Dia Nacional do Administrador: momento de comemoração ou de reflexão?

Dia Nacional do Administrador: momento de comemoração ou de reflexão?

Dia 09 de setembro, comemora-se o dia nacional do Administrador. Dessa maneira, o presente artigo tem a intenção de proporcionar uma discussão a cerca dos processos formativos da profissão

Desde 09 de setembro de 1965 comemora-se no Brasil o dia nacional do Administrador. A data ficou estabelecida através da Lei nº 4.769 que instituiu a profissão no país, fato esse concretizado pela resolução 65/68 do Conselho Federal de Administração em 09 de dezembro de 1968.

Lá se foram 50 anos e atualmente muito se tem a discutir sobre o papel, função, desafios e, principalmente, precarização na atuação e formação dos Administradores no país.

Para motivar a discussão, analisam-se os últimos 12 anos, período pelo qual se inflamou no Brasil o discurso de “oportunidades para todos”. Nesse espaço de tempo, uma enxurrada de cursos profissionalizantes bem como superiores inundou o país, oferecendo mundos e fundos, embasados na necessidade de alta formação e inserção de cidadãos no mercado de trabalho.

Como toda política pública e educacional, quando mal planejada oferece fragilidades, hoje se percebe que existem mais vagas do que pessoas para ocupá-las, e o pior, com qualidade cada vez menor, “preços competitivos” e concorrência institucionais instigadas pelos programas governamentais. Nesse cenário o curso de Administração se destaca pela expansão desenfreada.

Considerando a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, interior de São Paulo, constata-se que mais de 70% dos cursos profissionalizantes e de ensino superior oferecidos na região são direcionados a cursos de Administração ou correlatos. Cada nova faculdade ou escola de nível médio que se propõe à profissionalização de mão de obra, traz em seu escopo curricular algum curso de gestão. Banalizando a profissão.

À vista disso, percebe-se no decorrer e após o processo formativo dos administradores, duas características preocupantes: base mínima de teoria e pouca visão prática do mercado. Esse resultado pífio é o reflexo do que se é cobrado pelos órgãos competentes para implantação e funcionamento desses cursos, bastando um laboratório de gestão, livros da área na biblioteca e algumas máquinas com acesso a internet.

É assim que se formam administradores?

E como mudar esse cenário?

Embora, não se tenha a pretensão de apontar culpados, mas, prováveis soluções para amenizar a banalização do ensino administrativo e formação de profissionais (respeitados) na área, talvez uma atuação mais ativa e representativa dos Conselhos Federal e Regional de Administração seriam fundamentais.

Como base a essa explanação, cabe destacar a atuação de outras organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil que já sinalizou repúdio à criação excessiva de novos cursos de Direito e o Conselho Regional de Medicina que está intervindo rigorosamente contra Faculdades com interesses restritamente financeiros. Sob essa óptica, acredita-se que seria de suma valia a interferência dos Conselhos de Administração sobre as questões relacionadas a qualidade versus quantidade, a partir dos cursos de formação.

Outra estratégia que poderia alcançar resultados diferenciados através da atuação dos Conselhos seria imposição de ações simples como, por exemplo, para validade de documentos empresariais (em todas as classificações de empresas MEI, ME, EPP, etc) tornar-se a assinatura de um administrador de formação compulsória, assim como é exigido em um processo judicial o acompanhamento de um advogado. Deste modo, acredita-se que com a necessidade de aprovação para exercer a devida classe profissional, as faculdades em especial que formam tecnólogos e bacharéis teriam que investir em qualidade e não se preocuparem restritamente com a quantidade, como se observa.

Em síntese, a aproximação entre instituições de ensino e conselhos da classe profissional se torna elementar, pois, é cabível dizer que se houver união, cada vez mais a profissão será fortalecida, e para tal, metodologias e sistematizações devem ser criadas e acompanhadas em conjunto.

Por fim, como o título do texto propõe: momento de comemoração ou de reflexão? Acredita-se que ambas as situações são propícias, devida ao momento atual. É hora de a Administração assumir sua verdadeira função que é propor soluções práticas aos problemas que se enfrenta no dia a dia, seja, no âmbito econômico, político, empresarial e consequentemente social, para isso, necessita-se de profissionais críticos, antenados e envolvidos com o mundo em geral.

FELIZ DIA DO ADMINISTRADOR.


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