Conheça a Mórula, editora independente que aumentou suas vendas em plena crise

Conheça a Mórula, editora independente que aumentou suas vendas em plena crise

“A editora está melhor que no ano passado. Não dependemos de empréstimos de bancos, de juros, essas coisas certamente fazem diferença”, diz uma das fundadoras

Boas ideias surgem do nada, entre amigos, em uma mesa de bar ou minutos antes de dormir. Marianna Araújo, Vitor Castro e Patrícia Oliveira que o digam. Eles são os responsáveis pelo desenvolvimento da Editora Mórula, direcionada ao ramo de publicações acadêmicas, quadrinhos e histórias sobre o Rio de Janeiro. 

De acordo com Marianna Araújo, a Mórula pretende alcançar autoras mulheres, visando um equilíbrio neste mercado específico. O que mais impressiona na história da Mórula é que, apesar da crise que afeta o Brasil, a empresa de pequeno porte não está sofrendo nenhum prejuízo, mas sim ampliando suas vendas e aumentando as metas. A editora nasceu a partir de um projeto inicial que os sócios faziam parte, um escritório de design no Rio de Janeiro.

“Depois de um tempo, a gente se perguntou: já que sabemos como fazer um livro e a gente gosta disso, que tal abrir uma editora?”, diz Marianna. A partir daí, os sócios lançaram um selo independente, o “O Novo Carioca”, dos autores Jaílson de Souza, o Marcus Faustini e Jorge Luiz Barbosa.

A ideia inicial, segundo Marianna, era fazer a edição e o lançamento de títulos que faziam falta no mercado, que muitas vezes está saturado de publicações best seller e vazio de títulos menos populares. Os títulos de interesse da empresa são mais focados em ensaios críticos com pegada acadêmica e também os livros em quadrinhos.

“A gente acabou ficando conhecido como uma editora que faz livros sobre a cidade. Uma coisa engraçada, já que os leitores de quadrinhos não têm essa noção de forma alguma. Mas temos feito muita coisa sobre a cidade, é nossa área de interesse”, diz Marianna. Sobre os planos futuros Marianna é clara: “somos independentes, não temos capital inicial, fica complicado planejar quando a gente lida com o dia a dia”. Porém, isso não quer dizer que não existam objetivos. 

Segundo ela, ao decidir editar um livro a empresa cria as condições para que o título seja publicado. Ou seja, não é algo planejado com antecedência, é algo feito na hora, com esforço e dedicação momentânea.

“Não tenho um recurso destinado, prévio, para o livro tal ou para publicar tantas obras este ano. Vou criar condições para que este título saia, tanto financeiras, quanto administrativas, quanto operacionais. Tal livro demanda um ilustrador, vamos dar um jeito, fazer parceria com alguém… O caminho vai se fazendo.”, explica a empresária.

Para enfrentar problemas como a circulação do material, a editora realiza marketing presencial em feiras e eventos literários como, por exemplo, a Al-Farabi. Além disso, estão sendo programadas uma séries de cursos, debates e pequenas feiras literárias para o ano de 2016.

Crise, que crise?

Sobre a crise, Marianna diz que a enxerga maior em sua vida particular. Segundo ela, a editora — que não tem um investidor — segue o seu caminho natural e, acreditem, ao contrário de outras empresas do ramo, a Mórula está tendo um crescimento na quantidade de livros vendidos. Em 2015, por exemplo, a empresa já bateu ‘de longe’ as vendas de 2014.

“A editora está melhor que no ano passado. Não dependemos de empréstimos de bancos, de juros, essas coisas certamente fazem diferença”, em entrevista ao ChicoAlves.com.

O próximo lançamento da Mórula será “O Meu lugar”. O título reunirá 34 cronistas do Rio de Janeiro, que devem retratar contos de seus respetivos bairros. Farão parte das publicações autores como Aldir Blanc, Nei Lopes, Moacyr Luz e os próprios organizadores Marcelo Moutinho e Luiz Antonio Simas.

 


Fonte: Notícias Administradores / Conheça a Mórula, editora independente que aumentou suas vendas em plena crise

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