Deixe o leão da produtividade entrar na sua organização

Deixe o leão da produtividade entrar na sua organização

A produtividade é assunto cada vez mais frequente nos debates sobre economia, principalmente agora que estamos vivendo uma retração no produto interno bruto. Como nos tornarmos mais produtivos?

A produtividade é assunto cada vez mais frequente nos debates sobre economia, principalmente agora que estamos vivendo uma retração no produto interno bruto.

Thomas L. Friedman, em “O mundo é Plano” 3, recorre a esse provérbio africano bem conhecido para falar de eficiencia, produtividade e competição.

“Toda manhã na África, a gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido que o mais rápido dos leões para sobreviver. Toda manhã um leão acorda. Ele sabe que precisa correr mais rápido que a mais lenta das gazelas senão morrerá de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando o sol nascer, comece a correr.”

Trazendo a analogia para nossa realidade brasileira, podemos afirmar que os leões passam longe das nossas empresas e do nosso país, aqui nós criamos cercas super fortes que impedem que as gazelas sejam atacadas por leões, elas ficam gordas e nem sabem mais correr, só andam a passos lentos.

                  Os concorrentes externos, os leões que mencionarmos, costumam exercer forte pressão sobre a produtividade onde estão presentes. Nos setores e países onde não há concorrência também não há motivo para as empresas investirem em processos produtivos melhores, em inovação, em formação da mão de obra e muito menos em pesquisa e desenvolvimento. Basta continuarem produzindo como sempre produziram e cobrar do cliente. Ele irá pagar, pois não pode comprar o produto produzido fora do país em função das tarifas ou ainda em função de restrições territoriais do próprio setor, como por exemplo, o caso de uma grande empreiteira. Se uma empreiteira estrangeira quiser entrar numa licitação para construir uma ponte ou uma estrada aqui no Brasil ela não poderá contar com seus insumos, cadeia produtiva, fornecedores e mão de obra que utiliza no país de origem, terá que se instalar no Brasil e sofrerá as mesmas restrições que uma empresa nacional sofre.

E se tentarmos melhorar a produtividade sem mexer nessas restrições a importação, e sem aumentar a concorrência? Até 2014 essa fórmula foi bastante utilizada, o raciocínio é o seguinte: se eu quero produzir mais basta contratar mais gente, o mais barato possível, e comprar mais matéria-prima. Pois bem, em 2014 atingimos o menor índice de desemprego da nossa história, colocamos todo mundo para trabalhar, e mesmo assim fechamos o ano com baixo crescimento. O “pibinho 2014” é o exemplo concreto de que contratar mais gente barata não basta, os ganhos marginais (incrementos) não se sustentam por muito tempo. Além disso, houve aumento real da renda dos trabalhadores, portanto pagamos mais para as pessoas entregarem o mesmo resultado ou em alguns casos entregarem menos. O que esse cenário gerou no fim das contas foi inflação, é a lei da oferta e da procura. Maior procura sem aumento da oferta faz com que os preços aumentem. Esse cenário só entra em equilíbrio se as empresas conseguirem ofertar mais produtos pelo mesmo preço, e isso só é obtido fazendo mais com menos, ou seja, aumentando os níveis de eficiência e produtividade.

A necessidade de combater a baixa produtividade é muito clara também para o governo, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo 1, deu entrevista recente sobre esse assunto e fez as seguintes declarações:

Países que inovam, apoiados em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ocupam posições de destaque entre as nações, como acontece atualmente com os Estados Unidos. Quando você investe em conhecimento, está maturando investimento em empregos, em indústria”. 

Em estudo recente publicado pela revista Harvard Business Review 2 são apontadas quatro alavancas para se alcançar altos níveis de produtividade e desenvolvimento:

  1. Colaboração global entre as empresas, para compartilharem boas práticas.
  2. Estimulo a entrada de novas empresas no mercado.
  3. Recursos humanos capacitados e disponibilidade de capital para investimento.
  4. Adoção de novas tecnologias, que deve ir além dos equipamentos e softwares, deve ser somada à capacitação da mão de obra e melhores técnicas de gestão.

A entrada de novas empresas é a alavanca mais poderosa de estímulo a produtividade. Empresas pequenas e médias são mais rápidas e inovadoras, tem mais apetite por risco. Por conta dessas características elas acabam encontrando formas mais eficientes de trabalhar e estimulam todo setor a melhorar. Temos exemplos comprovados desse movimento analisando por exemplo o setor aéreo, as novas empresas que ingressaram nos últimos 15 anos simplesmente mudaram a cara do setor. Essa revolução também ocorre na área de tecnologia da informação, as empresas que oferecem serviços baseados em nuvem estão prestando serviços muito mais baratos e eficientes do que é prestado pelos grandes datacenters tradicionais.

O governo tem papel crucial na pressão por produtividade e inovação. Ele deve promover a entrada de novos players, driblando o lobby e chantagens das gazelas mais lentas que clamam a todo o momento pela adição de novas barreiras de proteção e subsídios para fugir da concorrência externa, usando a desculpa de que vão ter que cortar postos de trabalho, para pressionar o governo e a opinião pública. É mais do que comprovado que monopólios e oligopólios reduzem o tamanho do mercado e também os postos de trabalho.

Mas não se trata apenas de culpar o governo, saindo da macro economia, nós como indivíduos somos bastante resistentes a mudanças e nos condicionamos a não pensar em alternativas, a simplesmente seguir a multidão. Em condições normais só nos movimentamos quando somos ameaçados.

Conhecendo todos esses fatores que discutimos não há porque racionalmente ficarmos esperando o governo para começar agir.

Quando você vai deixar os leões da produtividade entrarem na sua empresa ? O que está impedindo você de fazer isso?

Seus processos produtivos estão enxutos e são eficientes?

Que tal começar a criar leões para atacar as gazelas dos outros?

Lembre-se, as gazelas mais lentas são as primeiras a serem capturadas pelos leões. Quando as mais lentas são capturadas o grupo todo anda mais rápido.

Referências:

  1. Ministro diz que Brasil está perdendo a capacidade industrial e de inovação – http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2015/03/25/ministro-diz-que-brasil-esta-perdendo-a-capacidade-industrial-e-de-inovacao/ , acessado em 26/8/2015.
  2. Productivity Is Soaring at Top Firms and Sluggish Everywhere Else – https://hbr.org/2015/08/productivity-is-soaring-at-top-firms-and-sluggish-everywhere-else , acessado em 25/8/2015.
  3. O mundo é plano. Uma breve história do século. XXI, Thomas L. Friedman


Fonte: Artigos Administradores / Deixe o leão da produtividade entrar na sua organização

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