliminar o problema ao invés de simplesmente ficar “podando”. Se necessário o aconselhe a procurar o gestor e conversar a respeito de suas dificuldades. Se o gestor está muito ausente sempre há alguém, hierarquicamente falando, que pode orientá-lo. Pode ser uma questão complexa ou algo incrivelmente simples, por isso antes de julgar vamos começar a questionar e conhecer os motivos desses funcionários se comportarem assim. Posso garantir que os resultados serão incrivelmente satisfatórios para a equipe e para a empresa.


Fonte: Artigos Administradores / Como lidar com o “funcionário preguiçoso”?

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