E agora Temer?

E agora Temer?

O desafio de governar o Brasil da crise

Parece mais um dos questionamentos do saudoso Carlos Drummond de Andrade. E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, Você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Essas perguntas podem tirar o sono de muitos Brasileiros e até da “gente do estrangeiro”, mas quem não deve ter muita paz mesmo é Michel Temer. Em meio ao conturbado contexto econômico e político ao qual o Brasil se encontra, o mercado vê com olhos esperançosos o surgimento de um novo governo.

Não é novidade que o governo Dilma fracassou ao tentar “agradar” segmentos mais conservadores e acabou perdendo as rédeas da situação. Em 2015, com o agravamento da crise internacional, somado a crise hídrica que se agravou, a economia sofreu forte recuo. Pra piorar, o governo teve que fazer a contenção dos gastos públicos e para isso aprovou uma série de medidas consideradas antipopulares a classe trabalhadora a outros setores que até então eram a bandeira do governo, como o MST e polêmicas envolvendo a reforma agrária. Como se não bastasse, ainda havia a crise política, agravada pelo cenário econômico e pela oposição inconformada com a derrota nas eleições. Em 2016, apesar da estabilização da crise hídrica e a retração da inflação, a popularidade baixa do governo não foi capaz de sustentá-lo, o que culminou no afastamento da presidente Dilma.

Se Juscelino tinha como lema “50 anos em 5”, agora Michel deveria adotar “516 anos em 6 meses”, ironias a parte, o novo governo terá que encarar algumas pautas desafiantes e que podem ser fatais ao Sr. Temer. Vejamos;

 Inflação

A estabilização da crise hídrica trouxe novamente a bandeira verde para os consumidores e impulsionou o recuo da inflação no primeiro quadrimestre. A queda na inflação também foi impulsionada pela alta da taxa Selic e o aumento do desemprego, que geraram uma redução geral no consumo. Assim deve terminar o primeiro semestre e o segundo semestre. Mas o governo deve ficar atento, pois uma nova crise hídrica pode alterar esse cenário.

 Desemprego

O desemprego atribuído a crise internacional e ao aumento generalizado dos preços (inflação) não deve diminuir segundo especialistas, mas será uma das principais agendas de Temer para tentar estimular a economia e a confiança dos brasileiros. O estímulo pode vir da baixa de juros da taxa Selic, visando estimular o consumo.

Dívida Pública

A dívida pública interna Brasileira cresceu vertiginosamente de 2005 pra cá, especialistas dizem que a Dívida pública poderá encerrar 2016 em R$ 3,3 trilhões, o que na prática é mais que 50% do PIB de 2015 que chegou a R$ 5,9 trilhões. Para conter o aumento da Dívida, Temer deve fazer concessões e privatizações, o que não será suficiente, nessa dança pode entrar inclusive os bancos públicos e os Correios. Dilma tentou recriar a CPMF, mas não teve apoio no congresso e agora com a proximidade de Paulo Skaf, Presidente da Fiesp e afilhado político de Temer, é que o novo governo não deve mexer no aumento da carga tributária. Uma saída para o governo é lançar mão das reservas internacionais, o que seria muito perigoso, mas chegou a ser cogitado por Dilma.

Medidas Antipopulares

Entre a cruz e a espada, essa é a melhor definição para o novo governo que tem a missão agradar ao empresariado sem se queimar com o povo. Mas nessa queda de braço é provável que o povo seja novamente surpreendido com algumas medidas antipopulares, como a reforma previdenciária por exemplo.

Programas Sociais

Os programas sociais não devem sofrer ação direta de corte por parte do governo, mas devem ter um acesso mais restrito a partir do novo governo, é o famoso, “fazer para manter”.

Política

Temer terá de fazer concessões políticas para governar com a oposição recalcada. A base do PT e suas alianças não devem ser tão decisivas na aprovação de novas medidas, mas pode representar uma pedra no caminho do atual presidente e talvez sejam considerados como ameaça.

Conclusão

De forma geral, são muitas expectativas de diversos segmentos em um curtíssimo prazo. Espera-se que o Governo Temer promova a circulação da economia, a redução do desemprego, contenção dos gastos públicos e o aumento do investimento nacional e internacional. Tudo isso por meio de menos intervenção Estatal num viés liberal contemporâneo. Para finalizar, recorro novamente a Drummond que nos fala sobre José “Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais! José, e agora? ”


Fonte: Artigos Administradores / E agora Temer?

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