Educação, problema

Educação, problema

Estamos no auge da Era da Informação e da evolução de diversos sistemas ao redor do mundo. Seja na ciência, na política, na religião ou no entretenimento, dia após dia, presenciamos as quão rápidas são as mudanças das técnicas e tecnologias. Ainda assim, mesmo com a necessidade de desenvolvimento rápido do ser humano e seu estilo de vida, há uma parte de nossas vidas que não acompanhou o ritmo de mudanças drásticas: a educação escolar

No Brasil, é comum ouvir frases do tipo “Graças a Deus, tenho dinheiro para pagar uma escola particular aos meus filhos, porque se ele estivesse em uma escola pública…”, “Pelo amor de Deus! Pago absurdos nessa escola e o moleque ainda tira nota vermelha” e “Ensino de qualidade, só nos Estados Unidos”. Aparentemente, não importa se pagamos a escola com impostos ou mensalidades, o fato é que sempre há discordância entre o objetivo da instituição escolar e o resultado apresentado nos alunos.

Será que o ensino escolar é criticado negativamente apenas em nosso país?

Sem muita pesquisa, já imaginamos a resposta para a pergunta acima. Recordo da primeira vez que o Pink Floyd detonou a minha mente com uma das maiores obras feitas pela banda. Trata-se da segunda faixa de Another Brick in the Wall, a famosa composição que rodeia uma frase dita em coro pelos alunos: “We don’t need no education”.

Nota: Tanto ao ouvir essa música, quanto ao ler este artigo, é preciso entender que a educação escolar não está, necessariamente, relacionada com a educação proveniente de progenitores, aprendidas em âmbito doméstico. Esta última sofre interferência de fatores sociais como tradições familiares, cultura local, dogmas de religião, etc.

Analisando o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – Global, encontramos a Noruega, Austrália e Suíça ocupando as três primeiras colocações dos países com os maiores índices, enquanto o Brasil encontra-se empatado com a Geórgia e Granada, em 79º posto.

Comparando os números do campeão em desenvolvimento humano e o nosso país, mapeamos a seguinte tabela:

FATORES

Reino da Noruega

República Federativa do Brasil

IDH – RDH/14

1ª colocação (0,944)

79ª colocação (0,742)

GOVERNO

Monarquia constitucional

República federativa presidencialista

INDEPENDÊNCIA

7 de junho de 1905

15 de novembro de 1889

POP – 2013

 5.1 milhões 204.4 milhões 

PIB – 2013

515.8 bilhões  2.24 trilhões 

TERRA

385.155 km²   8.515.767 km²

EDUCAÇÃO

Tradicional

Tradicional

 

 

 

 

 

 

 

 

Os sistemas políticos são ideologicamente diferentes; o espaço territorial do Brasil é 22 vezes maior que o espaço territorial da Noruega, ao tempo em que a população brasileira equivale a 44 vezes a população norueguesa.

Com tantas características diferentes, por que o sistema de educação escolar, estruturalmente, é semelhante?

Após algumas horas de pesquisas e olhos voltados à vida de uma sociedade “que produz para trabalhar ao invés de trabalhar para produzir” (Gorz 1982, p. 92), percebe-se que o ser humano permeia toda a sua existência na prática do trabalho e este é o ponto crucial que responde à pergunta anterior.

Comumente, as crianças escutam de adultos a famosa frase “O que você quer ser quando crescer? ”, com o intuito de questionar não o estilo de vida a ser seguido, mas com o intuito de questionar a profissão que será escolhida (por opção própria ou não).

O problema é que não sabemos ficar sem trabalhar. A maioria prefere um trabalho estúpido a um ócio inteligente. Porque a escola e a família nos ensinam somente como viver aquelas 80 mil horas de trabalho (durante a nossa vida). Não nos ensinam a viver aquelas que sobram, e, portanto, ou nos aborrecemos ou agarramos qualquer vício ou nos tornamos um ser criativo. Temos de ensinar a nova geração não tanto como se trabalha, mas como aproveitar bem as horas vagas. (Del Masi, 1996)

A instituição escolar, sempre foi e sempre será um canal de aprendizagem passiva, onde o aluno está fadado a ser moldado para a necessidade do mercado de trabalho.

Não cabe a este artigo questionar se a metodologia da educação passiva e o seu objetivo são falhos ou eficazes, e sim apresentar ao leitor a educação ativa e seus benefícios.

Educação ativa e seus benefícios

Uma das principais diferenças entre as educações ativa e passiva é, respectivamente, a existência do estudante e do aluno como protagonistas. O interessante, ao tempo em que estudante designa o indivíduo que se empenha em algum tipo de estudo e que busca o alimento intelectual por conta própria, podendo fazer isto de maneira individual ou sem recurso a professores, o aluno (do latim alumnus, sem luz) é o termo destinado ao indivíduo que recebe formação e instrução de um ou vários professores ou mestres para adquirir ou ampliar seus conhecimentos[1], geralmente nas áreas intelectuais, levando em conta que existem diferentes aptidões e estilos de aprendizado para cada aluno – principalmente à medida em que avança na vida escolar[2].

Sendo assim,

  1. Uma vez que a busca pelo conhecimento parte de um ser interessado, a eficácia de aprendizado é garantida.
  2. Naturalmente, o estudante legítimo busca os canais visuais, auditivos, presenciais ou virtuais em que melhor se adaptam na apuração do aprendizado.
  3. O sistema de frequência é intrínseco do indivíduo.
  4. Ao tempo em que surge um público disposto a adquirir conteúdos em meios diversificados, novos nichos de comunicadores também surgem, gerando um novo mercado.
  5. São formados homens e mulheres com conhecimentos interdisciplinares, com níveis mínimos de pesquisadores e mentalidades mais desenvolvidas, tanto para a lógica quanto para a criatividade.
 
Os tópicos acima exigem discussão, pois tratam sobre a opinião do autor que vos fala, alguém que usa da educação ativa para todos os ramos da vida, suscetível a equívocos e mudança de ideias a partir de apresentação de melhores argumentações.
 

O que você acha da educação ativa? Ela pode conviver com a educação passiva ou uma elimina a outra? Necessita de mais investimento? Causaria impactos positivos ou negativos na sociedade?

Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014 – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – Global: http://www.pnud.org.br/arquivos/RDH2014.pdf (p. 160/161)

DEL MASI, Domenico. “Pela valorização do ócio e de um novo bem-estar”. O Estado de S. Paulo.  Caderno 2, 10/3/1996, p. 18.

GORZ, André. Adeus ao proletariado:  Para além do socialismo.  Rio de Janeiro:  Forense Universitária, 1982. 

[1] NOVA ESCOLA – REPORTAGEM – “É essencial para o professor saber como o aluno aprende”

[2] Educar para Crescer – “Na Escola – Um guia de sobrevivência para o aluno do Ensino Médio”


Fonte: Artigos Administradores / Educação, problema

Os comentários estão fechados.