Como o fundador da Mormaii fica mais rico doando partes de sua empresa

Como o fundador da Mormaii fica mais rico doando partes de sua empresa

Morongo, como é conhecido informalmente, rejeita ofertas de grandes bancos pela sua empresa; entenda o porquê

Não por acaso, a Mormaii é a maior empresa de artigos de vestuário para surfe do Brasil. O fundador e dono do negócio, Marco Aurélio Raymundo, conseguiu montar uma marca de grande sucesso, à sua maneira. Morongo, como é informalmente conhecido, não é um gestor comum. Ele doa partes de sua empresa para faturar mais. Parece estranho, mas faz todo o sentido. O empresário tem fabricantes parceiros a quem vendeu o direito de uso de sua marca. Como a identidade dessa marca é muito bem resolvida e forte no mercado, ele escolhe parceiros cujos produtos casam com sua proposta, e, por um preço, permite que eles usem seu nome. 

A questão da licença não é de outro mundo. O que diferencia o negócio de Morongo é o seguinte: se uma de suas fábricas vai mal, não dá lucro, ou está “bagunçada”, ele doa para alguém que tenha a capacidade e o tempo de colocá-la nos eixos. Não vende, doa mesmo. Muitas vezes liga para um parceiro ou licenciado de confiança e pergunta: “queres aquela fábrica?”. E pronto. Por quê? Porque isso lhe tira o trabalho de gerenciar fábricas que estejam passando por problemas e ao mesmo tempo lhe torna mais rico. Como isso acontece?

Um exemplo é a fábrica de roupas de neoprene que ofereceu a um parceiro de Criciúma, Carlos Casagrande. A confecção vendia R$ 10,5 milhões e estava dando prejuízo. Em 2012, Morongo ligou para Casagrande e fez a oferta. De início ele não entendeu direito e disse que não poderia pagar por ela. “Eu não quero que tu pagues”, disse o gaúcho. “Quero que organize aquilo, porque não estou conseguindo. Quero que a produção dobre, triplique, só isso”. Em pouco mais de dois anos, Casagrande fez o combinado e, no final de 2014, o negócio rendia R$ 24,5 milhões em produtos. E os royalties dessas vendas? Direto para o bolso de Morongo. Atualmente, os rendimentos provenientes das licenças são a maior fonte de faturamento da marca.

Ao invés de valorizar quem tenta comprar seu negócio, Morongo responde sem rodeios a grandes executivos e bancos que lhe fazem ofertas bilionárias pela marca. Com seu jeito “hiponga”, faz questão de dizer que preferia estar com seus netos a ter reuniões desse tipo. “Vocês sabem que estão me fazendo perder um tempo que eu poderia ter dedicado aos meus netos?”, diz em uma determinada reunião, segundo conta a reportagem da Época Negócios. Ele prefere fazer o descrito acima: encontrar parceiros que organizem o que ele não consegue ou quer organizar, para que seus ganhos em royalties aumentem.

Surfista desde a adolescência, o gaúcho de Porto Alegre se formou em medicina e resolveu se mudar para a praia de Garopaba, em Santa Catarina. Ali, em 1976, fundou a Mormaii, que cresceu e hoje é a maior marca brasileira de seu nicho. Seus produtos são comercializados em 80 países através de lojas próprias e outras multimarcas espalhadas pelo Brasil. Contando com seus licenciados, a empresa tem aproximadamente 10 mil colaboradores. Mesmo com toda essa responsabilidade, Morongo continua morando na praia e surfando quase todos os dias.


Fonte: Notícias Administradores / Como o fundador da Mormaii fica mais rico doando partes de sua empresa

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