Conhece-te a ti mesmo

Conhece-te a ti mesmo

Tente colocar um republicano no partido democrata… Ou um monte de pagodeiros em um show de trash metal. Até que ponto um suportará as diferenças culturais do outro?

Ainda é comum vermos nas empresas brasileiras aquele estilo de gestão “oitentista”. Empresários e gestores nascidos nos anos 50 ou 60 (até menos e algumas vezes um pouco mais), que iniciaram seus negócios em sua juventude, próximos de seus 20 ou 30 anos e que possuem um perfil focado em um modelo de liderança e gestão autocrático e nada colaborativo onde “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Ok mas, como isso impacta nos seus negócios?

Empresários (chefes, patrões, líderes ou como quiserem chamar) desse tipo costumam manter-se fechados em seus ideais e não exploram o que há por trás de toda a empresa. Em paralelo, fazem suas contratações

Já a nova geração de profissionais tende a ter uma visão mais dimensionada do que é direito e dever e de como as suas ações atingem o negócio em si. Não estamos apenas falando da Geração “Y”, pois, profissionais de todas as gerações, que se propõem a expandir seus conhecimentos e buscar novos modelos de gestão, acabam enxergando uma nova métrica para o andamento do negócio e é nesse momento que surgem os problemas.

Do lado dos chamados “baby boomers”, há uma enorme resistência em aceitar as mudanças no perfil comportamental das novas gerações. Há ainda a idéia fixa de que a estruturação dos processos não deve ser dividida com profissionais mais jovens devido à sua pequena experiência e até mesmo, que os objetivos da empresa ou do empresário não devem ser repassado aos colaboradores. Certa vez, cheguei a ouvir um gestor dizer que “estava de saco cheio desse pessoal que tem 26 anos e acha que sabe tudo”… Pois é, no entanto, eles continuam contratando essa geração que não sabe nada!

Essa falha na contratação dos profissionais é um dos fatores responsáveis por desencadear os índices de insatisfação em colaboradores e empregadores. Isso se dá porque ambas as partes possuem ideais e valores diferentes, ou seja, possuem culturas diferentes. Quando essa cultura não é alinhada na seleção dos profissionais ela vai sendo descoberta no decorrer do tempo, ou seja, você passa a descobrir que aquele índio não pertence à aquela tribo, e vice-versa.

Não estou dizendo que o erro está na geração, seja ela atual ou passada, muito menos dizendo que os empregadores estejam errados na maneira que dirigem suas empresas, mas ainda falta que ambos conheçam (e aceitem conhecer) a si mesmo!

Vejo dezenas de pessoas despreparadas conduzindo processos de recrutamento e seleção sem saber nem ao certo qual é a cultura da organização. Pessoas que valorizam um currículo bem montado e os anos de experiência do candidato em uma dúzia de empresas, mas extremamente inaptas a conduzir ou mensurar a aplicação de algum tipo de teste, muitas vezes conduzidos e aplicados sem quaisquer parâmetros.

A contratação de um profissional é regida por dezenas de parâmetros que devem ser seguidos e respeitados. Quando não utilizamos dos métodos corretos, corremos um enorme risco de contratar uma pessoa que nada tem a ver com a nossa organização.

Por outro lado, ainda falta muito para que as pessoas se conheçam e saibam o que estão verdadeiramente buscando em sua vida profissional. Sem essa auto-análise é bem provável que você trabalhe em uma empresa apenas por precisar de um trabalho e saia dela pelo mesmo motivo. 

E você, conhece a sua cultura?


Fonte: Artigos Administradores / Conhece-te a ti mesmo

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