E…falando de poder…aquisitivo

E…falando de poder…aquisitivo

Discreta crítica ao excesso de consumismo, como forma de inserção sócio-econômica

       A felicidade maior dos tempos atuais parece, sorumbaticamente, ser representada pela possibilidade de “CONSUMIR”. Não fazê-lo gera um clima de depressão e fracasso, excluindo-nos do bem estar material que representa o símbolo maior de sucesso e, ao que aparenta ao visual do consumidor, a própria razão de existir.

       Facilmente, as pessoas orgulham-se do que compram, sendo ingênuas ao ponto de venderem a sua própria imagem através de algo, tangível de preferência, que demostre a outrem o quanto “PODEM”. Há um consenso maquiavélico pela exacerbação das relações mercantis, transformando tudo e todos num imenso armazém.

        A filosofia clássica com seu preconceito ético, a teologia cristã com os anátemas contra a usura , o socialismo com sua condenação ao capital, os valores trancendentais com sua promessa de valores superiores, tornaram-se apenas um pano de fundo para um espetáculo maior, que é a realidade quotidiana, em que milhares ficam imensamente felizes com o seu poder: o aquisitivo, o de poder consumir.

        Não há promessa de imortalidade após o pagamento do carnê, apenas a satisfação imediata da quitação. A importância da arte é medida pelo preço da produção ou pela bilheteria que propicia. O sucesso é balizado pelo patrocínio publicitário que recebe. O “MERCHANDISING” parece ser a maior invenção da humanidade, suplantando, juntamente com o uso da mídia, qualquer outro tipo de engenho humano inventado antes.

        Um pouco deste mágico poder, fará de tolos, sábios; do mal, um bem; do vil, um nobre. A hora do especulador tem lugar garantido em todos os noticiosos, nosso novo herói, que qual cavaleiro paladino domina as grandes messes deste mundo argentário.

        Este movimento irracional do consumo, ” da ganância sem causa” citada nas obras de S.Tomás de Aquino, da busca desenfreada e sem ética do PODER AQUISITIVO como um fim em si, está levando intelectuais e economistas a um choque de reengenharia na definição e no futuro da economia em si e da própria humanidade.

        Nem Adam Smith, nem Karl Marx e muito menos John M. Keynes imaginaram a sociedade industrial e informatizada como escravizante da ética e dos valores humanos. Pelo contrário, a única finalidade válida para o PODER AQUISITIVO é permitir ao carente a realização de suas necessidades, criando uma sociedade harmônica e solidária.

        TER jamais será igual a SER. O”TER DA HUMANIDADE”possui o horizonte temporal que nosso poder aquisitivo nos der. O”SER” é e será sempre eterno, mesmo que durmamos numa cama de palha e nossa veste seja a dos indigentes e mendigos dos caminhos do mundo.


Fonte: Artigos Administradores / E…falando de poder…aquisitivo

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