Compliance e proteção corporativa no setor de telesserviços

Compliance e proteção corporativa no setor de telesserviços

Para tentar colocar em prática e exemplificar o uso correto de uma cartilha de compliance, é possível tomar como base o serviço prestado pelas empresas de telesserviços

O termo compliance para muitos soa desconhecido. Contudo, o seu sentido é bem simples e funcional. Uma cartilha de compliance nada mais é do que um manual, que uma determinada empresa pode adotar como base para a tomada de novas decisões de planejamento e de mercado, visando sempre às boas práticas de proteção corporativa e de gestão de riscos.

O objetivo fim é que a empresa adote regras negociais mais claras e transparentes, com o escopo de ser vista pela sociedade e pelos seus consumidores como uma companhia que visa à anticorrupção.

Com o advento da Lei Nº 12.846/2013, conhecida popularmente como Lei Anticorrupção, a legislação brasileira torna-se mais rigorosa na batalha contra ilicitudes. Tal lei fez com que o ordenamento jurídico brasileiro se encaixasse em padrões antes vistos apenas em países de Primeiro Mundo.

Atualmente, quando as empresas são responsabilizadas por condutas ilícitas contra a administração pública, elas podem ser multadas em até 20% de seu faturamento bruto. Para tentar colocar em prática e exemplificar o uso correto de uma cartilha de compliance, é possível tomar como base o serviço prestado pelas empresas de telesserviços.

Hoje em dia, por mais que haja um Decreto Federal (nº 6.523/2008) fixando normas exclusivas aos serviços de atendimento ao consumidor, ele não é tão eficiente, tendo em vista o crescente número de reclamações contra esse tipo de atendimento, segundo informações do Ministério da Justiça.

Diante de tantas insatisfações nesse setor, o que fazer?

Grande parte dessas reclamações tem como principal origem o mau treinamento dos funcionários, além de imaturidade em boa parte deles. Vale lembrar que o emprego de atendente de call center costumeiramente é a porta de entrada para a vida profissional desses funcionários, ainda muito jovens.

Diante disso, muitas empresas do segmento são vistas como as que mais descumprem a legislação trabalhista brasileira. Tal classificação acontece em virtude do grande fluxo de mudanças no quadro de funcionários.

Ainda que a alta rotatividade dificulte o estabelecimento de padrões, é de inteira responsabilidade da empresa adotar normas e práticas capazes de mudar, de transformar esse rótulo.

A principal medida a ser tomada nesse caso seria formar e capacitar melhor seus funcionários, fazendo com que a empresa trabalhe em conformidade com as regulamentações. Um manual, uma cartilha de compliance é essencial, nesse sentido.

A tarefa não é das mais simples, mas é benéfica para todos os atores desse setor. Para os profissionais, que passam a ter melhor ambiente profissional, para as empresas que verão reduzidos os valores gastos com indenizações e multas pagas atualmente, e, claro, para os consumidores, que sentirão sensível evolução no serviço a eles prestado.

Pedro Bezerra Azevedo é advogado, especialista em direito empresarial, associado do escritório Terçariol , Yamazaki , Calazans e Vieira Dias Advogados


Fonte: Notícias Administradores / Compliance e proteção corporativa no setor de telesserviços

Os comentários estão fechados.