De tecido rústico a símbolo de geração: a influência cultural do Jeans e a moda contemporânea

De tecido rústico a símbolo de geração: a influência cultural do Jeans e a moda contemporânea

O jeans nos remete ao atemporal e não por acaso, seu papel disruptivo está sempre em pauta. É preciso visitar sua origem para entender esta influência e como alguns elementos seculares são mantidos até hoje

No século 18, nos Estados Unidos, com o propósito de fazer roupas resistentes para o trabalho nas mineradoras, o alemão Claude Levi Strauss apresentou seu primeiro modelo de calça feito com um tecido rústico utilizado para cobrir barracas.
 
Com boas possibilidades de expansão, precisou antes driblar a falta de flexibilidade do tecido e por isso buscou outro como alternativa; uma espécie de estopa de algodão, fabricada em Nimes, na França. 
 
Essa inclusive, é a origem do tão difundido termo ‘denim’ (leia-se ‘de Nimes’) usado em muitas grifes e coleções mundo afora. Já o termo jeans, vem da abreviação de ‘genes’, forma como os marinheiros chamavam suas calças de trabalho em alusão a Genova, cidade da Itália.
 
O JEANS COMO SÍMBOLO
 
O denim, ao contrário do tecido inicial, era tingido com uma tinta vegetal, o Indigus, que de verde passava à azul quando exposto ao sol. Assim nasceu a cor ‘Indigo Blue’, usada na comercialização das calças mais tarde e que caracteriza tão bem o jeans como o conhecemos.
 
A Levi´s, marca de Levi Strauss, fabricou seu primeiro lote de calças denim sob o lote 501, numeração que virou nome do modelo pioneiro, acompanha a marca até hoje e ainda inspira muitos estilistas com seus rebites e botões em metal.
 
As características da calça jeans como durabilidade e resistência são sinônimos de força e versatilidade e essa é a razão pela qual ela se estabeleceu como a melhor roupa para se trabalhar com tarefas pesadas.
 
Além de trabalhadores comuns, também passou a ser usada por caubóis e até pelas forças armadas, ganhando status e imponência. Usada por ricos e pobres, a palavra democratização é a que mais define o Jeans.
 
Já nas passarelas, a primeira marca a trazer o Jeans foi a Calvin Klein nos anos setenta, e apesar de ter sido alvo de críticas na época, não demorou a ser seguida por outras gigantes em desfiles posteriores. 
 
Mais do que vestir, a roupa transmite impressões sobre quem a veste. James Dean interpretando um rebelde sem causa, e na música, as aparições do ídolo pop Elvis Presley, por exemplo, reforçaram o conceito libertador e revolucionário do jeans que marcou toda uma geração.
 
Considerando este cenário, não é difícil entender porque as mulheres só começaram a usar jeans em 1935. Se a participação efetiva da mulher na sociedade deu-se de forma lenta e gradativa, com o jeans não seria diferente.
 
Os primeiros modelos femininos foram anunciados pela Levi´s na Revista Vogue, que na época, já era a mais conceituada revista de moda feminina. Hoje, o jeans não só faz parte da vida das mulheres como também existem linhas com cortes e texturas exclusivas para os modelos femininos. 
 
O JEANS NO BRASIL
 
A indústria de moda Jeans no Brasil movimenta bilhões anualmente. “O mercado brasileiro é um dos três maiores do mundo”, comentou o diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. 
 
Aqui temos a indústria de acabamentos, de produtos químicos e de lavagens, além de ter empresas com tecnologia reconhecida no mundo todo e algodão de boa qualidade, fatores essenciais para o sucesso na competitividade com marcas importadas.
 
O jeans nacional tem algumas características próprias, como o modelo de cintura baixa feminino, que se adequa ao biotipo brasileiro. Grandes marcas de atacado como Villon, Bebela e Trama Jeans são algumas das que criam novos modelos endossam esta versatilidade. 
 
Ziroblog, especializado em moda no atacado, concentra  uma vasta quantidade de marcas e recentemente publicou um post sobre jeans onde se pode constatar a grande variedade de modelos criados por essas confecções. Sem falar nas marcas internacionalmente conhecidas, como Zoomp, Ellus, Forum e M. Officer que dispensam comentários.
 
Vida longa ao Jeans. “A geração Coca-Cola, que tinha o jeans como marca, hoje tem 70 anos”, comentou Marcelo Prado, diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), especializado em pesquisas e análises do setor têxtil e de vestuário. Com essa citação, fica claro que o Jeans está acima da moda, é uma criação com vida própria e seguirá reinventando-se por muitas gerações.

 


Fonte: Artigos Administradores / De tecido rústico a símbolo de geração: a influência cultural do Jeans e a moda contemporânea

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