Crise exige avaliar o ser, o ter e o parecer.

Crise exige avaliar o ser, o ter e o parecer.

Tire proveito e aprenda com a crise. Consumismo desenfreado amplia inadimplência. Preocupação com parecer e ter, esvazia o ser.
A fase é de avaliar projetos pessoais/profissionais e educação dos filhos. Repense e se aproprie da sua história de vida.

Entre as características que mais se acentuaram no auge dos ganhos especulativos do mercado financeiro e o crescimento da chamada “classe média”, vale destacar a desenfreada manifestação do TER – compulsão ao consumo  –, provocada pela aparente necessidade de possuir como forma de vaidade e ostentação. E para muitas pessoas este comportamento era induzido pelo desejo do PARECER. Ou seja, uma necessidade do reconhecimento externo, na medida em que se deixavam manipular para atender as demandas criadas por terceiros. Propaganda, hedonismo, modismos, colunas sociais, “tribos”, círculos de conhecidos, mercado de trabalho, símbolos aparentes de sucesso, etc., que se tornaram os indicadores a serem seguidos para não sentir-se, por fora da “onda”.

Paralelamente a tudo isto as questões do SER – o próprio sentido da vida – ficaram relegadas num plano bem inferior. A avalanche provocada pela busca do sucesso fácil e pelo conjunto das aparências de uma “felicidade” de fachada, falseavam qualquer forma ou esforço para avaliar o sentimento de auto-estima ou realização.

E neste cenário de ganhos fáceis surge, repentinamente, a crise. Uma crise bem mais ampla das que já conhecíamos ou que, ao menos já havíamos vivido.

E ela não é apenas financeira. Quebraram-se relações que aparentavam confiança. Um grande número de tudo aquilo que vinha sendo considerado como uma conquista é agora colocado em dúvida. Para usar uma expressão muito em voga nos últimos anos, ocorreu uma “quebra de paradigmas”.

Suicídios, rompimento de relações, insegurança pessoal e profissional, revisão dos modelos de padrão de vida, perda da autoconfiança, conflitos conjugais e familiares, além de tantos outros efeitos se fazem sentir nos indivíduos e seus relacionamentos. Puderam sentir este impacto, de alguma forma, todos aqueles que recentemente passaram a fazer parte do mercado de consumo. Mas, de uma forma mais intensa, os chamados “novos ricos” que numa tenra idade já não se imaginavam tendo que fazer grandes esforços para manter um padrão de vida de abundância, e, muitas vezes, até de desperdício. Aqueles que apareciam nas capas da imprensa como modelos de novos milionários que provocavam invejas ou se tornavam os novos gurus de “como ganhar dinheiro e ter sucesso, de forma rápida”.

Carrões, iates, viagens de primeira classe e hotéis de muitas estrelas, mansões ou clubes “prives”, agora já não apenas perdem sentido, como se tornam difíceis de serem mantidos.

Chegou a hora de avaliar a vida de uma forma mais plena, onde não é possível desvincular o Ser, do Ter e também do Parecer.

Os manuais de auto-ajuda já mudaram rapidamente seus focos chamando a atenção para o valor da frugalidade, o belo sentido de uma vida mais simples, autenticidade e até a importância de dedicar tempo para uma maior convivência com amigos e família, num lazer mais econômico e de menos aparências.

Já é possível observar como fazem  muito sucesso orientações sobre “como viver melhor com menos”. Em alguns casos confundidos com as ilusórias receitas da auto-ajuda. As pessoas tendem a valorizar uma vida mais simples e voltada para questões socioambientais, de sustentabilidade e também preocupações espirituais. Deverão ganhar espaço na mídia, e até mesmo como palestrantes, novos “gurús” ou escritores que tratem o tema da qualidade de vida.

Nada mal. Especialmente se isto não aparecer apenas como mais um modismo que pode gerar um outro tipo de consumidor a ser manipulado por uma propaganda de aparências.

Uma crise como a que vivemos deve ser aproveitada ao máximo nas suas potencialidades e lições de vida.

Administrar os recursos materiais e diversificar investimentos continuará sendo importante. Preparar-se para um futuro incerto será cada vez mais vital, especialmente com o aumento dos índices de longevidade. Educar filhos para esta nova realidade é  responsabilidade a ser compartilhada por pais,  instituições de ensino e meios de comunicação. Comunidades religiosas, terapeutas e centros de valorização da vida serão mais procurados.

Mas é importante que cada um assuma sua responsabilidade neste quadro atual. Compatibilizar aquilo que quero SER, com o que necessito – ou desejo – TER, não deve estar, forçosamente vinculado, aquilo que pode ser apenas um PARECER.

Por último, não se esqueça de agir sobre todos os papéis que vivemos. Somos indivíduos na essência, cidadãos, membros de família, profissionais, entes com necessidades espirituais, sociais e de conhecimento.

Um viver com qualidade requer que nossa “riqueza” possa ser desenvolvida, com equilíbrio, entre todas estas áreas da atuação humana. E esta é uma responsabilidade indelegável. Ninguém fará isto por você.     

 


Fonte: Artigos Administradores / Crise exige avaliar o ser, o ter e o parecer.

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