Crise na terceirização… de vidas

Crise na terceirização… de vidas

Enquanto as empresas têm terceirizado atividades periféricas, nós, seres humanos, possuímos uma grande tendência a querer terceirizar a atividade fim, fazer com que outros tomem as decisões mais importantes, as de maior impacto em nossas vidas

A onda da terceirização, ligada ao mundo da gestão, teve início em meados da década de 90, com o objetivo de repassar atividades que não estejam ligadas ao core business, ou seja, o que não agrega valor ao produto, o que não é expertise da empresa para que outra organização, que tenha mais conhecimento e experiência possa executar.

Há pouco tempo tive a oportunidade de participar do Programa Conexão Indústria, da Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais na planta industrial da Mercedes Bens, localizada na cidade de Juiz de Fora – MG, além de toda a tecnologia e indicadores extremamente positivos quanto à produtividade e qualidade, acima de padrões internacionais, fiquei impressionado como a empresa trabalha com outros três ou quatro parceiros dentro do mesmo espaço.

Bem, introdução realizada, já nivelamos nosso conhecimento sobre o processo de terceirização, ao menos no campo empresarial, mas o que quero refletir é justamente a transposição do tema terceirização para a vida pessoal, uma vez que em vários momentos observei pessoas tentando terceirizar a responsabilidade de tomada de decisão sobre assuntos extremamente pessoais, para que assim outro tomasse a decisão em seu lugar.

Obviamente, e temos que compartilhar esta sensação, pois nada melhor do que ter outro para colocar a culpa, assim é muito cômodo que provoque o outro a tomar a nossa decisão, assim teremos a quem culpar, afinal “foi o fulano que me disse, foi ele que disse pra fazer assim”.

Como facilitador já deparei com diversos tipos de alunos, aqueles que nos procuram no final da aula para relatar uma decisão difícil, oportunidade de trabalho em outra cidade, outro ramo de atividade, outro curso ou bolsa de estudos que tenha ganhado ou até mesmo se deve casar ou não. Durante o papo fica claro que este está procurando no outro as respostas que deveria estar dentro de si.

No papel de administrador, como gerente de uma unidade, em diversos momentos já tive conversa com algum membro de minha equipe sobre assuntos extremamente pessoais, logicamente que não me furto a ajudar, mas a única ajuda é contribuir para que a decisão seja mais consciente, sabendo que a decisão final é somente dele e não minha. Em um destes episódios o colaborador solicitou demissão, então me pus a fazer perguntas objetivando contribuir com a clareza de sua escolha, indaguei os motivos, se era uma decisão individual ou havia tido participação de sua família, e por fim obviamente aceitei a demissão, fato é que este ficou chateado porque eu aceitei a demissão, como se fosse meu papel convencê-lo de continuar na empresa, ou seja, que eu tomasse a decisão por ele.

No âmbito empresarial a legislação que regula a terceirização impede que seja feita sobre atividade fim da empresa, assim esta só pode terceirizar atividades de suporte a este, uma escola não pode terceirizar professores, mas pode com o pessoal de limpeza e segurança. Diferentemente da vida pessoal, onde as pessoas tendem a terceirizar suas decisões mais difíceis, aquelas que tem maior impacto sobre sua felicidade.

Por outro lado, existem pessoas de perfil de decisão rápida, ainda mais quando se trata da vida de outrem, confesso que este é o caso deste que vos escreve, comum que eu complete frases e dê soluções antes mesmo que o outro diga, por isso tenho me policiado, se de um lado não devo tomar decisões por ninguém, também não é justo comigo que eu carregue o peso da responsabilidade por outra pessoa.

A terceirização da responsabilidade sobre nossa própria vida cria frustração, invariavelmente, pois nenhum outro pode saber ou entender o que se passa conosco, geralmente não é uma decisão ecológica e alinhada com sua cadeia pessoal e única de prioridades, não te fará feliz por muito tempo.

Na minha visão, esta onda de terceirização da tomada de decisão é uma crise de alienação, cada vez mais nos foge a consciência e a clareza, vivemos fora de nós mesmos, assim não conseguimos saber o que realmente é importante, você sabe quais são seus valores? O que é sucesso para você?

Algumas pessoas conseguem conviver com esta situação com aparente felicidade, mas na realidade o que acontece é uma dissociação, ou seja, ela passa a viver fora de si, como se estivesse na verdade observando, ao invés de vivenciando, é um ator que interpreta ao invés de um autor que escreve sua própria história.

Convenhamos, mais fácil opinar e decidir pelo outro do que por nós mesmos, quantas vezes já olhamos de fora para o sofrimento ou ansiedade alheia e de pronto demos uma solução? Em outra direção, seja sincero, já se pegou procurando respostas de questões e conflitos internos em palavras e conselhos de outros?

Sejamos justos, um bom conselho, de alguém mais experiente, que queira nosso bem, é importante e nos ajuda muito, mas a decisão é sempre de quem a tem que tomar e não do outro.

Qual sua última grande decisão, aquele que fez mudar muito a sua vida? Seja um curso que foi escolhido pelo conselho de um namorado, ou dos pais, que acabou abandonando no meio, seja aquele emprego que aceitou, passando por cima de algum princípios pessoais, só porque pagava mais e alguém te disse que era o melhor a fazer?

Talvez esteja na hora de tomar a rédea de sua vida, convido-o a ser o autor do próximo capítulo, desejo que tenha plena consciência sobre sua próxima decisão, e que a tomo como o Senhor de Seu Destino.

Não existe segredo, tome DECISÕES CONSCIENTES, todos os dias, é a única forma de ser feliz e realizado!


Fonte: Artigos Administradores / Crise na terceirização… de vidas

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