Crise da saúde fluminense: falta de recursos ou de prioridade?

Crise da saúde fluminense: falta de recursos ou de prioridade?

O que se vivencia na administração dos serviços públicos fluminenses contraria as melhores práticas em gestão e castiga a dignidade da população local.

Às vésperas de um ano que atrairá as atenções do mundo para cá, o que se vê na gestão dos serviços públicos fluminenses é o exemplo do que grandes pensadores da Administração condenam: a falta de diligência e método para conduzir as coisas, seja na vida, seja nas organizações, seja nos governos.

 

Com hospitais à beira do caos, escolas em situação precária, paralisação nas universidades públicas e com a retomada da violência em áreas na quais se acreditava existir pacificação, o estado do Rio de Janeiro atravessa uma de suas maiores crises das últimas décadas, o que pode ensejar, até mesmo, intervenção federal nos termos do art. 34, inciso VII, alínea b, da Constituição Federal de 1988.

 

Em vista disso, e considerando o histórico de responsabilidade na gestão fiscal existente no estado do Rio de Janeiro, nota-se que a atual situação local resulta menos da falta de recursos e mais da falta de prioridades e planejamento de longo prazo.

 

Para ilustrar, basta pensarmos que a Administração fluminense sempre se valeu de recursos compensatórios, como os royalties da produção de petróleo e gás, para equilibrar as contas públicas. Com isso, e dado o atual cenário da indústria do petróleo no Brasil e no mundo, houve redução de receitas estaduais sem que o estado do Rio de Janeiro tivesse empregado os royalties em medidas que reduzissem a dependência local de um recurso finito e sujeito à especulação internacional sobre os seus preços.

 

Pelo lado dos gastos públicos, vimos ao longo dos anos a falta de investimentos no aprimoramento de serviço públicos essenciais à dignidade humana, como saúde e educação. Preferiu-se investir e apoiar Copa do Mundo e Olimpíadas, eventos de curta duração e pouca transformação social.

 

Dessa forma, fica o esforço de reflexão acerca do atual estado de coisas que tomou conta do estado do Rio de Janeiro nas últimas décadas. Já não se trata mais de discutir R$ 0,20 de reajuste na tarifa dos transportes públicos. Trata-se de discutir e cobrar do Poder Público ações que garantam à população os direitos sociais previstos no art. 6º de nossa Lei Fundamental. Do contrário, viveremos num eterno círculo vicioso, segundo o qual o político reza para tudo dar certo em ano eleitoral para se eleger ou emplacar seu sucessor e para o preço das commodities não cair durante sua gestão, a fim de que o povo não tenha que rezar para depender de saúde e educação pública, nem seja vítima de bala perdida, deixando, assim, de votar no grupo político em questão.

 

Um forte abraço a todos, um ótimo Natal de muita luz e muita paz e fiquem com Deus!


Fonte: Artigos Administradores / Crise da saúde fluminense: falta de recursos ou de prioridade?

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