Como se manter empregado em tempos de crise?

Como se manter empregado em tempos de crise?

Findamos 2015 com a palavra “crise” aos quatro cantos. Mas será que a crise é para todos? Atinge a todos da mesma maneira?

Em outubro palestrei na Faculdade Sumaré, a convite das turmas de Gestão de RH. O tema da palestra era Direitos Humanos no Trabalho e, ao final, foi aberta aos alunos a oportunidade de fazer perguntas.

Como não podia deixar de ser, apesar de não estar necessariamente relacionada ao tema da palestra, uma das primeiras perguntas girava em torno da crise econômica atual. A aluna me disse que a empresa em que trabalha estava demitindo os funcionários com salários mais altos para contratar outros profissionais com salários mais baixos.

Minha resposta, como administradora, beirou o óbvio (que as vezes não soa tão óbvio em algumas organizações): um profissional que ganha bem, em via de regra, não ganha bem a toa. Ele chegou lá porque provavelmente faz o trabalho de outros 3 profissionais com menores qualificações e, por consequência, menores salários. Que uma redução de custos não pode se basear exclusivamente na folha de pagamento, mas sim na produtividade.

É preciso, ainda, levar em consideração outro fator: a bolha estourou. Apesar de pouco comentada na mídia, quem trabalha com seleção de profissionais sabe que de 2010 a 2013 nós vivemos uma época de pleno emprego. Neste período houve um movimento jamais visto no Brasil e que Gilberto Dimenstein oportunamente chamou de “galinhagem profissional”: bastava outra empresa oferecer um pouco a mais e o funcionário mudava de emprego. Essa relação de oferta x demanda criou um escalonamento salarial que ganhou rapidamente dimensões jamais vistas. As empresas precisavam de determinado profissional e pagavam o quanto fosse necessário para que esse profissional aceitasse sua proposta. Nesta época recebíamos cerca de 20 contatos semanais de profissionais estrangeiros querendo atuar no Brasil, porque os salários aqui ultrapassavam a média mundial. Evidentemente esse movimento não poderia se sustentar ao longo de muitos anos e foi o primeiro a ser abalado aos primeiros sinais da crise. Por isso, sim, pode existir esse tipo de demissão se for simplesmente para reduzir um inchaço causado nessa época.

Desconsiderando esse cenário de bolha, em tempos de crise as empresas precisam rever seu quadro de funcionários, reduzir custos de maneira geral, sempre com o foco de maior produtividade com o menor custo. Considerando que a produtividade média do brasileiro já é baixa quando comparada a outros países (Leia aqui), como manter essa produtividade alta com custo baixo, se a análise de custo baixo levar em consideração exclusivamente a folha de pagamento? Se de fato a aluna estiver correta em sua análise, essa é uma forma desastrosa de encarar a crise.

Não é uma regra, infelizmente, mas em geral empresas bem administradas não focam exclusivamente a folha de pagamento. Elas observam valor: quanto valor um funcionário acrescenta à empresa? Qual o potencial desse funcionário? Comparando a um funcionário mais barato, a produtividade pode ser considerada equivalente?

Por isso, finalizei minha resposta dizendo à aluna que nenhuma empresa pode se dar ao luxo de perder um talento em época de crise. Que nenhuma empresa bem administrada analisa exclusivamente folha de pagamento, mas um conjunto complexo de custos, resultados, possibilidades, antes de anunciar demissões. Nenhuma empresa que tenta sobreviver à crise tem tempo e dinheiro para treinar novos funcionários e isso custa muito caro à operação. Se ela tem interesse em manter-se empregada na mesma empresa e percebe que está reduzindo o trabalho, não pode ficar esperando o trabalho aparecer, mas sim se fazer útil em outras demandas e até mesmo em outros departamentos. Se hoje ela avalia que faz 100% do trabalho para o qual foi contratada, que passe a entregar 120%. Isso não significa que a demissão não baterá à porta dela, porque algumas vezes é inevitável. Mas se houver uma possibilidade de análise, certamente ficará o funcionário que entregar valor perceptível à empresa.

E a contrapartida? Como as empresas podem fazer seus funcionários serem mais engajados, mais produtivos? Como reter os talentos? Como o assunto é extenso fica para a próxima publicação 😉


Fonte: Artigos Administradores / Como se manter empregado em tempos de crise?

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