Como o ciberfeminismo está moldando uma nova publicidade?

Como o ciberfeminismo está moldando uma nova publicidade?

Tendo em vista que as mulheres representam grande parcela do público consumidor geral, marcas e agências devem estar preparadas para criar campanhas que, mais do que atingir, consigam de fato contemplá-las

“Empoderamento” é a palavra da vez na internet. Muito se discute a respeito dos direitos da mulher e da igualdade de gênero. A ideia de “sexo frágil” definitivamente não condiz mais com a realidade de uma geração de mulheres cada vez mais independentes e empreendedoras.

É claro que a publicidade não pode deixar de acompanhar a evolução de perfil de um target. Tendo em vista que as mulheres representam grande parcela do público consumidor geral, marcas e agências devem estar preparadas para criar campanhas que, mais do que atingir, consigam de fato contemplá-las.

Pensando nesse cenário, as jornalistas Juliana Faria e Maíra Liguori, ao lado da publicitária Nana Lima, criaram o Think Eva. A consultoria, segundo elas próprias, “nasceu para proteger, valorizar e ampliar as possibilidades para as mulheres por meio de uma representação feminina na mídia mais humana, responsável e cuidadosa”.

Juliana e Nana marcaram presença no Youpix CON, que aconteceu na última quarta-feira (23), em São Paulo. No palco How To Stage as idealizadoras apresentaram uma pesquisa realizada recentemente pelo projeto, levantando alguns pontos interessantes a respeito de como a mulher brasileira se vê representada pela publicidade.

O levantamento foi feito através de entrevistas com o que elas chamaram de “smart womans”, mulheres consumidoras das mídias tradicionais, mas que são heavy users de redes sociais e passam boa parte de seus dias conectadas.

Quando questionadas a respeito de como gostariam de ser representadas em campanhas publicitárias, o fator “inteligência” foi quase unanimidade entre as entrevistadas, sendo citado por 85% delas. “Independência” também foi algo apontado por 72% das participantes da pesquisa.

Para Nana Lima, o mercado publicitário ainda não entendeu que a representatividade dessas mulheres é a chave para engajá-las. “A publicidade está falando uma língua e as mulheres estão falando outra”, declarou. Segundo ela, existe a urgente necessidade de pensar em outras formas de engajar as mulheres explorando as plataformas disponíveis.

“As mulheres querem comprar, mas precisam ser impactadas e contempladas pela publicidade para isso”, afirmou a jornalista Juliana Faria. Para ela, no lugar de “colocar rosa” em um produto ou em sua campanha tendo em mente que isso o torna “mais feminino”, é necessário entender o público feminino para engajá-lo.

A dupla defendeu ainda que as marcas que tiverem a pretensão de realizar mudanças para atingir esse público precisam apresentar um discurso verdadeiro. Segundo elas, não adianta apenas “pegar carona” na onda do empoderamento feminino, é necessário mudar a mentalidade. “A proposta do empoderamento tem que estar no branding”, declarou Nana.

As criadoras do Think Eva apresentaram também alguns cases de “femvertising”, uma publicidade que de fato contempla mulheres reais e não idealizadas ou objetificadas. Entre eles, não poderia ficar de fora o premiado “Like a Girl”, criação da Leo Burnett para Always. Outro exemplo interessante apresentado foi “Labels”, criado pela BBDO Filipinas para Pantene.

Para encerrar, a dupla deu algumas recomendações para as agências começarem a pensar a respeito do tema. O purpose marketing , mais conhecido como marketing de causa”, é um dos caminhos na visão de Nana Lima e Juliana Faria. O essencial, segundo elas, é ter uma publicidade feita sobre mulheres, por mulheres e para mulheres.

 

 


Fonte: Notícias Administradores / Como o ciberfeminismo está moldando uma nova publicidade?

Os comentários estão fechados.