E se ainda fôssemos Branca de Neve? A mulher no mundo contemporâneo

E se ainda fôssemos Branca de Neve? A mulher no mundo contemporâneo

A mulher ao longo da história vem conquistando seu espaço, principalmente nas organizações, que cada vez mais estão valorizando essas profissionais, mas, e se ainda fôssemos como a Branca de Neve?

As mulheres têm conquistado ao longo da história sua posição na sociedade, seja ela como empresária, CEO, vendedora, engenheira, escritora, dentre tantas outras atividades que podem executar com maestria.

Este artigo foi motivado pela leitura do livro “O Plural do Diverso: conversas sobre a dignidade humana”, do escritor mato-grossense, José Ricardo Menacho, que com grande delicadeza descreve o cotidiano da pessoa humana em suas mais variadas nuances, no entanto, não menos importante, observando a vida e seu pluralismo de uma forma poética e digna.

O autor, em uma de suas crônicas, faz uma interessante interlocução entre a história da Branca de Neve e o imaginário misógino que ainda paira sobre a mulher na atualidade. Em uma das relações feitas, destaca o condicionamento da vida feminina a um príncipe, a um homem, evidenciando o que hoje ainda presenciamos da mulher como um ser para o outro, não para si:

[…] Acresça-se aos elementos mencionados a figura do príncipe, do homem sem o qual o destino da princesa jamais seria de bem aventuranças, o que fortalece a ideia da mulher como um ser para o outro, que vive e depende do outro, e não como um ser que existe para si mesmo, dotado de autodeterminação (MENACHO, 2015, p. 62/63).

A mulher traz consigo uma liderança nata, pois, sempre coube a ela, para além dos afazeres do lar, o comando das empresas e das cidades em épocas de guerra, o fabrico de armas e munições e, quando, por muitas vezes, não tinham que seguir para o fronte. Nem por isso, o reconhecimento veio de forma fácil, muitas lutas foram travadas e muitas vidas foram ceifadas. E ainda hoje muitas mulheres são condenadas por impor suas vontades e tentar despadronizar a forte cultura patriarcal da sociedade em que vivem.

Nesse contexto, retomamos ao mundo dos negócios em que cada vez mais as mulheres se sobressaem como líderes em multinacionais, sendo chefes de Estado e destacando-se em diversos seguimentos até então tidos como exclusivamente masculinos. Apesar de ainda serem a principal responsáveis pelas tarefas da casa, as conquistas profissionais e acadêmicas são visíveis, no entanto, ainda há muitas “Brancas de Neve” por aí, que ainda não conseguiram sua tão sonhada liberdade profissional, mas, que ainda sonham e, a seu modo, brigam por um final feliz próprio.

E se ainda fôssemos Branca de Neve? Ficamos com esta interrogação, pois, ainda há muito por conquistar. Muitas mulheres ainda precisam ver que nem sempre ser “a princesa” lhes trará um final feliz. Nesse sentido, talvez seja por essa razão que ao final de sua crônica o autor afirma: “Era uma vez uma princesa chamada Branca de Neve que, ao proclamar a sua independência, seguiu seu caminho, de cabeça erguida, convicta de suas escolhas, na longa estrada da vida”! (MENACHO, 2015, p.64).


Fonte: Artigos Administradores / E se ainda fôssemos Branca de Neve? A mulher no mundo contemporâneo

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