Domine as emoções em meio ao estresse

Domine as emoções em meio ao estresse

Controlar as emoções no ambiente de trabalho é tão importante quanto ter domínio técnico da área de atuação, pois embora não perceba, a obtenção do sucesso envolve atender em 70% competências comportamentais e 30% técnicas

Domingo de manhã saí para jogar bola como é habitual, não havia ninguém no campo para minha frustração, decidi aguardar mais trinta minutos na esperança de que os moradores acordassem e decidissem juntar-se a mim.

Dentro do carro ouvindo música do meu agrado vi um grupo imponente chegar e estacionar suas viaturas, instalando suas caixas térmicas improvisadas e enchendo-as com bastante gelo, cerveja e água. Pensei, hoje talvez seja um dia turbulento visto que para além de numerosos, não estavam dispostos a partilhar o campo nem a bola, mas o que eu não sabia é que este seria um dia inesquecível.

Os companheiros da minha equipa (todos éramos desconhecidos uns dos outros) trouxeram a mensagem de que o outro time não queria divertir-se connosco, a diversão seria apenas entre eles, sorrindo disse aos outros: Talvez eles desconheçam as regras deste campo “todos podem jogar independentemente da equipa”. Então fomos obrigados a criar uma equipa de negociaciação para fazer valer a nossa vontade e após alguma discussão chegamos a um acordo: dez minutos ou dois golos.

O jogo começou e a equipa adversária ditou o ritmo e a nossa apenas deixou-se levar influenciada pelas atitudes deles, com algumas irregularidades perdemos a partida e saindo demos lugar a outra. Percebi que e eu e meus colegas estávamos nervosos e apreensivos devido a garra e dinamismo demonstrado pelo adversário. Foi então que propus-me a pensar numa solução para o problema e inverter o quadro, pensei comigo mesmo: que tal colocar em prática os ensinamentos de Dale Carnegie (Torne-se Inesquecível) e analisei bem o time que nos havia batido:

  1. Estavam na sua maioria sob efeito do álcool, portanto não suportariam por muito tempo o jogo rápido e exaustivo do futsal;
  2. Não estavam em sintonia, erravam muitos passes e não trocavam a bola com exactidão necessária.

Em seguida fiz o mesmo exercício mental na minha equipa e conclui:

  1. Éramos tecnicamente superiores;
  2. Não estávamos sob efeito de álcool;
  3. Estávamos nervosos e receosos da impetuosidade assistida em campo;
  4. As emoções tomavam conta de nós;
  5. Carecíamos de uma voz de comando.

Na ausência de um capitão indicado, tomei as rédeas e segui em frente no comando, conversei com cada membro encorajando-os um a um e pedi que jogassem com calma e cérebro. Chegada nossa vez de entrarmos novamente em campo, galvanizados trocávamos a bola com inteligência e precisão, a cada jogada puxava pelos companheiros elogiando-os e corrigindo as falhas ponderadamente e por fim a equipa entrou nos eixos e tomou conta da partida.

Após o golo que dava o placar de 3 a 1 para nós, não surpreso fui informado de que não mais valia o acordo feito antes do jogo, em risos internos sussurrei “está a funcionar eles não estão a resistir a pressão“ e dali em diante passaram a existir somente duas equipas dentro e fora do campo. Dominamos o jogo por boa parte dele impondo nossa pedalada e distanciando-nos no marcador.

Porém a bola em uso não era das melhores e dificultava algumas jogadas, todavia fomos agraciados com uma bola original por um kota (mais velho) que aproximou-se com o intuito de se exercitar, demos a primazia ao senhor e passamos a ter uma responsabilidade moral com ele.

Em campo o kota mostrou ter habilidade e também ter sido castigado pelo tempo, com alguns passes desequilibrava os adversários mas como a idade pesava e a bola era dele tínhamos de ter algum cuidado para substituí-lo ou o jogo estaria comprometido, embora tivesse bons toques seu rendimento era insuficiente para a exigência no momento e parecia que jogamos com um menos.

