De volta para o futuro possível

De volta para o futuro possível

Semana passada ocorreu um evento muito esperado pelos fãs do clássico filme De volta para o futuro II, do diretor Robert Zemeckis: enfim, a chegada ao futuro. O seu segundo filme da série (1989) faz referência a um longínquo momento de 26 anos após a sua época, ou seja, dia 21 de Outubro de 2015, e mostra inovações surpreendentes que alimentaram nossas expectativas acerca do futuro e das novidades que nossa sociedade conheceria após esse período de evolução.

Marty McFly e o Dr. Brown foram capazes de interpretar com maestria o entusiasmo que teríamos se nos defrontássemos com a situação de sair de um de DeLorean/anos 80, 26 anos após nossa época, e nos deparássemos com pares de tênis, jaquetas automáticas e um encontro inesperado com nós mesmos em períodos diferentes da vida. Essa experiência, antes de ser uma atração cinematográfica, é uma oportunidade sociológica surpreendente em que raras vezes nos fizeram imaginar com tanta arte essa possibilidade imaginária.

A trilogia do filme despertou em muitos de nós a curiosidade de se viver em lugares diferentes de nosso tempo, tanto no futuro quanto no passado, nos fazendo imaginar o rompimento de barreiras óbvias que nos limitam a viver em uma prisão temporal, e nos obrigam a ter que conviver com tudo aquilo que já conhecemos, e que de certa forma, não nos chama muito a atenção pela obviedade.

Pensar com entusiasmo quando buscamos algo que não conhecemos é algo totalmente natural do ser humano, haja visto o sucesso creditado aos programas televisivos que investigam vidas em outros planetas ou histórias enterradas em enigmas de civilizações passadas, por exemplo. O fato surpreendente, que muitas vezes nos passa despercebido, é o motivo pelo qual esse interesse surge e nutre nossa curiosidade.

Deixando de lado as teorias antropológicas para explicar esse fenômeno, faria muito sentido olharmos para nosso momento presente e nos convidarmos, no tempo atual, à mesma proposta sugerida por Robert Zemeckis de tentar cogitar o futuro.

Vivemos em uma sociedade que colhe os resquícios de uma transformação profunda de paradigmas sociais, onde as concepções de espaço x tempo e virtual x real foram brutalmente alteradas nas últimas décadas. No tempo real de hoje conseguimos transferir informações como nunca antes na história da humanidade, e essa habilidade nos proporciona uma sensação de alcance ilimitado de informações, juntamente com uma capacidade de descartá-las com muita facilidade, como, aliás, já nos alertara Zigmund Bauman em seu conceito de pós-modernidade líquida.

Diante disso, e inspirados pelo filme clássico do qual trata este texto, poderíamos imaginar o futuro de 26 anos após este atual momento em que vivemos e nos perguntar: “Como eu imagino que as coisas estarão em 2041 ?”

Certamente, a resposta variará de acordo com cada pessoa, entretanto, esse exercício nos ajuda a olhar pra frente e estabelecer objetivos claros (com data específica) daquilo que queremos e, como consequência, pensar os caminhos que nos levariam a eles.

Muitas mensagens difundidas pelos filmes não conseguem interagir de forma eficiente com os seus interlocutores, além disso, esse filme do qual falamos pode também não ter sido um marco na vida de muita gente, e se o foi, pode não ter induzido a um questionamento conceitual acerca do tempo, do espaço e de nossas vidas no futuro. Portanto, fazer esse exercício de estabelecer um ano específico, pode ser uma alternativa para pensarmos no hoje, ainda que possa parecer desinteressante, e a projetá-lo, juntamente com os caminhos que nos levarão aos nossos objetivos vislumbrados em 2041.

O marco de 2041 pode ser alterado a partir da expectativa de cada um, o importante nesse caso é olharmos para frente e constatarmos se aquilo que sonhamos está coerente com nossas atitudes atuais, em não estando, a possibilidade de mudar os rumos de nossos atos no presente é uma possibilidade que não existirá no futuro e que agora se faz realidade em nossas mãos. O instante que um dia será ficção, hoje é realidade na mão de cada um de nós, por isso, não aproveitá-lo e não tomar decisões inteligentes que garantam um futuro mais feliz para si pode ser o maior motivo de frustação e desinteresse no futuro.

A máquina do tempo existe, ela corre lenta, dia após dia, estamos dentro dela e sendo transportados para o futuro, entretanto, ela jamais será capaz de voltar ao passado. Por esse motivo, utilize essa fragilidade para plantar hoje as sementes dos frutos que quer colher.

Assim, quando o dia 21 de outubro de 2041 chegar, será momento de se entusiasmar com o resultado de suas atitudes, não será possível voltar no tempo, como muitos irão querer, mas será possível se orgulhar das atitudes que você terá tomado.

Se existe um momento para tomá-las esse momento é agora ! daqui a um instante esse momento será uma ficção, por isso, faça dele uma realidade agradável enquanto é tempo.


Fonte: Artigos Administradores / De volta para o futuro possível

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