À beira de sermos empatados, decidi dar lugar para incentivar os outros a fazerem o mesmo e refrescarmos a equipe, estávamos a ser vencidos pelo cansaço quando de repente a bola do kota furou, rapidamente raciocinei não temos mais compromissos morais com o Paizinho, é hora de pensar seriamente na sua substituição então pedi que um dos colegas se preparasse e começamos a sensibilizar o kota de maneira amena e descomplicada, ele no entanto atendeu o nosso pedido tardiamente.

Não resistimos e consentimos o empate, cientes de que queríamos ganhar o jogo fizemos algumas mexidas. Eu já me encontrava no banco e subitamente me dei conta de que se tratava de um jogo de domingo sem compromisso de vencer ou perder, não importava muito a habilidade nem a técnica mas sim a amizade, camaradagem e espirito de equipa. Meus colegas gozando de algum frescor físico ainda voltaram a dominar o jogo, tendo sido notado pela outra equipa que solicitou trégua propondo um novo acordo aceite por nós que ao sair da bola estaria terminado o encontro e não demorou muito para que tal acontecesse.

Num espirito de confraternização nos saudamos e despedimos com a promessa de um novo encontro em breve.

Nunca me havia passado pela cabeça que de um jogo de bairro pudesse aprender tantas lições de vida e comprovar os escritos de Dale Carnegie.

 1-     Não tome decisões influenciadoa pelas atitudes dos outros:

 Quando nos foi imposto um ritmo apenas aceitamos incontestavelmente;

 2-     Por mais difícil e complicado que seja a situação procure manter-se calmo e sóbrio

 O número do adversário e sua agressividade intimidaram-nos. Somente quando agímos com calma e cérebro dominamos o jogo;

 3-     Tome decisões inteligentes, rápidas e boas

Não foi fácil ter o kota em campo e negociar com o outro time para que não o atacasse com muita veemência de formas a não o lesionarem. Saber que sua performance estava abaixo da expectativa e  mantê-lo a jogar exigia alguma ponderação, afinal  ele era dono do tesouro ( a bola).

 4-     Não tome decisões baseadas somente em emoções

 Um fato ocorrido que não relatei foi quando o grandalhão do outro lado nervoso com a minha intervenção rematou a bola sobre o meu corpo e assinalou falta, de facto era, a bola havia tocado em minha mão esquerda, voando em minha direcção o grandalhão aproximou-se com ar intimidador. Olhava  de cima para baixo e vociferou: Foi falta! Olhei nos olhos dele e respondi: Sim foi, e todo time zangou-se comigo, pedi que tivessem calma e que não relevassem. Um dos colegas enraivecido esbravejou: Porquê temos de aceitar as faltas deles quando eles não aceitam as nossas, apenas respondi: nós aceitamos as deles.

Eu estava convicto de que o grandalhão erraria o alvo (penalte), pois ele estava concentrado em mim e não no resultado. Após o falhanço esperado eu olhei para o time como que querendo dizer-lhes confiem em mim sei o que estou a fazer e em seguida mirei o olhar fulgurante para o grandalhão e levantei os braços em tom de interrogação e disse: e então ?

Ele se deixou levar pelas emoções e eu optei por controlar as minhas, nem quero sequer pensar na hipótese de ter perdido o controlo,  provavelmente apanhar uma sova e incitar uma confusão geral.

Agora sim, entendo a importância de um capitão de equipa e também de um líder de grupo, é dentro do campo que se assume as rédeas e é com paciência e perspicácia que se corre atrás dos resultados, porque o técnico assim como o gestor máximo de uma companhia traçam as directrizes de actuação e ficam nos bastidores aguardando o resultado final, cabe ao jogadores e liderados agirem com cérebro e calma para garantirem o grito da vitória.

 Quanta lição num simples jogo de domingo.


Fonte: Artigos Administradores / Domine as emoções em meio ao estresse

Os comentários estão fechados.